Acrescentado à biblioteca o artigo Significações e subjetividade em mulheres portadoras de transtornos alimentares de Joana Mattos e Leila Almeida
Categoria: Categorias e categorização social
Biblioteca: inclusão de conteúdo
Acrescentado à biblioteca o artigo Políticas de educação inclusiva e a instituição especializada na educação da pessoa com deficiência mental de Silvia Meletti
Biblioteca: inclusão de conteúdo
Acrescentado à biblioteca o artigo Da marginalidade à inclusão: a socialização através da educação no Presídio de Araguaína (TO), de Luiza Silva, Francisco Pinto e Kátia Brito
Estereótipos e música: soul de verão
Biblioteca: inclusão de conteúdo
Acrescentado à biblioteca o artigo Cognição, categorização, estereótipos e vida urbana, de Marcos E. Pereira
Resenha do texto Rethinking the Link Between Categorization and Prejudice Within the Social Cognition Perspective
Letícia Vasconcelos
O presente artigo traz uma crítica à correlação direta que foi se estabelecendo ao longo dos últimos 40 anos entre a categorização e o preconceito. Os autores analisam teorizações e pesquisas da perspectiva da cognição social para demonstrar a tese de que não se pode comprovar a existência de tal correlação, bem como questiona sua conseqüência direta: a elaboração de propostas de redução do preconceito que se baseiam na redução das fronteiras entre as categorias sociais. Os dois eixos principais de argumentação são: demonstrar a ausência de suporte empírico que comprove tal correlação e re-afirmar que uma eliminação da categorização não só é impossível, como altamente indesejável. Uma breve revisão histórica visa demonstrar que trabalhos como os de Allport, Tajfel e Campbell, tidos como precursores da tradição da cognição social, ainda que apontassem para o papel da categorização na formação do preconceito, davam uma ênfase menor ao caráter cognitivo do viés inter-grupal do que o assumido por seus sucessores. São analisadas as três conseqüências principais que derivam da dominância da perspectiva da cognição social para o estudo do preconceito: a preponderância de explicações de base cognitiva sobre os conflitos inter-grupais, a não inclusão do componente afetivo presente em tais conflitos e a compreensão do preconceito como produto do conteúdo de estereótipos negativos. Estudos tradicionalmente usados para comprovar a existência da correlação entre categorização e preconceito são questionados, apontando-se ora uma imprecisão conceitual, ora a variedade de explicações alternativas para dar conta da suposta correlação encontrada. Quanto à questão do preconceito, os autores buscam demonstrar que as estratégias de descategorização e de recategorização não surtem o efeito esperado de sua diminuição. Nem por isso os autores deixam de apontar alternativas para a diminuição do preconceito. Segundo eles, a estratégia ideal é aquela que encontra o equilíbrio entre manter as fronteiras das categorias, como elemento de constituição da identidade social, e minimizando ao máximo o viés inter-grupal. O multiculturalismo é descrito como uma estratégia que mais se aproxima deste ideal, uma vez que mantém a diversidade cultural e étnica. Mais do que simplesmente reconhecer esta diversidade, uma estratégia que busque reduzir o preconceito precisa reconhecê-la como riqueza. Com uma argumentação que recorre a uma revisão teórica e empírica bastante abrangente, o artigo, em última instância, vem defender uma abordagem que atue no sistema de valores individuais e grupais, em especial pela ênfase em valores como a diversidade e a tolerância
Notícia do dia: o cibercrime está dominando a internet
O jornal espanhol El País reproduziu o artigo de John Markoff, do New York Times, no qual são apresentadas as alarmantes conclusões de várias empresas de segurança de dados sobre o crscente sofisticação dos cibercriminosos. Clique aqui para ler.
Estereótipos e publicidade: O aquecimento global irá te derreter

Fonte: Lá Fora
Kit Left Revolution
Contribuição: Rafael Oliveira
Resenha: Cues that Matter: How Political Ads Prime Racial Attitudes During Campaigns
Thiago Falcão
O artigo examina o efeito de como as pistas raciais podem ativar um pensamento racial/racista na avaliação de um certo candidato, pelo público. Os autores vão apresentando suas hipóteses no decorrer do texto: (1) apelos que tenham pistas raciais vão aumentar o poder de justificativa de atitudes raciais nas avaliações de certos candidatos; (2) entrevistados levariam menos tempo para identificar deixas raciais quando esse conteúdo já tiver sido ativado; Os autores ainda executam a extensão de um estudo anterior (Nelson et al, 1997; Miller e Krosnick, 2001), sobre a importância das questões raciais nos processos de ativação, e (3) testam se há um processo psicológico sofisticado o suficiente, na avaliação dos candidatos pelo público, para que a importância que tal candidato dá a certos grupos seja um fator relevante.
Os autores começam o artigo discutindo um fato emergente na América: no decorrer dos últimos 40 anos, atitudes públicas relacionadas à raça foram radicalmente diminuídas, mas algumas pesquisas ainda indicam que formas midiáticas ainda reforçam os estereótipos de minorias. Valentino e seus colegas, então, se utilizam de um modelo desenvolvido por Mendelberg para se referir ao assunto, mas adiantam que enquanto o modelo é muito convincente e seus resultados muito persuasivos, mais testes precisam ser executados sobre o problema. A premissa básica do estudo, então, é a de que mesmo velados, os componentes raciais no discurso midiático ainda são uma força potente na política americana.
A aproximação teórica de Mendelberg tem quatro componentes: (1) americanos brancos são divididos entre a “norma de igualdade” e seu ressentimento com relação aos negros em falhar ao aderir à crença americana no individualismo e no trabalho duro; (2) o priming racial funciona porque certas deixas tornam alguns esquemas racionais mais acessíveis pela memória, daí eles serem usados nos processos de tomada de decisão imediatamente posteriores; (3) estar ciente de conteúdo racial numa mensagem faz com que a maioria dos americanos a rejeitem, por causa da “norma de igualdade” e (4) apelos raciais só são efetivos se não forem reconhecidos como tal pela audiência.
Os autores vão, então, se focar em três questões que pra eles estão relacionadas, para tentar jogar alguma luz sobre o problema: (1) pistas raciais em apelos políticos normais realmente ativam atitudes raciais? (2) que tipos de deixas ativam atitudes raciais? (3) afinal, qual o mecanismo psicológico que está associado à ativação racial? Seguindo esse viés argumentativo, os autores finalmente chegam à teoria que dá suporte (com base em várias pesquisas) ao artigo: para a maioria das pessoas, atitudes raciais negativas afetam o pensamento político automaticamente – ou simplesmente não o fazem mais.
O estudo, então, foi realizado com 346 adultos não-estudantes, na Universidade de Michigan, com os entrevistados tendo sido informados via panfletos. A amostra não era perfeitamente representativa da nação como um todo por conter muitos graduados e poucos republicanos, além de os autores apontarem o problema de não poder isolar as respostas por grupos étnicos, porque a amostra não continha um número suficiente de pessoas enquadradas nesse grupo. Os entrevistados foram expostos a um questionário demográfico e três comerciais, tendo sido levados a realizar uma atividade de cunho léxico desenhada para medir a acessibilidade de atitudes raciais na memória.
Os resultados mostram que uma variedade de pistas raciais implícitas pode, sim, ativar questões raciais, especialmente aquelas que implicam que os negros não seriam merecedores dos gastos do governo. Com relação à segunda hipótese, os autores percebem que os resultados corroboram com a idéia anterior de que as pistas raciais ativam questões nas memórias dos espectadores, mas mais importante que isso, embora a narrativa já o fizesse por si só, quando as deixas visuais foram apresentadas, o efeito detectado foi maior – o que dá pistas de como os processos de ativação funcionariam.
Os autores ainda executam a extensão de dois estudos (Nelson et al, 1997; e Miller e Krosnick, 2001), sobre os níveis de importância que os expectadores dariam às representações de grupos na avaliação de certos candidatos. Segundo Valentino e seus colegas, o nível de importância que os expectadores dão ao problema seria uma variável tão importante quando a ativação das informações na memória, pelas pistas raciais. Os resultados sugerem que a hipótese é sustentada – pistas raciais implícitas, especialmente aquelas sobre os negros não serem merecedores da ajuda do governo, ativam atitudes com relação ao problema e tornam a questão de grupos mais importante no cálculo de votos.
Por fim, os autores testam a última hipótese, e chegam à conclusão de que deixas raciais ativam as questões referentes à raça causando impacto sobre a avaliação dos candidatos. Os autores ainda especulam que deixas anti-estereotípicas não ativam tais questões, mas podem levar a uma reflexão sobre a questão dos grupos étnicos na avaliação de um candidato.
Os autores encerram o artigo sugerindo que um maior debate sobre questões raciais precisa ser travado nos Estados Unidos, e que, em suma, quando os americanos estão cientes do assunto – quando o assunto da raça é explícito – eles suprimem o pensamento racial/racista.
Referência: VALENTINO, N., HUTCHINGS, V. E WHITE, I. (2002) Cues that Matter: How Political Ads Prime Racial Attitudes During Campaigns. In: American Political Science Review, Vol. 95, N. 1, p. 75-90.