Notícia do dia: estereótipos em nome da hospitalidade

Contribuição: Diogo Araújo

Quase sempre os estereótipos são utilizados pelas pessoas de forma negativa. Porém, o orgão oficial de turismo inglês, preocupado com gafes ao se atender os estrangeiros que invadirão Londres durante os Jogos Olímpicos de 2012, pretende usar os estereótipos para que o país seja um melhor anfitrião. Foi realizado um levantamento de comportamentos que devem ser evitados quando se lidar com visitantes de várias nacionalidades, com o objetivo de criar uma cartilha e prevenir situações embaraçosas.   Clique aqui para ler.

Estereótipos, preconceitos e esportes

Contribuição: Clara Vasconcelos, Daiana Nogueira e Gilcimar Dantas

Costuma-se acreditar que os esportes, principalmente os coletivos, são capazes de desenvolver nos indivíduos um senso maior de coletividade, cooperação e convívio com as diferenças de forma pacífica. Infelizmente, este ideal nem sempre é observado na prática, uma vez que muitos dos preconceitos que permeiam as relações sociais se reproduzem no contexto esportivo. Temos inúmeros exemplos de jogadores imigrantes, negros e de classes consideradas não-dominantes que sofrem constantemente com atitudes discriminatórias vindas da torcida e de companheiros de profissão. Clique aqui para ler uma reportagem sobre o assunto.

Estereótipos e esportes: golfe

Contribuição: Clara Vasconcelos, Daiana Nogueira e Gilcimar Dantas

O golfe costuma ser um esporte associado a determinado sociais. A profissão dos jogadores de golfe é geralmente desempenhada por indivíduos brancos, ricos e bem sucedidos – parte desses estereótipos são provenientes das próprias exigências econômicas deste esporte. Felizmente o maior jogador de golfe da atualidade está contribuindo para quebrar, pelo menos, um desses estereótipos: Tiger Wood.

Estereótipos e esportes: mulher piloto de Fórmula 1

Contribuição: Clara Vasconcelos, Daiana Nogueira e Gilcimar Dantas

Ainda nos dias de hoje, observa-se que a fórmula 1 é um esporte eminentemente machista. Em pleno século XXI alguns esportes ainda são concebidos como unicamente masculinos ou femininos. Mulheres ou homens que quebram este paradigma sofrem discriminação e são alvo de preconceito inclusive por parte de colegas de profissão. Leia reportagem sobre última mulher que tentou participar da Fórmula 1 e foi vítima da frase: “mulher no volante, perigo constante”; enunciada pelo ídolo nacional neste esporte: Ayrton Senna:

Resenha: Estereótipos sexuais aplicados às nadadoras

Fernanda Brito

Quais fatores interferem no grau de masculinidade ou feminilidade atribuído às pessoas? A opção por uma prática esportiva certamente é um importante fator, principalmente por modificar o corpo, facilitando muitas vezes a identificação e a classificação dos atletas e dos não-atletas. O artigo apresenta um estudo feito para explorar a aplicação de estereótipos sexuais às nadadoras, avaliando se há um impacto na percepção de dois grupos de pessoas que diferem quanto ao envolvimento com o desporto. Adota-se o pressuposto de que pessoas não envolvidas com a natação tendem a aplicar estereótipos sexuais em função do biotipo das atletas.
Atualmente a questão acima não é mais vista de forma unidimensional, como pólos opostos de um mesmo plano. Os construtos de masculinidade e de feminilidade são vistos como bidimensionais, ou seja, numa escala psicométrica um indivíduo pode obter dois escores independentes. Estes dois escores independentes dão origem a quatro grupos tipológicos: Masculino, Feminino, Andrógino e Indiferenciado.
Desta nova concepção surge o conceito de androginia psicológica que se traduz pelo desenvolvimento simultâneo e equilibrado de características masculinas e femininas por uma mesma pessoa. Este conceito corrobora para uma melhor compreensão dos padrões de comportamento, uma vez que indica uma maior flexibilidade comportamental: melhor ajustamento às diferentes situações sociais que exigem de uma mesma pessoa tanto características masculinas quanto femininas. Por exemplo, estudos demonstram que em relação ao engajamento em atividades apropriadas e inapropriadas ao sexo, os grupos andrógino e indiferenciado não apresentam diferenças significativas em comparação aos grupos masculino e feminino que tendem a se engajar em atividades apropriadas ao seu sexo e evitar as inapropriadas.
Neste sentido, a escolha de mulheres pela prática de desportos com predomínio de características masculinas como agressividade, competitividade e de homens por desportos que requerem suavidade e leveza favorecem a aplicação de estereótipos sexuais. Isto ocorre porque as características do desporto associado ao sexo do praticante contrariam a desejabilidade social que está pautada nas construções sociais do que é masculino e feminino.
O instrumento utilizado no artigo foi o Inventário de Papéis Sexuais de Bem (BSRI) compostos por três escalas: feminina, masculina e neutra. A escala neutra é composta por itens desejáveis e indesejáveis para ambos os sexos. As variáveis do estudo foram o grau de envolvimento com o desporto e o sexo dos participantes. De modo geral, não houve diferenças quanto ao sexo na aplicação de estereótipos sexuais, a não ser pela tendência das mulheres em considerar as nadadoras com maior quantidade de características neutras, podendo indicar que na percepção das mulheres as nadadoras não são tão femininas, o que foi constatado também no grupo que não possuía envolvimento com o desporto.

Essa percepção distorcida pode ser explicada pelo desconhecimento do esporte e pelo biotipo das nadadoras que contrariam os padrões estéticos designados à feminilidade. Além disso, a preocupação com a aparência física e a atratividade sexual potencializa nas mulheres a aplicação de estereótipos sexuais para toda e qualquer mulher que se afaste desses padrões culturalmente femininos. Fica como sugestão para próximos estudos, uma melhor investigação sobre o grau de impacto desses estereótipos sexuais na decisão de uma adolescente por esportes de características predominantemente masculinas, e sobre a possível existência de conflitos entre biótipos de atletas e padrões culturais que podem impedir o início ou prosseguimento de uma carreira desportiva.
Referência: Giavoni, A. Estereótipos sexuais aplicados às nadadoras. Revista Brasileira Ciência e Movimento,10, 2, 27-32.