Estereótipos e aparência física: no orkut

Contribuição: Clara Vasconcelos & Daiana Nogueira

O site de relacionamentos Orkut, dentre outras ferramentas, oferece a oportunidade do seu associado postar fotos que podem ficar visíveis a todos os demais associados. No início, o Orkut suportava apenas 12 fotos em cada perfil de seus associados. Recentemente, este site de relacionamentos aumentou a sua capacidade de receber fotos assustadoramente. Comportando inúmeros albuns com cem fotos cada. É bastante visível que estas fotos muitas vezes são maneiras de promover-se em um universo onde a beleza e a aparência são valorizadas a ponto de influênciar a quantidade de amigos e popularidade dos indivíduos em comparação com os demais associados.
A beleza é tão importante para tal site de relacionamento que recentemente, o Orkut publicou uma pesquisa sobre as percepções de seus usuários sobre suas próprias aparências físicas:  http://blog.orkut.com/2007/11/tendncias-do-orkut.html
Além disso, observa-se que os estereótipos acerca do que é belo, ou não, são muito nítidos, como demonstram as comunidades:

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=36834786;

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=745986

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=27631092

Ainda é valido salientar que estas comunidades (com suas fotos de apresentação) e as fotos postadas pelos usuários tendem a seguir o padrão de beleza vigente na atualidade, valorizando aspectos como a magreza, cabelos lisos e loiros e pele clara. Revelando, portanto, um processo de homogenização, e a consequente exclusão daqueles que não estão afinados com o requerido padrão.

Estereótipos, livros e música

Contribuição: Gilcimar Dantas

Post publicado no blog Olhômetro analisa algumas pesquisas que supostamente relacionam gosto musical e pela leitura com o grau de inteligência ou burrice do camarada. Embora os dados e as interpretações sejam controversas, não há dúvidas de que o post  é muito divertido. Clique aqui para ler o post.

Estereótipos e cinema: feios, sujos e malvados

Artigo publicado: Weightism

Título: Complimentary weightism: the potential costs of appearance-related commentary for women’s self-objectification

Autores: Rachel M. Calogero, Sylvia Herbozo, J. Kevin Thompson

Periódico: Psychology of Women Quarterly, 33, 2009, 120-132

Resumo: clique aqui para obter

Artigo publicado: The Lost E-Mail Technique

Título: The Lost E-Mail Technique: Use of an Implicit Measure to Assess Discriminatory Attitudes Toward Two Minority Groups in Israel

Autores: Orit E. Tykocinski, Liad Bareket-Bojmel

Periódico: Journal of Applied Social Psychology, 39, 1, 2009, 62-81.

Resumo: clique aqui para obter

Resenha: Trajetórias Escolares, Corpo Negro e Cabelo Crespo: Reprodução de Estereótipos ou Ressignificação Cultural?

Valter da Mata

O presente artigo procura evidenciar a importância do ambiente escolar no processo de construção das identidades pessoal e social dos indivíduos negros. Destaca o papel privilegiado onde encontram-se o corpo e o cabelo negro, que podem assumir um lugar especial na reprodução de estereótipos ou ainda ressignificação cultural.
Por ser um trabalho de caráter antropológico, a autora não utiliza os referenciais teóricos clássicos da psicologia, embora utilize de dimensões de grande tradição na psicologia como a identidade e os estereótipos. O estudo mostra-se extremamente oportuno uma vez que a Lei 10.639/2003 tornou obrigatória a inclusão dos conteúdos da cultura africana e afro-brasileira nos currículos escolares. A questão racial brasileira ainda está longe de ser tratada com a importância devida, embora ultimamente venha aos poucos, sendo incluída no ambiente acadêmico.
No processo de construção da identidade da identidade, a escola assume um lugar de destaque, porque muito provavelmente será o primeiro ambiente no qual ocorrerá o encontro onde a criança negra poderá pensar em termos de “nós” – familiares e vizinhos enquanto negros e ou “outros” – alguns colegas e professores enquanto brancos.
A autora coloca que a relação que a relação que o negro tem em relação ao seu corpo e seu cabelo é recheado de significados, remetendo-o a uma experiência subjetiva que não raramente está associada a sentimentos de inferioridade e baixa auto-estima.
Nesse processo de construção de identidade, a autora afirma que “o corpo fala a respeito do nosso estar no mundo, pois a nossa localização na sociedade dá-se pela sua mediação no espaço e no tempo”. A questão é que o corpo negro encontra-se ainda aprisionado à escravidão e essa diferença cromática é muitas vezes utilizada como argumento para justificar a colonização e explicar e naturalizar diferenças econômicas.
Na escola, a exposição do corpo negro é contextualizada de modo a reproduzir a estrutura hierárquica existente na nossa sociedade, ou seja, todos os símbolos de negritude serão necessariamente associados a qualificações depreciativas.
A autora se detém na experiência subjetiva experimentada por mulheres negras jovens e adultas que freqüentam salões de beleza étnicos, procurando os diversos sentidos dessas experiências, procurando descobrir através de entrevistas, como essas mulheres significam as experiências decorrentes do processo de ter esse cabelo negro e o corpo negro. Ressalta que os problemas com o cabelo se iniciam na mais tenra infância, onde são submetidas a dolorosos penteados em forma de trança, passando depois a sofisticados processos de relaxamento e alisamento capilar. Os depoimentos destacados pelo artigo ilustram os sentimentos dessas mulheres a respeito de como esse elemento – cabelo – foi importante na construção da sua identidade.
Ser negro no Brasil deixa o indivíduo vulnerável a possíveis situações de discriminação e a reação dos indivíduos a essas situações irá variar de indivíduo para indivíduo, estando intimamente ligada a construção da sua identidade pessoal e social, as suas experiências de socialização e de informação. É comum se avaliar essas reações como mais politizadas ou menos politizadas, mais corretas ou menos corretas. Isso se deve principalmente porque no Brasil, as relações raciais se dão em torno do fenótipo, podendo as pessoas ser categorizadas como mais negros ou menos negros, quando são avaliados seus traços físicos, assim como se apresentam esteticamente.
O artigo procura destacar a construção da questão racial na subjetividade e no cotidiano dos indivíduos, além do peso da educação escolar nesse processo. As entrevistas mostram discursos ambivalentes e também situações tensas vividas pelas respondentes em relação ao uso do cabelo. O uso desse cabelo pode revelar a trajetória da vida de uma pessoa, sua condição de resistência e o movimento vivido no interior de um grupo social. Exemplifica que não raramente, cabelos cortados ou raspados estão associados a ritos de passagem, como aprovação no vestibular ou ainda entrada em instituições totais como presídios e conventos, podendo estar simbolicamente relacionados com a castração. Por outro lado a cabeleira solta e rebelde pode expressar rebeldia e independência e ainda relutância às normas sociais.
Esse artigo permite uma problematizarão acerca dos múltiplos significados que o corpo e o cabelo podem assumir no processo de construção da identidade, especialmente nos indivíduos negros. Reflete também a importância que a escola assume nesse processo, quanto a Possi biliar a construção de uma identidade positivamente afirmada ou permanecer tão somente como um espaço reprodutor de uma ordem vigente, ratificando crenças estereotipadas a respeito desse grupo social.

Fonte: Gomes, N.L. (2000), Trajetórias Escolares, Corpo Negro e Cabelo Crespo: Reprodução de Estereótipos ou Ressignificação Cultural? Revista Brasileira de Educação, Set-Dez, nº 21, São Paulo, Brasil, pp. 40-51

Resenha: The Role of Threat, Evolutionary Psychology, and the Will to Power

Jamyle Reis

No artigo em questão investigou uma serie de mecanismos psicológicos evolutivo, com base na literatura anterior, que é consistente com a forma como o individuo reage à ameaça autoritária. Estabeleceu-se uma ligação teórica entre a conceitualização de Nietzsche em “desejo de poder” (1901/1967) e a operação de autoritarismo num contexto evolucionário e societal. O resultado é uma conceitualização de autoritarismo mais enraizada teoricamente na ciência filosófica, psicológica, sociológica e biológica.
O texto abarca conceitualizações iniciais como a de Adorno, From entre outros e mais recentes como a de Altemeyer acerca de autoritarismo e ameaça. Adorno et al. (1950) defende que autoritarismo foi resultado de ambiente de infância ameaçado e práticas de criação da criança inconsistente. Erich From (1941) sugere que a ameaça de insegurança, manifestação de uma sociedade capitalista, leva a níveis de autoritarismo ainda mais alto. Altemeyer (1988, 1996) integrou teoricamente o papel da ameaça definindo autoritarismo como um “complexo mundo perigoso” e sugeriu que esse complexo é a causa principal da xenofobia e etnocentrismo manifestada na personalidade autoritária.
Para a psicologia evolucionária todos os seres humanos possuem mecanismos psicológicos que são o resultado naturalmente adaptativo de nossa historia evolutiva. Nesse sentido, o autoritarismo como processo evolutivo opera a nível grupal durante períodos muito longo de tempo, enquanto processos psicológicos manifestam a nível individual durante pontos específicos no tempo. De modo que mecanismos psicológicos específicos quando utilizado por indivíduos sob condições de ameaça, ilustra como autoritarismo opera de uma perspectiva evolucionária.
A teoria da seleção parental e formação de coligação defendem que as pessoas normalmente formam grupos cooperativos a fim de obter os benefícios de uma ação coletiva. Ela prediz que os indivíduos são mais propensos a favorecer parentes do que não parentes. Para a teoria seleção parental e formação de coligação autoritarismo pode ser visto como um subproduto da necessidade de sobrevivência do ancestral anterior. Para Altermeyer (1988), a personalidade autoritária representa um aglomerado de três componentes principais: a submissão a autoridade, convencionalismo e agressão a grupos externos. Então, esses indivíduos autoritários buscam um grupo de identificação formando uma parentela “fictícia”. Assim, em termos de ameaça, o individuo utiliza o grupo autoritário como um “refugio” fora do perigo onde os recursos são agrupados em um esforço coletivo contra os perigos colocados por outros.
Na mesma linha da psicologia evolucionária o texto apresenta a teoria do intercambio social e altruísmo recíproco que sugere assim como os seres humanos procuram maximizar os lucros e minimizar perdas, o mesmo é valido para as relações sociais. A premissa fundamental é que o relacionamento com outra pessoa é avaliado de acordo com nossas percepções sobre o equilíbrio entre o que colocamos na relação e o que ganhamos com isso, o tipo de relação que pretendemos atingir e as chances de ter um relacionamento mais produtivo com outra pessoa.  De modo que a teoria do altruísmo recíproco prediz que comportamento altruísta será também uma função da probabilidade de reciprocidade do beneficio.
Um novo modelo de autoritarismo sugere três facetas sobre a conceitualização de autoritarismo. Explica porque a ameaça é fundamental para o entendimento do autoritarismo, através da abordagem evolucionária mostrando como a ameaça elicia características comportamentais da personalidade autoritária. A segunda faceta refere-se ao autoritarismo conceitualizado como uma variável continua que interage com a ameaça ambiental. Finalmente, esse modelo contribui para a conceitualização teórica do autoritarismo como uma resposta ao ambiente ameaçador. Para o presente modelo variáveis como orientação de dominação social, dogmatismo e outras podem ser vistas como adaptativas sob condições de ameaça. Para uma fundamentação filosófica da teoria recorreu-se aos escritos de Friedrich Nietzsche que sugere que para a direção para auto-preservação é abarcada pelo mais fundamental “desejo de poder”.
O artigo apresentado oferece uma perspectiva do autoritarismo como um subproduto de um passado evolucionário sugerindo que ameaça é importante porque o autoritarismo geralmente é uma função adaptativa. Conclui que pesquisas futuras deveriam examinar não apenas conseqüências negativas do autoritarismo, mas também as vantagens de manter uma visão de mundo autoritária.
Fonte: Hastings, B. M. and Shaffer, B. The Role of Threat, Evolutionary Psychology, and the Will to Power. Theory & Psychology, 18, 423-440, 2008.

Resenha: a natureza do preconceito (capítulos iniciais)

chamada

Letícia Vasconcelos.


O livro, A Natureza do Preconceito, foi escrito por Gordon W. Allport em 1954 e teve seus quatro primeiros capítulos publicados em 2000 no Key Reading de psicologia social da Psychology Press, versão analisada para a elaboração desta resenha.

No primeiro capítulo, Qual é o problema?, o autor se ocupa de definir o que é o preconceito. Segundo ele, o preconceito se origina na generalização errônea e na hostilidade. Ele apresenta, ainda, duas dimensões essenciais que devem estar presentes em qualquer definição de preconceito: atitude e crença.

No segundo capítulo, A normalidade do prejulgamento, o autor afirma que as condições originárias do prejulgamento são capacidades naturais e comuns da mente humana; salientando assim, sua condição de normalidade. Tal condição fica amplamente demonstrada pela quantidade e qualidade dos exemplos de situações prosaicas. O recurso a uma multiplicidade de fontes ilustra a proximidade e casualidade do preconceito no dia-a-dia de todos. No entanto, esta normalidade não fica circunscrita às possibilidades cognitivas; antes, é remetida à construção do sistema de valores pessoais.

O terceiro capítulo, Formação de in-groups, em que busca demonstrar o conceito previamente apresentado de preconceito pelo amor (em oposição ao preconceito pelo ódio), salienta a importância e influência do grupo para cada indivíduo, tomando-o como essencial para a própria constituição do self. Afirma que, embora o familiar seja preferido ao estranho, a hostilidade ao out-group não é condição para a manutenção do in-group. Ainda que seus laços tendam sim a se estreitarem quando as condições gerais estão piores. Com a noção de grupo de referência, tomado de Sherif e Sherif, vem trazer o conceito de sentimento de pertença, que parece se situar na raiz das posteriores formulações sobre justificação do sistema. Como comprovação conclusiva da importância das relações com o in-group o autor demonstra que mudanças de atitudes e crenças são mais facilmente atingidas quando partem do grupo do que dos indivíduos.

Por fim, o quarto capítulo, Rejeição de out-groups, examina três graus pelos quais tal rejeição se expressa: a rejeição verbal, a discriminação e o ataque físico. Cada uma das formas subseqüentes pressupõe a existência da anterior, embora esse caminho nem sempre seja percorrido até o último grau. Compreender a rejeição é essencial para que se possa pensar ações efetivas no sentido de evitá-la, ou, pelo menos, amenizá-la. O autor caracteriza duas formas de expressão do conflito étnico, comuns na América à época, os motins e linchamentos. Fazendo, por fim, uma análise do papel essencial do rumor na deflagração de tais conflitos, apontando-o em contrapartida como possível ferramenta de controle da hostilidade.

Neste texto, escrito há 54 anos, mas ainda uma referência, é possível identificar as origens de inúmeros estudos posteriores, que se ocuparam de verificar, comparar, aprofundar e refutar as afirmações nele anunciadas.

Não surpreende por ser bastante abrangente, nem por abordar a questão do preconceito desde diferentes aspectos, já que estas são características esperadas dos textos escolhidos para integrar este tipo de publicação (key reading); tampouco surpreende por sua atemporalidade, já que também isso se espera de um texto clássico como o presente. Surpreende antes por sua leitura fácil, de tom quase informal, porém sem prejuízo de sua seriedade científica. É um texto que transmite sua mensagem não só por seu conteúdo teórico, mas também por seu estilo.

Estereótipos, gênero e esporte: um erro sem maiores conseqüências!

Notícia do dia: live in Bagdhad

Depois de um exílio forçado na Turquia, a banda iraquiana de death metal Dog Faced Corpse finalmente volta a se apresentar no país natal. Clique aqui para ler a matéria publicada no Blabbermouth.net.