Coisas que acontecem na cidade da Bahia

Contribuição: Rafael Oliveira

– ser preso na Liberdade
– fumar no Campo da Pólvora.
– tomar banho de mar no Rio Vermelho.
– pastor evangélico morar na Capelinha de São Caetano.
– atravessar a rua na Calçada.
– morar no Uruguai e trabalhar em Roma.
– faltar agua na Caixa D’água.
– um adulto tomar banho na Água de Meninos.
– candomblé no Terreiro de Jesus.
– homem do Pau Miúdo se casar com mulher da Curva Grande e ter uma amante na Mata Escura.
– ir em Roma e não ver o papa.
– confusão na Rua do Sossego.
– assassinato na Rua da Paz.
– não encontrar apoio na Rua D’ajuda.
– jovens na Praça dos Veteranos.
– não dar esmolas na Praça da Piedade.
– casas velhas na Cidade Nova.
– lagoa de água doce dentro de Vilas do Atlântico.
– acidente automobilístico na Boa Viagem.
– asfalto no Caminho de Areia.
– lavagem do Bonfim terminar em briga.
– colher manga, umbu, laranja e outras frutas na Cajazeiras.
– perder alguma competição no Corredor da Vitória.
– luz na Mata Escura.
– ‘A Tarde’ todos os dias pela manhã.
– adoecer na Saúde.
– morrer na sexta e ser enterrado nas Quintas

Estereótipos e gênero: máquinas e máquinas

Contribuição: Judson Rocha Jr.

Fonte: Calzzzinha´s Flogs

Estereótipos e expressões populares: o brau

chamada

Contribuição: Greice Santos

Eu estava trabalhando quando uma amiga chegou, esbaforida, querendo me arrastar até um canto, pra me mostrar alguma coisa. ‘É um brau amigo, igual como você falou!! É um brau!!!’

Quando chego lá, lá estava, sentadinho no sofá, um brau. Com bermuda de surfista, cofrinho aparecendo, um bonezinho encardido com um piercing na aba, pulseirinhas de plástico no braço e camiseta machão (aquelas sem manga), de linha. Um brau, tipicamente. O alvoroço da minha amiga é que ela viu se materializar na sua frente o conceito da palavrinha que eu uso, volta e meia: BRAU.

Ser Brau não tem a ver com cor, sexo, raça ou classe social. É estilo.

Estilo Brau. Está no jeito de vestir, falar, andar e dançar. O típico brau se veste exatamente como descrevi acima. A mulher brau geralmente usa blusas de lycra com sutiã com alça de silicone, saia ou short sempre muito apertado. Antigamente ensopavam o cabelo com Kolene, mas pela evolução da espécie a maioria já aderiu à chapinha. Gostam de tudo que é moda, principalmente as ditadas pelas novelas. Andam pelas lojas pedindo o colar da Safira, a argola da Leona, a minissaia com legging do Lacraia. E usam isso mesmo décadas depois, vide sandálias com saltinho de cristal com as quais nos deparamos na rua a todo momento. E quando insistem em usar faixa no cabelo, a usam na testa.

Público fiel de shows tipo pagodão baixaria e arrocha. Adoram festa de camisa (É festa de camisa e colorida!!). Sabem todas as coreografias. Os homens, quando não sabem as coreografias, dançam fingindo que estão brigando, empurrando os outros, dando socos no ar. Na praia, gostam de dar saltos mortais por minuto, carregam o oléo de urucum na cintura da bermuda ou na pochete (Desconjuro!). Alguns passam água oxigenada. Gostam de óculos espelhados, imitação da HB, Mormmai ou Arnnete. E quando não estão usando os óculos, eles colocam a parte das lentes viradas pro pescoço, apoiando as hastes nas orelhas, e fica aquela coisa de que, de costas, ele parece que está de frente. No ônibus, adoram um batuque, ou um tumulto.

Mas para mim, o mais interessante de um Brau é o dialeto. Eu sou da teoria que todos nós temos um lado brau, e é no dialeto que reside o meu. Até já entrei na comunidade do orkut ‘Eu falo Braulês.’ Com um jeito de falar meio ameaçador, meio marrento, meio gozador, eles utilizam um vocabulário próprio. Cito então algumas das expressões mais utilizadas pelo Brau baiano:

Na tora- À força, contra sua vontade. Exemplo:

– ‘Ó mermão, você me dê essa porra logo, senão eu vou tomar na tora, vu!!’.

Pelo uso, já surgiu o advérbio de modo Natoralmente, utilizado da mesma forma: ‘Você me dê essa porra desse dinheiro logo, senão eu vou tomar natoralmente, vu?’

Eu quero é prova! – O brau não está botando muita fé no que você disse, ele não acredita que algo que foi dito irá se concretizar.
Exemplo:

– ‘Fulano disse que vai lhe picar a porra se você der em cima da mulé dele!’
– ‘Eu quero é prova que ele vai picá-la a disgraça na minha cara!!’

O Brau também poderia responder com a variante ‘Eu quero é prova e um real de Big Big!!’. Ou ainda: ‘Eu quero é prova, um real de Big Big e o troco de Paçoquita!’. Ou ainda, simplesmente responder o já famoso e conhecido ‘Aooooooonde!’, que já foi citado até na propaganda do HSBC, onde o carinha pedia a mulher em casamento e ela respondia Aoooooonde, querendo dizer, simplesmente: Não, tá louco, bebeu xampu???

Partir a milhão – Ir embora rapidamente, se mandar. Exemplo:

– ‘Rapá, quando eu vi que ia sobrar pra mim, eu parti a milhão!’

Também pode ser substituído por Partir a mil, Se sair ou Abrir o Gás.

Se botando – Tirando onda. Geralmente, está procurando confusão. Exemplo:

– ‘Oxe, você tá se botanu pra cima mim, é? Num se bote não, vu, não se bote não que eu pico-lhe a porra, sinha mizera, eu lhe arregaço!! Tá me comediando, eu sou palhaço por acaso??’

Mizera – Meu olhar atento às tendências do futuro me diz que Mizera será o novo Porra da Bahia. Surgiu da palavra Miséria, e é utilizado de diversas formas. Pode ser vocativo: ‘ô sinhá Misera, venha cá!!!’, artigo indefinido ‘Esqueci a mizera do cartão em casa’, Sujeito: ‘A mizera nem me ligou no dia dos namorados’, e por aí vai. Atualmente na Bahia, já surgiu o derivado da palavra, utilizado como adjetivo para alguém que não leva desaforo pra casa: Miseravão, Miseravona.

Queixar – Verbo que pode ser usado no sentido de pedir, usando a cara de pau; ou paquerar. Exemplo:

– ‘Na moral vu, man… vou queixar meu chefe pra me liberar amanhã…
vô chegá lá queixando: Me libere aí vá, na moral, que eu tenho que resolver uns pobrema pessoal…’

– ‘Fulano me queixou na festa de ontem, a gente acabou ficando.’

Também existe a variação, quando queremos incentivar alguém a queixar alguma coisa: ‘Jogue os queixos, velho!!.’ Sem falar na pessoa que está sempre pedindo tudo na maior cara de pau: ‘Ele é muito queixudo/queixão.’ Ou ainda a expressão ‘Que queixo!!’, como por exemplo:

– Porra, você ganhou dois brindes, me dê um, vá, na moral!!
– Oxe!! Que queixo!! Se saia, mermão, vô ficar com os dois.

Barão – Moeda corrente. Exemplo:

– ‘Moço, quanto é esse relógio??’
– ‘Aê, morena, pá você eu faço 10 barão.’

Também não podemos deixar de citar palavras e expressões corriqueiras, utilizadas sempre pelos Braus e simpatizantes (como eu…):

Buzu, buzão, Coletivo ou Carro – É o famoso G.O.L (grande ônibus lotado). Quem dirige é o Motô, e o responsável por receber o pagamento da passagem é o Cobra.

Colé véi, colé de mermo – Qual é, e aí?

Trazerar – Não pagar passagem no ônibus. Antigamente os ônibus em Salvador tinham a entrada pela frente e os coithado que não queriam pagar entravam pela porta traseira.

Água dura – Quando uma festa vai ser ‘Água dura’ significa que vai ter muita cachaça. Você vai ‘Comer água’ e chegar em casa ‘Em águas’.

É nenhuma! – Tudo bem, relaxe, não se esquente, é nenhuma.
– Porra, foi mal não ter te ligado ontem…
– É nenhuma!!

Paletar – Andar demais, andar à pé longas distâncias.

Tirado – Um cara metido, arrogante.

Sem falar nas licenças poéticas: Vidro é vrido, fósforo é froscu, fóscuru, frosfro. Calota vira carlota, ônibus vira ôndibu…

Enfim, ser Brau envolve mais conceitos do que pode abranger nossa vã filosofia. Pode ser tudo isso junto, ou apenas um item isolado. Você pode SER brau, ou ESTAR brau. Mas o mais importante: Estará sempre sendo muito divertido!!

Tá ligado, Bródi?

E você? Quantos braus você conhece??

Fonte: Estado de Espítito

Categorias sociais e rótulos: cachorro magro

Aquele camarada que come na casa de alguém e imediatamente se retira

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