Artigo publicado: Outgroup homogeneity effect in perception

Título: Outgroup homogeneity effect in perception: An exploration with Ebbinghaus illusion

Autores: Keiko Ishii and Shinobu Kitayama

Periódico: Asian Journal of Social Psychology, 13, 4

Abstract: clique aqui

An outgroup homogeneity (OH) effect implies that outgroup members are perceived to be more similar than ingroup members. At present, however, it is not clear whether the OH effect is truly perceptual. Here, we used an Ebbinghaus illusion to demonstrate the OH effect in perception. Participants were presented with one central face that was surrounded by four surrounding faces. The central face was judged to be smaller as the size of the surrounding faces increased, thereby demonstrating an Ebbinghaus illusion. As predicted, however, this illusion was significantly greater when the faces allegedly belonged to an outgroup than when they allegedly belonged to an ingroup. This perceptual OH effect bore no significant relationship with cognitive OH measures. The perceptual versus cognitive OH effects might therefore be mediated by separate mechanisms.

Artigo publicado: Effects of Social Exclusion and Inclusion Are Enhanced by the Perceived Essentialism of Ingroups and Outgroups

Título: Being “In” With the In-Crowd: The Effects of Social Exclusion and Inclusion Are Enhanced by the Perceived Essentialism of Ingroups and Outgroups

Autores: Michael J. Bernstein, Donald F. Sacco, Steven G. Young, Kurt Hugenberg, and Eric Cook

Periódico: Personality and Social Psychology Bulletin 2010;36 999-1009

Resumo: http://psp.sagepub.com/cgi/content/abstract/36/8/999

O estrangeiro: a um passo da humanidade

Embora as pessoas disponham de rotinas automáticas que as habilitam a se relacionar socialmente de forma tranqüila, elas usualmente encontram dificuldades durante a interação com indivíduos de outros grupos ou de outras culturas. Tais dificuldades são tão generalizadas que não podem ser inteiramente atribuídas ao efeito de diferenças de ordem lingüística ou cultural. As pessoas estranhas ao grupo social tendem a ser tratadas com indiferença ou menosprezo. Parece existir um certo acordo na admissão de que esta tendência a tratar de forma depreciativa aos indivíduos do grupo externo reveste-se de um certo grau de universalidade. A listagem abaixo representa um breve apanhado de algumas referências encontradas na literatura psicossocial a respeito das crenças compartilhadas sobre os  estrangeiros.

Biesanz & Biesanz (1972) relembra a advertência de Cícero a Ático:

– “Não consigas os teus escravos na Bretanha, pois eles são tão estúpidos e tão absolutamente incapazes de aprender que não estão aptos a fazer parte do lar ateniense”.

Comentário de um intelectual árabe do século XI:

– “As raças ao norte dos Pirineus são de temperamento frio e nunca atingem a maturidade, são de grande estatura e de cor branca, mas não possuem agudeza de espírito e de penetração intelectual” .

Algumas características dos povos que habitavam a Germânia, de acordo com o historiador Cornélio Tácito (1952):

– os catos chamavam a atenção pelo costume de deixar crescer a barba e os cabelos até que tivessem matado a um inimigo;

– os cheruscos seriam covardes e estultos; os suevos, sujos e preguiçosos;

– os fenos, salteadores, selvagens e miseráveis,

– os helúsios e oxiômes eram portadores da estranha característica de terem a cabeça e o rosto humanos e o corpo e os membros de feras.

No século XVI, o poeta e filósofo escocês James Beattie (1735-1803) ao comentar a situação política de sua época, sustentou que todas as nações européias, e talvez do mundo, seja nas questões de traje ou de conduta, ridicularizavam-se mutuamente.

– Em pleno século XVII, no início da idade moderna, os escoceses eram tidos na Inglaterra como grosseiros, cruéis e brutais, embora esses mesmos traços, já no século XIX, fossem atribuídos aos irlandeses.

– Segundo Rose (1972), os alemães representam outros povos de uma maneira bastante estereotipada:

– os franceses seriam imorais e degenerados;

– os britânicos, estúpidos e pretensiosos; os americanos, dissipadores e limitados;

– os russos, ignorantes, pesados e estúpidos;

– os judeus, pervertidos e intrigantes.

Ainda de acordo com Rose, até 1940, a imagem dos japoneses presentes na cultura ocidental era a de um povo astuto, mas fraco, inflexível e desprovido de imaginação.

– durante a Segunda Guerra permaneceu a astúcia, mas os outros estereótipos foram substituídos pela tenacidade e pela engenhosidade;

– após o término das beligerâncias, o estereótipo astúcia foi finalmente substituído pelo da credulidade.

Concepções de alguns grupos sobre os seus vizinhos nacionais, de acordo com Gordon Allport (1962)

– Os poloneses retratavam os ucranianos como répteis, acusando-os de serem ingratos, vingativos, astutos e traiçoeiros

– Os ingleses durante a Segunda Grande Guerra acusavam os americanos de ganharem e fornicarem demais.

– Na África do Sul colonial os ingleses menosprezavam os africanos brancos

– Os africanos brancos menosprezavam os judeus

– Os judeus menosprezavam os hindus

– E todos estes grupos desdenhavam dos negros nativos

Fonte: Marcos E. Pereira. Psicologia Social dos Estereótipos. São Paulo: EPU Editora Pedagógica e Universitária, 2002

Post atualizado para a aula do dia 21/05/2009 (PSI684)

Endo e exogrupo

chamada

A diferenciação entre endogrupo e exogrupo não apenas contribui para a promoção do preconceito, como também é um elemento decisivo na eclosão de comportamentos discriminatórios. As pessoas tendem a se identificar com os grupos aos quais pertencem, incorporando-os ao seu auto-conceito. Desta forma, elas geralmente avaliam o próprio grupo de uma forma mais positiva, aderindo a uma estratégia que favorece à preservação do auto-conceito. Esta avaliação positiva do próprio grupo é correlata à avaliação negativa dos grupos externos. Esse viés na avaliação do endogrupo e do exogrupo parece ser um componente fundamental na constituição da identidade social e tende a se manifestar quando ocorre qualquer diferenciação, por mínima que seja, entre o endogrupo e o exogrupo. A explicação para este fenômeno assenta-se na suposição de que as pessoas em geral mantém contatos bem mais intensos com os membros do próprio grupo, o que faz com que desenvolvam uma visão bem mais complexa a respeito dos que grupos em que transitam do que sobre os grupos externos. Assim, quando é requerido um julgamento de uma situação em que estejam envolvidos membros dos próprio grupo, ele tende a ser bem mais moderado, pois as informações novas porventura presentes são consideradas apenas após uma cuidadosa comparação com os aspectos positivos e negativos do comportamento inerentes aos membros do próprio grupo. No caso dos grupos externos, os contatos são bem mais reduzidos e, conseqüentemente, a representação disponível sobre o grupo ou sobre os membros do grupo tende a ser menos complexa, o que propicia a formulação de julgamentos mais extremados. Nesse caso, as informações novas exercem um efeito bem mais poderoso, uma vez que as informações anteriores a respeito do grupo externo são menos circunstanciadas e a avaliação tende a ser realizada de acordo com a representação estereotipada que se possui do exogrupo.

Fonte: Stephen, Walter (1985). Intergroup relations. Em G. Lindzey & E. Aronson. Handbook of social psychology. New York: Randon House.

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