Estereótipos, humor e gênero: cientistas Gays descobrem o gene cristão

Contribuição: Marcus Vinicius Alves

Muitas vezes manchetes como “Cientistas descobrem o gene da homossexualidade” foram noticiadas, provocando alarde na sociedade, o vídeo promove uma troca, onde agora os cientistas gays é que fazem uma descoberta semelhante. Essa brincadeira é uma sátira ao modo como são mostrados os avanços da biotecnologia atualmente: em grande parte negligenciando o conteúdo psicossocial das escolhas, crenças e valores humanos e corroborando com conceitos minimalistas, onde os genes ditariam a vida inteira dos indivíduos antes mesmo do nascimento. Além disso, invertendo os papéis o vídeo brinca com um dos sonhos de muitos cristãos: arranjar um culpado biológico para a homossexualidade (como se fosse algo para se culpar), o que corroboraria com pensamentos preconceituosos acerca deste grupo social devido ao determinismo genético.

Estereótipos e aparência física: Joselito na Balada

Contribuição: Gilcimar Dantas

Office Stereotypes: The Pessimist

Resenha: Flutuações e diferenças de gênero no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas

André Oliveira de Assis Núñez

No desenvolvimento das identidades individuais e relacionais, as relações dos sexos e dos gêneros com a diversidade de comportamentos humanos – e com a linguagem disponível socialmente – levou a que encontrássemos e nos definíssemos segundo conceitos e expressões como: mulher/homem, feminino/masculino, heterossexuais, homossexuais ou bissexuais (lésbicas, gays, bissexuais – LGB), transexuais. É válido ressaltar também à importância da proporção do espaço de reflexão social e de investigação que estuda os mundos relacionais e as relações entre as pessoas, com os muitos significados que os discursos sociais criam sobre tal, que abrange desde à sociologia até algumas áreas da medicina, contribuindo assim para a compreensão do que leva às pessoas a escolherem relacionar-se entre si. Tornando assim, o tema sobre orientação sexual atual e complexo.
O termo sexo se relaciona com a estrutura anatômica e o termo gênero aos aspectos psicossociais do sexo, impostos ou adaptados socialmente – devendo os construtos ser mantidos separados e claramente definidos na sua especificidade, para a melhor compreensão psicológica da identidade. Sendo de extrema importância para a análise das características distintas que ocorrem nas relações entre as pessoas, existindo assim diferenças importantes entre o ser – anatomicamente – , e o pensar, não necessariamente se relacionando.
O desenvolvimento da identidade sexual pode ser encarado em três dimensões: a identidade de gênero, os papéis sexuais e a orientação sexual.
A identidade de gênero – o primeiro componente da identidade sexual – desenvolve-se entre o nascimento e os três anos de idade, sendo definida como “a convicção básica do indivíduo acerca do seu sexo biológico”.
O segundo componente a desenvolver-se são os papéis sexuais, ou seja, as características culturalmente associadas com ser homem ou mulher – que através dos estereótipos são percebidas como as características masculinas ou femininas. Os papéis sexuais associam-se por sua vez, ao que se espera de uma “menina-menino”, evoluindo ao longo da vida, consoante as circunstâncias sociais. É importante notar, que esse processo ocorre nas pessoas entre três a sete anos, sendo que não são processos estáveis e definitivos, dependendo muito do contexto social onde a criança está inserida. E por fim, O terceiro componente da identidade sexual é a orientação sexual – a preferência por parceiros do sexo oposto, do mesmo sexo ou por ambos os sexos.
Através da relação entre a identidade de gênero, os papéis sexuais e a orientação sexual, faz com que possamos entender a identidade sexual das pessoas, porém é válido notar que ter comportamentos ou atrações pelo mesmo gênero, por exemplo, não significará necessariamente ter uma identidade homossexual, não ocorrendo necessariamente uma correlação positiva entre esses fatores da identidade sexual.
Tem-se vivenciado na realidade e na pesquisa, a idéia de que a sexualidade da mulher é relativamente fluida, termo ainda não consensual, mas que se utiliza para referir mudanças longitudinais na identidade sexual, nas atrações e nos comportamentos das mesmas, como afirma Lisa Diamond. Por conseguinte, podemos afirmar que as mulheres tem uma tendência para mudar suas atrações sexuais ao longo do tempo. È importante ressaltar que Lisa Diamond explora este conceito da fluidez na identidade sexual citando quatro estudos longitudinais sobre a orientação sexual, enquanto enfatiza a necessidade paralela de estudos prospectivos, pois os que estão disponíveis, por não serem feitas avaliações que permitam uma comparação de dados de evolução nas dimensões da orientação sexual, tem pouca evidência empírica.
A criação dos modelos de desenvolvimento do coming-out levou à idéia de uma sequência linear de estágios que presumem que uma vez desenvolvidos determinadas atitudes, assumindo-se para si e para os outros como homossexuais, não há mais alterações – o que não está em concordância com alguns estudos do desenvolvimento da orientação sexual da mulher, em que a primeira identidade sexual não é a última e definitiva. Podemos inserir então, os estudos de Diamond sobre a fluidez da sexualidade da mulher, sendo um campo ainda muito vasto para a investigação e questionamentos.
Dentro dos estudos com amostras de mulheres, a autora a afirma que embora as atrações sexuais pareçam bastante estáveis, as identidades e os comportamentos são bem mais fluidos e diversificados.
Outro aspecto importante que devemos abordar é que num processo de desenvolvimento multidimensional como é a orientação sexual, temos evidências de existirem diferenças de gênero em alguns estudos, mas não é consenso. Para exemplificar tais estudos, podemos citar Herdt e Boxer (2000), com uma amostra de 202 jovens (27% do sexo feminino). Os rapazes demonstraram um início mais precoce dos comportamentos homossexuais, cerca de dois anos mais cedo que as moças, apresentando portanto diferenças estatisticamente significativas. As mulheres têm uma maior probabilidade de ter experiências sexuais heterossexuais antes de ter experiências com o mesmo sexo. Estes autores concluíram sobre a existência de diferenças de gênero na sequência desenvolvimental, mas limitaram tal afirmação aos comportamentos sexuais heterossexual ou homossexual a ocorrer em primeiro lugar. Esse estudo é importante, pois aborda um assunto relacionado à sexualidade que gera discórdia entre alguns pesquisadores, favorecendo assim, mas um estudo para incrementar tais discussões. Além do mais, instigar à saber o porquê – se for comprovado essa teoria -do amadurecimento de comportamentos homossexual dos rapazes em comparação ao moças.
As relações das pessoas consigo e os seus amores são certamente determinadas por muitas dimensões, influenciadas pelo meio, mas predispostas biologicamente, assim, na sua subjetividade individual, não serão separadas de um contexto social de inserção. Portanto, a tolerância em relação à opção sexual dos outros deve ser uma característica marcante na sociedade como um todo, pois formas estereotipadas e preconceituosas só proporcionam o afastamento e a desunião das pessoas.

Referência: Almeida, J. e Cavalheira, A (2007). Flutuações e diferenças de gênero no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas. Análise Psicológica

Estereótipos e música: YMCA

Estereótipos étnicos: white killing

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Resenha: O saber e a prevenção no trabalho e na vida: Representações de profissionais de saúde que trabalham com HIV/Aids

Clara Vasconcelos

O presente artigo busca investigar e compreender as representações dos profissionais de saúde que trabalham com HIV/Aids sobre as suas práticas profissionais, sobre os riscos no trabalho e na vida pessoal.

Smith(1998) afirma que o conhecimento sobre a Aids leva atitudes favoráveis à adoção do sexo seguro, porém tais atitudes não são necessariamente expressas em comportamentos compatíveis. Tal afirmação corresponde a realidade não só do Brasil, como das mais diversas localidades do mundo.

O artigo então traz que os profissionais que trabalham com esta doença são muito mais capacitados e detêm muito mais conhecimentos acerca da mesma do que a população em geral. Retomando então a afirmação de Smith supracitada, os autores trazem a constatação de que os esforços no sentido de manter a população informada não tem gerado mudanças comportamentais significativas, incluindo-se inclusive os próprios profissionais que trabalham na área.

O artigo então traz o objetivo da pesquisa que foi o de conhecer as representações dos profissionais de saúde, que trabalham com o HIV/Aids ,sobre a sua prática profissional, investigando como e em que medida o saber sobre a Aids influenciam nas suas práticas sexuais.

Método: A pesquisa foi realizada nos Serviços Ambulatórios Especializados HIV/Aids (SAE), em três cidades do Mato Grosso do Sul. Este local atente apenas pacientes portadores da doença e pode ser considerado como uma referência no tratamento do HIV/Aids. A coleta de dados foi feita por meio de entrevistas individuais semi estruturadas que continham dois blocos: A história profissional em relação a Aids e as relações entra o saber e a prática na vida pessoal. Foram 12 sujeitos: 3 psicólogos e 3 assistentes sociais ( que não mantinham contato com os fluidos dos pacientes) e 3 médicos e 3 enfermeiros ( que mantinham contato com os fluidos dos pacientes) .

Foi feita uma leitura fluente de todas as entrevistas, o que permitiu o registro de anotações livres e depois foram construídos dois “corpus” comunicacionais ( um para os que mantinham contato com os fluidos e outros para os que tinham apenas contato verbal). Houve depois um agrupamento por sexo. Por fim reconstruiu-se o discurso dos sujeitos numa síntese do que significava para eles as questões levantadas nos objetivos da pesquisa.

A questão da inserção profissional demonstrou que o ingresso ao SAE ocorreu por meio de convite ou por oferta do cargo para profissionais que já desenvolviam trabalhos com DSTs. Vale destacar que não houve diferenças nas respostas dos dois blocos comunicacionais.

Para estes profissionais, trabalhar no SAE constitui-se como um desafio, devido a questão da incurabilidade da doença. Outro aspecto que surgiu foi a questão do trabalho em equipe, realizado neste ambiente, que despontou como uma das causas de satisfação dos profissionais entrevistados. A proposta diferenciada de atendimento também foi trazida, bem como a qualidade do serviço prestado.

Para estes profissionais trabalhar no SAE é aprender a lidar com a morte o tempo todo, bem como estabelecer limites no próprio vínculo, lidar com a perda da onipotência e ver aspectos negativos de uma forma diferente. Segundo eles, este tipo de serviço coloca a questão da imparcialidade em cheque. Há inúmeras citações referentes a paixão de trabalhar lá. “gratificante” e “lição de vida” são algumas das palavras chave. De acordo com os profissionais as coisas negativas tornam-se insignificantes diante de tudo que foi citado acima.

No outro pólo estudado, buscou-se compreender onde estes profissionais corriam mais riscos. Se era no contato com o vírus no desempenhar de sua profissão ou se era na vida pessoal. Os profissionais foram unânimes afirmando que na vida pessoal eles corriam mais riscos. De acordo com os entrevistados, os riscos no trabalho eram conhecidos e existiam diversas medidas preventivas, enquanto na vida pessoal tais comportamentos não faziam-se presentes.

Todos os profissionais, portanto, relataram não utilizar o preservativo com seus parceiros. Foram relatadas mudanças na representação dos infectados com o vírus, porém não foi relatada uma mudança no comportamento de risco dos profissionais. O que ocorreu após eles iniciarem o trabalho nesta área foi na verdade uma maior identificação com a história do paciente, tendo em vista inclusive a ausência de preservativos nas práticas sexuais.

Parker(1994) diz que não há surpresa nos pequenos impactos promovidos pelos esforços iniciais de educação sobre a Aids. Pois apesar de haver uma preocupação com a informação, pouco se apresenta no sentido de ter formas mais concretas de mudança comportamental. Tem-se acreditado que ao receberem informações objetivas os indivíduos vão responder através de escolhas racionais, reduzindo o comportamento de risco. Tal crença porém não corresponde a realidade até então averiguada.Madeira(1998) trouxe a importância de analisar este fenômeno de maneira menos linear, dando conta de mais dimensões e níveis que certamente estão envolvidos nesta equação.

No que tange aos profissionais da área, pareceu aos autores do texto que a regra era: o conhecimento é para o trabalho e não para a vida. O discurso em torno de explicações para este tipo de comportamento foi redundante e com explicações muito superficiais. Observou-se também um certo incomodo por parte dos entrevistados em responder estas perguntas. Muitos profissionais trazem o discurso de que antes de terem uma profissão são seres humanos, suscetíveis a erros, pressões e inseguranças. Alguns chegam, inclusive a dizer que na vida pessoal são exatamente como seus pacientes. Afirmam também que preferem não pensar sobre o assunto.

As questões culturais e históricas, referentes a confiança no parceiro são bastante presentes, bem como o medo de trazer para o relacionamento a discussão sobre desconfiança e infidelidade. Esta última questão ficou presente de forma acentuada nos discursos das mulheres. Mesmo as que consideram a possibilidade do parceiro ser infiel, preferem delegar a responsabilidade de utilizar preservativo com as amantes para este parceiro, ao invés de tomarem para si mesmas a responsabilidade de cuidar da própria saúde.

As mulheres trouxeram também que a ameaça da destruição do relacionamento parece muito mais eminente e real do que a ameaça da Aids. As verbalizações demonstram simbolicamente a existência de um poder dos homens de fazer escolhas pela sua parceira. Todos os profissionais perceberam a fragilidade do argumento, porém insistiram em afirmar que o componente cultural da fidelidade tem mais poder sobre suas ações do que o conhecimento dos riscos.

De acordo com Madeira(1998) esta lógica pode ser considerada como racional, por ser uma construção que articula no nível do sujeito o psíquico, o social e o histórico, no concreto das relações que articulam as diversas partes do todo. É porém uma lógica diferente das lógicas lineares construídas pelas campanhas.

Para concluir os autores apontam que de fato a prática profissional não interfere de forma positiva na utilização de preservativos na vida pessoal dos profissionais de saúde.

Referência: Andrade, S. e Tanaka, O. O saber e a prevenção no trabalho e na vida: representações de profissionais de saúde que trabalham com HIV/ Aids. Psicologia Ciência e Profissão, 2002, 22, 2, 60-69

Estereótipos e regionalismos: na roça é diferente

Contribuição: Natália Canário e Yasmin Cunha

Tem mãe que é fogo

Foto do dia: stereotype lineup

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