Publicada a atividade 06

Atividade 06

  • Nível: Extensão e atualização
  • Estimativa de tempo: 90 minutos
  • Tópicos: Movimentos sociais
  • Objetivo: Identificar e estabelecer contatos com um movimento social relacionado com a temática do preconceito e da discriminação. 
  • Atividades:
    •  1) identifique um movimento social que tenha por missão o combate ao preconceito e à discriminação;
    • 2) avalie as contribuições desse grupo para a categoria alvo;
    • 3) identifique como este grupo poderia se beneficiar com o domínio do instrumental oferecido elas abordagens científicas de estudo dos preconceitos e estereótipos.

Publicada a atividade 03

atividade 03

  • Nível: Graduação, extensão e atualização.
  • Estimativa de tempo: 50 minutos
  • Tópicos: crenças e sistemas de crenças
  • Objetivo: identificar e se posicionar  em relação às próprias crenças científicas e tradicionais.
  • Atividades:
    • 1)leia o texto da seção  Crenças do capítulo de apresentação e identifique as crenças de ordem zero, um e dois que fundamentam os estereótipos de que as mulheres não sabem manejar automóveis;
    • 2) selecione um estereótipo comum no meio em que você vive;
    • 3) faça a sua estimativa do número de alvos a que esta suposta crença se aplica;
    • 4) identifique algumas crenças de primeira ordem que fundamentam este estereótipo (que você pessoalmente entrou em contato);
    • 5) faça o mesmo para as crenças de segunda ordem (que algum conhecido já falou para você);
    • 6) finalmente, identifique as crenças de terceira ordem (que você já ouviu falar pela impressa ou por rumores).

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Publicada a Atividade 02

Atividade 02

  • Nível: doutorado e mestrado
  • Estimativa de tempo: 120 minutos
  • Tópicos: crenças
  • Objetivo: estabelecer a diferença entre os modelos espinosiano e cartesiano das crenças
  • Atividade:
    • 1) obtenha e leia o artigo How system believe, de Daniel Gilbert, publicado no American Psychologist, 46, 2, 1991.
    • 2) estabeleça as diferenças entre os modelos espinosiano e cartesiano das crenças
    • 3) identifique como estas teorias sobre o processo de crer podem se relacionar com a discussão dos preconceitos e estereótipos. 

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Capítulo 2, versão preliminar, publicado

Publicamos hoje a versão preliminar do capítulo 2 do e-book Enfrentando preconceitos e estereótipos. Na escola, no trabalho, nas ruas e os que sobrevivem em cada um de nós.

Clique na opção Enfrentando, no menu, para ganhar acesso a cada um dos capítulos ou aceda diretamente ao capítulo 2 clicando no link abaixo.

Capítulo 2: Agir, sentir, acreditar: uma antiga diferenciação ainda prevalente

Retornando ao blog

Após um longo tempo sem publicar qualquer post, retomamos ao nosso blog para apresentar as versões preliminares do livro eletrônico (e-bookEnfrentando preconceitos e estereótipos. Na escola, no trabalho, nas ruas e os que sobrevivem em cada um de nós.

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Resenha: Diferença e Igualdade nas Relações de Gênero – Revisitando o Debate

chamada

Luciana Alfano Moreira

   O texto Diferença e Igualdade nas Relações de Gênero: Revisitando o Debate, de autoria da Doutora em Psicologia pela USP/SP Maria de Fátima Araújo, visa debater as mudanças nas relações de gênero e a crise na masculinidade sob o impacto do feminismo, a partir de um levantamento bibliográfico utilizando diversos estudos de gênero sobre as subjetividades femininas e masculinas.
A autora inicia o artigo trazendo o conceito de gênero e a discussão do seu uso como categoria de análise, fazendo, primeiramente, a diferenciação entre o significado gramatical que serve para designar os indivíduos de sexos diferentes, relacionado à Biologia, e o seu significado cultural, relacional e situado na esfera social, baseado no uso do conceito de gênero pelas feministas. E esse caráter relacional do gênero levou a uma revisão dos estudos centrados nas mulheres, abrindo a demanda para os estudos sobre as relações de gênero, em que os homens não podem ser estudados independentemente das mulheres e vice versa. E no que tange à utilização do gênero como categoria de análise, a autora busca os estudos de Scott(1995), da brasileira Saffiotti(1997), e da historiadora francesa Louise Tilly(1994) para defender o seu uso, visto que a autora Maria de Fátima Araújo entende o gênero como uma categoria empírica, história e, portanto, analítica.
De acordo com Scott, o gênero é uma categoria social imposta sobre um corpo sexuado, um elemento construtivo das relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos e, também, um modo primordial de dar significado às relações de poder. E estudar as mudanças na organização das relações sociais é estudar as mudanças nas representações de poder correspondentes. Ela busca compreender como o gênero constrói as relações sociais, como a política constrói o gênero e como o gênero constrói a política. Tilly corrobora com o pensamento de Scott e defende a necessidade de tornar o gênero uma categoria de análise, em detrimento dos métodos descritivos dos estudos sobre a história das mulheres. Já para Saffiotti, gênero (como etnia, raça e classe) são categorias de análise e operam na realidade empírica enquanto categorias históricas.
A autora também entende o gênero como sendo uma categoria política que pode ser usado para estudar a problemática da igualdade e da diferença. Historicamente, a discussão sobre as diferenças entre os sexos desenvolveu-se a partir de duas concepções: a) a essencialista: que acreditava na diferença sexual e na “essência feminina”, supõe um feminismo universal; e a b) culturalista, na qual as diferenças sexuais são resultados da socialização e da cultura. Uma terceira concepção proposta por Françoise Collin(1992) traz igualdade e diferença constituindo uma única categoria, em que há o respeito pelas diferenças, mas também a necessidade delas. Collin propôs pensar a diferença em 3 níveis: entre o sujeito-mulher e sua condição de mulher; entre as mulheres; e entre as mulheres e o mundo dos homens. Para Collin, uma mulher não é só uma mulher, ela não se reduz a sua feminilidade, é um sujeito heterogêneo.
Scott também compactua essa posição, com a afirmação de que a própria oposição binária igualdade-diferença oculta sua interdependência, já que igualdade não é a eliminação da diferença e a diferença não impede a igualdade. A enorme diversidade de identidades supera as classificações macho/fêmea, masculino/feminino, sendo tais diferenças a própria condição das identidades individuais, o verdadeiro  sentido da identidade.
O artigo de Maria de Fátima também traz um breve histórico do movimento feminista e da luta pela igualdade, logo substituída pelo debate igualdade-versus-diferença, na segunda metade da década de 70, quando se passou a falar de diferença cultural feminina, experiência feminina, e do reconhecimento da diversidade cultural de gênero. Revistas as estratégias de luta, ao final dos anos 80, as mulheres passaram a defender a igualdade não mais em nome da capacidade de se assemelharem aos homens, mas, sobretudo, por desejarem a igualdade nas diferenças.
A estratégia de luta da igualdade nas diferenças propiciou uma possível mudança nas relações de gênero, a valorização do feminino e até a libertação, por parte dos homens e das mulheres, de velhos estereótipos. Mas ao levantar a bandeira da igualdade nas diferenças, e propor tal valorização do feminino, o discurso feminista também esbarram no antigo dualismo masculino/feminino, atribuindo valores e características diferentes para cada sexo e excluindo outras possibilidades de que homens e mulheres se diferenciem dos modelos estereotipados e rígidos.
Para Maria de Fátima Araújo, as transformações propiciam que os homens se libertem do peso do machismo e que as mulheres se livrem do imperativo do feminino, adquirindo autonomia e liberdade, sem ter que seguir as características determinadas pelo gênero. Mais uma vez trazendo e consolidando a ideia do gênero como construção social; e nessa perspectiva reconstruir o feminino implica também numa reconstrução do masculino.
Na última parte de seu texto, a autora encerra de forma bastante otimista, afirmando que os homens estão tomando consciência dos conflitos impostos pelo machismo, fugindo do sexismo, e que homens e mulheres estão se distanciando dos modelos estereotipados de gênero e desenvolvendo novas formas de subjetividade. Não se pode discordar que um novo modelo de homem esteja surgindo como consequência de fatores como a independência financeira das mulheres e das políticas de proteção, além de anos e anos de luta feminista, dentre outras coisas, mas também é sabido que essas mudanças caminham a passos lentos. A posição otimista da autora não pode ser simplesmente estendida a todos os homens, nem mesmo a todas as mulheres, que também são propagadoras de pensamentos machistas, preconceituosos e estereotipados em relação a elas mesmas. Transformações como as que a autora já enxerga levam várias gerações para acontecer e dependem de vários outros motivos além dos expostos pela autora Maria de Fátima Araújo.

Referência: Araújo, M. F. Diferença e igualdade nas relações de gênero: revisitando o debate. Psicologia clínica, 2005, 17,2,41-52

Resenha: As novas formas de expressão do preconceito e do racismo

Jerry Kambale Musema

Neste artigo o autor propõe uma reflexão quanto às novas formas de expressão do preconceito e do racismo, constatando suas diferenciações, denominando-as como ‘novas expressões’ de preconceito e racismo, pontuando conceitualmente o racismo moderno e simbólico da Austrália e dos EUA, os racismos aversivos e ambivalentes no EUA, juntamente com o preconceito sutil da Europa e o racismo cordial do Brasil, esclarecendo o diferencial entre preconceito e racismo.
O preconceito contemporâneo é visto como uma atitude invasiva étnica que pode ser dirigida a um grupo como um todo ou a um indivíduo, por fazer parte de um determinado grupo com suas peculiaridades tanto físicas quantas fenotípicas. O racismo por outro lado é fruto de uma discriminação étnica representada pela cor da pele ou uma marca física rotulado como diferente, sendo ampliado para a exclusão hierárquica social, ficando explicito que o racismo é uma distinção biológica entre grupos e o preconceito é a atitude excludente que pode sofrer o individuo tanto institucionalmente quanto culturalmente. O preconceito é a forma verbal do racismo, isto é, o preconceito se resume como uma atitude sendo uma consequência restringindo-se em ato/ação, enquanto o racismo constitui em discriminação étnica racial juntamente a exclusão social.
As novas formas de expressão do preconceito e do racismo são mostradas através de dados quanto às mudanças históricas relacionados aos estereótipos, após a 2ª guerra mundial é perceptível um preconceito, mas leve e um racismo acobertado devido aos movimentos pelos direitos civis nos EUA, Declaração dos Direitos Humanos entre outras atitudes raciais, evidenciando transformações quanto a uma nova demonstração de racismo e preconceito referente ao comportamento discriminatório habitual das pessoas e nas suas relações interpessoais. Revelando que estamos muito longe da igualdade racial e social.
O conceito de racismo simbólico se baseia em um sentimento de intimidação, contra os negros, quanto os mesmos representarem uma ameaça aos valores éticos, sociais, culturais e econômicos, contestando os valores do grupo dominante, atingindo desta forma o status quo. O conceito de racismo moderno é apresentado como uma forma oculta de racismo, não transparecendo socialmente, sendo encoberto por expressões antirracistas. Sendo assim, é perceptível que os dois conceitos de racismo têm a mesma base, quanto à ameaça do negro aos valores ditos como importantes pelos brancos, visto que a sua afirmação é crescente, mediante preconceitos e discriminação.
O conceito de racismo aversivo constitui em mostrar a ambiguidade dos valores éticos, democráticos e antirracistas dos brancos americanos, quando os mesmos que defendem a igualdade democrática são defrontados com situações inter-racial em que os brancos tem que justiçar a discriminação, esses discriminam os negros. Os racistas não incluem os negros como seres cidadãos, portanto não estão no rol daqueles que tem direito a democracia. Em uma análise psicanalista e etiológica é notório que o racista dominante se esconde por trás de um discurso vazio não racista que contribui para o desenvolvimento de estereótipos e preconceitos.
O conceito de racismo ambivalente ressalta os pressupostos do racismo aversivo, pois ambos procuram mostrar a sociedade uma imagem democrática não preconceituosa, entretanto na visão psicanalítica existe dois tipos de atitudes o pró e anti negros. As atitudes anti negros tem uma percepção e sentimentos negativos aos negros, quanto a sua cultura, demonstrando aversão a qualquer tipo de afeto ou sentimento. Enquanto as atitudes pró-negros produzem um afeto exacerbado como demonstração de não discriminação aos negros, na tentativa de encobertar seus verdadeiros sentimentos.
O preconceito sutil é estudado na Europa, proveniente do preconceito direcionado a uma pequena cultura de antigas ex-colônias, surgindo assim uma nova expressão de preconceito, esse não somente atingi aos negros como também grupos exógenos ou externos, esse preconceito se fundamenta em três dimensões, a primeira está relacionado a valores tradicionais e crenças, a segunda enfatiza o exagero das diferenças e dos seus estereótipos e por último a negação e a rejeição do exogrupo. Diferentemente do preconceito flagrante, que se subdivide em duas dimensões que se baseiam em rejeições, a primeira diz respeito a um conceito de que o exogrupo apresenta uma ameaça a economia e o ultimo diz respeito a rejeição intima, em que eles não se relacionam emocionalmente, nem sexualmente com os integrantes do exogrupo.Sendo assim pode-se verificar que o preconceito flagrantes é mais direto e quente, ao passo que o preconceito sutil não se manifesta abertamente, sendo mais frio e indireto.
O racismo cordial tipicamente brasileiro, onde a maioria da população é birracial e se julgam não racistas, porém traz um preconceito “não intencional”, revestido de brincadeiras e zombarias, fortalecendo o mito racial e a teoria do embranquecimento, popularizando desta maneira o racismo de forma interpessoal contribuindo para a propagação e ridicularizando os estereótipos dos negros.
O autor traz contribuições teóricas, empíricas e conceituais, quanto a reflexões de novas formas de expressões de preconceito e racismo, afirmando que essas novas expressões devem ser estudadas e analisadas, pois elas aos serem expressas ou mesmo ocultas são formas de conscientizar-se para combatê-las.

Refêrencia: Estudos de Psicologia 2004, 9(3), 401 http://www.scielo.br/pdf/epsic/v9n3/a02v09n3.pdf

Resenha: Mulheres ciganas – medo, relações intergrupais e confrontos identitários

Jaime Naupuile Dala


O artigo com o título em epígrafe procurou compreender através da teoria da identidade social, os estereótipos presentes no imaginário rural associados ao grupo cigano, bem como os sentimentos associados a este grupo humano. Inicialmente são apresentados os conceitos de identidade social e processos grupais. Os autores entendem como identidade social tal como proposta por Henri Tajfel, apresenta-se como um valioso recurso teórico. A teoria procura elucidar a constituição da identidade no âmbito das relações intergrupais, enfatizando os processos que limitam um determinado campo da identificação. Neste caso a categorização social se revela como um conceito fundamental na descrição dos processos identitários. Para Tajfel, a categorização é o processo social no qual “se reúnem os objetos ou acontecimentos sociais em grupos, que são equivalentes no que diz respeito as ações, intenções e sistemas de crenças do individuo” (p.290). Este processo se fundamenta na necessidade da criação de condições que permitam apreender nos diversos contextos sociais, elementos ordenadores da realidade que facilitam definir as fronteiras entre endogrupo e o exogrupo a fim de se construir a identidade social, derivado do conhecimento do seu grupo de pertença, o que facilita a elaboração de estereótipos que são um conjunto de crenças sobre os atributos inerentes a pessoas de um determinado grupo. Quando pensamos nos outros através de lentes estereotipadas, desenvolvemos expectativas e certas interpretações do seu comportamento, com base nos recursos simbólicos cria-se mecanismos de proteção. Os autores aludem que o grupo cigano tem sido alvo de ameaça de estereótipos associados a preconceito racial devido o sentimento de medo que grupo maioritário vive como impulsionador dos maus tratos relacionados aos ciganos, confirmando características presentes no imaginário social amplamente difundido acerca deste grupo social que tem sido considerado como ladrões, malfeitores e amaldiçoados. Adicionando-se a realidade da própria historia humana ser de conflitos, contada pelos rastros do confronto entre grupos de diferentes épocas, que visam criar e manter espaços do grupo de pertença. Para o esclarecimento sobre a raiz de atitude de medo entre o grupo maioritário, as mulheres rurais, os autores recorrem a Delumeau que a descreve de seguinte maneira: O medo se encontra na apreensão provocada entre pessoas que não se conhecem, ou que se conhecem mal, que vêm de fora, que não se parecem conosco e que, sobretudo, não vivem da mesma maneira que vivemos. Falam uma outra língua e têm códigos que não compreendemos. Tem costumes, comportamentos, práticas culturais que diferem das nossas, não se vestem como nós, não comem como nós, têm religião, cerimónias e ritos cujo significado nos escapa. Por todas essas razões, eles nos assustam e somos tentados a toma-los como bodes expiatórios em caso de perigo. Se uma desgraça acontece a uma coletividade, é por causa do estrangeiro.
O mundo polarizado pela ideologia política, raça, etnia, classes sociais moldam as identidades e a medida que se desenvolvem, os sentimentos vão sendo fortemente marcados por regras, normas sociais, valores, crenças bem como sistema de papéis, difundidos pelos grupos sociais de pertença que guiam comportamentos aumentando assim a autoestima e o senso de distinção do outro. Carvalho, Machado e Suyama (2002) assinalam que o desenvolvimento do ser humano ocorre através do confronto de ações, emoções motivações e significados, como elementos importantes na formação do carácter do individuo. Nesse sentido, o carácter é forjado a partir das práticas sociais vivenciadas decorrentes das interações, construídas em contextos históricos determinados pelos elementos culturais e das informações veiculadas pelos meios de comunicação social que provocam sentimentos de medo e insegurança. Fiorin (224) enfatiza que entre a difusão de uma cultura do medo, um sentimento individual e socialmente partilhado, referenciado por objetos sociais que são oferecidos às nossas relações cotidianas já interpretados e revestidos de uma ideologia que contribui para a discriminação.
O artigo enfatiza que o grupo cigano integra uma cultura que durante muitos séculos sofre de injustiças, preconceitos e perseguições, até os dias atuais, o reflexo de uma história de sofrimento e marginalização. Fatos recentes na Europa registram a perseguição à população cigana. Em países como Itália, Roménia e França, acampamentos de ciganos foram incendiados e os seus habitantes expulsos. O que ocorre são fatos de desumanização que continuam marcando negativamente a historia deste grupo humano. O desrespeito à cultura deste povo é identificado não só nos fatos acima citados, mas também nas tentativas de aculturação. Vaz (2005) alude que apesar da Constituição Federal brasileira garantir os mesmos direitos a todos que nascem no país, na prática eles são violados quando se trata de populações pertencentes a minorias étnicas, e com os ciganos, não é diferente. A realidade de exclusão que vive o grupo cigano, está relacionada com sentimentos de estereótipos e preconceito racial praticados pelo grupo maioritário enraizado nas crenças amplamente difundidas a partir dos grupos de pertencimentos.
Os objetivos do estudo foram: (1) conhecer alguns elementos que compõem os estereótipos presentes no imaginário rural acerca do grupo étnico cigano, bem como os sentimentos associados ao grupo. Tendo em conta que as relações entre grupos ciganos e não ciganos poderiam favorecer a apreensão mais nítida dos processos identitários; (2) verificar como o medo medeia a elaboração de identidades e práticas sociais de solidariedade e exclusão.
O estudo foi realizado numa população de 10 mulheres rurais não ciganas, com idades entre 34 e 67 anos; 09 casadas e 01 divorciada; 04 eram escolarizadas, 04 tinham o ensino primário e 02 o ensino fundamental; todas moradoras de uma mesma comunidade rural localizada no interior de um estado brasileiro. Os dados foram coletados através de entrevistas orientadas por um roteiro semiestruturado organizado em três módulos de informação: a) dados pessoais dos participantes; b) questões sobre o cotidiano da comunidade rural e c) questões contemplando o grupo cigano, tanto na dimensão representacional. O tratamento dos dados foi realizado através do sotwere ALCESTE.
Os resultados do estudo confirmaram que, os estereótipos compartilhados pelas mulheres rurais em relação ao ser cigano contêm uma série de características negativamente valorizadas: os ciganos são percebidos como sujos, amaldiçoados, pessoas que pedem, roubam, que buscam uma maneira fácil de ganhar dinheiro sem trabalhar, que enganam os outros e que viajam constantemente, não tendo uma moradia fixa; são tidos, portanto, como um povo de cultura estranha. Além demais os estereótipos entre mulheres rurais do grupo maioritário aumentam devido o poder místico atribuídas as mulheres ciganas que usam para amedrontar membros do exogrupo e, assim, conseguir o que desejam, constituem elementos que acabam por determinar o sentimento de medo neste caso particular de algumas mulheres rurais que preferem atender rapidamente aos pedidos das ciganas, visto que se não o fizerem podem ser amaldiçoadas. O estudo assinala que com base na teoria da identidade social, permitiu compreender como os indivíduos se posicionam em relação as suas redes de pertenças grupais, sempre motivados pela busca de uma autoimagem positiva, através de atribuição de valores positivos ao próprio grupo e consequentemente, valores negativos aos outros grupos identificados como opositores na inevitável comparação social estabelecida. Com base nos instrumentos constantes na constituição brasileira sobre esse grupo, e por outro lado a possibilidade de conhecer os membros do exogrupo sua organização, práticas e costumes, usando os recursos académicos disponíveis assim como as leis igualitárias de bom tratamento entre seres humanos que orientam as sociedades modernas, poderiam contribuir para reflexão positiva que diminuiria paulatinamente as práticas de exclusão do grupo cigano da convivência social. O artigo finaliza com uma importante questão a ser levada em conta é como agem os grupos os grupos definidos através de atributos negativos. A questão dos negros em um mundo racista, das mulheres em mundo machista, dos homossexuais em um mundo heterossexista ou mesmo dos ciganos como um dos grupos depositários do medo no mundo ocidental. Os interesses ideológicos em jogo nas sociedades e difundidos amplamente aparecem serem os panos do fundo que propiciam a prática de preconceitos, discriminação e exclusão social.
A pesquisa é interessante, leva os leitores uma reflexão crítica da realidade atual que necessita da busca permanente dos valores baseados nas leis igualitárias e justiça social para um bem-estar da humanidade na presente época. O artigo foi bem trabalhado e merece uma leitura completa.
Referência: Bonomo, M., et al. Mulheres ciganas: medo, relações intergrupais e confrontos identitários. 03, 10, 747-758, 2010.