Foto do dia: ‘Fat’ Female Body

‘Fat’ Female Body, originally uploaded by The Sage Libraries.

Notícia do dia: software também é coisa de mulher

Post publicado no GigaBlog, do UOL, utiliza o caso de Fernanda Weiden, programadora vinculada à comunidade de software livre, para discutir o sexismo entre os hackers e programadores de computadores. Clique aqui para ler o post.

Notícia do dia: Test says women are ’talkative’

Matéria publicada no periódico turco  Hurriyet DailyNews.com  reproduz uma questão encontrada numa prova aplicada durante um exame de seleção de policiais.

O que mais caracteriza uma  mulher?

a) ser insolente
b) ser reflexiva
c) ser regida pelo pensamento lógico
d) acreditar  em si mesma
e) conversar excessivamente sobre futilidades

Clique aqui para ler a reporatgem.

Estereótipos e esportes: mulher piloto de Fórmula 1

Contribuição: Clara Vasconcelos, Daiana Nogueira e Gilcimar Dantas

Ainda nos dias de hoje, observa-se que a fórmula 1 é um esporte eminentemente machista. Em pleno século XXI alguns esportes ainda são concebidos como unicamente masculinos ou femininos. Mulheres ou homens que quebram este paradigma sofrem discriminação e são alvo de preconceito inclusive por parte de colegas de profissão. Leia reportagem sobre última mulher que tentou participar da Fórmula 1 e foi vítima da frase: “mulher no volante, perigo constante”; enunciada pelo ídolo nacional neste esporte: Ayrton Senna:

Estereótipos, humor e publicidade: tão rápido que você nem esperava

Contribuição: Marinês Oliveira

Com o avanço da industria farmaceutica, os medicamentos designados a quem tinha impotencia sexual gerou uma corrida as farmacias. contudo, a crença que estes medicamentos fariam com que qualquer pessoa pudesse aumentar o desempenho sexual, fez com que estes medicamentos fossem utilizados por qualquer homem, em qualquer idade, independente de ter ou não qualquer disfunção sexual.

Fonte: Pérolas Mentais

Resenha: Sexismo hostil e benevolente: inter-relações e diferenças de gênero

Daiana Nogueira

Conceitualizando o preconceito como uma antipatia ou hostilidade dirigida a grupos ou a membros específicos de um grupo, devido a generalizações incorretas, Gordon Allport (1954), em sua obra “A natureza do preconceito”, impulsionou os primeiros estudos científicos sobre o preconceito dentro de uma perspectiva psicossocial. Ainda muito utilizado atualmente, esta definição sugere que o fenômeno do preconceito é constituído por bases de natureza cognitiva, afetiva e comportamental. O componente cognitivo é expresso através dos estereótipos presentes nas atitudes preconceituosas. Já o componente afetivo, por sua vez, pode ser verificado nos sentimentos e avaliações negativas dirigidas a certos grupos ou membros destes. Por fim, tem-se o componente comportamental do preconceito, relacionado diretamente com a discriminação e atos hostis direcionados a determinados grupos sociais.

Dentre as diversas, e inúmeras, possibilidades de expressão do preconceito, o Sexismo, ou avaliações negativas e atos discriminatórios dirigidos às mulheres, é amplamente verificado atualmente em diferentes contextos sociais. A literatura propõe a existência de dois tipos de manifestação do referido preconceito: o Sexismo institucional e o Sexismo interpessoal. Enquanto o primeiro está associado às práticas de discriminação e exclusão promovidas por entidades, organizações e comunidades, o segundo tipo de Sexismo refere-se à atitudes e condutas negativas que os homens direcionam às mulheres durantes as relações interpessoais cotidianas. As teorias feministas, por sua vez, defendem que o Sexismo, qualquer que seja a sua classificação, é um claro resquício de uma cultura patriarcal, apoiada em atitudes de desvalorização do sexo feminino como forma de legitimar e perpetuar o poder, dominação e controle do sexo masculino.

A literatura mais recente, no entanto, tem demonstrado, segundo Ferreira (2004), que as chamadas atitudes tradicionais a respeito das mulheres vêm sendo substituídas por novas formas de Sexismo, nas quais a antipatia ou hostilidade em relação à elas tem se expressado de forma simbólica ou indireta. Sob esta perspectiva, o Sexismo antigo (old-fashioned) é compreendido pelo endosso aos papéis de gênero tradicionais e aos estereótipos sobre a menor competência feminina, enquanto o chamado Sexismo moderno baseia-se na negação da existência de discriminação contra as mulheres e em avaliações negativas mais implícitas e encobertas em relação a estas.

Glick e Fiske (1996), a partir da análise das contemporâneas manifestações do Sexismo, defendem uma diferenciação entre Sexismo Hostil e Sexismo Benevolente, sendo o hostil caracterizado por intensa antipatia contra mulher, e o benevolente caracterizado por sentimentos e condutas positivas em relação ao sexo feminino. Além da definição, as origens e impactos destes tipos de Sexismo moderno também são distintos. O Sexismo hostil é oriundo de uma sociedade patriarcal, com inúmeros e intensos estereótipos acerca dos papéis destinados a cada gênero. Já o Sexismo benevolente, é estruturado através do poder biológico de procriação que detém a mulher, além da sua função social de cuidar dos filhos e satisfazer sexualmente o parceiro, assim o sexo feminino é concebido ideologicamente como um objeto romântico e reverenciado afetivamente por seu papel de mãe e esposa.

Ferreira (2004) propôs, através do inventário de Sexismo Ambivalente construído e validado por Glick e Fiske (1996), verificar a estrutura fatorial do referido inventário em amostras populacionais brasileiras. Para tanto, se valeu de 540 estudantes universitários, de 17 a 28 anos, pertencentes aos cursos das áreas de humanas e tecnológicas de universidades públicas e privadas da cidade do Rio de Janeiro. A referida amostra foi composta por 270 homens e 270 mulheres. O instrumento traduzido foi composto por 22 itens, que deveriam ser respondidos com base numa escala Likert de 6 pontos.

A aplicação do inventário de Sexismo Ambivalente em amostras populacionais brasileiras reproduziu integralmente as duas formas de Seximo – hostil e benevolente- reveladas pelo estudo original, atestando que estas duas formas de Sexismo constituem construtos independentes. Apesar de independentes, os construtos Sexismo hostil e o Sexismo Benevolente, se mostraram nos resultados obtidos como positivamente correlacionados, o que sugere que estas duas formas de Sexismo constituem facetas ideológicas de um mesmo sistema que diferencia os papéis e posições masculinas e femininas.

No que diz respeito ao Sexismo hostil e aos estereótipos negativos, os homens se mostraram mais sexistas do que as mulheres. As mulheres, por sua vez, rejeitaram o Sexismo Hostil, mas aceitam o Sexismo Benevolente e os estereótipos positivos na mesma proporção que os homens. Tal resultado pode ser interpretado pelo conteúdo presente em cada tipo de Sexismo, já que no primeiro tipo de Sexismo a mulher é ofendida, discriminada e punida, enquanto no segundo tipo, ela é protegida e reverenciada pelo sexo masculino. Ao endossarem em grau semelhante ao dos homens o Sexismo Benevolente, as mulheres estariam adotando também uma ideologia patriarcal, hierárquica e desigual, estimulando as práticas do Sexismo Hostil e contribuindo para a legitimação deste.

Frente a estes resultados, Ferreira (2004) defende que as desigualdades de gênero continuam sendo legitimadas por homens e mulheres pertencentes a diferentes grupos nacionais, sendo o Sexismo Benevolente uma forma implícita de perpetuar as mais variadas atitudes discriminatórias contra as mulheres. Este tipo de Sexismo aceito pelas mulheres, propicia também a aceitação do poder estrutural dos homens e reforça o papel feminino de dependência e busca constante por proteção e apoio oferecidos pelo sexo masculino.

Referência: Ferreira, M. C. Sexismo Hostil e Benevolente: inter-relações e diferenças de gênero. Temas em Psicologia, 12, 2,119-126, 2004.

Resenha: Crenças de senso comum sobre medicamentos genéricos vs. medicamentos de marca: um estudo piloto sobre diferenças de gênero.

Marinês Oliveira

O presente artigo faz um estudo pautado nas crenças do senso comum sobre Medicamentos Genéricos vs. Medicamentos de Marca na perspectiva de Gêneros. Segundo Figueiras, Marcelino & Cortes (2007), em termos da população em geral, existem crenças de senso comum acerca da eficácia e segurança dos genéricos, que poderão condicionar a escolha do medicamento no momento da compra, na medida em que esta é influenciada pelas características individuais, crenças subjetivas sobre o tratamento e representações da doença do consumidor. Tal fato se concretiza, quando as pesquisas percebem que o uso do genérico está associado a percepção do individuo a respeito da gravidade de sua doença, ou seja, a percepção de doença e não a percepção acerca do medicamento que determina o seu uso. Assim, quando a percepção acerca da doença não é tão grave o uso dos genéricos dispõe a aumentar. Os autores também atribuem esta crença ao fato de que nos últimos anos, embora a população tenha recebido grandes informações sobre medicamentos genéricos, os indivíduos estão mais habituados a receberem uma prescrição de um medicamento de marca, cujo nome é mais conhecido, ou por experiências anteriores, ou por indicação de terceiros. Acrescenta ainda que, um estudo recente mostrou a importância do nome do fármaco em termos dos significados implícitos e explícitos dos nomes de marca.
Tal fato tem subsídio nas abordagens dos sistemas de crenças de Bem (1973) e Rockeach (1981), quando colocam que as origens das crenças podem advir de experiências, vivencias, meios de comunicações, autoridades, e outros. Percebe-se o bombardeio da mídia farmacêutica no que diz respeito às medicações, tornando estas mensagens de maneira tão organizadas e imperativas que, ao passar, do tempo, elas vão adquirindo a forma de doutrinas, verdades absolutas e sistema de opiniões e pensamentos.
O presente estudo avaliou em que medida o nome da doença pode influenciar a crença sobre o uso de medicamentos (genéricos e de marca) em indivíduos saudáveis, e (2) a existência de eventuais diferenças de gênero associadas às crenças sobre a medicação. Os resultados indicam que existem efeitos de interação entre tipo de medicamento e doença. Os participantes concordam com a prescrição do medicamento genérico para todas as doenças, no entanto esta concordância diminui significativamente à medida que a gravidade da doença aumenta. Verificaram-se ainda diferenças de gênero em relação à crença na eficácia dos medicamentos genéricos para as diferentes doenças. Os homens associam o uso do medicamento genérico a doenças que consideram menos graves, enquanto as mulheres associam a utilização do medicamento de marca a doenças percepcionadas como mais graves. Sendo importante salientar que a gravidade de cada doença dentro da percepção masculina/feminina é o que diferenciou este resultado. Ou seja, para a doença gripe, os resultados foram diferentes, pois homens e mulheres tiveram percepções de gravidade distintas. Este estudo levanta questões importantes no que se refere a aspectos subjetivos relacionados com a escolha e uso de medicamentos, o que pode ter implicações para a saúde em geral e para a adesão a regimes terapêuticos.
Neste caso, é visível o quanto as crenças manifestam os seus efeitos nos processos cognitivos de uma forma importante que são capazes de influenciar a maneira através da qual as pessoas percebem e interpretam os fatos. No artigo, elas não só delimitam as proposições que os indivíduos tem a respeito do objeto, como foram capazes de ditar suas escolhas e comportamentos.
Referência: Figueiras, Marcelin, Cortes, Horne & Weinman (2004), Crenças de senso comum sobre medicamentos genéricos vs. medicamentos de marca: Um estudo piloto sobre diferenças de gênero.

Artigo publicado: Gender Portrayals in Portuguese Television Advertisements

Título: Changing Patterns of Gender Portrayals in Portuguese Television Advertisements

Autores: Félix Neto, M. Carolina Silva

Periódico: Periódico: Journal of Applied Social Psychology, 39, 5,2009, 1214-1228

Resumo: clique aqui para obter

Artigo publicado: Homophobia and Gender-Role Traditionality on Perceptions of Male Rape Victims

Título: The Moderating Influence of Homophobia and Gender-Role Traditionality on Perceptions of Male Rape Victims

Autores: Sandy White, Niwako Yamawaki

Periódico: Journal of Applied Social Psychology, 39, 5,2009, 1116-1136

Resumo: clique aqui para obter

Resenha: Flutuações e diferenças de gênero no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas

André Oliveira de Assis Núñez

No desenvolvimento das identidades individuais e relacionais, as relações dos sexos e dos gêneros com a diversidade de comportamentos humanos – e com a linguagem disponível socialmente – levou a que encontrássemos e nos definíssemos segundo conceitos e expressões como: mulher/homem, feminino/masculino, heterossexuais, homossexuais ou bissexuais (lésbicas, gays, bissexuais – LGB), transexuais. É válido ressaltar também à importância da proporção do espaço de reflexão social e de investigação que estuda os mundos relacionais e as relações entre as pessoas, com os muitos significados que os discursos sociais criam sobre tal, que abrange desde à sociologia até algumas áreas da medicina, contribuindo assim para a compreensão do que leva às pessoas a escolherem relacionar-se entre si. Tornando assim, o tema sobre orientação sexual atual e complexo.
O termo sexo se relaciona com a estrutura anatômica e o termo gênero aos aspectos psicossociais do sexo, impostos ou adaptados socialmente – devendo os construtos ser mantidos separados e claramente definidos na sua especificidade, para a melhor compreensão psicológica da identidade. Sendo de extrema importância para a análise das características distintas que ocorrem nas relações entre as pessoas, existindo assim diferenças importantes entre o ser – anatomicamente – , e o pensar, não necessariamente se relacionando.
O desenvolvimento da identidade sexual pode ser encarado em três dimensões: a identidade de gênero, os papéis sexuais e a orientação sexual.
A identidade de gênero – o primeiro componente da identidade sexual – desenvolve-se entre o nascimento e os três anos de idade, sendo definida como “a convicção básica do indivíduo acerca do seu sexo biológico”.
O segundo componente a desenvolver-se são os papéis sexuais, ou seja, as características culturalmente associadas com ser homem ou mulher – que através dos estereótipos são percebidas como as características masculinas ou femininas. Os papéis sexuais associam-se por sua vez, ao que se espera de uma “menina-menino”, evoluindo ao longo da vida, consoante as circunstâncias sociais. É importante notar, que esse processo ocorre nas pessoas entre três a sete anos, sendo que não são processos estáveis e definitivos, dependendo muito do contexto social onde a criança está inserida. E por fim, O terceiro componente da identidade sexual é a orientação sexual – a preferência por parceiros do sexo oposto, do mesmo sexo ou por ambos os sexos.
Através da relação entre a identidade de gênero, os papéis sexuais e a orientação sexual, faz com que possamos entender a identidade sexual das pessoas, porém é válido notar que ter comportamentos ou atrações pelo mesmo gênero, por exemplo, não significará necessariamente ter uma identidade homossexual, não ocorrendo necessariamente uma correlação positiva entre esses fatores da identidade sexual.
Tem-se vivenciado na realidade e na pesquisa, a idéia de que a sexualidade da mulher é relativamente fluida, termo ainda não consensual, mas que se utiliza para referir mudanças longitudinais na identidade sexual, nas atrações e nos comportamentos das mesmas, como afirma Lisa Diamond. Por conseguinte, podemos afirmar que as mulheres tem uma tendência para mudar suas atrações sexuais ao longo do tempo. È importante ressaltar que Lisa Diamond explora este conceito da fluidez na identidade sexual citando quatro estudos longitudinais sobre a orientação sexual, enquanto enfatiza a necessidade paralela de estudos prospectivos, pois os que estão disponíveis, por não serem feitas avaliações que permitam uma comparação de dados de evolução nas dimensões da orientação sexual, tem pouca evidência empírica.
A criação dos modelos de desenvolvimento do coming-out levou à idéia de uma sequência linear de estágios que presumem que uma vez desenvolvidos determinadas atitudes, assumindo-se para si e para os outros como homossexuais, não há mais alterações – o que não está em concordância com alguns estudos do desenvolvimento da orientação sexual da mulher, em que a primeira identidade sexual não é a última e definitiva. Podemos inserir então, os estudos de Diamond sobre a fluidez da sexualidade da mulher, sendo um campo ainda muito vasto para a investigação e questionamentos.
Dentro dos estudos com amostras de mulheres, a autora a afirma que embora as atrações sexuais pareçam bastante estáveis, as identidades e os comportamentos são bem mais fluidos e diversificados.
Outro aspecto importante que devemos abordar é que num processo de desenvolvimento multidimensional como é a orientação sexual, temos evidências de existirem diferenças de gênero em alguns estudos, mas não é consenso. Para exemplificar tais estudos, podemos citar Herdt e Boxer (2000), com uma amostra de 202 jovens (27% do sexo feminino). Os rapazes demonstraram um início mais precoce dos comportamentos homossexuais, cerca de dois anos mais cedo que as moças, apresentando portanto diferenças estatisticamente significativas. As mulheres têm uma maior probabilidade de ter experiências sexuais heterossexuais antes de ter experiências com o mesmo sexo. Estes autores concluíram sobre a existência de diferenças de gênero na sequência desenvolvimental, mas limitaram tal afirmação aos comportamentos sexuais heterossexual ou homossexual a ocorrer em primeiro lugar. Esse estudo é importante, pois aborda um assunto relacionado à sexualidade que gera discórdia entre alguns pesquisadores, favorecendo assim, mas um estudo para incrementar tais discussões. Além do mais, instigar à saber o porquê – se for comprovado essa teoria -do amadurecimento de comportamentos homossexual dos rapazes em comparação ao moças.
As relações das pessoas consigo e os seus amores são certamente determinadas por muitas dimensões, influenciadas pelo meio, mas predispostas biologicamente, assim, na sua subjetividade individual, não serão separadas de um contexto social de inserção. Portanto, a tolerância em relação à opção sexual dos outros deve ser uma característica marcante na sociedade como um todo, pois formas estereotipadas e preconceituosas só proporcionam o afastamento e a desunião das pessoas.

Referência: Almeida, J. e Cavalheira, A (2007). Flutuações e diferenças de gênero no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas. Análise Psicológica