Reportagem publicada no portal Terra relata que a multiunacional francesa L´Oréal foi mais uma vez condenada som a acusação de ter cometido discriminação racial. Pelo jeito, a empresa só se interessa por promotores de venda e por uma clientela que seja de francesas brancas, nascidas de pais franceses brancos. Clique aqui para ler a reportagem
Resenha: O silêncio como forma de racismo: a ausência de negros na publicidade brasileira
Luzia Mascarenhas de Almeida
Em 2008, a abolição da escravatura completou 120 anos. No entanto, esse marco histórico pouco foi evidenciado na mídia brasileira.
O artigo em questão teve como objetivo discutir brevemente a mídia e as relações raciais, no entanto, ao contrário da maioria dos trabalhos, não pretendeu falar sobre as imagens e formas de representação do negro, e sim sobre o seu silenciamento, buscando analisar o papel dessa invisibilidade como elemento produtor de sentido.
Desde o período da abolição dos escravos, a elite brasileira vem empreendendo uma severa tentativa de branqueamento da sociedade. Porque, segundo Martins, o negro era o símbolo maior do atraso e da degradação. Era uma ameaça para o Brasil que nascia.
Na produção cultural da época, o discurso racial dos grupos políticos era identificado. A literatura nacional romântica, na sua primeira fase, surge exatamente para negar a existência do negro, quer social, quer esteticamente.
Segundo Martins, todas as imagens que eram associadas ao negro insistiam em caracterizá-lo como ser inferior e incompatível com a “civilização”.
Assim, valorizava-se o biótipo europeu (a pessoa branca) enquanto se
“trabalhava”, de modo disfarçado, para o desaparecimento e estigmatização do componente negro da sociedade, fazendo com que o Brasil criasse um registro branco de si mesmo. Esse registro foi um instrumento de dominação que ultrapassou o século XIX e chegou, remodelado, aos nossos dias.
Em meio ao desenvolvimento das novas tecnologias, a mídia ia assumindo o papel de principal veiculadora de modelos e padrões. Para embasar a discussão sobre o papel da mídia como instrumento de dominação, Martins discorre sobre o livro A Cultura da Mídia de Douglas Kellner.
Em seguida, fala do caso específico do Brasil, onde a questão racial vai ser um dos principais, senão o principal foco de conflitos e disputas. Em nossa sociedade, existe uma segregação que não é positivada em lei, mas que pode ser percebida no imenso abismo social que existe entre brancos e negros. Alguns estudos, como os realizados pelo IPEA, comprovam que os negros não têm acesso igualitário a bens e serviços. E ainda, essa dificuldade de acesso também ocorre no “mercado” de bens simbólicos, ou seja, espaços públicos, arte e, em especial, meios de comunicação (um caso-modelo de reprodução das nossas relações raciais).
No tocante à midia, os negros ocupam posições negativas, subalternas e de segundo plano.
Exceções únicas devem ser feitas aos cenários esportivo e musical, onde ganham projeção e valor.
No universo dos meios de comunicação, a publicidade assume relevância que extrapola sua função primeira de estímulo e incentivo ao consumo. Ela é o mais eficiente vetor de discursos e mensagens simbólicas. Assim, ao difundí-los, a publicidade dará eco aos valores da sociedade que a produziu. Como no Brasil os valores são pautados dentro de uma lógica eurocêntrica que deprecia o que não é espelho, nossos anúncios tendem a reproduzir e legitimar as desigualdades raciais.
Com relação à imagem do negro na publicidade, a partir de pesquisas realizadas, Martins afirma que a publicidade, quando não torna o negro “invisível”, apresenta-o, na maioria das vezes, de modo estereotipado. Os quatro estereótipos geralmente relacionados à pessoa negra são: o trabalhador braçal, figura próxima ao ex-escravo, no qual estão inseridos frentistas, carregadores e empregadas domésticas; o negro divertido e performático; o negro atlético, ao qual está ligada tanto a imagem do desempenho esportivo como a do vigor sexual; e o carente social, negro dependente e despossuído. Tais estereótipos têm como função responder aos fatores ambientais, como nas situações de conflitos grupais e nas diferenças no poder e nos papéis sociais.
No tocante a sua participação na publicidade, pesquisas realizadas em 1994 e 1995, além de uma realizada em 2007, apontam para uma notável invisibilidade do negro na esfera da publicidade.
Em seguida, o autor chega ao ponto primordial do artigo, que é analisar a política de silenciamento (afirmação de algo para apagar, necessariamente, outros sentidos possíveis, mas indesejados) com relação ao negro em nosso país.
Para Martins, a elite brasileira define simbolicamente quais são os lugares do negro dentro da sociedade, permitindo que ocupe determinados espaços dentro de uma cadeia de representações, ao passo que o apaga dos demais.
Existem duas consequências relevantes com relação à política de silenciamento imposta aos negros no Brasil. São elas: a questão da construção da identidade e a naturalização do racismo.
Dessa maneira, o artigo discute questões relacionadas ao negro e a sua inserção na mídia e na publicidade, colocando em foco o racismo que vem se propagando desde o século XIX e que hoje é tido como inconstitucional, no entanto, não deixa de existir de um modo sutil e dissimulado, inclusive nos meios de comunicação. Nesse sentido, faz-se necessário questioná-lo e denunciá-lo
Referência: Martins, C. O silêncio como forma de racismo: a ausência de negros na publicidade brasileira. Interscience Place, 2, 200
Estereótipos e aparência física: ser magra
Office Stereotypes- The Narcissist

Notícia do dia: Pesquisa revela que empresas preferem contratar os não fumantes
O cerco contra os fumantes não para de se fechar. Reportagem publicada no UOL relata que os empresários não são nada simpáticos com candidatos a emprego que ostentam o vício de fumar. Clique aqui para ler a matéria.
Manifesto do Fumantes Unidos: contra o preconceito e o desrespeito
Basta de execração! O Brasil tem entrado na onda anti-tabagista que ocorre no mundo disposto a “dar exemplo”… como se não tivesse problemas muito mais graves para resolver! Em vez de buscar essa condição exemplar por meio do respeito mútuo entre as partes da sociedade, por educação e pelo respeito pleno à organização do Estado Democrático de Direito, vemos entidades, governantes e seus subalternos propondo políticas absurdas, baseadas na ridicularização e na criação de inconveniências e desvantagens para uma parcela de aproximadamente um terço da população. Em questão de poucos anos, os fumantes passaram a ser o mal da humanidade e o principal problema de saúde pública do país — quanta hipocrisia!
A atual organização social baseada na economia de capital criou artificialmente uma demanda pelo indivíduo perfeito. A pessoa ideal para esse mundo é completamente dedicada ao trabalho e ao consumo: deve ter aparência impecável para se apresentar bem aos outros clientes e consumidores; deve ter uma saúde perfeita para não criar custos ou interrupção da produção da empresa; deve demonstrar jovialidade e dinamismo por meio de atividades físicas constantes; deve ter uma atitude impecável e livre de qualquer coisa que possa se configurar como um desvio de personalidade ou como um prazer inútil, ou seja, que não gere benefícios para essa sociedade ideal. A não-adequação do indivíduo a tais requisitos deve ser combatida a todo custo, com propaganda, repressão empregatícia, discriminação social.
Não por acaso, essa nova forma de eugenia, essa busca pelo “indivíduo perfeito”, máquina de trabalho e consumo, assemelha-se com a busca pela raça ariana na Alemanha nazista. É graças a ela que vemos garotas morrendo de anorexia e rapazes intoxicados com anabolizantes veterinários, em tentativas inúmeras de se assemelhar aos modelos de beleza estereotipados. Por isso que vemos pessoas gastarem fortunas e saúde em dietas, academias e cirurgias plásticas para se adequar aos requisitos de boa aparência e jovialidade. Empresas vêm negando vagas de trabalho a pessoas com base nas atividades e hábitos que elas têm *fora* do ambiente de trabalho.
É da mesma forma nazista que vem sendo feita uma verdadeira cruzada contra o tabagismo, hábito secular da humanidade que desde os anos 70 passou a ser considerado contra-producente e prejudicial à sociedade. Em vez de combater o fumo, entidades e governos promovem o combate aos fumantes. Em saraivadas de proibições, legislações desrespeitosas e ações travestidas de preocupação com a saúde pública, pessoas que não cometem qualquer crime ou desvio de ética estão sendo discriminadas, ridicularizadas, impedidas de exercer livremente seus direitos e escolhas, e até mesmo ofendidas, agredidas e espancadas — simplesmente pelo fato de fumar. Em uma ciranda de interesses pouco debatidos e divulgados, aponta-se o dedo contra aproximadamente um terço da população mundial, acusando-se que tais pessoas prejudicam a saúde coletiva e custam caro aos governos. Pesquisas distorcidas são apontadas como provas científicas irrefutáveis, governos elevam os impostos a níveis estratosféricos, criam-se imposições ao comércio e restrições à liberdade de tais cidadãos. A Organização Internacional do Trabalho, filiada à ONU, concluiu recentemente que os preconceitos tradicionais no mundo trabalhista — contra mulheres, homossexuais e negros, por exemplo — vêm diminuindo, mas novas formas de preconceito estão surgindo com igual força. Principalmente contra obesos e fumantes.
O propósito do FumantesUnidos.org e de quaisquer entidades associadas a ele é dar um BASTA na evolução dessa nova forma de preconceito e nas mentiras que são usadas para justificá-lo. Todos os indivíduos que são fumantes ocasionais ou regulares o são por decisão de cunho estritamente pessoal e são conscientes dos riscos que correm. Nem por isso são cidadãos inferiores, criminosos ou irresponsáveis como se vem tentando divulgar. São, acima de tudo, pessoas dignas de respeito, que também têm direitos, e não há qualquer evidência incontestável de que tais pessoas são de fato um risco ou um custo a mais para a sociedade. Ao passo que não fumar, ativa ou passivamente, também é uma decisão pessoal que deve ser rigorosamente respeitada, é plenamente possível a convivência pacífica, digna, saudável e humana entre fumantes e não-fumantes — algo que, pelos já citados interesses diversos, não tem sido buscado por governos e entidades que se dizem respeitosos dos direitos humanos. Daí a necessidade da manifestação do outro lado, que este site busca representar com o apoio de fumantes e de não-fumantes que, com bom senso, acreditam que a cruzada anti=tabagista já passou das fronteiras do respeito e da coerência.
Mais além, neste site também alertamos sobre os riscos e as desvantagens que o hábito de fumar pode trazer aos indivíduos, bem como apontamos dicas e entidades de apoio para quem deseja parar de fumar. Mas acima de tudo promovemos o respeito às vontades, preferências e decisões do indivíduo. Ao mesmo tempo apresentamos conteúdo inédito e de interesse de quem não quer parar de fumar, ou de quem deseja conhecer melhor e até se iniciar neste hábito que é, não obstante, um prazer, tal como a degustação de bebidas ou pratos sofisticados. Também estaremos atentos e críticos a outras formas de preconceito, como a que já vem sendo configurada contra os obesos.
Se você não concorda com o que é apresentado e discutido neste site, também há uma seção de links que inclui entidades de combate ao fumo. Não perca seu tempo tentando nos ofender — isso apenas vai servir de mais munição para que comprovemos a agressividade e o desrespeito que sofremos e combatemos.
Fonte: Fumantesunidos.org
Office Stereotypes-The Frat Boy

Notícia do dia: Test says women are ’talkative’
Matéria publicada no periódico turco Hurriyet DailyNews.com reproduz uma questão encontrada numa prova aplicada durante um exame de seleção de policiais.
O que mais caracteriza uma mulher?
a) ser insolente
b) ser reflexiva
c) ser regida pelo pensamento lógico
d) acreditar em si mesma
e) conversar excessivamente sobre futilidades
Clique aqui para ler a reporatgem.
Office Stereotypes- The Comedian

Resenha: Música, comportamento social e relações interpessoais
Aílton Alves de Souza
Muitos teóricos se debruçam sobre a questão da música em busca de saber os seus reais efeitos social e fatores relacionais sobre os indivíduos. Apesar de o lingüista Steven Pinker promover suas declarações que poderiam contrariar alguns efeitos benéficos da música, isto veio a suscitar maiores reflexões envolvendo multidisciplinarmente categorias de especialistas num objetivo específico, “a música e seus efeitos”.
Não se pode acreditar que por uma razão geneticista-determinista existisse um gene determinado para a música, assim como também não existe um gene determinado para a homossexualidade e ou a violência, entretanto, elas existem e numa escala acentuada. E como as outras situações, a música existe e continua a exercer o seu papel nas sociedades e nas culturas.
Platão, a alguns séculos antes da era cristã, em sua magnânima sabedoria já dizia: “a música é valiosa não apenas por que cria requintes de sentimento e caráter, mas também por que preserva e restaura a saúde”.
Na antiguidade, nas grandes civilizações, a música era utilizada como uma forma de terapia para cura de enfermidade alem de está presente nos encontros sociais e religiosos. Era extensamente empregado para cura de distúrbios emocionais o que nos trás na contemporaneidade uma clara demonstração de seus efeitos sobre os indivíduos.
Segundo Huron (1999) dentro de uma característica filogenética, a música incrementa uma ambiência e proporciona todo um clima para a aproximação das pessoas em seus encontros amorosos e baseado no mesmo autor, a música exerce alguns efeitos sobre a atração e sobre o desenvolvimento subseqüente das relações interpessoais. Assim, a música, conforme Gregory (1997), é um fenômeno social que vem mantendo suas funções tradicionais e sentidos próprios em diferentes sociedades no decorrer da história.
É sabido que para ocorrer uma relação interpessoal precisa do aparecimento de um atrativo que empurre os indivíduos para um ponto comum de união e que possivelmente deve está extremamente entrelaçado com os processos cognitivos. Não se pode desprezar neste contexto, os valores das atitudes e crenças como forças que podem mover as pessoas para a atração interpessoal. Isto nos trás a idéia de que a atração interpessoal depende do contexto social o que pode ocorrer também com a formação do gosto musical. Por mais díspare que pareça esta comparação, ela trás um ponto de interseção que é a indução e o aflorar de sentimentos.
Diante de seus efeitos, podemos dizer que a música tem a possibilidade de levar o indivíduo a dois extremos diferentes; visualizemos o trio do chiclete com bananas tocando em pleno carnaval na avenida, a música “Cabelo raspadinho” que pode suscitar aos ouvintes num determinado contexto, a adotar comportamentos desviantes que a emoção te solicita. Por outro lado, se ouvirmos a música “Com te Partiró” na interpretação de Andrea Bocelli, certamente teremos outras emoções que não aquelas(e também precisa ser analisado o contexto). Diante disso, dá para se perceber que os sentimentos induzidos pela música têm implicações significativas para o comportamento social (Crozier, 1997), em partes por que gêneros musicais diferentes eliciam graus diferentes de excitação.
Baseado nisso, entende-se que não se devem levantar bandeiras quanto ao gosto musical do indivíduo, pois o senso de “música apropriada” depende de fatores culturais e situacionais, uma vez que as respostas, as percepções e os usos da música são comportamentos aprendidos e previamente determinados por membros de um grupo social (Abeles, Hoffer & Klotman, 1995).
Diante de estudos desenvolvidos para testar a veracidade dos efeitos da música sobre o indivíduo, eles trazem uma revelação de que, de fato, a música exerce um papel importante nas relações interpessoais, muito embora não comprovadamente os seus efeitos sobre a atração e a escolha de parceiro. Porém, deixou claro que de forma indireta e generalizada também seus efeitos repercutem sobre a relação interpessoal.
Assim podemos concluir que “conforme a sugestão de Pinker (1997) de que nossas vidas permaneceriam praticamente inalteradas na ausência da música, não é inteiramente verdade, primeiramente, devido ao seu caráter”, outrossim, a sua idéia se esbarra na questão da definição de música, uma vez que existem muitas definições possíveis, que ultrapassam as fronteiras do Mundo Ocidental, bem como o que as pessoas definem como música.
Referência: Ilari, B. Música, comportamento social e relações interpessoais. Psicologia em Estudo, 11,1, 191-198

