Dois de Julho, 2008: instantâneos (4)

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Definição de estereótipos

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Os estereótipos são crenças socialmente compartilhadas a respeito dos membros de uma categoria social, que se referem a suposições sobre a homogeneidade grupal e aos padrões comuns de comportamento dos indivíduos que pertencem a um mesmo grupo social. Sustentam-se em teorias implícitas sobre os fatores que determinam os padrões de conduta dos indivíduos, cuja expressão mais evidente encontra-se na aplicação de julgamentos categóricos, que usualmente se fundamentam em suposições sobre a existência de essências ou traços psicológicos intercambiáveis entre os membros de uma mesma categoria social.

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Estereótipos e cinema: se for árabe, tem de ser terrorista

Adotando como ponto de partida as dificuldades de atores árabes radicados em Holywood conseguirem trabalhar que não seja fazendo o trabalho de vilão de folhetim, o jornalista Andre Gumpel conduz uma cuidadosa reflexão sobre os estereótipos sobre os árabes na cultura ocidental. Clique aqui para ler a notícia publicada no jornal The National, da República Árabe Unida.

Notícia do dia: estereótipos sobre os alemães

Matéria publicada pelo correspondente do Newsweek em Berlim, Andrew Nagorski, relata com o os germânicos cotidianamente se defrontam com o próprio passado e indica como estes confrontos podem ajudar a entender os estereótipos amplamente compartilhadas em muitos países ocidentais sobre os alemães. Clique aqui para ler a notícia

Artigo publicado: Effects of Race on Responses and Response Latencies in the Weapon Identification Task

Título: Effects of Race on Responses and Response Latencies in the Weapon Identification Task: A Test of Six Models

Autores: Karl Christoph Klauer e Andreas Voss

Periódico: Personaliatyu and Social Psychology Bulletin, 34, 1124-1140, 2008

Resumo: clique aqui

Hinos e canções: Brasília

HINO DO DISTRITO FEDERAL ( Brasília )

Letra de Geir Campos
Música de Neusa Pinho França Almeida

Todo o Brasil vibrou,

E nova luz brilhou,

Quando Brasília fez maior a sua glória.

Com esperança e fé,

Era o gigante em pé,

Vendo raiar outra alvorada em sua História.

Com Brasília no coração,

Epopéia a surgir do chão,

O candango sorri feliz,

Símbolo da força de um país.

Capital de um Brasil audaz,

Bom na luta e melhor na paz,

Salve, ó povo que assim te quis,

Símbolo da força de um país!

Fonte: http://www.brasilrepublica.com

Artigo publicado: Threat, Evolutionary Psychology, and the Will to Power

Título: The Role of Threat, Evolutionary Psychology, and the Will to Power

Autores: Brad M. Hastings and Barbara Shaffer

Periódico: Theory & Psychology, 18, 423-440, 2008

Resumo: clique aqui para obter

Artigo publicado: Normative Social Influence

Título: Normative Social Influence is Underdetected

Autores: Jessica M. Nolan, P. Wesley Schultz, Robert B. Cialdini, Noah J. Goldstein e Vladas Griskevicius

Periódico: Personality and Social Psychology Bulletin, 34, 913-923, 2008

Resumo: clique aqui para obter

Foto do dia: preconceitos

Fonte: Isabela Kassow (Flickr)

Estereótipos e expressões populares: o brau

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Contribuição: Greice Santos

Eu estava trabalhando quando uma amiga chegou, esbaforida, querendo me arrastar até um canto, pra me mostrar alguma coisa. ‘É um brau amigo, igual como você falou!! É um brau!!!’

Quando chego lá, lá estava, sentadinho no sofá, um brau. Com bermuda de surfista, cofrinho aparecendo, um bonezinho encardido com um piercing na aba, pulseirinhas de plástico no braço e camiseta machão (aquelas sem manga), de linha. Um brau, tipicamente. O alvoroço da minha amiga é que ela viu se materializar na sua frente o conceito da palavrinha que eu uso, volta e meia: BRAU.

Ser Brau não tem a ver com cor, sexo, raça ou classe social. É estilo.

Estilo Brau. Está no jeito de vestir, falar, andar e dançar. O típico brau se veste exatamente como descrevi acima. A mulher brau geralmente usa blusas de lycra com sutiã com alça de silicone, saia ou short sempre muito apertado. Antigamente ensopavam o cabelo com Kolene, mas pela evolução da espécie a maioria já aderiu à chapinha. Gostam de tudo que é moda, principalmente as ditadas pelas novelas. Andam pelas lojas pedindo o colar da Safira, a argola da Leona, a minissaia com legging do Lacraia. E usam isso mesmo décadas depois, vide sandálias com saltinho de cristal com as quais nos deparamos na rua a todo momento. E quando insistem em usar faixa no cabelo, a usam na testa.

Público fiel de shows tipo pagodão baixaria e arrocha. Adoram festa de camisa (É festa de camisa e colorida!!). Sabem todas as coreografias. Os homens, quando não sabem as coreografias, dançam fingindo que estão brigando, empurrando os outros, dando socos no ar. Na praia, gostam de dar saltos mortais por minuto, carregam o oléo de urucum na cintura da bermuda ou na pochete (Desconjuro!). Alguns passam água oxigenada. Gostam de óculos espelhados, imitação da HB, Mormmai ou Arnnete. E quando não estão usando os óculos, eles colocam a parte das lentes viradas pro pescoço, apoiando as hastes nas orelhas, e fica aquela coisa de que, de costas, ele parece que está de frente. No ônibus, adoram um batuque, ou um tumulto.

Mas para mim, o mais interessante de um Brau é o dialeto. Eu sou da teoria que todos nós temos um lado brau, e é no dialeto que reside o meu. Até já entrei na comunidade do orkut ‘Eu falo Braulês.’ Com um jeito de falar meio ameaçador, meio marrento, meio gozador, eles utilizam um vocabulário próprio. Cito então algumas das expressões mais utilizadas pelo Brau baiano:

Na tora- À força, contra sua vontade. Exemplo:

– ‘Ó mermão, você me dê essa porra logo, senão eu vou tomar na tora, vu!!’.

Pelo uso, já surgiu o advérbio de modo Natoralmente, utilizado da mesma forma: ‘Você me dê essa porra desse dinheiro logo, senão eu vou tomar natoralmente, vu?’

Eu quero é prova! – O brau não está botando muita fé no que você disse, ele não acredita que algo que foi dito irá se concretizar.
Exemplo:

– ‘Fulano disse que vai lhe picar a porra se você der em cima da mulé dele!’
– ‘Eu quero é prova que ele vai picá-la a disgraça na minha cara!!’

O Brau também poderia responder com a variante ‘Eu quero é prova e um real de Big Big!!’. Ou ainda: ‘Eu quero é prova, um real de Big Big e o troco de Paçoquita!’. Ou ainda, simplesmente responder o já famoso e conhecido ‘Aooooooonde!’, que já foi citado até na propaganda do HSBC, onde o carinha pedia a mulher em casamento e ela respondia Aoooooonde, querendo dizer, simplesmente: Não, tá louco, bebeu xampu???

Partir a milhão – Ir embora rapidamente, se mandar. Exemplo:

– ‘Rapá, quando eu vi que ia sobrar pra mim, eu parti a milhão!’

Também pode ser substituído por Partir a mil, Se sair ou Abrir o Gás.

Se botando – Tirando onda. Geralmente, está procurando confusão. Exemplo:

– ‘Oxe, você tá se botanu pra cima mim, é? Num se bote não, vu, não se bote não que eu pico-lhe a porra, sinha mizera, eu lhe arregaço!! Tá me comediando, eu sou palhaço por acaso??’

Mizera – Meu olhar atento às tendências do futuro me diz que Mizera será o novo Porra da Bahia. Surgiu da palavra Miséria, e é utilizado de diversas formas. Pode ser vocativo: ‘ô sinhá Misera, venha cá!!!’, artigo indefinido ‘Esqueci a mizera do cartão em casa’, Sujeito: ‘A mizera nem me ligou no dia dos namorados’, e por aí vai. Atualmente na Bahia, já surgiu o derivado da palavra, utilizado como adjetivo para alguém que não leva desaforo pra casa: Miseravão, Miseravona.

Queixar – Verbo que pode ser usado no sentido de pedir, usando a cara de pau; ou paquerar. Exemplo:

– ‘Na moral vu, man… vou queixar meu chefe pra me liberar amanhã…
vô chegá lá queixando: Me libere aí vá, na moral, que eu tenho que resolver uns pobrema pessoal…’

– ‘Fulano me queixou na festa de ontem, a gente acabou ficando.’

Também existe a variação, quando queremos incentivar alguém a queixar alguma coisa: ‘Jogue os queixos, velho!!.’ Sem falar na pessoa que está sempre pedindo tudo na maior cara de pau: ‘Ele é muito queixudo/queixão.’ Ou ainda a expressão ‘Que queixo!!’, como por exemplo:

– Porra, você ganhou dois brindes, me dê um, vá, na moral!!
– Oxe!! Que queixo!! Se saia, mermão, vô ficar com os dois.

Barão – Moeda corrente. Exemplo:

– ‘Moço, quanto é esse relógio??’
– ‘Aê, morena, pá você eu faço 10 barão.’

Também não podemos deixar de citar palavras e expressões corriqueiras, utilizadas sempre pelos Braus e simpatizantes (como eu…):

Buzu, buzão, Coletivo ou Carro – É o famoso G.O.L (grande ônibus lotado). Quem dirige é o Motô, e o responsável por receber o pagamento da passagem é o Cobra.

Colé véi, colé de mermo – Qual é, e aí?

Trazerar – Não pagar passagem no ônibus. Antigamente os ônibus em Salvador tinham a entrada pela frente e os coithado que não queriam pagar entravam pela porta traseira.

Água dura – Quando uma festa vai ser ‘Água dura’ significa que vai ter muita cachaça. Você vai ‘Comer água’ e chegar em casa ‘Em águas’.

É nenhuma! – Tudo bem, relaxe, não se esquente, é nenhuma.
– Porra, foi mal não ter te ligado ontem…
– É nenhuma!!

Paletar – Andar demais, andar à pé longas distâncias.

Tirado – Um cara metido, arrogante.

Sem falar nas licenças poéticas: Vidro é vrido, fósforo é froscu, fóscuru, frosfro. Calota vira carlota, ônibus vira ôndibu…

Enfim, ser Brau envolve mais conceitos do que pode abranger nossa vã filosofia. Pode ser tudo isso junto, ou apenas um item isolado. Você pode SER brau, ou ESTAR brau. Mas o mais importante: Estará sempre sendo muito divertido!!

Tá ligado, Bródi?

E você? Quantos braus você conhece??

Fonte: Estado de Espítito