Artigo publicado: Silence and Table Manners

Título: Silence and Table Manners: When Environments Activate Norms

Autores: Janneke F. Joly, Diederik A. Stapel, and Siegwart M. LindenbergJanneke F. Joly, Diederik A. Stapel, and Siegwart M. Lindenberg

Periódico:Personality and Social Psychology Bulletin, 34, 1047-1056, 2008

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Artigo publicado: Conceptions of the Self and Others

Título: Conceptions of the Self and Others Across Time

Autores: Elanor F. Williams e Thomas Gilovich

Periódico: Personality and Social Psychology Bulletin, 34, 1037-1046, 2008

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Definição de estereótipos

chamada

Os estereótipos são crenças socialmente compartilhadas a respeito dos membros de uma categoria social, que se referem a suposições sobre a homogeneidade grupal e aos padrões comuns de comportamento dos indivíduos que pertencem a um mesmo grupo social. Sustentam-se em teorias implícitas sobre os fatores que determinam os padrões de conduta dos indivíduos, cuja expressão mais evidente encontra-se na aplicação de julgamentos categóricos, que usualmente se fundamentam em suposições sobre a existência de essências ou traços psicológicos intercambiáveis entre os membros de uma mesma categoria social.

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Notícia do dia: estereótipos sobre os alemães

Matéria publicada pelo correspondente do Newsweek em Berlim, Andrew Nagorski, relata com o os germânicos cotidianamente se defrontam com o próprio passado e indica como estes confrontos podem ajudar a entender os estereótipos amplamente compartilhadas em muitos países ocidentais sobre os alemães. Clique aqui para ler a notícia

Artigo publicado: Subliminal Sexual Priming Motivates Relationship Goal Pursuit

Título: When Sex Primes Love: Subliminal Sexual Priming Motivates Relationship Goal Pursuit

Autores: Omri Gillath, Mario Mikulincer, Gurit E. Birnbaum e Phillip R. Shaver

Periódico: Personality and Social Psychology Bulletin, 34, 1057-1069, 2008

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Notícia do dia: “Tenho filho de 24 anos que só me viu de farda uma vez. Dou mais segurança a minha família se ninguém souber que sou da polícia”

Matéria do jornal A Tarde relata, com base em depoimentos de policiais militares, uma das conseqüências da violência urbana na cidade do Salvador. Clique aqui para ler a matéria.

Resenha: Os estereótipos e o viés lingüístico intergrupal

Diogo Araújo

Muitos estudos revelam que o tipo de linguagem utilizada para descrever o comportamento de membros do ingroup e do outgroup contribui para a transmissão e persistência dos estereótipos. Pereira e cols. (2003) conduziram um estudo experimental que buscou verificar os efeitos do viés lingüístico intergrupal nas avaliações realizadas por participantes de etnias branca e negra, na cidade de Salvador, Bahia.

Viés Lingüístico Intergrupal
A hipótese do viés lingüístico intergrupal é de que uma mesma ação pode ser codificada em diferentes níveis de abstração, variando de acordo da pertença do protagonista da ação ao in ou ao outgroup de quem julga, e da dimensão axiológica da ação, sendo ela considerada desejável ou indesejável. Semin e Fiedler (1988 ) desenvolveram um modelo de categorias lingüísticas que distinguem quatro níveis de abstração:
1) os verbos descritivos;
2) os verbos interpretativos;
3) os verbos referentes a estados duradouros;
4) os adjetivos.

Os verbos descritivos referem-se objetivamente ao comportamento observado, delimitando claramente o inicio e o fim da ação, não dando espaço para avaliações de positividade ou negatividade (ex: correr, fechar, pegar). Os verbos interpretativos já trazem um componente semântico positivo ou negativo na avaliação do comportamento, mas também delimitam temporalmente a ação (ex: ofender, matar, aplaudir). Os verbos de estado duradouro atribuem estados internos bastante permanentes, sendo muito difícil visualizar um início e um fim deste estado (ex: desejar, amar, odiar). Os adjetivos se caracterizam pela forte atribuição disposicional dos comportamentos, e que estas tendências são de grande estabilidade, pouco sensíveis às contingências externas.
O viés lingüístico intergrupal possui atualmente duas explicações: uma baseada em aspectos motivacionais e outra em aspectos cognitivos. Na perspectiva motivacional, o viés contribui para a proteção do ingroup, avaliando de forma abstrata os comportamentos positivos do ingroup e de forma concreta os comportamentos negativos, elevando a auto-estima em relação ao outgroup. Na perspectiva cognitiva, o que influencia nas respostas são as expectativas do individuo sobre a ação executada, avaliando abstratamente o que é esperado e concretamente a ação que contraria as expectativas.
O estudo realizado por Pereira e cols. (2003) baseou-se na perspectiva motivacional do viés lingüístico intergrupal, realizando quatro experimentos.

Experimento 1
Participaram deste experimento 87 pessoas, escolhidas por critério de conveniência em locais de grande circulação. Foram aproveitados 83 questionários. A avaliação da etnia dos participantes foi realizada pelas quatro entrevistadoras. 59,0% dos participantes foram do sexo masculino, 39,8% do sexo feminino e não foi possível identificar o sexo de um dos participantes. 21,7% dos participantes possuíam o primeiro grau, 47,0% o segundo grau e 33,8% o terceiro grau.
As entrevistadoras apresentaram um caderno com o desenho de seis cenas, representando uma criança realizando ações socialmente positivas (devolver a carteira perdida de um transeunte; participar de uma roda de capoeira; ajudar uma senhora idosa a atravessar a rua) e negativas (dirigir-se a um grupo sentado em uma mesa de bar; ficar à espreita em uma praia, esperando uma oportunidade para cometer um furto; atingir com um tapa uma outra criança de menor estatura e idade), para serem avaliados de acordo com as quatro categorias lingüísticas integrupais propostas por Semin e Fiedler (1988 ) selecionando uma entre quatro frases relacionadas com a cena observada. Dois conjuntos de desenhos foram utilizados, um com a criança de etnia branca e outro com a criança de etnia negra. Foram formados, então, quatro grupos experimentais:
1) participantes de etnia branca, avaliando personagens de etnia branca, em cenas socialmente positivas e negativas;
2) participantes de etnia branca, avaliando personagens de etnia negra, em cenas socialmente positivas e negativas;
3) participantes de etnia negra, avaliando personagens de etnia branca, em cenas socialmente positivas e negativas;
4) participantes de etnia negra, avaliando personagens de etnia negra, em cenas socialmente positivas e negativas.
Neste experimento, os resultados não condizeram com o que se encontra na literatura, pois não foi alcançada uma significância estatística suficiente para se afirmar o efeito da etnia na avaliação das cenas negativas ou positivas. Porém, se observarmos apenas as médias, vemos que os brancos avaliaram positivamente sua etnia de forma mais abstrata (dentro do que se espera na literatura), enquanto os negros não fizeram distinção de etnia nas cenas positivas. Nas cenas negativas, os brancos que não apresentaram diferença de avaliação entre as etnias, e os negros, contrariando totalmente o esperado, avaliaram as cenas negativas com a criança negra de forma mais abstrata do que as cenas com a criança branca.

Experimento 2
A amostra consistiu em 88 participantes. 47,4% homens e 52,3% mulheres. Média de idade de 29,6 anos. 11,4% com o primeiro grau, 46,5% com o segundo grau, e 42,1% com o terceiro grau. Os critérios de seleção e categorização da amostra foram os mesmos utilizados no experimento 1.
O procedimento utilizado foi semelhante ao do experimento 1, diferindo em que a avaliação foi feita por frases formuladas pelos próprios participantes. As frases foram codificadas por três juízes de acordo com os graus de abstração do modelo de categorização lingüística de Semin e Fiedler, e avaliadas quanto ao grau de positividade e negatividade das frases, considerando-se também frases neutras.
Como no primeiro experimento, não se estabeleceu significância estatística que corroborasem completamente as hipóteses, mas grosso modo, analisando apenas as médias, tanto brancos e negros fizeram avaliações positivas condizentes com a literatura: mais abstratas para o ingroup e menos para o outgroup. Porém, nas avaliações negativas, houve uma total inversão em relação ao esperado, pois tanto brancos como negros avaliaram o ingroup de forma mais abstrata e o outgroup de forma menos abstrata.

Experimento 3
Este experimento difere dos anteriores quanto a amostra, pois os participantes são crianças de uma escola particular. Também houve mudanças no procedimento, sendo utilizado um instrumento computadorizado para a exibição das cenas e coleta de dados. Participaram do experimento 40 crianças. 52,5% participantes do sexo masculino, 47,5% do sexo feminino. A média de idade foi de 9,9 anos.
Novamente não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre as médias das avaliações. Deixando de lado este critério, as médias mostraram uma avaliação positiva mais abstrata do ingroup por parte dos brancos, acontecendo o contrário na avaliação feita pelos participantes de etnia negra. Na avaliação das cenas negativas, a avaliação dos brancos que contrariou a hipótese, sendo mais abstrata para o ingroup, enquanto os negros avaliaram o outgroup de forma mais abstrata.

Experimento 4
Neste experimento, participaram 21 crianças com média de idade de 10,8 anos, sendo selecionados e categorizados da mesma forma que no experimento 3. Os equipamentos e procedimentos utilizados foram semelhantes ao do experimento 3, diferindo na forma de coleta da avaliação das cenas, sendo através de um relato livre.
Observou-se neste experimento uma diferença significativa na avaliação das cenas positivas, havendo interação entre a etnia do participante e do personagem. Nas cenas negativas, a influencia da etnia foi apenas marginal. A análise das médias revela que a avaliação feita por brancos e negros a esperada pela hipótese do viés lingüístico intergrupal. Na avaliação negativa, só os participantes de etnia negra avaliaram de forma congruente à hipótese.

Conclusão
Apesar deste estudo não ter encontrado resultados compatíveis com a hipótese do viés lingüístico intergrupal, ele permite algumas reflexões, principalmente quanto as peculiaridades da população brasileira e baiana. Além de possíveis problemas metodológicos na condução do estudo, deve-se também esclarecer se a população investigada difere de forma saliente quanto aos valores considerados importantes e identidade social e étnica em relação a populações de outros países onde foram realizadas outras pesquisas. Estudos sobre a linguagem e as relações intergrupais são de grande relevância, porém devem contemplar a grande complexidade do fenômeno, acentuando-se ainda mais a importância do acumulo de conhecimento pela comunidade cientifica.

Referência: Pereira, M. E. ; Fagundes, A. ; Silva, J. e Takei, R. Os estereótipos] e o viés lingüístico intergrupal. Interação (Curitiba), 7, 1, 127-140, 2003.

Artigo publicado: Normative Social Influence

Título: Normative Social Influence is Underdetected

Autores: Jessica M. Nolan, P. Wesley Schultz, Robert B. Cialdini, Noah J. Goldstein e Vladas Griskevicius

Periódico: Personality and Social Psychology Bulletin, 34, 913-923, 2008

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Artigo publicado: The Case of the al-Aqsa Intifada

Título: The Linkage Between Israel’s Military Policies and the Military’s Social Composition The Case of the al-Aqsa Intifada

Autor: Yagil Levy

Periódico: American Behavioral Scientist, 51, 1562-1574, 2008

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Resenha: A influência de ser atleta na identidade social de portadores de deficiência física

Leandro Muniz

Os portadores de deficiência física formam um grupo quantitativamente inferior no espaço comunitário e são alvos de preconceito, que é pautado por um pejorativo processo de estereotipização. Os estereótipos influenciam de forma tenaz nas avaliações que as pessoas fazem sobre os comportamentos das outras e podem ser compreendidos como uma maneira que o indivíduo tem de simplificar o mundo. Eles são bastante resistentes às mudanças, podendo torna-se um grave complicador das relações humanas quando fundamentados por conteúdos de acepção injusta e maledicente. Entretanto, a prática esportiva colabora para o arrefecimento do modo de pensar estimatizador e categórico que os portadores de deficiência física defrontam.
O esporte proporciona aos seus praticantes uma visibilidade positiva e bastante reforçada de heroísmo, superação e força. A prática esportiva trama um terreno para o convívio, em que vantajosas relações pessoais tornam possível ao portador a capacidade de dirimir formas de pensar preconceituosas sobre suas ações no mundo.
Ao se entender que as ações cotidianas dos portadores de deficiência física não passam despercebidas e que existem diferenças perceptivas referentes aos modos de operar no mundo dos portadores não atletas, dos portadores atletas, dos não-portadores não atletas e dos não-portadores atletas, foi possibilitada a análise de fatores importantes para a compreensão de como a prática do desporto é profícua para a construção de uma identidade social sólida do grupo de portadores de deficiência física.
O portador que opera com certa independência nas tarefas sociais mostra uma identidade social mais positiva, o que promove a diluição das posturas preconceituosas referentes à maneira de vê-lo como uma pessoa de exagerada dependência. Os indivíduos necessitam de uma identidade social que se traduza em um “sentimento de nós”, de reconhecerem-se importantes no espaço coletivo.
O portador atleta é considerado como uma pessoa persistente diante das barreiras presentes na vida, autônomo, incluso de forma proveitosa nas relações sociais, capaz de viver intensamente e de agir mais normalmente que o portador não atleta. No entanto, sofre mais rejeições que os não portadores e é freqüentemente alvo de preconceitos. Mesmo com a extrema idealização da condição de ser atleta, o estigma preconceituoso é mais premente que a possibilidade da redução deste pela identificação daquele como esportista.
Com efeito, em algumas circunstâncias a imagem de atleta supera a visão categórica negativa da deficiência. A prática esportiva influencia de modo claro nos julgamentos dos grupos, há uma avaliação mais positiva do portador de deficiência física quando ele é um atleta. A “cultura do esporte” abre campo para a interação do portador com o coletivo e permite que ele entre em acordo com os valores e normas do grupo de pertença. O esporte, dessa forma, é fundamental para a afirmação de uma identidade social mais valorizada.
A investigação elaborada por Fialho e Pereira (2006) é importante para auxiliar na construção de práticas interventivas e processos de inclusão. Ao considerar que existe um processo de estereotipização, e não que os estereótipos são imutáveis e indissolúveis, a pesquisa possibilita, a partir dos dados obtidos, o avanço para a produção de medidas redutoras de preconceitos. Pensar que a mobilidade e a mudança de uma posição social tornam-se possíveis quando a estrutura de crenças permite o movimento livre do grupo que o portador de deficiência física pertence progride um deslocamento grupal mais vantajoso.
É também através de um empenho cognitivo inquiridor que se incentiva a adoção de julgamentos mais igualitários, que muito dirimem modos de pensar categóricos e estigmatizados. O espaço do esporte abre-se para a recriação da vida do portador de deficiência física atleta, em que ele se entende capaz de superar dificuldades e reclamar seus direitos.

Referência:
Fialho, K. ; Pereira, M. E. . A influência de ser atleta na identidade social de portadores de deficiência física. Psicologia Argumento, Curitiba, v. 24, p. 67-78, 2006.