Resenha: As novas formas de expressão do preconceito e do racismo

Gilcimar Santos Dantas

O objetivo do texto é analisar as novas formas de expressão do preconceito e do racismo que se manifestam nas sociedades formalmente democráticas e que começaram a surgir após as mudanças sociais decorrentes dos direitos civis e da declaração dos Direitos Humanos. Para isto, os autores analisam os racismos simbólico e moderno, da Austrália e dos Estados Unidos, o racismo ambivalente, dos Estados Unidos, o preconceito sutil, da Europa, e o racismo cordial, do Brasil.

Para os autores, dentre as várias formas possíveis de preconceito, existe uma que é peculiar e que se dirige a grupos com características físicas supostamente herdadas. Neste sentido, o racismo possuiria processos de hierarquização, exclusão e discriminação a partir de características físicas externas, mas se diferenciaria do preconceito porque além de possuir as características acima, este não existe apenas em um nível individual, mas também institucional e cultural. Ou seja, o racismo não seria apenas uma atitude, mas também englobaria processos de discriminação e de exclusão social. Neste caso, os autores trabalham as novas formas de racismo a seguir.

O racismo simbólico seria uma forma de resistência a mudanças no status quo das relações raciais, na qual as atitudes contra os negros seriam, muito mais, decorrentes de uma percepção de ameaça aos valores e à cultura do grupo dominante do que de uma noção de ameaça econômica. O racismo moderno se baseia nas crenças de que o racismo é uma coisa do passado, de que os negros estão subindo rapidamente em espaços aonde não são bem vindos e que os meios e as demandas dos negros são injustos e que as instituições estão lhe dando muito crédito. Segundo o racismo aversivo, pessoas brancas, ao entrarem em contato com pessoas negras, elas não as discriminariam, pelo contrário, elas as tratariam de modo igualitário, mas quando há um contexto no qual se justifica a discriminação, essas mesmas pessoas discriminariam indivíduos negros. O racismo ambivalente possui duas orientações que podem gerar conflito ou ambivalência por parte de quem faz o julgamento. Sendo assim, pessoas brancas podem sentir simpatia pelos negros ao aderirem a valores humanitários e de igualdade. Por outro lado, a adesão a valores individualistas levaria os brancos a verem os negros como desviantes destes mesmos valores. O racismo sutil seria uma forma mais velada de racismo que se caracteriza pelas crenças de defesa dos valores tradicionais, pelo exagero das diferenças culturais e pela negação de emoções positivas aos membros do exogrupo. O racismo cordial, típico do Brasil, decorre do mito da democracia racial e da ideologia do branqueamento. Seria um racismo sem intenção e, às vezes, de brincadeira, mas que exerce influência negativa na vida das pessoas negras.

Sobre a discussão a respeito das formas abertas de racismo, o Brasil parece estar em uma condição diferente. Os estudos sobre formas mais sutis e ambíguas de racismo nos Estados Unidos e na Europa mostram que esta forma de preconceito começa a surgir no início da segunda metade do século XX. Entretanto, no Brasil, as formas sutis de racismo já começam a entrar em prática no fim do século XIX quando se tenta trabalhar em uma forma de lidar com um país recém-saído da escravização (Azevedo, 1988). Ideias de que o Brasil é um país igualitário aonde pessoas de todas as raças convivem de modo harmônico, que os maiores problemas do país são de ordem econômica e que aqueles que tentam discutir as diferenças com base na questão racial são causadores de problema é algo antigo e não só defendido pelos mais conservadores. O que parece (principalmente após o surgimento das políticas de Ações Afirmativas) é que muitos brasileiros tem caminhado na direção contrária em relação à questão racial, contradizendo uma perspectiva que foi mantida com muito orgulho durante muito tempo. Pode-se ter como exemplo as reações contrárias à política de cotas com protestos nas ruas, artigos nos jornais, produções de livros e falas públicas de pessoas famosas. O racismo velado já existia há muito tempo no Brasil, disfarçado pela cordialidade. A suposição é que, de certa maneira, ele tem mostrado seu lado mais explícito à medida que grupos não dominantes têm trabalhado para mudar essa realidade.

Referências: Lima, M. E. O. e Vala, J. (2004). As novas formas de expressão do preconceito e do racismo. Estudos de psicologia, 3, 401-411.
Azevedo, C., M., M. (1989). Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites do século XIX. Anamblume. São Paulo.

Resenha: Aparência física e amizade íntima na adolescência – Estudo no contexto pré-universitário

Aline Almeida


O presente artigo tem como autor Raul A. Cordeiro e foi publicado no ano de 2006, através do Instituto Politécnico de Portalegre em Portugal. O autor inicia o artigo, trazendo alguns conceitos importantes como o de intimidade, e como esta, está relacionada com a amizade no período da adolescência. Neste sentido, Cordeiro destaca oito dimensões nas quais estes conceitos podem ser estruturados. São elas: Sinceridade e Espontaneidade; Sensibilidade e Conhecimento; Vinculação; Exclusividade; Dádiva e Partilha; Imposição; Actividades Comuns; Confiança e Lealdade.
O autor justifica o fato de relacionar a amizade com a aparência física, pelo fato de que é no período da adolescência em que há grandes mudanças corporais, afirmação do auto-conceito e estabelecimento de pares. Desta forma, neste período qualquer vinculação que o indivíduo passa, perpassa a avaliação corpórea se sí e do outro. Ele destaca ainda o status cultural concedido ao corpo, como instrumento de poder, e do quanto este conceito é construído durante toda a adolescência.
Um fato que pode-se acrescentar á discussão é o de a cultura brasileira, especificamente a baiana, cada vez mais incita a criança e o adolescente a desenvolver de forma cada vez mais precoce a sexualidade. É visto de forma cada vez mais maciça, um excesso de estímulo por meio de músicas, vestuário e da mídia, o que torna o culto á aparência física e a necessidade de intimidade sexual cada vez mais precoce. Com isso, deve-se observar as diferenças de cultura entre Portugal, local onde o estudo foi realizado, e o Brasil. Pode-se inferir, que possivelmente, os dados caso o estudo fosse realizado aqui no país, seriam diferentes.
O estudo tem como objetivo geral, analisar a relação entre a percepção sobre a aparência física e as relações de amizade íntima na adolescência. Para tanto, antes que os dados fossem recolhidos, algumas hipóteses foram formuladas. A principal delas diz respeito á suposição de que a percepção que os adolescentes têm da sua aparência física, influencia a forma como estabelecem relações íntimas de amizade. Esta formulação se deve, segundo o autor, a estudos realizados anteriormente que relatam a percepção sobre a aparência física é de suma importância para a construção da identidade do indivíduo e por consequência, papel fundamental para o estabelecimento de relações amizade íntima.
O estudo foi realizado com 318 adolescentes que estudavam em duas escolas secundárias, sendo estes divididos entre o sexo feminino e masculino. Para tanto foram aplicadas três escalas, são elas: Escala de Amizade Íntima, Escala de Percepção de Auto-Conceito e Notação Social da família, entre outras variáveis que o autor não descreve.
Entre os principais resultados obtidos, pode-se destacar que os dados que referem-se á amizade íntima são mais altos no sexo feminino do que no sexo oposto. Uma hipótese colocada frente a esse dado, é o de que como as meninas tem uma definição mais precoce acerca do sua identidade, o que facilita o seu posicionamento e entendimento do seu papel nas relações sociais, especificamente de amizade.
Outro resultado interessante é o de que no sexo masculino as respostas que predominaram quanto á amizade íntima foi o de Actividades comuns, enquanto no sexo feminino, as meninas valorizam mais outras características da amizade íntima. Um dado que pode ser relacionado com este resultado, é o de que os meninos alcançam de forma tardia a maturidade exigida para a manutenção de amizade íntima, o que confere a este indivíduo, recorrentes aproximações a seus pares através de atividades e gostos em comum.

Resenha: crenças essencialistas sobre policiais e delinquentes

Saulo Santos Menezes de Menezes

O estudo de Pereira e cols. buscou avaliar o impacto do país de origem e da direção do transplante de cérebro no julgamento da conduta social de policiais e criminosos, e analisar, segundo o modelo das explicações folk das condutas sociais, as justificativas apresentadas pelos participantes para as suas respostas.
As hipóteses a serem testadas foram a da existência de alguma diferença no grau de essencialização entre os participantes espanhóis e brasileiros, diferenças de julgamento nas circunstâncias em que o cérebro é transplantado de um policial para um delinquente (condição hegemônica) ou na direção inversa (condição não-hegemônica), e a manifestação de diferenças em relação ao modelo explicativo adotado para a elaboração das justificativas para as respostas.
Para tanto, a pesquisa coletou dados em instituições de ensino superior localizadas no Brasil e Espanha. Foram feitos enunciados de histórias na quais se apresentava a versão onde o cérebro de um delinquente é transplantado para um policial. Cada participante avaliou a história relativa exclusivamente a uma das duas versões da categoria entitativa policial-criminoso, ou seja, do transplante do cérebro de policial para criminoso ou do criminoso para policial.
Os resultados mostraram que, para os participantes espanhóis, o cérebro de um policial pode modificar o padrão de conduta de um delinquente, mas o inverso não é verdadeiro. Por outro lado, o padrão de resposta dos participantes brasileiros não indicou qualquer diferença entre os valores esperados e obtidos nas respostas relacionadas com a direção do transplante do cérebro. Os participantes, desta forma, concordaram com o ponto de vista de que apenas uma alteração na natureza biológica do indivíduo pode gerar mudanças comportamentais.
Percebeu-se, no geral, que as fontes de explicação contemplam as causas internas, a história causal, as pressões situacionais e as razões, demonstrando a importância dos papéis, do status, do ambiente social e da dinâmica individual e coletiva no processo de essencialização da categoria entitativa policial/criminoso. Houve também uma indicação de que, enquanto alguns participantes concordaram com o ponto de vista de que apenas uma alteração na natureza biológica do indivíduo pode gerar mudanças comportamentais, outros foram absolutamente explícitos ao se referirem a teorias claramente essencializadoras. Neste ponto, os hábitos, costumes, rotinas, tradições culturais mostraram-se elementos importantes.
Portanto, a presença de uma teoria implícita tornou possível a expressão do raciocínio categórico essencialista nas circunstâncias em que o agente acolhe uma teoria que lhe permita justificar a estabilidade ou a mudança do comportamento. Os dados também sugeriram que estas teorias implícitas podem ser diferenciadas e que as explicações que se centram nas pressões situacionais explicam de forma predominante, mas não exclusivamente, a estabilidade da conduta. Assim, as pressões situacionais podem ser fundamentais para explicar a ausência de mudanças nas condutas que se seguem ao presumido transplante.

Referência: Pereira, M. E.; Estramiana, J. L. A.; Vasconcelos, C.; Alves, M. V. Crenças Essencialistas Sobre Policiais e Delinquentes. Psicologia: Teoria e Pesquisa Out-Dez 2010, Vol. 26, n. 4, pp. 707-715.

Cheirar Cola: Aspectos sociais e fisiológicos do uso crônico de solventes

Aline Almeida

O presente artigo tem como autores Mariana Martins Ferraz e Alfred Sholl-Franco, que possuem titulação de graduanda do curso de Medicina na UFRJ e Doutor em Ciências pela UFRJ, respectivamente. Ambos participam do programa de Neurobilogia da Universidade citada.
Os autores iniciam o texto colocando em pauta a questão do quanto o uso de drogas por adolescentes é um problemas que preocupa diversos setores da sociedade. Neste ponto, vale a pena ressaltar, o grande contingente de estudos científicos publicados acerca do assunto. Este tema é pesquisado por diversas áreas das ciências, e cada um fornece uma visão, de acordo com o seu objeto de estudo, sobre o fenômeno em questão. Ferraz e Franco também destacam a importância do debate sobre o assunto no meio científico para que novas propostas de intervenção possam ser criadas.
Discorrendo um pouco sobre o conteúdo do artigo, pode-se destacar a ênfase na condição fisiológica do sujeito ao utilizar algumas drogas, especificamente, solventes orgânicos. Por solventes orgânicos, entende-se como colas, tintas, thinners, aerossol, removedores e cosméticos. Segundo os autores, a maioria dos adolescentes que utilizam estas substâncias encontra-se em situação de rua. O uso acentuado dessa substância pode se dar ao fato de basto custo e facilidade no acesso, somado ao fato de causar sensações de euforia.
Quanto à parte fisiológica, os solventes orgânicos, extremamente neurotóxicos, além de deteriorarem a bainha de mielina causando a diminuição da velocidade do impulso nervoso, também dissolvem a membrana celular dos neurônios desregulando, assim, a concentração de íons intracelulares e dificultando a sinapses neuronais. Adicionado a isto, a maior parte destas drogas contém tolueno como principal componente, substância que, de forma aguda, pode comprometer o nervo vago com risco de depressão respiratória e arritmias. De forma crônica, o tolueno pode causar alterações cerebelares com distúrbios de movimento e instabilidade postural devido à importância dos neurônios cerebelares nos movimentos finos e manutenção da postura. O uso crônico de tolueno também pode causar déficit cognitivo, que seria o achado mais precoce da neurotoxicidade desta substância. Clinicamente, os pacientes podem apresentar apatia, demência subcortical, dificuldades de concentração, etc. Além do tolueno, outro componente dos solventes orgânicos é o n-hexano, que se acredita ser responsável por causar neuropatia periférica, gerando outros distúrbios de condução.
Para finalizar o artigo, os autores expressam o desejo de que outros estudos somados á esse, possam colaborar para a reabilitação de jovens usuários e aqueles que fazem parte de grupos de risco para que se atentem quanto aos prejuízos do uso dessas substâncias. Desta forma, o artigo, abre margem para outros estudos que enfoquem mais na área social e psicológica deste tema.

Referência:
 Ferraz,M.M, Franco,A.S. “Cheirar cola”: Aspectos sociais e fisiológicos do uso de solventes. Revista Ciências e Cognição, 2007; vol. 11. Pg. 204-207.

Resenha: As novas formas de expressão do preconceito e do racismo

Jerry Kambale Musema

Neste artigo o autor propõe uma reflexão quanto às novas formas de expressão do preconceito e do racismo, constatando suas diferenciações, denominando-as como ‘novas expressões’ de preconceito e racismo, pontuando conceitualmente o racismo moderno e simbólico da Austrália e dos EUA, os racismos aversivos e ambivalentes no EUA, juntamente com o preconceito sutil da Europa e o racismo cordial do Brasil, esclarecendo o diferencial entre preconceito e racismo.
O preconceito contemporâneo é visto como uma atitude invasiva étnica que pode ser dirigida a um grupo como um todo ou a um indivíduo, por fazer parte de um determinado grupo com suas peculiaridades tanto físicas quantas fenotípicas. O racismo por outro lado é fruto de uma discriminação étnica representada pela cor da pele ou uma marca física rotulado como diferente, sendo ampliado para a exclusão hierárquica social, ficando explicito que o racismo é uma distinção biológica entre grupos e o preconceito é a atitude excludente que pode sofrer o individuo tanto institucionalmente quanto culturalmente. O preconceito é a forma verbal do racismo, isto é, o preconceito se resume como uma atitude sendo uma consequência restringindo-se em ato/ação, enquanto o racismo constitui em discriminação étnica racial juntamente a exclusão social.
As novas formas de expressão do preconceito e do racismo são mostradas através de dados quanto às mudanças históricas relacionados aos estereótipos, após a 2ª guerra mundial é perceptível um preconceito, mas leve e um racismo acobertado devido aos movimentos pelos direitos civis nos EUA, Declaração dos Direitos Humanos entre outras atitudes raciais, evidenciando transformações quanto a uma nova demonstração de racismo e preconceito referente ao comportamento discriminatório habitual das pessoas e nas suas relações interpessoais. Revelando que estamos muito longe da igualdade racial e social.
O conceito de racismo simbólico se baseia em um sentimento de intimidação, contra os negros, quanto os mesmos representarem uma ameaça aos valores éticos, sociais, culturais e econômicos, contestando os valores do grupo dominante, atingindo desta forma o status quo. O conceito de racismo moderno é apresentado como uma forma oculta de racismo, não transparecendo socialmente, sendo encoberto por expressões antirracistas. Sendo assim, é perceptível que os dois conceitos de racismo têm a mesma base, quanto à ameaça do negro aos valores ditos como importantes pelos brancos, visto que a sua afirmação é crescente, mediante preconceitos e discriminação.
O conceito de racismo aversivo constitui em mostrar a ambiguidade dos valores éticos, democráticos e antirracistas dos brancos americanos, quando os mesmos que defendem a igualdade democrática são defrontados com situações inter-racial em que os brancos tem que justiçar a discriminação, esses discriminam os negros. Os racistas não incluem os negros como seres cidadãos, portanto não estão no rol daqueles que tem direito a democracia. Em uma análise psicanalista e etiológica é notório que o racista dominante se esconde por trás de um discurso vazio não racista que contribui para o desenvolvimento de estereótipos e preconceitos.
O conceito de racismo ambivalente ressalta os pressupostos do racismo aversivo, pois ambos procuram mostrar a sociedade uma imagem democrática não preconceituosa, entretanto na visão psicanalítica existe dois tipos de atitudes o pró e anti negros. As atitudes anti negros tem uma percepção e sentimentos negativos aos negros, quanto a sua cultura, demonstrando aversão a qualquer tipo de afeto ou sentimento. Enquanto as atitudes pró-negros produzem um afeto exacerbado como demonstração de não discriminação aos negros, na tentativa de encobertar seus verdadeiros sentimentos.
O preconceito sutil é estudado na Europa, proveniente do preconceito direcionado a uma pequena cultura de antigas ex-colônias, surgindo assim uma nova expressão de preconceito, esse não somente atingi aos negros como também grupos exógenos ou externos, esse preconceito se fundamenta em três dimensões, a primeira está relacionado a valores tradicionais e crenças, a segunda enfatiza o exagero das diferenças e dos seus estereótipos e por último a negação e a rejeição do exogrupo. Diferentemente do preconceito flagrante, que se subdivide em duas dimensões que se baseiam em rejeições, a primeira diz respeito a um conceito de que o exogrupo apresenta uma ameaça a economia e o ultimo diz respeito a rejeição intima, em que eles não se relacionam emocionalmente, nem sexualmente com os integrantes do exogrupo.Sendo assim pode-se verificar que o preconceito flagrantes é mais direto e quente, ao passo que o preconceito sutil não se manifesta abertamente, sendo mais frio e indireto.
O racismo cordial tipicamente brasileiro, onde a maioria da população é birracial e se julgam não racistas, porém traz um preconceito “não intencional”, revestido de brincadeiras e zombarias, fortalecendo o mito racial e a teoria do embranquecimento, popularizando desta maneira o racismo de forma interpessoal contribuindo para a propagação e ridicularizando os estereótipos dos negros.
O autor traz contribuições teóricas, empíricas e conceituais, quanto a reflexões de novas formas de expressões de preconceito e racismo, afirmando que essas novas expressões devem ser estudadas e analisadas, pois elas aos serem expressas ou mesmo ocultas são formas de conscientizar-se para combatê-las.

Refêrencia: Estudos de Psicologia 2004, 9(3), 401 http://www.scielo.br/pdf/epsic/v9n3/a02v09n3.pdf

Resenha: Os estereótipos e o viés linguístico intergrupal

Saulo Santos Menezes de Almeida

Neste trabalho, Pereira e cols. procuram determinar como participantes adultos e crianças, de etnia branca e negra, utilizam as categorias linguísticas para codificar cenas apresentadas de forma visual em que aparecem personagens do ingroup e do outgroup. As cenas apresentadas são socialmente consideradas socialmente positivas e negativas.
De natureza experimental, quatro estudos verificaram as ações negativas dos membros do ingroup e as positivas dos membros do outgroup, e as positivas dos membros do ingroup e as negativas dos membros do outgroup. Vale ressaltar que as hipóteses foram testadas levando em consideração a perspectiva motivacional do modelo das categorias linguísticas intergrupais onde se tende a eliciar respostas abstratas e o modelo cognitivo onde as respostas que fogem às expectativas tendem a ser interpretadas de forma mais concreta.
Para todos estes estudos é então levado em consideração o modelo de categorias linguísticas intergrupais e o viés linguístico intergrupal. Semin e Fiedler (1988), através de seus estudos, diferenciam quatro categorias linguísticas predominantemente utilizadas na descrição de pessoas e eventos: 1) os verbos que descrevem ações, comportamentos específicos e observáveis com começo e fim delimitados; 2) os verbos que interpretam ação, onde se encontra subjacente uma interpretação; 3) os verbos que fazem referências a estados duradouros; e 4) os adjetivos, que se referem às características disposicionais do indivíduo.
O viés linguístico intergrupal sugere que há uma tendência na avaliação do comportamento dos outros de uma forma diferenciada, sendo que se a ação for uma ação positiva dos membros do próprio grupo, a causa do comportamento é atribuída a fatores de natureza pessoal ou interna, enquanto o mesmo tipo de ação, executada por membros do outgroup, tende a ser interpretada como produzida por fatores de natureza externa ou situacional. Sendo que, no caso dos comportamentos negativos observa-se o oposto. Portanto, o viés linguístico intergrupal pode ser interpretado como um indicador implícito de preconceito.
O primeiro experimento procurou responder em que medida indivíduos avaliam personagens que pertencem ao próprio grupo e a um grupo externo de uma forma diferenciada, e se as categorias linguísticas usadas são as mesmas. Para tanto, utilizou-se de uma amostra de 87 participantes adultos selecionados por critério de conveniência em locais públicos da cidade de Salvador. Os dados foram obtidos através de uma escala em que se apresentou uma série de alternativas e o participante indicou a que melhor retratava a natureza da cena visualmente apresentada.
O experimento utilizou um caderno de apresentação em que estavam desenhadas seis cenas, três socialmente positivas e três negativas. Foram elaborados dois conjuntos de cenas, em que todos os personagens centrais eram crianças, sendo que cada conjunto retratava os personagens centrais como de etnia branca ou negra. Os resultados deste experimento mostraram que não foi encontrada qualquer diferença no plano estatístico, nem na avaliação da etnia do personagem retratado nem na análise de cada uma das cenas em separado.
Tentando responder as mesmas questões do primeiro experimento, o segundo experimento utilizou uma amostra de 88 participantes, e ao invés de indicar a opção que melhor retrataria a natureza da cena, estes foram convidados a elaborar uma frase a respeito da cena e do seu protagonista. Os resultados indicaram que, ao contrário do esperado, participantes negros e brancos codificaram uma cena negativa em que um membro do outgroup é retratado negativamente de uma forma mais abstrata do que concreta que a avaliação dos membros do ingroup. No entanto, os participantes avaliaram mais positivamente às ações encetadas pelos membros do próprio grupo.
Quanto ao terceiro experimento, assim como o quarto, ao contrário dos anteriores, investigaram-se os padrões de codificação linguística em uma amostra de 40 crianças frequentadoras de uma escola particular da cidade do Salvador, e adotou um procedimento computadorizado para apresentação das cenas e coleta dos dados. Os resultados apontaram que os participantes brancos, de uma forma compatível com as hipóteses do viés linguístico intergrupal, codificaram as cenas positivas em que são representados membros do ingroup de uma forma mais abstrata que as cenas em que são representados membros do outgroup.
Os resultados apresentados pelos participantes negros, no entanto, apontam numa direção contrária, já que as ações positivas encetadas pelos membros do outgroup foram avaliadas de uma forma mais abstrata que as realizadas pelos membros do ingroup. No caso das cenas negativas, os resultados não estão de acordo com o esperado na literatura. No caso da influência conjunta da etnia do participante e do personagem, não foram encontradas diferenças significativas na codificação de nenhuma das seis cenas, assim como no caso da influência isolada da etnia do participante. No caso da influência da etnia do personagem, foram encontradas diferenças significativas marginais em três cenas.
No quarto experimento utilizaram-se relatos livres apresentados por cada um dos participantes. A amostra foi constituída por 21 participantes selecionados. Pode-se observar que participantes brancos e negros avaliaram de forma mais abstrata os comportamentos positivos apresentados pelos membros do seu próprio grupo étnico. E os resultados indicaram que a etnia do participante e a do personagem interagira apenas na cena em que o personagem ajuda uma senhora idosa a atravessar a rua.
Assim, os estudos apontaram que, de uma forma geral, não se encontrou qualquer evidência sistemática de que os participantes codificaram de forma mais abstrata as cenas positivas em que eram representados membros do ingroup e a as cenas negativas em que eram representados membros do outgroup.

Referência: Pereira, M. E.; Fagundes, A. L. M.; Silva, J. F.; Takei, R. Os estereótipos e o viés linguístico intergrupal. Interação em Psicologia, 2003, 7(1), p. 125-137.

Resenha: Estilo de vida como indicador de saúde na velhice

Rose Luz Silva Perez


Após a revisão de pesquisa bibliográfica sobre o tema do envelhecimento, a autora discute sobre a importância do estilo de vida como fator determinante para a qualidade de vida na velhice. Tendo em vista o incremento acentuado do número de idosos na população adulta mundial, o tema torna-se relevante quando se discute sobre saúde coletiva e envelhecimento saudável.
Na sociedade contemporânea, a longevidade tem sido cada vez mais buscada como meta não apenas pela medicina, mas também pelos cidadãos. Porém, em contrapartida, na visão da autora, em função das imagens estereotipadas e/ou preconceituosas sobre os indivíduos idosos, não vem sendo realizado investimento compatível para o reengajamento funcional ou ocupacional destes após a aposentadoria, o que tende a trazer prejuízos para a saúde. Os insuficientes e inexpressivos estímulos socioculturais atrelados à dificuldade natural dos idosos de se adaptarem aos padrões vigentes da sociedade podem, sorrateiramente, fragilizar o sentido de pertencimento social e o de ser desejante.
O empobrecimento da qualidade de vida na velhice não encontra respaldo científico, sobretudo no primeiro terço da velhice. Por questões diversificadas, inúmeros idosos perdem o seu prazer de viver. O surgimento da geriatria como especialização dentro da área da medicina na década de 30 e o da gerontologia na década de 50, demonstram o status e a importância que vem sendo dada ao tema, já que envelhecer com saúde tornou-se um desafio primordial conforme preconiza a Organização Mundial de Saúde. A ciência vem acumulando uma diversidade considerável de saberes sobre o processo de envelhecimento, porém, as diferenças individuais, as quais são dependentes de eventos de origem psicológica, sócio-histórica e genético-biológica, revelam em si a dificuldade para homogeneizar um fenômeno por natureza complexo e heterogêneo.
A autora destaca o conceito de “Envelhecimento Ativo” definido como o processo de otimização de oportunidades para a saúde, sendo o bem-estar psicossocial uma de suas principais vertentes para a qualidade de vida. Neste sentido, deve ser estimulada a ampla participação do idoso nas esferas de construção de políticas públicas, na vida social e comunitária.

São destacadas algumas pesquisas que demonstram que o declínio das habilidades físicas e mentais não resulta somente do avanço da idade, mas também dos fatores socioculturais que contextualizam o idoso. Acerca dos fatores precipitantes de incapacidade funcional, é destacada a área cognitiva. A necessidade de estímulo para o constante uso desta área é descrito como fator preponderante para o quadro de saúde do idoso e manutenção da capacidade funcional do mesmo. Esta última tem como principais características a autonomia e a independência, considerados como fatores diferenciadores entre a senescência e a senilidade. Assim, é defendido que o estilo de vida seja considerado como indicador de saúde na velhice como forma de receber mais atenção e cuidado ao se pensar em prevenção ou promoção da saúde na senescência.

Referência: Figuereido, V. L. M. Estilo de vida como indicador de saúde na velhice. Ciência & Cognição, 04, 12, 156-164, 2007. 

Resenha: Representação social de crianças acerca do velho e do envelhecimento

Priscila Bahia

Nos tempos atuais, envelhecer não é mais privilégio de poucos países, consiste numa realidade populacional; estima-se inclusive que no Brasil, em 2020, o contingente será superior a 30 milhões de pessoas. E acompanhando a mudança no perfil populacional há alterações (ou não) nas imagens e representações desta faixa etária na sociedade. Percebe-se, na sociedade contemporânea, a coexistência de diversas imagens de velhos, estes como ativos e com capacidade para viver a sua vida plenamente; mas também como improdutivos, doentes, solitários e assexuados por exemplo.
As autoras, Ewellyne Suely de Lima Lopes e Margareth Brandini Park, objetivaram com o presente estudo investigar a representação social de um grupo de crianças, no total de 31, acerca do velho e do envelhecimento. Para tanto, utilizaram como metodologia desenho, entrevista semi-estruturada e brincadeira tematizada. A compreensão de como o velho e o envelhecimento são apreendidos e representados possibilita o entendimento de comportamentos e sentimentos para com esta faixa etária.
Os resultados mostraram que as crianças deram ênfase às características físicas (cabelos brancos, rugas, ausência de dentes, voz enfraquecida) como uma forma de reconhecer os velhos; as diferenças entre as imagens corpóreas possibilitam o reconhecimento da faixa etária de cada membro. Contudo houve relatos de relatividade destas características físicas, como uma pessoa ser velha e ter cabelos negros, sendo necessário recorrer a outro aspecto. As crianças também apresentaram a representação de velho associada à representação de avós, além de doenças, fragilidade, limitações/dependências físicas e morte. Porém as crianças também trouxeram imagens desta faixa etária como incluídos ativamente nas atividades e integrados à sociedade. Já quanto ao envelhecimento as crianças o definiram como um ciclo ao qual estão todos sujeitos, inclusive eles.
A coexistência de distintas imagens sobre esta faixa etária, ora discurso de dependência física, ora discurso de sujeitos inclusos na sociedade, também se fez presente no estudo. Isto demonstra a diversidade de informações e relações estabelecidas com este grupo específico, conteúdos que servem como base para a construção das representações sociais. Entretanto fica a pergunta: diante de tamanha heterogeneidade, quais imagens sobressaem-se sobre as outras? Pois lembremos que, ao pensar em um grupo, possivelmente os aspectos negativos chegam primeiro.

Referência: Lopes, E. S. L.; Park, M. B. (2007). Representação social de crianças acerca do velho e do envelhecimento. Estudos de Psicologia, 12(2), 141-148.
Disponível em: <http:www.scielo.br/pdf/epsici/v12n2/a06v12n2.pdf>

Resenha: Normas sociais e preconceito: o impacto da igualdade e da competição no preconceito automático contra os negros

Gilcimar Santos Dantas

O trabalho tem como objetivo investigar o quanto os valores relacionados à competição e à igualdade contribuem na expressão do preconceito automático contra negros. O estudo parte de uma perspectiva conhecida como processos duais ou automatismo e controle, que afirma que existem dois tipos de cognição. Uma que se manifesta de modo controlado, através de uma estrutura evolutivamente mais recente, que ocorre de modo mais lento, que requer esforço e que se caracteriza por ser mais analítica. Já a segunda ocorre de modo automático, decorrente de uma estrutura evolutivamente mais primitiva, que ocorre sem esforço, de maneira rápida e inconsciente, disparada a partir de características superficiais do alvo e que possui maiores relações com o preconceito. Este último tipo de cognição, quando ocorre, se torna difícil de controlar podendo influenciar as atitudes e os comportamentos subsequentes. Boa parte dos estudos sobre este tema costuma estudar os fenômenos intrapsíquicos subjacentes à expressão do preconceito automático. Entretanto, o presente estudo busca investigar o papel das normas sociais na expressão do preconceito automático contra negros. Para isso, foi utilizado o Teste de Atitudes Implícitas (IAT), que apresenta, em milésimos de segundo, faces de pessoas negras e palavras tanto de conteúdo negativo quanto positivo, assim como faces de pessoas brancas e palavras tanto de conteúdo negativo quanto positivo. O participante precisa fazer o mais rápido possível a associação destas faces com essas palavras e quanto mais alta for a associação entre faces negras e conteúdos negativos e faces brancas e conteúdos positivos, maior a expressão do preconceito automático. Para verificar o impacto dos valores relacionados á competição e à igualdade, os autores realizaram três estudos.

No primeiro estudo, 35 participantes foram alocados em três condições experimentais, sendo que na primeira os participantes eram requeridos a pensarem em argumentos sobre a igualdade formal e escreverem sobre eles. No segundo, os participantes eram solicitados a pensarem e escreverem argumentos sobre meritocracia competitiva e no terceiro (o grupo controle) era requerido que os participantes pensassem e escrevessem sobre vida extraterrestre. Após este momento os participantes respondiam ao IAT e o objetivo dos pesquisadores era saber se a expressão do preconceito implícito sofria influência dos contextos aos quais os grupos foram alocados. Os resultados demonstraram uma maior expressão do preconceito contra negros entre os participantes alocados no contexto de meritocracia competitiva, uma menor expressão (mas inda existente) do preconceito contra negros entre os participantes alocados no contexto igualitário e uma expressão ainda menor (mas ainda presente) do preconceito contra negros entre os participantes alocados no grupo controle.

No segundo estudo, o objetivo foi saber os sentidos da igualdade por parte dos participantes. Para isto um novo grupo de 35 participantes foi convidado a responder à pergunta: “Para você, o que é igualdade”? O primeiro sentido foi formado por respostas em termos de “igualdade de direitos e deveres” enquanto que os demais tipos de expressão de igualdade foram “solidariedade”, “não preconceito”, “igualdade como cidadania” e “igualdade como respeito às diferenças”. Estes resultados levaram à conclusão de que existem diferentes formas de perceber a igualdade, o que levou ao terceiro estudo que tinha como objetivo saber se argumentos da percepção de igualdade, decorrentes das respostas do segundo estudo, anulariam a expressão do preconceito contra negros no IAT.

No terceiro estudo, foram criados mais três grupos, que totalizaram um número de 35 participantes. O primeiro grupo foi solicitado a pensar e escrever argumentos referentes à competição individualista (como no primeiro estudo), o segundo foi solicitado, também, a pensar e a escrever argumentos referentes à igualdade solidária (decorrente dos argumentos dos participantes do segundo estudo), enquanto que foi requerido ao terceiro grupo a pensar e a escrever argumentos a respeito da igualdade formal (a mesma do primeiro estudo). Assim como no primeiro estudo, os participantes foram submetidos ao IAT e o objetivo dos pesquisadores foi o mesmo do primeiro estudo. Os resultados deste terceiro estudo mostraram que o contexto da meritocracia competitiva produziu grande ativação de preconceito automático contra negros, enquanto que no contexto de igualdade formal (apesar de ainda existir), o preconceito automático contra negros foi menor e no contexto de igualdade solidária este preconceito não se manifestou.

Os resultados destes estudos sugerem que apesar de muitos indivíduos se mostrarem favoráveis a atitudes não preconceituosas, tais atitudes podem não ser tão significativas assim, a ponto de impedirem a manifestação do preconceito implícito. A realização de estudos nesta abordagem parece ser muito importante no contexto brasileiro que, ao contrário de alguns países, possui um longo histórico de expressão de preconceito implícito contra indivíduos negros. Um outro ponto importante, apresentado nestes estudos é que a expressão do preconceito contra negros foi intensificada no contexto da meritocracia competitiva, assim como foi amenizada no contexto de igualdade formal e anulada no contexto da igualdade solidária sem que os participantes tivessem consciência. Estes dados trazem à discussão o paradigma do agente racional que afirma que a tomada de consciência é suficiente para uma revisão e, por sua vez, uma mudança das atitudes preconceituosas. Isto sugere o quanto pode ser difícil controlar preconceitos automatizados e que para muda-los não se depende apenas de uma tomada de consciência, mas também de determinadas estratégias de redução do preconceito.

Referência: Lima, M., E., O., Machado, C., Ávila, J., Lima, C. & Vala, J. (2005). Normas sociais e preconceito: o impacto da igualdade e da competição no preconceito automático contra os negros. Psicologia: Reflexão e Crítica, 19, 2, 309-319.

Resenha: Estilo de vida como indicador de saúde na velhice

Pérola Cavalcante Dourado

O artigo em questão retrata o quanto o estilo de vida influencia na saúde e qualidade de vida na velhice. Para além dos aspectos comumente enfocados como providenciais para uma velhice tranquila, como a manutenção de uma condição física favorável, e ações de previdência para uma vida financeira confortável, o texto enfoca o estilo de vida no tocante às ações mentais, estímulos à cognição, e ações como abrir-se a novos conhecimentos e práticas.
Embora hoje percebamos o advento de trabalhadores em idade de aposentar-se que optam por manter-se na ativa, percebe-se como tendência natural que a aposentadoria coincida cronologicamente com a entrada na velhice. Normalmente atribui-se ao aposentado e idoso características como obsolescência mental, desestímulo social e ausência de estímulos cognitivos, fatores que aliados a uma sensação de inabilidade social, por ter pertencido a gerações anteriores e por possivelmente não abrir-se a novos aprendizados, o que consequentemente trariam a situação de isolamento social.
O cenário atual nos impele cada vez mais a pensar em políticas de valorização da população de idosos, pois o aumento da expectativa de vida, aliada a baixas taxas de natalidade em muitos países, especialmente na Europa, fazem com que propiciar um envelhecimento com saúde tenha se tornado um dos desafios do século XXI. É importante ressaltar a importância do que representam as diferenças entre as áreas médicas destinadas tanto a pesquisar e curar; patologias atribuídas à senilidade, a Geriatria, e acompanhar e assistir o envelhecimento natural, proposta da Gerontologia de propiciar qualidade de vida nessa etapa da vida. É também importante ressaltar a importância de pesquisar o fenômeno do envelhecimento, e também as características individuais, resultantes de caracteres genéticos, socioculturais, históricos e psicológicos, o que traz uma miscelânea de padrões que não podem ser igualados.
Diferenciando a senescência, ato natural de envelhecer, de senilidade, que concerne às patologias que incapacitam ou cerceiam a autonomia do idoso, há de se atentar para que sejam propostos instrumentos que preservem tanto quanto possível a capacidade funcional do idoso, ou seja, sua autonomia e independência.
São dados como deteriorantes do estímulo à cognição o desuso, desestímulo de novos aprendizados, e o desengajamento social. É determinada a estrita relação entre a cognição e a qualidade de vida buscada, no sentido de que a primeira fará com que os idosos permaneçam abertos a mudanças e mentalmente ativos e produtivos, fazendo uso de suas habilidades pré-existentes, e até as que ainda não foram descobertas e utilizadas, a fim de manter um estilo de vida saudável.

Referência bibliográfica: Figuereido, V. L. M. Estilo de vida como indicador de saúde na velhice. Ciência & Cognição, 04, 12, 156-164, 2007