Estereótipos, preconceitos e esportes

Contribuição: Clara Vasconcelos, Daiana Nogueira e Gilcimar Dantas

Costuma-se acreditar que os esportes, principalmente os coletivos, são capazes de desenvolver nos indivíduos um senso maior de coletividade, cooperação e convívio com as diferenças de forma pacífica. Infelizmente, este ideal nem sempre é observado na prática, uma vez que muitos dos preconceitos que permeiam as relações sociais se reproduzem no contexto esportivo. Temos inúmeros exemplos de jogadores imigrantes, negros e de classes consideradas não-dominantes que sofrem constantemente com atitudes discriminatórias vindas da torcida e de companheiros de profissão. Clique aqui para ler uma reportagem sobre o assunto.

Notícia do dia: Obama, criticado por matar una mosca en televisión


A morte de um inseto pelas mãos do presidente americano se transformou  numa autêntica questão de Estado. Clique aqui para ler  a reportagem da agência EFE publicada em El País.

Office Stereotypes- The Slacker

Estereótipos, humor e futebol: podem criticar à vontade

Contribuição: Natália Canário e Yasmin Oliveira

“Podem criticar à vontade, eu não vou mudar meu estilo! Jogador de futebol gosta disso mesmo. É carrão, pagode, mulher, futebol…”

Estereótipos e esportes: golfe

Contribuição: Clara Vasconcelos, Daiana Nogueira e Gilcimar Dantas

O golfe costuma ser um esporte associado a determinado sociais. A profissão dos jogadores de golfe é geralmente desempenhada por indivíduos brancos, ricos e bem sucedidos – parte desses estereótipos são provenientes das próprias exigências econômicas deste esporte. Felizmente o maior jogador de golfe da atualidade está contribuindo para quebrar, pelo menos, um desses estereótipos: Tiger Wood.

Estereótipos e esportes: jovens inteligentes

Contribuição: André Oliveira

O esporte é uma prática de lazer ou até mesmo algo mas profissional, que está muito relacionada à cidadania. Crianças, desde cedo, são incentivadas pela mídia e, por conseguinte, pela própria família a participarem de algum esporte, com intuito de ter um espírito de competição, mas ao mesmo tempo saber perder, respeitar as regras e os companheiros.

Estereótipos e esportes: bola inteligente, para jogador burro

Contribuição: Marinês Oliveira e Luzia Mascarenhas

Corre sempre os comentários de que a inteligência dos jogadores de futebol não correspondem as suas habilidades futebolísticas. Uma grande marca deste comportamento estão presentes nas suas falas nas entrevistas em jornais, tvs e afins. São frases monossilábicas assassinando o português e toda a concordância gramatical. Abaixo uma solução infalível para esta situação!!!!!!!!!!!!!!!!!
Bola inteligente poderá ser solução para jogador burro. A FIFA vai testar a “bola inteligente”, lançada pela marca esportiva Fudidas. Segundo fontes claras de Lindóia, a idéia da “bola inteligente” surgiu depois que a expressão “o que atrapalha ele é a bola” começou a ficar muito corriqueira no futebol mundial.
Os técnicos da marca Fudidas afirmam que a “bola inteligente” será muito mais inteligente que certos jogadores cabeças de bagres que atuam no futebol, principalmente brasileiro. Portanto, a partir da liberação da “bola inteligente” para o uso dos times brasileiros, jogador e técnico burros poderão consultar a bola antes de fazer qualquer estupidez dentro do campo.

Fonte: Jornal Perestroika

Estereótipos e esportes: mulher piloto de Fórmula 1

Contribuição: Clara Vasconcelos, Daiana Nogueira e Gilcimar Dantas

Ainda nos dias de hoje, observa-se que a fórmula 1 é um esporte eminentemente machista. Em pleno século XXI alguns esportes ainda são concebidos como unicamente masculinos ou femininos. Mulheres ou homens que quebram este paradigma sofrem discriminação e são alvo de preconceito inclusive por parte de colegas de profissão. Leia reportagem sobre última mulher que tentou participar da Fórmula 1 e foi vítima da frase: “mulher no volante, perigo constante”; enunciada pelo ídolo nacional neste esporte: Ayrton Senna:

Office Stereotypes- The 40 Year Old Virgin

Resenha: Cognição, categorização, estereótipos e vida urbana

Marcus Vinicius C. Alves

De acordo com dados do IBGE que afirmam que grande parte da população brasileira é residente de centros urbanos, o autor do ensaio decide então por perscrutar a influência dessa vida urbana nas funções cognitivas, com destaque para o processo de categorização e estereotipização, desenvolvendo um raciocínio acerca da influência desses processos na vida cotidiana. O autor sugere que, já que argumentos cognitivistas afirmam que o mundo complexo em que vivemos exige o uso de sistemas de aprendizagem complementares, seria então fundamental para a vida como conhecemos nos centros urbanos um uso ainda mais acentuado destas do que no campo, devido à quantidade de informações que se recebe nas cidades. Há, então, a capacidade de entender a realidade por dois caminhos diferentes e complementares, um que torna os indivíduos capacitados a aprender e lidar com o previsível, e outro que seria caracterizado por uma grande plasticidade, sendo capaz de rapidamente analisar diferentes variáveis, se comportando de forma mais adequada a elas. Partindo desse raciocínio, o autor argumenta sobre a forma que as categorizações são engendradas, usando de exemplos cotidianos, permitindo um entendimento sobre como funcionaria os sistemas de aprendizagem e o porquê da utilidade deles na realidade urbana tão instável. Segundo Pereira, a possibilidade de podermos ter os pensamentos orientados pelas categorias que são construídas com a história de vida permite que lidemos tanto com situações corriqueiras como ir a um shopping a procura de algum item e sabermos que vamos encontrar auxílio com um vendedor, quanto com situações raras, mas previsíveis em decorrência da experiência de como lidar com semelhantes, como ir ao mesmo shopping e, o ao não encontrar o vendedor, pedir auxílio a alguém que aparente poder ajudar. Tais pensamentos permitem também lidar com situações totalmente divergentes do que se teria uma prévia ideia, como, por exemplo, ir novamente ao shopping e encontrar um vendedor que se comporte totalmente fora dos padrões habituais, sendo agressivo com clientes que pedissem sua assistência. Assim, pode-se perceber que é natural e, em alguns casos, extremamente valioso que automaticamente categorizemos grupos sociais e comportamentos de outrem, construindo um repertório de conduta e reação. Além disso, é possível entender o porquê de alguns autores argumentarem que nas cidades essas categorizações estão em funcionamento e reconstrução a todo o momento, pois, a vida urbana exige o contato com pessoas de diferentes grupos, com diferentes crenças e valores o tempo todo.
O autor então levanta uma informação intrigante que revela que o raciocínio anteriormente empregado não se encontra além de controvérsias. O argumento é suportado pela literatura que trata o tema: apesar de que os centros urbanos geram uma forte categorização, pesquisas revelam que representações estereotipadas se manifestam de forma menos intensa nos centros urbanos de maior tamanho. Pereira sugere então uma resposta para a questão, ele afirma que é lícito supor que as grandes cidades são fonte de uma enorme rede de possibilidades de contradição de estereótipos, assim, apesar de incitar os pensamentos estereotipados pela necessidade da cognição de criar esquemas de comportamento para diferentes pessoas, reduzindo a energia gasta para entendê-las, a vida urbana acaba por também propiciar oportunidades infinitas de contato com pessoas diferentes, algumas que confirmam os estereótipos, e outras tanto que destoam do pensamento categorizado. Entretanto, afirmar que o ser humano tende a inibir o raciocínio categórico seria um erro, o autor afirma exatamente o contrário. Pereira questiona então quais seriam as condições que disparariam o raciocínio categórico, e a resposta é que, provavelmente, o raciocínio direcionado à categorização surge quando falta ao indivíduo percebedor motivação, tempo ou capacidade cognitiva para lidar com as demandas requeridas durante as interações sociais.
O ensaio então é concluído com uma reflexão do autor sobre o que foi discutido anteriormente. Pereira propõe que, não necessariamente um indivíduo que viva em uma cidade vai estereotipizar menos que um que viva no ambiente rural, o que fará a diferença será muito mais a qualidade do que a quantidade das informações e dos contatos interpessoais nos quais ele vai obter informações sobre os grupos sociais. Assim, entende que apesar do efeito do ambiente em que se vive, o contexto em que as informações serão entendidas será de importância impar, e além disso, cabe também às pessoas a diluição de pensamentos tacanhos e preconceituosos.

Pereira, M. E. (2008). Cognição, categorização, estereótipos e vida urbana. Ciências & Cognição. Vol. 13 (3), 280-287.