Artigo publicado: Homophobia and Gender-Role Traditionality on Perceptions of Male Rape Victims

Título: The Moderating Influence of Homophobia and Gender-Role Traditionality on Perceptions of Male Rape Victims

Autores: Sandy White, Niwako Yamawaki

Periódico: Journal of Applied Social Psychology, 39, 5,2009, 1116-1136

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Estereótipos, humor e gênero: cientistas Gays descobrem o gene cristão

Contribuição: Marcus Vinicius Alves

Muitas vezes manchetes como “Cientistas descobrem o gene da homossexualidade” foram noticiadas, provocando alarde na sociedade, o vídeo promove uma troca, onde agora os cientistas gays é que fazem uma descoberta semelhante. Essa brincadeira é uma sátira ao modo como são mostrados os avanços da biotecnologia atualmente: em grande parte negligenciando o conteúdo psicossocial das escolhas, crenças e valores humanos e corroborando com conceitos minimalistas, onde os genes ditariam a vida inteira dos indivíduos antes mesmo do nascimento. Além disso, invertendo os papéis o vídeo brinca com um dos sonhos de muitos cristãos: arranjar um culpado biológico para a homossexualidade (como se fosse algo para se culpar), o que corroboraria com pensamentos preconceituosos acerca deste grupo social devido ao determinismo genético.

Estereótipos e aparência física: Joselito na Balada

Contribuição: Gilcimar Dantas

Resenha: Flutuações e diferenças de gênero no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas

André Oliveira de Assis Núñez

No desenvolvimento das identidades individuais e relacionais, as relações dos sexos e dos gêneros com a diversidade de comportamentos humanos – e com a linguagem disponível socialmente – levou a que encontrássemos e nos definíssemos segundo conceitos e expressões como: mulher/homem, feminino/masculino, heterossexuais, homossexuais ou bissexuais (lésbicas, gays, bissexuais – LGB), transexuais. É válido ressaltar também à importância da proporção do espaço de reflexão social e de investigação que estuda os mundos relacionais e as relações entre as pessoas, com os muitos significados que os discursos sociais criam sobre tal, que abrange desde à sociologia até algumas áreas da medicina, contribuindo assim para a compreensão do que leva às pessoas a escolherem relacionar-se entre si. Tornando assim, o tema sobre orientação sexual atual e complexo.
O termo sexo se relaciona com a estrutura anatômica e o termo gênero aos aspectos psicossociais do sexo, impostos ou adaptados socialmente – devendo os construtos ser mantidos separados e claramente definidos na sua especificidade, para a melhor compreensão psicológica da identidade. Sendo de extrema importância para a análise das características distintas que ocorrem nas relações entre as pessoas, existindo assim diferenças importantes entre o ser – anatomicamente – , e o pensar, não necessariamente se relacionando.
O desenvolvimento da identidade sexual pode ser encarado em três dimensões: a identidade de gênero, os papéis sexuais e a orientação sexual.
A identidade de gênero – o primeiro componente da identidade sexual – desenvolve-se entre o nascimento e os três anos de idade, sendo definida como “a convicção básica do indivíduo acerca do seu sexo biológico”.
O segundo componente a desenvolver-se são os papéis sexuais, ou seja, as características culturalmente associadas com ser homem ou mulher – que através dos estereótipos são percebidas como as características masculinas ou femininas. Os papéis sexuais associam-se por sua vez, ao que se espera de uma “menina-menino”, evoluindo ao longo da vida, consoante as circunstâncias sociais. É importante notar, que esse processo ocorre nas pessoas entre três a sete anos, sendo que não são processos estáveis e definitivos, dependendo muito do contexto social onde a criança está inserida. E por fim, O terceiro componente da identidade sexual é a orientação sexual – a preferência por parceiros do sexo oposto, do mesmo sexo ou por ambos os sexos.
Através da relação entre a identidade de gênero, os papéis sexuais e a orientação sexual, faz com que possamos entender a identidade sexual das pessoas, porém é válido notar que ter comportamentos ou atrações pelo mesmo gênero, por exemplo, não significará necessariamente ter uma identidade homossexual, não ocorrendo necessariamente uma correlação positiva entre esses fatores da identidade sexual.
Tem-se vivenciado na realidade e na pesquisa, a idéia de que a sexualidade da mulher é relativamente fluida, termo ainda não consensual, mas que se utiliza para referir mudanças longitudinais na identidade sexual, nas atrações e nos comportamentos das mesmas, como afirma Lisa Diamond. Por conseguinte, podemos afirmar que as mulheres tem uma tendência para mudar suas atrações sexuais ao longo do tempo. È importante ressaltar que Lisa Diamond explora este conceito da fluidez na identidade sexual citando quatro estudos longitudinais sobre a orientação sexual, enquanto enfatiza a necessidade paralela de estudos prospectivos, pois os que estão disponíveis, por não serem feitas avaliações que permitam uma comparação de dados de evolução nas dimensões da orientação sexual, tem pouca evidência empírica.
A criação dos modelos de desenvolvimento do coming-out levou à idéia de uma sequência linear de estágios que presumem que uma vez desenvolvidos determinadas atitudes, assumindo-se para si e para os outros como homossexuais, não há mais alterações – o que não está em concordância com alguns estudos do desenvolvimento da orientação sexual da mulher, em que a primeira identidade sexual não é a última e definitiva. Podemos inserir então, os estudos de Diamond sobre a fluidez da sexualidade da mulher, sendo um campo ainda muito vasto para a investigação e questionamentos.
Dentro dos estudos com amostras de mulheres, a autora a afirma que embora as atrações sexuais pareçam bastante estáveis, as identidades e os comportamentos são bem mais fluidos e diversificados.
Outro aspecto importante que devemos abordar é que num processo de desenvolvimento multidimensional como é a orientação sexual, temos evidências de existirem diferenças de gênero em alguns estudos, mas não é consenso. Para exemplificar tais estudos, podemos citar Herdt e Boxer (2000), com uma amostra de 202 jovens (27% do sexo feminino). Os rapazes demonstraram um início mais precoce dos comportamentos homossexuais, cerca de dois anos mais cedo que as moças, apresentando portanto diferenças estatisticamente significativas. As mulheres têm uma maior probabilidade de ter experiências sexuais heterossexuais antes de ter experiências com o mesmo sexo. Estes autores concluíram sobre a existência de diferenças de gênero na sequência desenvolvimental, mas limitaram tal afirmação aos comportamentos sexuais heterossexual ou homossexual a ocorrer em primeiro lugar. Esse estudo é importante, pois aborda um assunto relacionado à sexualidade que gera discórdia entre alguns pesquisadores, favorecendo assim, mas um estudo para incrementar tais discussões. Além do mais, instigar à saber o porquê – se for comprovado essa teoria -do amadurecimento de comportamentos homossexual dos rapazes em comparação ao moças.
As relações das pessoas consigo e os seus amores são certamente determinadas por muitas dimensões, influenciadas pelo meio, mas predispostas biologicamente, assim, na sua subjetividade individual, não serão separadas de um contexto social de inserção. Portanto, a tolerância em relação à opção sexual dos outros deve ser uma característica marcante na sociedade como um todo, pois formas estereotipadas e preconceituosas só proporcionam o afastamento e a desunião das pessoas.

Referência: Almeida, J. e Cavalheira, A (2007). Flutuações e diferenças de gênero no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas. Análise Psicológica

Estereótipos e música: YMCA

Tem mãe que é fogo

Foto do dia: Italian Stereotype – 1.Liar

Notícia do dia: Anatomía de Berluscolandia

Reportagem publicada no El País relata as vicissitudes do distante país do Imperador Berlusconi. Clique aqui para conhecer os mistérios do reino.

Estereótipos e publicidade: dia das mães

Contribuição: Marinês Oliveira

Resenha: Flutuações e diferenças de gênero no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas

Clara Vasconcelos

O trabalho busca fazer uma revisão teórica das principais investigações sobre as flutuações e transições na orientação sexual. De maneira geral, destaca a obra de Lisa Diamond, que apresenta investigações sobre transições na identidade, no comportamento e na atração.

O texto de Almeida e Carvalheira(2007) começa afirmando que muitas áreas têm feito investigações acerca do que representa e de como ocorre a escolha da orientação sexual. Dentre estes campos destacam-se a religião, as leis, as ciências sociais e biológicas e até mesmo algumas áreas da medicina. De acordo com as autoras, nossas identidades individuais e relacionais, bem como toda a diversidade de comportamento humano faz com que os indivíduos, se encontrem e se relacionem com conceitos e categorias, como homem/mulher; homossexual/bissexual/heterossexual, dentre diversas outras.

O texto traz também a diferenciação de Sexo e Gênero, de acordo com Diamond(2002). De acordo com ele, o sexo refere-se a estrutura anatômica, enquanto o gênero refere-se aos aspectos psicossociais do sexo. O texto traz também, que a identidade sexual tem três dimensões: A identidade de gênero, os papéis sexuais e a orientação sexual.

A identidade de gênero: É o primeiro comportamento, desenvolve-se entre o nascimento e o terceiro aniversário. De acordo com Green é “ a convicção básica acerca do seu sexo biológico”. Está identidade nem sempre é equivalente ao órgão reprodutor visível. Depois, desenvolvem-se os papéis sociais, que são características associadas ao ser homem e ser mulher através da cultura e da história. Estes papéis têm muita ligação com a aparência, com os comportamentos esperados daquela pessoa e da sua personalidade. Estes papéis não necessariamente são fixos, devido a fluidez propiciada pela cultura vigente. Só após esta segunda fase, que dura em média dos três aos sete anos, é que começaríamos a discutir a orientação sexual: A escolha pelo sexo oposto, pelo mesmo sexo ou pelos dois. A orientação sexual pode ser dividida em dois aspectos: A preferência física sexual e a afetiva.

Para Diamond, a orientação sexual engloba várias dimensões da identidade sexual, da de gênero e dos papéis sociais. Para ele as categorias bissexual, heterossexual, dentre outras, são mais adjetivos do que nomes propriamente ditos. Lisa Diamond tem tentado mudar a forma de estudar a orientação sexual, em especial a feminina.

O texto a partir deste ponto traz estudos que corroboram hipóteses opostas entre si. Algumas correntes que trazem que a orientação sexual é mais fluida e inconstante do que costuma-se estabelecer e outras que dizem justamente o oposto. Os estudos feitos, foram em sua maioria longitudinais. As investigações mais recentes demonstram a desvalorização das mudanças provenientes do passar do tempo. Diamond, traz que é como se ocorresse a descoberta de um self verdadeiro, ponto a partir do qual, as mudanças na orientação sexual não ocorreriam mais. Diamond porém não concorda com esta afirmação, dizendo que há evidências destas mudanças ao longo do tempo, em especial nas mulheres.É importante salientar que existe também opiniões controversas a esta no que tange a diferenciação dos gêneros e as diferenças na orientação sexual. Ao longo do texto, fica bastante claro que há uma grande necessidade de novos estudos, mais completos na área.

O texto além de trazer estudos que corroboram esta idéia de que as mulheres têm modificado sua orientação sexual ao longo do tempo, afirma também que os movimentos de defesa dos direitos gays podem influenciar na escolha dos indivíduos para serem lésbicas e gays, uma vez que há um preconceito, por parte de destes movimentos acerca da possibilidade do bissexualismo.

Os estudos de Diamond e Rust demonstram ainda que há uma diferença clara nos resultados das mulheres que se consideravam lésbicas ou bissexuais. As que se consideravam lésbicas responderam em sua maioria sentir mais atrações sexuais por mulheres, enquanto as bissexuais afirmaram justamente o contrário.

É importante salientar também, que estes estudos realizados e que têm corroborado tanto a hipótese de fluidez como a hipótese de permanência forma realizados em ambientes muito restritos, tendo como participantes apenas membros da LGBT americana, e estudantes universitários. Desta forma, não existem dados que se relacionem a pessoas desvinculadas destes espaços, em especial pessoas que residem em ambientes mais rurais, de etnias minoritárias e com condição sócio-econômica mais baixa.

Weinberg ET AL(1994) traz a hipótese de que talvez os bissexuais, sejam eles homens ou mulheres, tenham uma maior capacidade de experimentar atrações por ambos os sexos, o que permite que seus sentimentos estejam mais suscetíveis a mudanças externas, no ambiente.

Herdt e Boxer ( 1993) fizeram estudos que demonstraram que os homens têm experiências com pessoas do mesmo sexo antes do que as mulheres. Bem como as mulheres demonstraram ter uma maior probabilidade de se relacionar primeiro com o sexo oposto e só depois com pessoas do mesmo sexo. As mulheres também apareceram como tento uma certeza mais tardia das suas orientações sexuais do que os homens. Mais mulheres também se consideraram como bissexuais do que os homens. No que tange os contextos das orientações sexuais dividiu-se os sujeitos em dois grupos: Os que eram atraídos por pessoas do mesmo sexo a partir de questões emocionais e os que tinham pensamentos explícitos com o mesmo sexo, envolvendo atividades sexuais. Os resultados encontrados demonstram que mais mulheres se encontram no primeiro grupo e mais homens no segundo.
Para concluir, as autoras trazem que a diversidade sexual tem encontrado um ambiente muito mais favorável e que a flexibilização das atrações tem permitido uma maior liberdade de escolha para mulheres. No caso dos homens, há uma maior rigidez na escolha sexual, o que pode estar refletindo uma maior rigidez social com tal, ou de tal categoria. As autoras finalizam afirmando que a orientação sexual surge a parir de uma interação do ambiente com a biologia.

Referência: Almeida, J. e Carvalheira, A. A. Flutuações e diferenças de género no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas. Análise Psicológica, 25, 3, 343-350, 2007