Notícia do dia: Presença de brancos nos estádios é encarada com surpresa pelos negros

Contribuição: Diogo Araújo

Os negros sul-africanos que estão indo aos estádios durante a Copa das Confederações estão se surpreendendo com a presença de torcedores brancos maior do que a habitual, já que na África do Sul, futebol é o esporte dos negros. Clique aqui para ler reportagem publicada no portal Globo Esporte.

Placas e cartazes: Smash colonialism racism sexism

Resenha: O saber e a prevenção no trabalho e na vida: representações de profissionais de saúde que trabalham com HIV/AIDS

Luzia Mascarenhas de Almeida

Desde o início da década de 1990 há uma preocupação no que tange o descompasso entre o avanço da epidemia da Aids e as perspectivas relativas à descoberta de uma vacina ou à cura da doença. No intuito de interromper a transmissão do HIV e, consequentemente, diminuir o número de pessoas infectadas, algumas medidas importantes são a orientação e o fomento ao uso do preservativo. Assim, ter-se-ia uma mudança de comportamento à medida que fosse adotado o sexo seguro. Mas, segundo Andrade & Tanaka, essa relação tem se mostrado tênue, porque apesar da população possuir um bom nível de informação com relação à Aids e reconhecer a necessidade do uso do preservativo, as práticas sexuais de risco continuam a acontecer.
Mais do que a população em geral, os profissionais de saúde que trabalham com HIV/Aids detêm um conhecimento diferenciado sobre as questões que envolvem o risco frente à Aids e os cânones do sexo seguro, uma vez que, são difusores de comportamentos considerados como desejáveis, buscando fazer com que sua ação educativa resulte na adesão a eles. No entanto, esses profissionais tem se deparado com os números crescentes de casos de Aids, inclusive casos registrados dentro dessa própria classe de profissionais, mostrando que as mudanças comportamentais desejadas não têm ocorrido nem mesmo entre as pessoas que trabalham com HIV/Aids. A partir dessa constatação, buscou-se conhecer as representações de profissionais de saúde que desenvolvem atividades em HIV/Aids sobre sua prática profissional, buscando investigar como e em que medida o saber sobre Aids e a prática profissional provocaram repercussões no seu comportamento sexual.
Tal pesquisa foi realizada nos Serviços Ambulatoriais Especializados em HIV/Aids em três cidades de Mato Grosso do Sul: Campo Grande, Aquidauana e Dourados. Estes serviços atendem exclusivamente portadores do vírus HIV e doentes de Aids. E ainda, comportam profissionais capacitados de forma diferenciada para o trabalho com a clientela específica.
Foram escolhidas quatro categorias de profissionais, agrupadas da seguinte maneira: três médicos e três enfermeiros (estabelecem com os pacientes relações em que prevalecem a proximidade corporal e a manipulação de fluidos biológicos). E ainda, três psicólogos e três assistentes sociais (estabelecem relações essencialmente verbais com os pacientes).
A coleta de dados se fez por meio de entrevistas individuais semi-estruturadas, constituídas por dois blocos:
– História profissional em relação à Aids;
– Representações atinentes à relação entre o saber e a prática profissional e a vida pessoal, notadamente no que diz respeito às práticas sexuais de risco.
Na análise dos dados, fez-se a leitura flutuante de todas as entrevistas, numa pré-análise. Em seguida, foram constituídos os dois “corpus” comunicacionais. Houve, ainda, o agrupamento segundo o sexo, para a verificação de possíveis diferenças que pudessem ser consideradas significativas, notadamente no que diz respeito às questões de gênero. Os eixos compostos pelos dois blocos da entrevista se constituíram nas unidades temáticas. Por fim, houve a reconstrução do discurso do sujeito coletivo, numa síntese do significado e valor que tem a questão do saber e da prática profissional na vida pessoal, e os argumentos explicativos para as representações dos entrevistados.
Com relação aos resultados e discussão, são abordados alguns pontos, tais como: a inserção profissional no trabalho com HIV/Aids; Pontos fortes encontrados pelos profissionais, como o trabalho em equipe e a proposta diferenciada de atendimento, não só em relação ao leque de possibilidades de atuação multiprofissional, como também em relação à qualidade da assistência oferecida. E ainda, o significado de trabalhar com AIDS; Os limites entre o papel profissional e os sentimentos e emoções pessoais, que são fluidos, quando se trata de HIV/AIDS; O grande envolvimento dos profissionais com o trabalho no Serviço Ambulatorial Especializado. Além disso, foi questionado onde os profissionais de saúde que trabalham com HIV/AIDS vivenciam mais riscos, se no desenvolvimento de suas atividades de trabalho ou se na vida pessoal.
De modo geral, todos se sentem protegidos no ambiente profissional, porque conhecem e praticam as normas de segurança e fazem uso de EPI. Com relação à vida pessoal, os profissionais não se protegem porque estão em relacionamentos estáveis, como se isso fosse alguma garantia. Atualmente, não se fala mais em grupos de risco e sim em situação de risco. As pessoas que têm relações sexuais, mesmo em relacionamentos estáveis, experimentam uma situação de risco.
Considerando o saber diferenciado e a prática profissional dessas pessoas, esse argumento é desmontado, não tendo uma lógica racional. Vale ressaltar que no tocante aos riscos, não há distinção entre as representações de profissionais que manipulam fluidos biológicos e as dos profissionais que, basicamente, estabelecem relações verbais com os pacientes.
Em seguida, os autores buscam explicações, nas entrevistas realizadas, no sentido de entender o porquê do saber não mudar a prática comportamental dos profissionais que trabalham com HIV/AIDS. Várias questões foram evidenciadas, como a fidelidade implícita nos relacionamentos; a confiança no parceiro; e ainda, as questões de gênero.
As representações de homens e mulheres apontam para a direção do poder como sendo inerente ao homem: poder para decidir quando e com quem usar o preservativo. Segundo Andrade & Tanaka, no entanto, essas explicações contêm uma racionalidade cuja lógica é frágil e não se sustenta frente às argumentações. Assim, o discurso e a prática profissional são discrepantes daquilo que se aplica à vida sexual dos profissionais que trabalham com HIV/AIDS. Vida essa que está impregnada por aspectos culturais, refletindo valores fundamentais da nossa sociedade. Para que o saber implique em mudança de comportamento, no sentido do sexo seguro, no que tange esses profissionais, faz-se necessário uma intervenção no cotidiano. Faz-se necessário perceber que a vida cotidiana é a vida do indivíduo e esta não está fora da história e da cultura.

Referência: Andrade, S. M. O. e Tanaka, O. Y. (2002). O saber e a prevenção no trabalho e na vida: representações de profissionais de saúde que trabalham com HIV/ Aids. Psicologia: Ciência e Profissão. Vol. 22 (2).

Foto do dia: Chinese New Year

Chinese New Year, originally uploaded by yewenyi.

Artigo publicado: Disregard for Outsiders: A Cultural Comparison

Título:Disregard for Outsiders: A Cultural Comparison

Autores: Romin W. Tafarodi, Sarah C. Shaughnessy, Wincy W. S. Lee, Doris Y. P. Leung, Yuka Ozaki, Hiroaki Morio, and Susumu Yamaguchi

Periódico: Journal of Cross-Cultural Psychology 2009;40 567-583

Resumo: clique aqui para obter

Foto do dia: Brazilian innocence…

Brazilian innocence…, originally uploaded by carf.

Resenha: Estereótipos sobre idosos: uma representação gerontofóbica

Elisa Maria Araújo

O artigo “Estereótipos sobre idosos: uma representação gerontofóbica” aborda a discussão sobre o uso primordial dos estereótipos para a percepção de outros seres humanos. Define os estereótipos como uma percepção extremamente simplificada, que se caracteriza por ser um modelo lógico para resolver uma contradição da vida cotidiana. Martins e Rodrigues (2004) introduzem, no entanto, que os estereótipos contribuem para o não reconhecimento da unicidade do indivíduo, e conseqüentemente, para o despotismo em determinadas situações. Por se tratar de um constructo categorial, generalizador, estável e definidor de um grupo social, o artigo apresenta que a literatura científica sobre os estereótipos é prolixa.

Dentro dos estudos apresentados neste presente trabalho, há a vertente que entende que os estereótipos são pré-concepções rígidas, podendo ser falsas e irracionais. Dentre os diversos domínios da vida social em que os estereótipos são utilizados, este artigo se volta a analisar os estereótipos que envolvem os idosos. Neste caso, a valorização dos estereótipos sobre a velhice gera uma representação social gerontofóbica. Isso acontece quando o fenômeno de envelhecer passa a ser tratado como prejudicial, de menor utilidade ou associado à incapacidade funcional. De acordo com Nogueira (1996, apud Martins e Rodrigues, 2004), os preconceitos envolvem geralmente crenças, de que o envelhecimento torna as pessoas senis, inativas, fracas e inúteis. O desenvolvimento de rejeição e rotulagem de um grupo, em particular de indivíduos, ocorre porque as características individuais com traços negativos são atribuídas a todos os indivíduos desse grupo.

O artigo utiliza a palavra “velhote”, que descreve os sentimentos ou preconceitos resultantes de micro-concepções e dos “mitos” acerca dos idosos, como forma de exemplificar os estereótipos que se referem aos idosos. Da mesma maneira, a velhice remete a uma representação de uma doença incurável, como um declínio inevitável, que está votado ao fracasso. Este estereótipo tornou-se tão socialmente aceito que Louise Berger (1995, apud Martins e Rodrigues, 2004) afirma que abundam hoje “idéias feitas e preconceitos relativamente à velhice. Os ‘velhos’ de hoje, os ‘gastos’, os ‘enrugados’ cometeram a asneira de envelhecer numa cultura que deifica a juventude”.

Em seguida, as autoras reservam um espaço do trabalho para fazer esclarecimentos específicos sobre os conceitos de atitudes, crenças e estereótipos. De forma sucinta, objetiva e pouco embasada em autores e estudos anteriores, elas definem atitude como sendo “conjunto de juízos que se desenvolvem a partir das nossas experiências e da informação que possuímos das pessoas ou grupos”, podendo ser favorável ou desfavorável, além de exercer influência nos comportamentos. Além disso, definem crença como “um conjunto de informações sobre um assunto ou pessoas, determinante das nossas intenções e comportamentos, formando-se a partir das informações que recebemos”. Como exemplo, as autoras se utilizam da “idéia” de que todos os idosos são sensatos, dóceis e nunca se zangam. E por fim, conceitualizam estereótipo como sendo uma imagem mental muito simplificada que é partilhada, nas suas características essenciais por um grande número de pessoas. Seria um “chavão”, uma opinião feita, uma generalização e simplificação de crenças, podendo ser de natureza positiva ou negativa. A idéia de que todos os idosos são prudentes seria um exemplo de um estereótipo positivo, na qual são atribuídas características positivas ao grupo; e ao contrário, a crença de que os idosos são senis, representa uma forma de estereótipo negativo.

Baseando-se em estudo da Universidade de Montreal por Champagne e Frennet (cit. por DINIS, 1997, apud Martins e Rodrigues, 2004), o artigo identifica quatorze estereótipos considerados como os mais freqüentes relativos aos idosos. Importante ressaltar, que o artigo não faz nenhum comentário sobre como se deu este estudo, com quem foi realizado e quando aconteceu, e isso se mostra uma grande limitação do artigo em discussão. Simplesmente apresenta os resultados, analisando-os superficialmente.

Dentre os estereótipos mais freqüentes, a maioria destes não tem relação a características específicas do envelhecimento, mas sim a traços da personalidade e a fatores socioeconômicos. Como estereótipos mais freqüentes, foram encontrados que: os idosos não são sociáveis e não gostam de se reunir; temem o futuro; são pessoas doentes que tomam muita medicação; fazem raciocínios senis; são muito sensíveis e inseguros; não se interessam pela sexualidade; divertem-se e gostam de rir; gostam de jogar às cartas e outros jogos; gostam de conversar e contar as suas recordações; gostam do apoio dos filhos; não se preocupam com a sua aparência; são muito religiosos e praticantes; são frágeis para fazer exercício físico; são na grande maioria pobres.

Este resultado revela que se de um lado os estereótipos simplificam a realidade, por outro, minimizam as diferenças individuais entre os membros de um determinado grupo, o que revela um desconhecimento do processo de envelhecimento. Além disso, a utilização de estereótipos é causa de enorme perturbação nos idosos, uma vez que estes negam o seu processo de crescimento e os impedem de reconhecer as suas potencialidades, de procurar soluções precisas para os seus problemas e de encontrar medidas adequadas.

Por fim, a visão global e generalizada, que caracteriza os estereótipos gerontológicos, distorce a realidade. O artigo conclui sua análise com a reflexão de que investigações diversas sobre esta temática têm demonstrado que a distorção causada pelos estereótipos “cegam” os indivíduos, impedindo-os de se precaverem das diferenças que existem entre os vários membros, não lhe reconhecendo deste modo, qualquer virtude, objeto ou qualidade.

Além disso, o artigo apresenta influências que a enfermagem sofre e que são determinantes para a prática de comportamentos positivos e negativos desses profissionais. De acordo Berger (1995, apud Martins e Rodrigues, 2004), respeito, a reciprocidade e a confiança são exemplos de atitudes positivas que os profissionais de enfermagem podem ter diante das influências do meio e do social; e “automorfirmo social”, “gerontofobia”, “âgismé” e a infantilização ou “bebeísme” são exemplos de atitudes negativas quanto aos idosos. Estas atitudes negativas são respectivamente: o não reconhecimento da unicidade do idoso; o medo irracional de tudo quanto se relaciona com o envelhecimento e com a velhice; todas as formas de discriminação, com base na idade; e simplificação demasiada das atividades sociais e/ou recreativas e pela organização de programas de atividades, que não correspondem às necessidades dos indivíduos.

O artigo termina com a mesma análise superficial com a que começou. Apresenta uma visão geral de como os estereótipos referente aos idosos geram influências na vida dos idosos, e no comportamento das pessoas frente a estas pessoas. Faz reflexões sobre o quanto se perde e se ganha com a utilização dos estereótipos, porém não aprofunda em nenhuma discussão. Durante toda a discussão, faz-se pouca referência a estudos e pesquisas anteriores sobre o tema, o que mostra grande limitação do texto em questão.

Resenha: Martins, R. M. e Rodrigues, M. L. Estereótipos sobre idosos: uma representação social gerontofóbica. Millenium. Revista do ISPV, 29, 249-254, 2004.

Foto do dia: Racism Kills

Racism Kills, originally uploaded by lee.ekstrom.

Notícia do dia: Multinacional de cosméticos é condenada por racismo

Reportagem publicada no portal Terra relata que a multiunacional francesa L´Oréal foi mais uma vez condenada som a acusação de ter cometido discriminação racial. Pelo jeito, a empresa só se interessa por promotores de venda e por uma clientela que seja de francesas brancas, nascidas de pais franceses brancos. Clique aqui para ler a reportagem

Resenha: O silêncio como forma de racismo: a ausência de negros na publicidade brasileira

Luzia Mascarenhas de Almeida

Em 2008, a abolição da escravatura completou 120 anos. No entanto, esse marco histórico pouco foi evidenciado na mídia brasileira.
O artigo em questão teve como objetivo discutir brevemente a mídia e as relações raciais, no entanto, ao contrário da maioria dos trabalhos, não pretendeu falar sobre as imagens e formas de representação do negro, e sim sobre o seu silenciamento, buscando analisar o papel dessa invisibilidade como elemento produtor de sentido.
Desde o período da abolição dos escravos, a elite brasileira vem empreendendo uma severa tentativa de branqueamento da sociedade. Porque, segundo Martins, o negro era o símbolo maior do atraso e da degradação. Era uma ameaça para o Brasil que nascia.
Na produção cultural da época, o discurso racial dos grupos políticos era identificado. A literatura nacional romântica, na sua primeira fase, surge exatamente para negar a existência do negro, quer social, quer esteticamente.
Segundo Martins, todas as imagens que eram associadas ao negro insistiam em caracterizá-lo como ser inferior e incompatível com a “civilização”.
Assim, valorizava-se o biótipo europeu (a pessoa branca) enquanto se
“trabalhava”, de modo disfarçado, para o desaparecimento e estigmatização do componente negro da sociedade, fazendo com que o Brasil criasse um registro branco de si mesmo. Esse registro foi um instrumento de dominação que ultrapassou o século XIX e chegou, remodelado, aos nossos dias.
Em meio ao desenvolvimento das novas tecnologias, a mídia ia assumindo o papel de principal veiculadora de modelos e padrões. Para embasar a discussão sobre o papel da mídia como instrumento de dominação, Martins discorre sobre o livro A Cultura da Mídia de Douglas Kellner.
Em seguida, fala do caso específico do Brasil, onde a questão racial vai ser um dos principais, senão o principal foco de conflitos e disputas. Em nossa sociedade, existe uma segregação que não é positivada em lei, mas que pode ser percebida no imenso abismo social que existe entre brancos e negros. Alguns estudos, como os realizados pelo IPEA, comprovam que os negros não têm acesso igualitário a bens e serviços. E ainda, essa dificuldade de acesso também ocorre no “mercado” de bens simbólicos, ou seja, espaços públicos, arte e, em especial, meios de comunicação (um caso-modelo de reprodução das nossas relações raciais).
No tocante à midia, os negros ocupam posições negativas, subalternas e de segundo plano.
Exceções únicas devem ser feitas aos cenários esportivo e musical, onde ganham projeção e valor.
No universo dos meios de comunicação, a publicidade assume relevância que extrapola sua função primeira de estímulo e incentivo ao consumo. Ela é o mais eficiente vetor de discursos e mensagens simbólicas. Assim, ao difundí-los, a publicidade dará eco aos valores da sociedade que a produziu. Como no Brasil os valores são pautados dentro de uma lógica eurocêntrica que deprecia o que não é espelho, nossos anúncios tendem a reproduzir e legitimar as desigualdades raciais.
Com relação à imagem do negro na publicidade, a partir de pesquisas realizadas, Martins afirma que a publicidade, quando não torna o negro “invisível”, apresenta-o, na maioria das vezes, de modo estereotipado. Os quatro estereótipos geralmente relacionados à pessoa negra são: o trabalhador braçal, figura próxima ao ex-escravo, no qual estão inseridos frentistas, carregadores e empregadas domésticas; o negro divertido e performático; o negro atlético, ao qual está ligada tanto a imagem do desempenho esportivo como a do vigor sexual; e o carente social, negro dependente e despossuído. Tais estereótipos têm como função responder aos fatores ambientais, como nas situações de conflitos grupais e nas diferenças no poder e nos papéis sociais.
No tocante a sua participação na publicidade, pesquisas realizadas em 1994 e 1995, além de uma realizada em 2007, apontam para uma notável invisibilidade do negro na esfera da publicidade.
Em seguida, o autor chega ao ponto primordial do artigo, que é analisar a política de silenciamento (afirmação de algo para apagar, necessariamente, outros sentidos possíveis, mas indesejados) com relação ao negro em nosso país.
Para Martins, a elite brasileira define simbolicamente quais são os lugares do negro dentro da sociedade, permitindo que ocupe determinados espaços dentro de uma cadeia de representações, ao passo que o apaga dos demais.
Existem duas consequências relevantes com relação à política de silenciamento imposta aos negros no Brasil. São elas: a questão da construção da identidade e a naturalização do racismo.
Dessa maneira, o artigo discute questões relacionadas ao negro e a sua inserção na mídia e na publicidade, colocando em foco o racismo que vem se propagando desde o século XIX e que hoje é tido como inconstitucional, no entanto, não deixa de existir de um modo sutil e dissimulado, inclusive nos meios de comunicação. Nesse sentido, faz-se necessário questioná-lo e denunciá-lo

Referência: Martins, C. O silêncio como forma de racismo: a ausência de negros na publicidade brasileira. Interscience Place, 2, 200