Artigo publicado: Reactions to Procedural Discrimination in an Intergroup Context

Título:Reactions to Procedural Discrimination in an Intergroup Context: The Role of Group Membership of the Authority

Autores: Grand H.-L. Cheng, Kelly S. Fielding, Michael A. Hogg, and Deborah J. Terry

Periódico: Group Processes Intergroup Relations 2009;12 463-478

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Artigo publicado: Disregard for Outsiders: A Cultural Comparison

Título:Disregard for Outsiders: A Cultural Comparison

Autores: Romin W. Tafarodi, Sarah C. Shaughnessy, Wincy W. S. Lee, Doris Y. P. Leung, Yuka Ozaki, Hiroaki Morio, and Susumu Yamaguchi

Periódico: Journal of Cross-Cultural Psychology 2009;40 567-583

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Resenha: Estereótipos sobre idosos: uma representação gerontofóbica

Elisa Maria Araújo

O artigo “Estereótipos sobre idosos: uma representação gerontofóbica” aborda a discussão sobre o uso primordial dos estereótipos para a percepção de outros seres humanos. Define os estereótipos como uma percepção extremamente simplificada, que se caracteriza por ser um modelo lógico para resolver uma contradição da vida cotidiana. Martins e Rodrigues (2004) introduzem, no entanto, que os estereótipos contribuem para o não reconhecimento da unicidade do indivíduo, e conseqüentemente, para o despotismo em determinadas situações. Por se tratar de um constructo categorial, generalizador, estável e definidor de um grupo social, o artigo apresenta que a literatura científica sobre os estereótipos é prolixa.

Dentro dos estudos apresentados neste presente trabalho, há a vertente que entende que os estereótipos são pré-concepções rígidas, podendo ser falsas e irracionais. Dentre os diversos domínios da vida social em que os estereótipos são utilizados, este artigo se volta a analisar os estereótipos que envolvem os idosos. Neste caso, a valorização dos estereótipos sobre a velhice gera uma representação social gerontofóbica. Isso acontece quando o fenômeno de envelhecer passa a ser tratado como prejudicial, de menor utilidade ou associado à incapacidade funcional. De acordo com Nogueira (1996, apud Martins e Rodrigues, 2004), os preconceitos envolvem geralmente crenças, de que o envelhecimento torna as pessoas senis, inativas, fracas e inúteis. O desenvolvimento de rejeição e rotulagem de um grupo, em particular de indivíduos, ocorre porque as características individuais com traços negativos são atribuídas a todos os indivíduos desse grupo.

O artigo utiliza a palavra “velhote”, que descreve os sentimentos ou preconceitos resultantes de micro-concepções e dos “mitos” acerca dos idosos, como forma de exemplificar os estereótipos que se referem aos idosos. Da mesma maneira, a velhice remete a uma representação de uma doença incurável, como um declínio inevitável, que está votado ao fracasso. Este estereótipo tornou-se tão socialmente aceito que Louise Berger (1995, apud Martins e Rodrigues, 2004) afirma que abundam hoje “idéias feitas e preconceitos relativamente à velhice. Os ‘velhos’ de hoje, os ‘gastos’, os ‘enrugados’ cometeram a asneira de envelhecer numa cultura que deifica a juventude”.

Em seguida, as autoras reservam um espaço do trabalho para fazer esclarecimentos específicos sobre os conceitos de atitudes, crenças e estereótipos. De forma sucinta, objetiva e pouco embasada em autores e estudos anteriores, elas definem atitude como sendo “conjunto de juízos que se desenvolvem a partir das nossas experiências e da informação que possuímos das pessoas ou grupos”, podendo ser favorável ou desfavorável, além de exercer influência nos comportamentos. Além disso, definem crença como “um conjunto de informações sobre um assunto ou pessoas, determinante das nossas intenções e comportamentos, formando-se a partir das informações que recebemos”. Como exemplo, as autoras se utilizam da “idéia” de que todos os idosos são sensatos, dóceis e nunca se zangam. E por fim, conceitualizam estereótipo como sendo uma imagem mental muito simplificada que é partilhada, nas suas características essenciais por um grande número de pessoas. Seria um “chavão”, uma opinião feita, uma generalização e simplificação de crenças, podendo ser de natureza positiva ou negativa. A idéia de que todos os idosos são prudentes seria um exemplo de um estereótipo positivo, na qual são atribuídas características positivas ao grupo; e ao contrário, a crença de que os idosos são senis, representa uma forma de estereótipo negativo.

Baseando-se em estudo da Universidade de Montreal por Champagne e Frennet (cit. por DINIS, 1997, apud Martins e Rodrigues, 2004), o artigo identifica quatorze estereótipos considerados como os mais freqüentes relativos aos idosos. Importante ressaltar, que o artigo não faz nenhum comentário sobre como se deu este estudo, com quem foi realizado e quando aconteceu, e isso se mostra uma grande limitação do artigo em discussão. Simplesmente apresenta os resultados, analisando-os superficialmente.

Dentre os estereótipos mais freqüentes, a maioria destes não tem relação a características específicas do envelhecimento, mas sim a traços da personalidade e a fatores socioeconômicos. Como estereótipos mais freqüentes, foram encontrados que: os idosos não são sociáveis e não gostam de se reunir; temem o futuro; são pessoas doentes que tomam muita medicação; fazem raciocínios senis; são muito sensíveis e inseguros; não se interessam pela sexualidade; divertem-se e gostam de rir; gostam de jogar às cartas e outros jogos; gostam de conversar e contar as suas recordações; gostam do apoio dos filhos; não se preocupam com a sua aparência; são muito religiosos e praticantes; são frágeis para fazer exercício físico; são na grande maioria pobres.

Este resultado revela que se de um lado os estereótipos simplificam a realidade, por outro, minimizam as diferenças individuais entre os membros de um determinado grupo, o que revela um desconhecimento do processo de envelhecimento. Além disso, a utilização de estereótipos é causa de enorme perturbação nos idosos, uma vez que estes negam o seu processo de crescimento e os impedem de reconhecer as suas potencialidades, de procurar soluções precisas para os seus problemas e de encontrar medidas adequadas.

Por fim, a visão global e generalizada, que caracteriza os estereótipos gerontológicos, distorce a realidade. O artigo conclui sua análise com a reflexão de que investigações diversas sobre esta temática têm demonstrado que a distorção causada pelos estereótipos “cegam” os indivíduos, impedindo-os de se precaverem das diferenças que existem entre os vários membros, não lhe reconhecendo deste modo, qualquer virtude, objeto ou qualidade.

Além disso, o artigo apresenta influências que a enfermagem sofre e que são determinantes para a prática de comportamentos positivos e negativos desses profissionais. De acordo Berger (1995, apud Martins e Rodrigues, 2004), respeito, a reciprocidade e a confiança são exemplos de atitudes positivas que os profissionais de enfermagem podem ter diante das influências do meio e do social; e “automorfirmo social”, “gerontofobia”, “âgismé” e a infantilização ou “bebeísme” são exemplos de atitudes negativas quanto aos idosos. Estas atitudes negativas são respectivamente: o não reconhecimento da unicidade do idoso; o medo irracional de tudo quanto se relaciona com o envelhecimento e com a velhice; todas as formas de discriminação, com base na idade; e simplificação demasiada das atividades sociais e/ou recreativas e pela organização de programas de atividades, que não correspondem às necessidades dos indivíduos.

O artigo termina com a mesma análise superficial com a que começou. Apresenta uma visão geral de como os estereótipos referente aos idosos geram influências na vida dos idosos, e no comportamento das pessoas frente a estas pessoas. Faz reflexões sobre o quanto se perde e se ganha com a utilização dos estereótipos, porém não aprofunda em nenhuma discussão. Durante toda a discussão, faz-se pouca referência a estudos e pesquisas anteriores sobre o tema, o que mostra grande limitação do texto em questão.

Resenha: Martins, R. M. e Rodrigues, M. L. Estereótipos sobre idosos: uma representação social gerontofóbica. Millenium. Revista do ISPV, 29, 249-254, 2004.

Artigo publicado: Relationships Between Authoritarianism and Support for Military Aggression

Título: Nationalism, Internationalism, and Perceived UN Irrelevance: Mediators of Relationships Between Authoritarianism and Support for Military Aggression as Part of the War on Terror

Autor: H. Michael Crowson

Periódico: Journal of Applied Social Psychology, 39, 5,2009, 1137-1162

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Resenha: Crenças de senso comum sobre medicamentos genéricos vs. medicamentos de marca: um estudo piloto sobre diferenças de gênero.

Marinês Oliveira

O presente artigo faz um estudo pautado nas crenças do senso comum sobre Medicamentos Genéricos vs. Medicamentos de Marca na perspectiva de Gêneros. Segundo Figueiras, Marcelino & Cortes (2007), em termos da população em geral, existem crenças de senso comum acerca da eficácia e segurança dos genéricos, que poderão condicionar a escolha do medicamento no momento da compra, na medida em que esta é influenciada pelas características individuais, crenças subjetivas sobre o tratamento e representações da doença do consumidor. Tal fato se concretiza, quando as pesquisas percebem que o uso do genérico está associado a percepção do individuo a respeito da gravidade de sua doença, ou seja, a percepção de doença e não a percepção acerca do medicamento que determina o seu uso. Assim, quando a percepção acerca da doença não é tão grave o uso dos genéricos dispõe a aumentar. Os autores também atribuem esta crença ao fato de que nos últimos anos, embora a população tenha recebido grandes informações sobre medicamentos genéricos, os indivíduos estão mais habituados a receberem uma prescrição de um medicamento de marca, cujo nome é mais conhecido, ou por experiências anteriores, ou por indicação de terceiros. Acrescenta ainda que, um estudo recente mostrou a importância do nome do fármaco em termos dos significados implícitos e explícitos dos nomes de marca.
Tal fato tem subsídio nas abordagens dos sistemas de crenças de Bem (1973) e Rockeach (1981), quando colocam que as origens das crenças podem advir de experiências, vivencias, meios de comunicações, autoridades, e outros. Percebe-se o bombardeio da mídia farmacêutica no que diz respeito às medicações, tornando estas mensagens de maneira tão organizadas e imperativas que, ao passar, do tempo, elas vão adquirindo a forma de doutrinas, verdades absolutas e sistema de opiniões e pensamentos.
O presente estudo avaliou em que medida o nome da doença pode influenciar a crença sobre o uso de medicamentos (genéricos e de marca) em indivíduos saudáveis, e (2) a existência de eventuais diferenças de gênero associadas às crenças sobre a medicação. Os resultados indicam que existem efeitos de interação entre tipo de medicamento e doença. Os participantes concordam com a prescrição do medicamento genérico para todas as doenças, no entanto esta concordância diminui significativamente à medida que a gravidade da doença aumenta. Verificaram-se ainda diferenças de gênero em relação à crença na eficácia dos medicamentos genéricos para as diferentes doenças. Os homens associam o uso do medicamento genérico a doenças que consideram menos graves, enquanto as mulheres associam a utilização do medicamento de marca a doenças percepcionadas como mais graves. Sendo importante salientar que a gravidade de cada doença dentro da percepção masculina/feminina é o que diferenciou este resultado. Ou seja, para a doença gripe, os resultados foram diferentes, pois homens e mulheres tiveram percepções de gravidade distintas. Este estudo levanta questões importantes no que se refere a aspectos subjetivos relacionados com a escolha e uso de medicamentos, o que pode ter implicações para a saúde em geral e para a adesão a regimes terapêuticos.
Neste caso, é visível o quanto as crenças manifestam os seus efeitos nos processos cognitivos de uma forma importante que são capazes de influenciar a maneira através da qual as pessoas percebem e interpretam os fatos. No artigo, elas não só delimitam as proposições que os indivíduos tem a respeito do objeto, como foram capazes de ditar suas escolhas e comportamentos.
Referência: Figueiras, Marcelin, Cortes, Horne & Weinman (2004), Crenças de senso comum sobre medicamentos genéricos vs. medicamentos de marca: Um estudo piloto sobre diferenças de gênero.

Artigo publicado: Gender Portrayals in Portuguese Television Advertisements

Título: Changing Patterns of Gender Portrayals in Portuguese Television Advertisements

Autores: Félix Neto, M. Carolina Silva

Periódico: Periódico: Journal of Applied Social Psychology, 39, 5,2009, 1214-1228

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Artigo publicado: Homophobia and Gender-Role Traditionality on Perceptions of Male Rape Victims

Título: The Moderating Influence of Homophobia and Gender-Role Traditionality on Perceptions of Male Rape Victims

Autores: Sandy White, Niwako Yamawaki

Periódico: Journal of Applied Social Psychology, 39, 5,2009, 1116-1136

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Resenha: Flutuações e diferenças de gênero no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas

André Oliveira de Assis Núñez

No desenvolvimento das identidades individuais e relacionais, as relações dos sexos e dos gêneros com a diversidade de comportamentos humanos – e com a linguagem disponível socialmente – levou a que encontrássemos e nos definíssemos segundo conceitos e expressões como: mulher/homem, feminino/masculino, heterossexuais, homossexuais ou bissexuais (lésbicas, gays, bissexuais – LGB), transexuais. É válido ressaltar também à importância da proporção do espaço de reflexão social e de investigação que estuda os mundos relacionais e as relações entre as pessoas, com os muitos significados que os discursos sociais criam sobre tal, que abrange desde à sociologia até algumas áreas da medicina, contribuindo assim para a compreensão do que leva às pessoas a escolherem relacionar-se entre si. Tornando assim, o tema sobre orientação sexual atual e complexo.
O termo sexo se relaciona com a estrutura anatômica e o termo gênero aos aspectos psicossociais do sexo, impostos ou adaptados socialmente – devendo os construtos ser mantidos separados e claramente definidos na sua especificidade, para a melhor compreensão psicológica da identidade. Sendo de extrema importância para a análise das características distintas que ocorrem nas relações entre as pessoas, existindo assim diferenças importantes entre o ser – anatomicamente – , e o pensar, não necessariamente se relacionando.
O desenvolvimento da identidade sexual pode ser encarado em três dimensões: a identidade de gênero, os papéis sexuais e a orientação sexual.
A identidade de gênero – o primeiro componente da identidade sexual – desenvolve-se entre o nascimento e os três anos de idade, sendo definida como “a convicção básica do indivíduo acerca do seu sexo biológico”.
O segundo componente a desenvolver-se são os papéis sexuais, ou seja, as características culturalmente associadas com ser homem ou mulher – que através dos estereótipos são percebidas como as características masculinas ou femininas. Os papéis sexuais associam-se por sua vez, ao que se espera de uma “menina-menino”, evoluindo ao longo da vida, consoante as circunstâncias sociais. É importante notar, que esse processo ocorre nas pessoas entre três a sete anos, sendo que não são processos estáveis e definitivos, dependendo muito do contexto social onde a criança está inserida. E por fim, O terceiro componente da identidade sexual é a orientação sexual – a preferência por parceiros do sexo oposto, do mesmo sexo ou por ambos os sexos.
Através da relação entre a identidade de gênero, os papéis sexuais e a orientação sexual, faz com que possamos entender a identidade sexual das pessoas, porém é válido notar que ter comportamentos ou atrações pelo mesmo gênero, por exemplo, não significará necessariamente ter uma identidade homossexual, não ocorrendo necessariamente uma correlação positiva entre esses fatores da identidade sexual.
Tem-se vivenciado na realidade e na pesquisa, a idéia de que a sexualidade da mulher é relativamente fluida, termo ainda não consensual, mas que se utiliza para referir mudanças longitudinais na identidade sexual, nas atrações e nos comportamentos das mesmas, como afirma Lisa Diamond. Por conseguinte, podemos afirmar que as mulheres tem uma tendência para mudar suas atrações sexuais ao longo do tempo. È importante ressaltar que Lisa Diamond explora este conceito da fluidez na identidade sexual citando quatro estudos longitudinais sobre a orientação sexual, enquanto enfatiza a necessidade paralela de estudos prospectivos, pois os que estão disponíveis, por não serem feitas avaliações que permitam uma comparação de dados de evolução nas dimensões da orientação sexual, tem pouca evidência empírica.
A criação dos modelos de desenvolvimento do coming-out levou à idéia de uma sequência linear de estágios que presumem que uma vez desenvolvidos determinadas atitudes, assumindo-se para si e para os outros como homossexuais, não há mais alterações – o que não está em concordância com alguns estudos do desenvolvimento da orientação sexual da mulher, em que a primeira identidade sexual não é a última e definitiva. Podemos inserir então, os estudos de Diamond sobre a fluidez da sexualidade da mulher, sendo um campo ainda muito vasto para a investigação e questionamentos.
Dentro dos estudos com amostras de mulheres, a autora a afirma que embora as atrações sexuais pareçam bastante estáveis, as identidades e os comportamentos são bem mais fluidos e diversificados.
Outro aspecto importante que devemos abordar é que num processo de desenvolvimento multidimensional como é a orientação sexual, temos evidências de existirem diferenças de gênero em alguns estudos, mas não é consenso. Para exemplificar tais estudos, podemos citar Herdt e Boxer (2000), com uma amostra de 202 jovens (27% do sexo feminino). Os rapazes demonstraram um início mais precoce dos comportamentos homossexuais, cerca de dois anos mais cedo que as moças, apresentando portanto diferenças estatisticamente significativas. As mulheres têm uma maior probabilidade de ter experiências sexuais heterossexuais antes de ter experiências com o mesmo sexo. Estes autores concluíram sobre a existência de diferenças de gênero na sequência desenvolvimental, mas limitaram tal afirmação aos comportamentos sexuais heterossexual ou homossexual a ocorrer em primeiro lugar. Esse estudo é importante, pois aborda um assunto relacionado à sexualidade que gera discórdia entre alguns pesquisadores, favorecendo assim, mas um estudo para incrementar tais discussões. Além do mais, instigar à saber o porquê – se for comprovado essa teoria -do amadurecimento de comportamentos homossexual dos rapazes em comparação ao moças.
As relações das pessoas consigo e os seus amores são certamente determinadas por muitas dimensões, influenciadas pelo meio, mas predispostas biologicamente, assim, na sua subjetividade individual, não serão separadas de um contexto social de inserção. Portanto, a tolerância em relação à opção sexual dos outros deve ser uma característica marcante na sociedade como um todo, pois formas estereotipadas e preconceituosas só proporcionam o afastamento e a desunião das pessoas.

Referência: Almeida, J. e Cavalheira, A (2007). Flutuações e diferenças de gênero no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas. Análise Psicológica

Resenha: O saber e a prevenção no trabalho e na vida: Representações de profissionais de saúde que trabalham com HIV/Aids

Clara Vasconcelos

O presente artigo busca investigar e compreender as representações dos profissionais de saúde que trabalham com HIV/Aids sobre as suas práticas profissionais, sobre os riscos no trabalho e na vida pessoal.

Smith(1998) afirma que o conhecimento sobre a Aids leva atitudes favoráveis à adoção do sexo seguro, porém tais atitudes não são necessariamente expressas em comportamentos compatíveis. Tal afirmação corresponde a realidade não só do Brasil, como das mais diversas localidades do mundo.

O artigo então traz que os profissionais que trabalham com esta doença são muito mais capacitados e detêm muito mais conhecimentos acerca da mesma do que a população em geral. Retomando então a afirmação de Smith supracitada, os autores trazem a constatação de que os esforços no sentido de manter a população informada não tem gerado mudanças comportamentais significativas, incluindo-se inclusive os próprios profissionais que trabalham na área.

O artigo então traz o objetivo da pesquisa que foi o de conhecer as representações dos profissionais de saúde, que trabalham com o HIV/Aids ,sobre a sua prática profissional, investigando como e em que medida o saber sobre a Aids influenciam nas suas práticas sexuais.

Método: A pesquisa foi realizada nos Serviços Ambulatórios Especializados HIV/Aids (SAE), em três cidades do Mato Grosso do Sul. Este local atente apenas pacientes portadores da doença e pode ser considerado como uma referência no tratamento do HIV/Aids. A coleta de dados foi feita por meio de entrevistas individuais semi estruturadas que continham dois blocos: A história profissional em relação a Aids e as relações entra o saber e a prática na vida pessoal. Foram 12 sujeitos: 3 psicólogos e 3 assistentes sociais ( que não mantinham contato com os fluidos dos pacientes) e 3 médicos e 3 enfermeiros ( que mantinham contato com os fluidos dos pacientes) .

Foi feita uma leitura fluente de todas as entrevistas, o que permitiu o registro de anotações livres e depois foram construídos dois “corpus” comunicacionais ( um para os que mantinham contato com os fluidos e outros para os que tinham apenas contato verbal). Houve depois um agrupamento por sexo. Por fim reconstruiu-se o discurso dos sujeitos numa síntese do que significava para eles as questões levantadas nos objetivos da pesquisa.

A questão da inserção profissional demonstrou que o ingresso ao SAE ocorreu por meio de convite ou por oferta do cargo para profissionais que já desenvolviam trabalhos com DSTs. Vale destacar que não houve diferenças nas respostas dos dois blocos comunicacionais.

Para estes profissionais, trabalhar no SAE constitui-se como um desafio, devido a questão da incurabilidade da doença. Outro aspecto que surgiu foi a questão do trabalho em equipe, realizado neste ambiente, que despontou como uma das causas de satisfação dos profissionais entrevistados. A proposta diferenciada de atendimento também foi trazida, bem como a qualidade do serviço prestado.

Para estes profissionais trabalhar no SAE é aprender a lidar com a morte o tempo todo, bem como estabelecer limites no próprio vínculo, lidar com a perda da onipotência e ver aspectos negativos de uma forma diferente. Segundo eles, este tipo de serviço coloca a questão da imparcialidade em cheque. Há inúmeras citações referentes a paixão de trabalhar lá. “gratificante” e “lição de vida” são algumas das palavras chave. De acordo com os profissionais as coisas negativas tornam-se insignificantes diante de tudo que foi citado acima.

No outro pólo estudado, buscou-se compreender onde estes profissionais corriam mais riscos. Se era no contato com o vírus no desempenhar de sua profissão ou se era na vida pessoal. Os profissionais foram unânimes afirmando que na vida pessoal eles corriam mais riscos. De acordo com os entrevistados, os riscos no trabalho eram conhecidos e existiam diversas medidas preventivas, enquanto na vida pessoal tais comportamentos não faziam-se presentes.

Todos os profissionais, portanto, relataram não utilizar o preservativo com seus parceiros. Foram relatadas mudanças na representação dos infectados com o vírus, porém não foi relatada uma mudança no comportamento de risco dos profissionais. O que ocorreu após eles iniciarem o trabalho nesta área foi na verdade uma maior identificação com a história do paciente, tendo em vista inclusive a ausência de preservativos nas práticas sexuais.

Parker(1994) diz que não há surpresa nos pequenos impactos promovidos pelos esforços iniciais de educação sobre a Aids. Pois apesar de haver uma preocupação com a informação, pouco se apresenta no sentido de ter formas mais concretas de mudança comportamental. Tem-se acreditado que ao receberem informações objetivas os indivíduos vão responder através de escolhas racionais, reduzindo o comportamento de risco. Tal crença porém não corresponde a realidade até então averiguada.Madeira(1998) trouxe a importância de analisar este fenômeno de maneira menos linear, dando conta de mais dimensões e níveis que certamente estão envolvidos nesta equação.

No que tange aos profissionais da área, pareceu aos autores do texto que a regra era: o conhecimento é para o trabalho e não para a vida. O discurso em torno de explicações para este tipo de comportamento foi redundante e com explicações muito superficiais. Observou-se também um certo incomodo por parte dos entrevistados em responder estas perguntas. Muitos profissionais trazem o discurso de que antes de terem uma profissão são seres humanos, suscetíveis a erros, pressões e inseguranças. Alguns chegam, inclusive a dizer que na vida pessoal são exatamente como seus pacientes. Afirmam também que preferem não pensar sobre o assunto.

As questões culturais e históricas, referentes a confiança no parceiro são bastante presentes, bem como o medo de trazer para o relacionamento a discussão sobre desconfiança e infidelidade. Esta última questão ficou presente de forma acentuada nos discursos das mulheres. Mesmo as que consideram a possibilidade do parceiro ser infiel, preferem delegar a responsabilidade de utilizar preservativo com as amantes para este parceiro, ao invés de tomarem para si mesmas a responsabilidade de cuidar da própria saúde.

As mulheres trouxeram também que a ameaça da destruição do relacionamento parece muito mais eminente e real do que a ameaça da Aids. As verbalizações demonstram simbolicamente a existência de um poder dos homens de fazer escolhas pela sua parceira. Todos os profissionais perceberam a fragilidade do argumento, porém insistiram em afirmar que o componente cultural da fidelidade tem mais poder sobre suas ações do que o conhecimento dos riscos.

De acordo com Madeira(1998) esta lógica pode ser considerada como racional, por ser uma construção que articula no nível do sujeito o psíquico, o social e o histórico, no concreto das relações que articulam as diversas partes do todo. É porém uma lógica diferente das lógicas lineares construídas pelas campanhas.

Para concluir os autores apontam que de fato a prática profissional não interfere de forma positiva na utilização de preservativos na vida pessoal dos profissionais de saúde.

Referência: Andrade, S. e Tanaka, O. O saber e a prevenção no trabalho e na vida: representações de profissionais de saúde que trabalham com HIV/ Aids. Psicologia Ciência e Profissão, 2002, 22, 2, 60-69

Artigo publicado: Interracial Roommate Relationship

Título: Interracial Roommate Relationships: Negotiating Daily Interactions

Autores: Thomas E. Trail, J. Nicole Shelton, and Tessa V. West

Periódico: Personality and Social Psychology Bulletin 2009;35 671-684

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