O uso de estereótipos na publicidade

Vídeo catalogado pelo site Lá fora, em que se apresenta uma campanha publicitária produzida no Chile, destinada a promover o uso de cinto de segurança.

Conceitos fundamentais: gerenciamento de impressões

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A literatura psicosocial aponta duas grandes estratégias usadas para gerenciar a impressão causada aos outros. Uma delas é procura se mostrar da melhor forma possível. Rowatt, Cunningham e Druen (1998) demonstraram que as pessoas que adotam uma estratégia de auto-valorização conseguem mais sucesso na marcação de encontros amorosos do que as pessoas que são mais honestas a respeito de si mesmas. Da mesma forma, um conferencista que é convidado para fazer a abertura de um evento costuma adotar trajes um pouco diferentes daqueles que costuma usar habitualmente. Além isso, ele faz o possível para se mostrar inteligente e informado e considera sempre o uso de recursos eletrônicos e informáticos de última geração para impressionar a platéia. Um bom conferencista sabe que a valorização do interlocutor é tão importante quanto a auto-valorização e ele não evitará ou perderá a oportunidade para fazer com que os outros se sintam bem na sua presença. Assim, ele procurará lisonjear a outra pessoa, seja usando a batida expressão ‘esta é uma excelente pergunta’ ao tentar esclarecer uma dúvida ou responder à pergunta de um interlocutor, seja aludindo à gentileza, à erudição ou à capacidade intelectual dos organizadores do evento e a sua seleta audiência. Concordar com a afirmação do interlocutor ou demonstrar interesse pelo assunto também ajuda muito. Um bom conferencista, no entanto, tem consciência que esta estratégia de valorizar a si mesmo e aos seus interlocutores deve ser gerenciada com muito cuidado, pois se exageradamente aplicada gera um efeito paradoxal e acaba fazendo um estrago considerável na sua própria imagem (Pennington, 2000).

Conceitos fundamentais: teorias implícitas
Teoria realista do conflito
Heurísticas e vieses
Heurística da acessibilidade
Heurística da representatividade
Heurística da ancoragem e ajustamento
Esquemas de grupo
Protótipos e exemplares
Correlação ilusória
Avaro cognitivo

Conceitos fundamentais: o ser humano taticamente motivado

Em contraposição à noção de que o ser humano é regido por mecanismos psicológicos preparados prioritariamente para tratar a informação com  menor dispêndio possível de recursos cognitivos, uma outra perspectiva, a do ser humano taticamente motivado enfatiza, em especial, as circunstâncias nas quais esta regra é quebrada e privilegia, como direção de análise, as situações nas quais as pessoas se dedicam a pensar de forma cuidadosa e aprofundada sobre cada uma das peças de informação disponíveis, procurando tratá-las de forma individualizada e não como membros de uma categoria mais geral. Isto não ocorre, evidentemente, em todas as circunstâncias, sendo característico das situações em que o agente cognitivo se encontra motivado ou envolvido afetivamente com alguma particularidade da situação.

Conceitos fundamentais: avaro cognitivo

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Uma metáfora, correspondente a uma determinada concepção a respeito de ser humano, a do avaro cognitivo, expressa inicialmente pelas psicólogas Suzan Fiske e Shelley Taylor (1984), depende da aceitação da premissa que os seres humanos procuram dotar de sentido o mundo e fundamenta uma certa maneira de interpretar a interação entre o ser humano e a realidade social.
A esta metáfora corresponde o entendimento de que o ser humano dispõe de uma maquinaria mental de processamento de informação que está sujeita a determinados limites, tanto na velocidade, quanto na quantidade de informações que é capaz de tratar simultaneamente. Uma análise mais cuidadosa do ambiente exige a avaliação paulatina de cada um dos eventos ocorrido no entorno e de cada uma das unidades de informação encontradas no ambiente social. Como este é essencialmente complexo e multifacetário, seria uma operação extremamente onerosa para o sistema cognitivo atender a cada um dos estímulos presentes no ambiente, donde a estratégia de selecionar uma pequena parcela destes estímulos que podem ser atendidos e desconsiderar a imensa maioria dos elementos presentes no ambiente. Além de desconsiderar uma parcela substancial da informação, o avaro cognitivo trataria de forma bastante superficial a informação a que se dedica, elaborando muito rapidamente inferências a respeito dos estímulos e reduzindo o constante fluxo da informação a unidades discretas, o que favorece a adoção do pensamento categórico e a utilização de atalhos mentais durante as operações de processamento da informação.

Fonte: Marcos E. Pereira. Introdução à Cognição Social. Manuscrito não publicado.
Conceitos fundamentais: teorias implícitas
Teoria realista do conflito
Heurísticas e vieses
Heurística da acessibilidade
Heurística da representatividade
Heurística da ancoragem e ajustamento
Esquemas de grupo
Gerenciamento de impressões
Protótipos e exemplares
Correlação ilusória

Conceitos fundamentais: atribuição da causalidade

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A teoria da atribuição da causalidade, cujos princípios foram postulados inicialmente por Fritz Heider (1970) nos anos 60, sugere que o ser humano envida todos os esforços necessários para explicar os acontecimentos aos quais presencia e para tal estabelece uma diferenciação entre as causas que podem ser atribuídas à pessoa, as chamadas causas disposicionais, como por exemplo, aos fatores de personalidade, a motivação para realizar alguma coisa, os esforço despendido em uma tarefa, e aquelas que podem ser imputadas à situação, como, por exemplo, o impacto de normas e das expectativas sociais.
A teoria da atribuição da causalidade sustenta-se no entendimento de que as pessoas usam os objetos e eventos presentes no seu universo psicológico para construírem modelos causais, indutivos ou dedutivos, nos quais são estabelecidos relacionamentos entre causas e efeitos.

Fontes:
Marcos E. Pereira. Introdução à Cognição social. Manuscrito não publicado.
Heider, Fritz (1970). Psicologia das relações interpessoais. São Paulo: Pioneira

Notícia do dia: e quando acordei estava em uma banheira de gelo, sem os rins….

Matéria publicada por Cíntia Acayaba e Matheus Pichonelli, da Agência Folha, discute, usando como referência a tese de doutorado defendida cor Carlos Renato Lopes, na USP, como a internet favorece a expansão das lendas e dos mitos urbanos. Clique aqui para ler a matéria.

Artigo publicado: The Negative Consequences of Threat

Título: The Negative Consequences of Threat: A Functional Magnetic Resonance Imaging Investigation of the Neural Mechanisms Underlying Women’s Underperformance in Math

Autores: Anne C. Krendl, Jennifer A. Richeson, William M. Kelley e Todd F. Heatherton

Periódico: Psychological Science, 19, 2, 168-175, 2008

Resumo: clique aqui para obter

Artigo publicado: The Best Men Are (Not Always) Already Taken

Título: The Best Men Are (Not Always) Already Taken: Female Preference for Single Versus Attached Males Depends on Conception Risk

Autores: Paola Bressan e Debora Stranieri

Periódico: Psychological Science, 19, 2, 145-151, 2008

Resumo: clique aqui para obter

Conceitos fundamentais: esquemas mentais

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Os esquemas se desenvolvem durante o processo de socialização a se constroem a partir da informação anteriormente disponível. O conhecimento prévio, assim como o contexto pode definir a forma de estruturação do conhecimento mais condizente com as circunstâncias particulares nas quais eles se manifestam, de forma que os esquemas estão sujeitos a algum tipo de diferenciação. A maneira pela qual alguém é definido e caracterizado como rico em uma pequena cidade no interior do Brasil e a definição de rico para um yuppie do Vale do Silício na Califórnia ou para as pessoas listadas na Fortune 500 certamente não é a mesma. De qualquer modo, seja qual for o esquema mental disponível, tanto a pessoa que vive no interior do Brasil, quando o morador do Vale do Silício sabe como se comportar, assim como imagina o que pode esperar das pessoas ricas que freqüentam o ambiente em que vive.
Outros autores, no entanto, expressam dúvidas sobre a viabilidade de considerar um esquema como um conteúdo aprendido através da experiência e tendem a considerar que os esquemas mentais podem ser categorizados como estruturas inatas. De acordo com este entendimento, por serem capazes de impor ordem ao desordenado mundo oferecido através das informações sensoriais, os esquemas se assemelhariam às categorias kantianas. Dado que eles independeriam da experiência, a validade do esquema deve ser considerada exclusivamente mediante o uso de operações lógicas, pois se os princípios matemáticos oferecem condições para organizar esquemas explicativos inteiramente lógicos, por que não interpretar as variadas formas com que se manifesta a experiência humana de acordo com estes mesmos princípios?
Fiske (1992), em um artigo publicado no Psychological Review, procura demonstrar, principalmente através de inferências indutivas, que as pessoas dispõe de alguns esquemas mentais elementares que são utilizados para construir e manter as suas inúmeras relações sociais. Estes esquemas seriam encontrados em todas as culturas, ostentando, portanto, o estatuto de universalidade e seriam suficientes para explicar todas as modalidades de relações sociais encontradas nas várias regiões do nosso planeta.

Fontes: Marcos E. Pereira. Introdução à Cognição Social. Manuscrito não publicado
Fiske, A. P. (1992). The four elementary forms of sociality: framework for a unified theory of social relations. Psychological Review, 99, 4, 689-723.

Estereótipos na música: os metaleiros também amam

Canção de Carlos Melo e Ayrton Mugnani Jr., os metaleiros também amam, do Língua de Trapo mostra que apesar dos estereótipos, os metaleiros também….

Fonte: Língua ao Vivo, 1995, Devil Discos