Artigo publicado: Dimensions of Majority and Minority Groups

Título: Dimensions of Majority and Minority Groups

Autores: Viviane Seyranian, Hazel Atuel, and William D. Crano

Periódico: Group Processes & Intergroup Relations, 11, 21-37, 2008

Resumo: Clique aqui para obter

Artigo publicado: Global Pattern Formation and Ethnic/Cultural Violence

Título: Global Pattern Formation and Ethnic/Cultural Violence

Autor: May Lim,Richard Metzler e Yaneer Bar-Yam

Periódico: Science, 317. 5844, 1540-1544, 2007

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Biblioteca: inclusão de conteúdo

Acrescentado à biblioteca o artigo Identidade social de paulistas e nordestinos: comparações intra e intergrupais , de Eulina Lordelo e Mari Barros

Artigo publicado: Intergroup Attributions and Ethnocentrism

Título: Intergroup Attributions and Ethnocentrism in the Indian Subcontinent: The Ultimate Attribution Error Revisited

Autores: Sammyh S. Khan and James H. Liu

Periódico: Journal of Cross-Cultural Psychology 2008;39 16-36

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Brasileiro se obriga a passar por português para trabalhar na Espanha

Esta semana muitos jornais brasileiros relataram uma pesquisa cujos achados sugerem que a maior parte dos brasileiros residentes em Londres trabalha com atividades ligadas à limpeza. Claro que a maior parte destas pessoas não admitiria desempenhar a mesma função, tão honrada quanto qualquer outra, aqui no Brasil. Agora uma outra notícia, publicada por um jornal de Barcelona e reproduzida pelo Observatório da Delincuencia Inmigrante, um site bastante criticado por ONG e outras organizações de combate ao racismo na Espanha, reflete a situação de muitos brasileiros que não vêem outra oportunidade para sobreviver dignamente que não trabalhar na Europa. Clique aqui para ler a notícia

Os estereótipos e o viés linguístico intergrupal

Um programa sistemático de investigação das relações entre os estereótipos e a linguagem se fundamenta no modelo das categorias lingüísticas intergrupais de G. Semin e K. Fiedler. Tais estudos diferenciam quatro categorias lingüísticas predominantemente utilizadas na descrição de pessoas e eventos: 1) os verbos que descrevem ações; 2) os verbos que interpretam ação; 3) os verbos que fazem referências a estados duradouros, e 4) os adjetivos.
Os verbos descritivos, como o próprio termo indica, descrevem objetivamente comportamentos específicos e observáveis com começo e fim claro delimitados, referindo-se a situações e objetos específicos, sendo muito difícil atribuir qualquer conotação positiva ou negativa. Verbos, como, por exemplo, beijar, olhar ou chutar, geralmente indicam ações com um nível de abstração muito baixa, sendo utilizados para fazer referências a eventos e situações que se manifestam em uma dimensão concreta. No plano fenomenológico, um forte indicador de um uso adequado dessa categoria lingüística é a presença de pelo menos uma característica física invariante (chutar, por exemplo, envolve necessariamente a utilização dos pés que atinge, com uma certa intensidade, a um outro objeto).
Os verbos que interpretam uma ação vão além da mera descrição do evento ou da situação, pois neles se encontra subjacente uma interpretação, que, por sua vez, introduz um certo componente semântico negativo ou positivo em relação à situação que está sendo submetida à avaliação. De forma semelhante aos verbos descritivos, os verbos interpretativos também podem fazer referências a ações específicas, que temporalmente diferenciam o início e o fim do evento. Alguns verbos característicos dessa categoria incluem aqueles como ajudar, ofender, inibir ou ameaçar.
Os verbos que se referem a estados duradouros indicam a existência de estados emocionais, afetivos ou mentais relativamente permanentes e claramente discerníveis. Podemos assinalar, também, que embora eles se refiram a comportamentos, situações ou objetos claramente especificados, é impossível identificar, no plano temporal, o início ou fim daquele estado. Verbos tais como acreditar, odiar, admirar ou desejar podem ser incluídos nessa categoria.
Os adjetivos, por sua vez, podem ser considerados como a categoria que proporciona o grau mais alto de abstração. O seu aspecto mais característico é que eles se referem às características disposicionais do indivíduo, o que, em certa medida, impõe uma certa interpretação de estabilidade do padrão de comportamento, que se manifestaria de forma independente dos contextos históricos, geográficos e culturais no qual ele se manifesta.
O argumento central da hipótese do viés lingüístico intergrupal é a de que um mesmo comportamento pode ser codificado de acordo com diferentes níveis de abstração, a depender da dimensão axiológica, dado que ele pode ser positiva ou negativamente avaliado, e a depender da afiliação do protagonista da ação, pois ele pode pertencer ao in ou ao outgroup. Os psicólogos sociais certamente reconhecem que tal linha de argumentação se assemelha aos arrazoados apresentados pelos teóricos atribuicionais, pois parecem evidentes as semelhanças entre o viés lingüístico intergrupal e o conceito de erro atribuicional fundamental, característico das teorias atribuicionais da causalidade. Esta última noção sugere uma tendência a avaliar ao comportamento dos outros de uma forma diferenciada, pois se a ação for uma ação positiva dos membros do próprio grupo, a causa do comportamento é a atribuída a fatores de natureza pessoal ou interna, enquanto o mesmo tipo de ação, quando encetada por membros do outgroup, tende a ser interpretada como produzida por fatores de natureza externa ou situacional. No caso dos comportamentos negativos observa-se o oposto, uma vez que as ações negativas dos membros do ingroup tendem a ser explicados por meio de referências a causas externas, enquanto o mesmo tipo de ação, quando se trata dos membros do ingroup tendem a ser explicados através de referências características situacionais.
Ampliando o alcance do modelo do viés lingüístico intergrupal, podemos dizer que a linguagem pode ser utilizada como meio de facilitar ou dificultar as confirmações das idéias previamente existentes a respeito do in e do outgroup. A linguagem abstrata, evidentemente, oferece mais informações sobre o protagonista, dado que os elementos retratados indicam características inerentes ao indivíduo, denotando algo que é estável e típico do ator (ele é honesto ou ele é agressivo). Pode-se esperar, portanto, que ela seja tipicamente utilizada para descrever comportamentos negativos dos membros do outgroup e comportamentos desejáveis dos membros do ingroup. Quanto menos abstrata for a linguagem, mais se manifesta uma certa dissociação entre o ator a e cena, pois o foco passa a ser, evidentemente, a situação na qual a ação se manifesta. Esta modalidade de linguagem, conseqüentemente, deve ser prioritariamente utilizada para comunicar os comportamentos negativos, inesperados ou indesejáveis dos membros do ingroup e positivos ou desejáveis dos membros do outgroup. Nesse sentido, pode-se afirmar que o viés lingüístico intergrupal ajuda a promover o próprio grupo, retratando-o de forma favorável, o que, em certo sentido, contribui para que o indivíduo, concomitantemente, desenvolva ou mantenha uma imagem favorável de si mesmo.
Afora isso, o viés lingüístico intergrupal pode ser interpretado como um indicador implícito de preconceito . As conseqüências práticas do viés lingüístico intergrupal são bastante evidentes, pois, se os comportamentos estereotipados dos membros do outgroup são geralmente retratados como negativos, eles tendem a ser codificados de uma forma mais abstrata, o que certamente torna a mudança ou mesmo a supressão dos estereótipos e preconceitos uma tarefa bastante difícil.

Fontes:
Maass, A. Salvi, D. Arcuri, L. e Semin, G. (1989) Language use in intergroup contexts: The linguistic intergroup bias. Journal of Personality and Social Psychology, 57, 981-993.
Pereira, M., Fagundes, A. e Takei, R. (2003). os estereótipos e o viés linguístico intergrupal. Interação em Psicologia, 7, (1),127-140
Semin, G.R. e Fiedler, K. (1988) The cognitive functions of linguistic categories in describing persons: social cognition and language. Journal of Personality and Social Psychology, 54, 558-568.
Von Hippel, W., Sekaquaptewa, D. e Vargas, P. (1997). The linguistic intergroup bias as an implicit indicator of prejudice. Journal of Experimental Social Psychology. 33, 490-509

 

Endo e exogrupo

chamada

A diferenciação entre endogrupo e exogrupo não apenas contribui para a promoção do preconceito, como também é um elemento decisivo na eclosão de comportamentos discriminatórios. As pessoas tendem a se identificar com os grupos aos quais pertencem, incorporando-os ao seu auto-conceito. Desta forma, elas geralmente avaliam o próprio grupo de uma forma mais positiva, aderindo a uma estratégia que favorece à preservação do auto-conceito. Esta avaliação positiva do próprio grupo é correlata à avaliação negativa dos grupos externos. Esse viés na avaliação do endogrupo e do exogrupo parece ser um componente fundamental na constituição da identidade social e tende a se manifestar quando ocorre qualquer diferenciação, por mínima que seja, entre o endogrupo e o exogrupo. A explicação para este fenômeno assenta-se na suposição de que as pessoas em geral mantém contatos bem mais intensos com os membros do próprio grupo, o que faz com que desenvolvam uma visão bem mais complexa a respeito dos que grupos em que transitam do que sobre os grupos externos. Assim, quando é requerido um julgamento de uma situação em que estejam envolvidos membros dos próprio grupo, ele tende a ser bem mais moderado, pois as informações novas porventura presentes são consideradas apenas após uma cuidadosa comparação com os aspectos positivos e negativos do comportamento inerentes aos membros do próprio grupo. No caso dos grupos externos, os contatos são bem mais reduzidos e, conseqüentemente, a representação disponível sobre o grupo ou sobre os membros do grupo tende a ser menos complexa, o que propicia a formulação de julgamentos mais extremados. Nesse caso, as informações novas exercem um efeito bem mais poderoso, uma vez que as informações anteriores a respeito do grupo externo são menos circunstanciadas e a avaliação tende a ser realizada de acordo com a representação estereotipada que se possui do exogrupo.

Fonte: Stephen, Walter (1985). Intergroup relations. Em G. Lindzey & E. Aronson. Handbook of social psychology. New York: Randon House.

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O estudos dos estereótipos: algumas noções fundamentais

chamada

– as crenças desempenham um importante papel na manifestação dos comportamentos sociais e coletivos;
– em toda cultura é possível identificar um conjunto de crenças compartilhadas por um número substancial de pessoas;
– uma crença é coletiva quando uma infinidade de exemplares da mesma encontra-se em circulação, embora cada um desses exemplares seja ligeiramente diferente dos demais;
– uma parte substancial dessas crenças coletivas se refere a outros grupos nacionais, regionais ou étnicos;
– a base cognitiva das crenças sobre os membros de outros grupos assenta-se sobre um conjunto de representações estereotipadas;
– os estereótipos étnicos e nacionais podem ser explicados a partir de uma série de fatores psicológicos, psicossociológicos ou sociais;
– fatores psicológicos como a atenção, a codificação e a busca da informação presente na memória, assim como os fatores vinculados à afetividade impelem a uma avaliação por demais genérica dos grupos externos;
– alguns mecanismos psicológicos trabalham no sentido de fixar a crença de que os membros do grupo externo são todos iguais;
– outros mecanismos psicológicos se encarregam de destituir a importância das informações capazes de levar à reavaliação dos grupos externos;
– se algo indesejado ou negativamente avaliado ocorre, as pessoas tendem a apontar os grupos externos como a causa destas dificuldades;
– as pessoas sempre encontram justificativas para os atos que perpetraram ou que tiveram a intenção de promover contra membros do grupo externo;
– as pessoas tendem a avaliar as pessoas de seu grupo de uma forma bem positiva do que àquelas que pertencem aos grupos externos;
– em decorrência desse viés na avaliação dos grupos, geralmente é difícil evitar a adoção de comportamentos ou ações estereotipadas.

Fonte Pereira, M. E. (1996) Humor e estereótipos étnicos no ciberespaço.

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