Manifesto do Fumantes Unidos: contra o preconceito e o desrespeito

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Basta de execração! O Brasil tem entrado na onda anti-tabagista que ocorre no mundo disposto a “dar exemplo”… como se não tivesse problemas muito mais graves para resolver! Em vez de buscar essa condição exemplar por meio do respeito mútuo entre as partes da sociedade, por educação e pelo respeito pleno à organização do Estado Democrático de Direito, vemos entidades, governantes e seus subalternos propondo políticas absurdas, baseadas na ridicularização e na criação de inconveniências e desvantagens para uma parcela de aproximadamente um terço da população. Em questão de poucos anos, os fumantes passaram a ser o mal da humanidade e o principal problema de saúde pública do país — quanta hipocrisia!

A atual organização social baseada na economia de capital criou artificialmente uma demanda pelo indivíduo perfeito. A pessoa ideal para esse mundo é completamente dedicada ao trabalho e ao consumo: deve ter aparência impecável para se apresentar bem aos outros clientes e consumidores; deve ter uma saúde perfeita para não criar custos ou interrupção da produção da empresa; deve demonstrar jovialidade e dinamismo por meio de atividades físicas constantes; deve ter uma atitude impecável e livre de qualquer coisa que possa se configurar como um desvio de personalidade ou como um prazer inútil, ou seja, que não gere benefícios para essa sociedade ideal. A não-adequação do indivíduo a tais requisitos deve ser combatida a todo custo, com propaganda, repressão empregatícia, discriminação social.
Não por acaso, essa nova forma de eugenia, essa busca pelo “indivíduo perfeito”, máquina de trabalho e consumo, assemelha-se com a busca pela raça ariana na Alemanha nazista. É graças a ela que vemos garotas morrendo de anorexia e rapazes intoxicados com anabolizantes veterinários, em tentativas inúmeras de se assemelhar aos modelos de beleza estereotipados. Por isso que vemos pessoas gastarem fortunas e saúde em dietas, academias e cirurgias plásticas para se adequar aos requisitos de boa aparência e jovialidade. Empresas vêm negando vagas de trabalho a pessoas com base nas atividades e hábitos que elas têm *fora* do ambiente de trabalho.

É da mesma forma nazista que vem sendo feita uma verdadeira cruzada contra o tabagismo, hábito secular da humanidade que desde os anos 70 passou a ser considerado contra-producente e prejudicial à sociedade. Em vez de combater o fumo, entidades e governos promovem o combate aos fumantes. Em saraivadas de proibições, legislações desrespeitosas e ações travestidas de preocupação com a saúde pública, pessoas que não cometem qualquer crime ou desvio de ética estão sendo discriminadas, ridicularizadas, impedidas de exercer livremente seus direitos e escolhas, e até mesmo ofendidas, agredidas e espancadas — simplesmente pelo fato de fumar. Em uma ciranda de interesses pouco debatidos e divulgados, aponta-se o dedo contra aproximadamente um terço da população mundial, acusando-se que tais pessoas prejudicam a saúde coletiva e custam caro aos governos. Pesquisas distorcidas são apontadas como provas científicas irrefutáveis, governos elevam os impostos a níveis estratosféricos, criam-se imposições ao comércio e restrições à liberdade de tais cidadãos. A Organização Internacional do Trabalho, filiada à ONU, concluiu recentemente que os preconceitos tradicionais no mundo trabalhista — contra mulheres, homossexuais e negros, por exemplo — vêm diminuindo, mas novas formas de preconceito estão surgindo com igual força. Principalmente contra obesos e fumantes.

O propósito do FumantesUnidos.org e de quaisquer entidades associadas a ele é dar um BASTA na evolução dessa nova forma de preconceito e nas mentiras que são usadas para justificá-lo. Todos os indivíduos que são fumantes ocasionais ou regulares o são por decisão de cunho estritamente pessoal e são conscientes dos riscos que correm. Nem por isso são cidadãos inferiores, criminosos ou irresponsáveis como se vem tentando divulgar. São, acima de tudo, pessoas dignas de respeito, que também têm direitos, e não há qualquer evidência incontestável de que tais pessoas são de fato um risco ou um custo a mais para a sociedade. Ao passo que não fumar, ativa ou passivamente, também é uma decisão pessoal que deve ser rigorosamente respeitada, é plenamente possível a convivência pacífica, digna, saudável e humana entre fumantes e não-fumantes — algo que, pelos já citados interesses diversos, não tem sido buscado por governos e entidades que se dizem respeitosos dos direitos humanos. Daí a necessidade da manifestação do outro lado, que este site busca representar com o apoio de fumantes e de não-fumantes que, com bom senso, acreditam que a cruzada anti=tabagista já passou das fronteiras do respeito e da coerência.

Mais além, neste site também alertamos sobre os riscos e as desvantagens que o hábito de fumar pode trazer aos indivíduos, bem como apontamos dicas e entidades de apoio para quem deseja parar de fumar. Mas acima de tudo promovemos o respeito às vontades, preferências e decisões do indivíduo. Ao mesmo tempo apresentamos conteúdo inédito e de interesse de quem não quer parar de fumar, ou de quem deseja conhecer melhor e até se iniciar neste hábito que é, não obstante, um prazer, tal como a degustação de bebidas ou pratos sofisticados. Também estaremos atentos e críticos a outras formas de preconceito, como a que já vem sendo configurada contra os obesos.

Se você não concorda com o que é apresentado e discutido neste site, também há uma seção de links que inclui entidades de combate ao fumo. Não perca seu tempo tentando nos ofender — isso apenas vai servir de mais munição para que comprovemos a agressividade e o desrespeito que sofremos e combatemos.

Fonte: Fumantesunidos.org