Reportagem do Science Alert, da Austrália, relata uma pesquisa na qual 73% dos entrevistados acima dos 65 anos pensam na possibilidade de utilizar aparelhos auditivos, mas ficam em dúvidas devido aos estereótipos associados aos idosos. Clique aqui para ler a matéria e aqui para ler um artigo publicado pela Australian Hearing sobre atitudes a respeito da perda da audição.
Categoria: Locais
Polícia liberta jovem de cativeiro
Acredite. Leia a notícia de A Tarde.
Notícia do dia: Mulheres brasileiras em Portugal sofrem com a discriminação e têm dificuldade para alugar apartamento
Reportagem de Fernando Moura, para o UOL, apresenta uma cuidadosa reflexão sobre os resultados de uma pesquisa conduzida em Portugal sobre a discriminação contra imigrantes brasileiros. Clique aqui para ler.
Estereótipos e humor: Playboy do Oriente Médio
Contribuição: Vanessa Carvalho

Estereótipos e quadrinhos: um alemão na praia
Estereótipos e humor: não conte vantagem pro mineirinho
Três paulistas querendo contar vantagem pro mineirim:
1º. paulista: – Eu tenho muito dinheiro… Vou comprar o Citibank!
2º. paulista: – Eu sou muito rico… Comprarei a Fiat Automôveis.
3º. paulista: – Eu sou um magnata… Vou comprar a Usiminas. E os três
ficam esperando o que o mineiro vai falar.
O minerim da uma pitada nu cigarro de paia, ingole a saliva… faz uma
parsa … e diz: – Num vendo…
Resenha – Homossexualidade e preconceito: aspectos da subcultura homossexual no Rio de Janeiro
Maria Fernanda Saback
Liberdade ou isolamento?
No artigo “Homossexualidade e preconceito: aspectos da subcultura homossexual no Rio de Janeiro” encontramos importantes reflexões acerca dos preconceitos enfrentados por homossexuais a partir da década de 70 e as construções de espaços urbanos na formação das subculturas, assim como a transição desses locais até os dias atuais. Os autores fazem uma distinção nítida entre a formação dos guetos nas cidades norte-americanas que seriam espaços urbanos maiores, completamente dominados pelos que ali se segregam com seus mercados e toda uma arquitetura socioeconômica voltada para os mesmos. A subcultura seria a formação de espaços menores de encontros e de identificação, possibilitando um maior entrosamento e afirmação dessas identidades grupais menores, tantas vezes excluídas pela maioria da sociedade.
De acordo com Plummer, as subculturas são resultantes de sociedades complexas onde não existe um sistema de valor único. Nesse sentido as subculturas seriam entendidas como uma forma de resistência, criando-se um espaço de livre expressão. Seguindo essa lógica os autores apontam para uma formação grupal positiva, envolvendo três aspectos: o reconhecimento de que certas desvantagens não são derivadas de experiências pessoais, que os aspectos minoritários do grupo são ilegítimos e derivados de preconceito e o desenvolvimento de uma identidade grupal positiva que como conseqüência gera a noção de comunidades homossexuais. Pessoas que participam de uma comunidade estabelecem relações virtuais ou face a face de modo que nem toda comunidade é uma subcultura. No Rio de Janeiro o autor defende que se pode falar tanto em comunidade quanto em subcultura homossexual (a noção de comunidade implica uma noção de identidade compartilhada, no caso especifico dos homossexuais.).
Fica registrada a importância desses espaços, na medida em que a rua é considerada um lugar heterossexual. Na medida em que se criam lugares específicos fica liberado a livre expressão de seu modo de ser, como andar de mãos dadas, beijarem, etc. Sob esse aspecto criam-se espaços de transitoriedade e de refugio ao preconceito. Por outro lado alguns lugares podem também ficar estigmatizados e serem alvos fáceis de manifestações homofóbicas. Nesse sentido há uma certa contradição, pois que se criam espaços para se estar mais livre, ter uma sensação de identidade, não obstante a própria necessidade de se criar espaços próprios revela o caráter excludente e preconceituoso da sociedade carioca, nesse caso. O texto, porém reafirma a construção de tais lugares como resistência cultural de grande simbologia.
No caso da subcultura brasileira, os homossexuais, apesar da identidade gay, parecem ter fundado sua união pela noção de diferença sexual. Ou seja, existe um aspecto comum de resistência ao preconceito, de compartilhamento da marginalidade, formando laços entre indivíduos estranhos, não necessariamente comuns. Portanto existem também as diferenças e inclusive a formação de subgrupos rotulados pelos próprios membros da comunidade: transformistas, drag queens, michês, boys, go-go-boys, bichas, bofes, bichas velhas, entendidos, ursos, barbies, dentre outros citados no artigo.
É chamada a atenção para o fenômeno atual da barbies que seriam homens que se dedicam ao culto do corpo, raspam os pelos – verdadeiros narcisos, buscando a virilidade e a eterna juventude. Tal fato por sua vez não surpreende na medida em que são valores também buscados fora da comunidade e da subcultura homossexual, reflexo da sociedade moderna. O texto chama a atenção justamente para o fato de existirem estilos dominantes de acordo com cada época, assim como espaços urbanos que vão sendo trocados ou reinvestidos, na medida em que não há guetos homossexuais no Brasil como nos Estados Unidos ou Europa. Verifica-se uma transição de um estilo mais afeminado desde a dec. de 70 para esse protótipo do supermacho e então na década de 90 o modelo dominante colocado como andrógino das barbies. É importante ressaltar, ainda que o artigo não trate com ênfase este assunto que há preconceitos entre os subgrupos gays, refletindo também as condições socioeconômicas de seus integrantes como em outras derivações sociais.
Encontramos ainda as mudanças espaciais, no deslocamento de espaços do centro da cidade, que eram muito freqüentados por homossexuais na década de setenta para bairros como Copacabana, Ipanema, Botafogo, Leblon e Barra da Tijuca. O centro, que sempre foi um local de utilização de homossexuais mais humildes, somando ao fenômeno da AIDS contribuiu para os deslocamentos já mencionados do espaço urbano (banheiros, cinemas e parques deixaram de ser largamente utilizados). Há um destaque para o bairro de Copacabana, que apesar de seu declínio e de hoje ser grande zona de prostituição, é ainda um espaço onde homossexuais de diversas origens se reúnem, principalmente no carnaval. Tem como marco seu quiosque rainbow que pode ser visto por qualquer transeunte na orla.
Vale salientar como afirma Trevisan a ambigüidade da criação e ampliação desses espaços, que podem ser invadidos pela policia, sendo um marco de que a tolerância serve para atender aos limites da comunidade. “Entre seus iguais (em termos de estigma) o homossexual pode estabelecer uma identidade positiva, mas corre o risco de viver num mundo incompleto e artificial se ficar muito preso à comunidade gay”. A formação das comunidades são formas de acomodação ao estatuto de estigmatizados?
O comportamento de consumo é referido como uma importante forma de simbolizar atos e a própria identidade da subcultura gay, na medida em que disponibilizam meios e recursos de identificação assim como também de estigma. Mas de todo modo gera uma certa abertura, no sentido de ampliar a visibilidade dentro da sociedade como um todo. Ainda assim permanece a questão: seria esse o inicio para uma liberdade, ou esse sonho é só mais uma mentira de nossa complexa sociedade moderna que é supostamente democrática? Liberdade ou isolamento? Liberdade demarcada? Como o homem pode superar suas dificuldades em tratar o diferente?
Referência: Nunan, A. e Jablonki, B. Homossexualidade e preconceito: aspectos da subcultura homossexual no Rio de Janeiro. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 54, 1, 21-32, 2002.
Notícia do dia: o racismo sobrevive
Editorial publicado no The Times of Trenton, de Trenton, Nova Jersey, discute, nesta época de Barack Obama, as diversas formas pelas quais o racismo persiste na sociedade norte-americana. Clique aqui para ler o editorial
Tropa de elite gaúcha
Contribuição: Luciana L. Oliveira
Resenha – Estereótipos e destinos turísticos: o uso dos estereótipos nos folders de uma agência de fomento ao turismo
Camila Leão
O artigo “Estereótipos e destinos turísticos: o uso dos estereótipos nos folders de uma agência de fomento ao turismo” aborda um tema bastante interessante e presente no cotidiano de todos nós. Afinal, quem nunca escolheu o destino das viagens de férias tomando como referência as belas imagens postadas nos folhetos de turismo?As imagens atraentes e os dizeres encantadores presentes nesses folders das agências de turismo foram o foco do trabalho do professor Marcos Emanoel Pereira (Doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Bahia. Coordenador do Programa de Pós- Graduação em Psicologia da Universidade Federal da Bahia.) e da pesquisadora Tula Ornelas (Bacharel em Turismo. Aluna especial do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Da Universidade Federal da Bahia. Coordenadora do Curso de Bacharel em Turismo da Faculdade Olga Mettig, Salvador, Bahia).Eles realizaram uma pesquisa analisando de forma descritiva trinta e cinco folders da agência de turismo Bahiatursa, a agência de fomento ao turismo do Estado da Bahia. Após essa análise, os pesquisadores encontraram algumas categorias de estereótipos que se repetiam em vários folders, com o intuito de atrair turistas para a Bahia. Os pesquisadores conseguiram encontrar cinco classes de poderosos estereótipos utilizados pela Bahiatursa referentes à Bahia e ao seu povo. São eles: “Terra da felicidade”; “Povo festeiro”; “Povo Hospitaleiro”; “Povo Mestiço”; “Povo religioso”.Pode-se notar, a partir da leitura desse artigo, o grande poder dos estereótipos para a economia turística. Uma concepção positiva sobre um povo que se torne amplamente compartilhada atrai lucros e investimentos. Por isso, cria-se todo um fetiche mercadológico que seja capaz de despertar a vontade de “estar lá” e de “ser como eles”. Os turistas buscam por experiências diferentes daquelas presentes no seu cotidiano (como o contato com belezas naturais, fugindo de um cotidiano urbano turbulento), e buscam o contato com pessoas agradáveis, receptivas, alegres. Assim como tudo presente no nosso habitat Capitalista, a Cultura e as características de um povo, juntamente com as belezas naturais de um local, passaram a ser um “acessório” que valoriza a venda de viagens.A teoria que alicerça a Psicologia Behaviorista, a qual afirma que um estímulo neutro, quando associado com um estímulo agradável e reforçador, imediatamente tornar-se-á um estímulo também reforçador, é bastante utilizada na construção desses folders de turismo. Um lugar como a Bahia, que pode ser visto como um estímulo neutro para muitas pessoas, quando associado às frases e às imagens positivas, torna-se um estímulo altamente reforçador. O emparelhamento de um lugar como a Bahia com sensações agradáveis, com pessoas receptivas e alegres, enfim, com estímulos positivos, valoriza a imagem do lugar.Um dos processos básicos do comportamento é a motivação, segundo Maslow e McGregor, teóricos da Psicologia. A motivação á um fator que impulsiona uma pessoa a consumir algo presente no mercado. Os donos de negócios juntamente com as empresas de marketing criam necessidades internas e externas e as incutem no psicológico das pessoas, que procurarão suprir tais “necessidades”. Eles criam também necessidades secundárias, que são aquelas que interferem na escolha de um produto, diferente das nossas necessidades primárias (como a sede, o sono, a fome, a proteção do corpo contra frio, calor e outros). Essas necessidades secundárias são aquelas que determinam qual marca de alimento, bebida ou roupa uma pessoa irá consumir. É a partir da criação dessas necessidades secundárias que uma pessoa atualmente escolhe um destino turístico.A imaginação do consumidor o faz acreditar que ele realmente necessita daquele produto, e ele vai agir de tal forma que consiga obter tal produto. O que leva uma pessoa a escolher o destino de sua viagem a partir do conteúdo dos folders de turismo, são também fatores motivacionais de cunho secundário, ou seja, não são essenciais para a sua sobrevivência, mas fazem parte de uma necessidade criada. Uma atitude positiva para um lugar, juntamente com estereótipos positivos para as pessoas nativas daquele lugar é essencial para a escolha de um destino turístico.O presente estudo do artigo foi importante na medida em que revela a força e o poder mercadológico dos estereótipos na valorização dos destinos turísticos. Vê-se a importância também do cuidado com o uso desses estereótipos, já que os mesmos influenciam no modo de ver tanto dos turistas quanto do povo nativo. Tanto os turistas como os nativos passam a compartilhar de tal maneira esses estereótipos, que acabam por assimilar as características atribuídas ao seu grupo social. E essas características acabam se cristalizando. Desse modo, a Psicologia deve não somente contribuir para ajudar a fomentar o turismo na Bahia, mas também aplicar-se mais intensamente no plano social e tentar levantar os possíveis impactos de todos esses estereótipos construídos que fazem parte do imaginário popular em relação à Bahia e ao seu povo.
Referência: Pereira, M. E. ; Ornelas, T. Estereótipos e destinos turísticos: o uso dos estereótipos nos folders de uma agência de fomento ao turismo. Caderno Virtual de Turismo, 17, 2005
