Resenha: mujeres musulmanas – estereotipos occidentales versus realidad social

Juliana Costa Santos

O artigo de uma temática bastante contemporânea e desconstrói conceitos que estão presentes no imaginário de boa parte da população. A autora, Djaouida Moualhi, já nos primeiros parágrafos, coloca-se como personagem da sua própria história: mulher, muçulmana, imigrante e magrebe. Este ultimo termo se refere à região no noroeste da África, onde existe uma concentração de países islâmicos, como é o caso do Marrocos, da Tunísia e da Argélia.
No começo da sua explanação ela traz à tona alguns tipos mais comuns de estereótipos que os ocidentais tem em relação aos muçulmanos e as suas condições de vida, com foco nas questões femininas. Aos poucos ela demonstra como algumas tradições muçulmanas são vistas pelos ocidentais e as consequências dessa visão, sempre fazendo um paralelo com o Cristianismo. Um exemplo é o pensamento de que os muçulmanos são fanáticos e muitas vezes violentos. Segundo a autora esse discurso teve seu começo na época das cruzadas (Robinson, 1990: 18 apud Moualhi, 2000). De acordo com Moualhi (2000), este pensamento remete ao século XIX, quando a maioria dos países árabes e muçulmanos estavam sendo colonizados por potencias ocidentais. Neste momento a sua religião era a maior forma de expressão e resistência, o que levou os colonizadores a demonizarem e condenarem a prática. Outros exemplos citados são o uso do véu, a poligamia e a clitoridectomia (retirada do clitóris).
Na seção seguinte, a autora se dedica a falar detalhadamente sobre os exemplos citados anteriormente, desmistificando cada um deles e apresentando alguns fatos. Em relação ao uso do véu, ela cita o pensamento ocidentalizado de um autor, que define como “símbolo por excelência da marginalização e da alienação” (Manyer, 1996: 67, apud Moualhi, 2000). No entanto ela diz que mulheres que usam véu não atrapalham a sua emancipação, já que o veem como símbolo de elegância e preservação, e não de repressão. Este é um tópico bastante interessante, visto que, aqui no Brasil, é comum observar o discurso criticado pela autora e tantos outros que mobilizam a população em prol de uma luta contra a repressão de mulheres pelo uso do véu, quando na realidade, boa parte das pessoas “compra a briga” sem saber se a “parte interessada” de fato se sente como pensamos. O mesmo funciona para a clitoridectomia, uma prática existente apenas em alguns países de cultura islâmica, mas que surgiu muito antes do islamismo, Lerner (1990), citado por Moualhi (2000) apresentou a existência deste tipo de prática entre egípcios, fenícios, gregos, etc. Segundo algumas culturas que praticam este ato, trata-se de uma circuncisão feminina, com motivos diversos como: higiene, sacrifício, etc.
Apesar de trazer a realidade sobre alguns estereótipos, a autora também aproveita para falar da existência de graves acontecimentos machistas e discriminatórios na cultura islâmica, como a dependência e subordinação da esposa em relação ao seu marido e como as leis o favorece em caso de separação, custódia dos filhos, etc. No entanto, criticando ou não a cultura, ela deixa bastante claro que essas práticas e suas “regras” não são universais. Ainda que exista apenas um Alcorão e um Charia (espécie de livro de “leis” islâmicas), as interpretações são diversas e as leis também. Cada país pode agir de uma forma diferente. Algumas práticas são comuns em alguns países de cultura islâmica, enquanto podem ser condenadas em outro. A visão unificada sobre o mundo islâmico, segundo Moualhi (2000), faz parte do etnocentrismo ocidental.

Referência: Moualhi, D. Mujeres musulmanas: estereotipos occidentales versus realidad social. Papers, 60, 291-304, 2000. Disponível em: http://ddd.uab.es/pub/papers/02102862n60/02102862n60p291.pdf

Resenha: Representação Social e Estereótipo: A Zona Muda das Representações Sociais.

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Poliana Neres Costa

O texto apresentado é um artigo científico que aborda a temática das representações sociais e estereótipos em um contexto específico que é a universidade de Aix-en-Provence, localizada em Provence na França.
A autora inicia o artigo apontando uma dificuldade nos dados encontrados em pesquisas sobre representações sociais. Este problema é questionado, também, por outros investigadores, como Abric e outros. Assim a autora insere o termo de “zona muda” que surgem das representações disfarçadas por certos elementos em determinadas situações, ou seja, em determinados contextos e momentos existe uma “zona muda” composta por certos elementos da representação que não são verbalizados pelos indivíduos. Estes elementos relacionam-se com os valores, normas e crenças sociais que acabam influenciando na expressão das representações. E mesmo que estes elementos façam parte de representações centrais eles são omitidos para evitar conflitos morais ou que desviem da norma social.
Desta forma, objetivando-se conseguir revelar os elementos da “zona muda” de representação Menin (2006) destaca que é necessário elaborar métodos específicos de verificação. E para tal é preciso amenizar a pressão normativa sobre o sujeito que representa. Para alcançar este propósito a autora expõe duas técnicas: uma de substituição que “visa reduzir a pressão normativa, reduzindo o nível de implicação pessoal do sujeito com relação à representação do objeto”, ou seja, o participante responde como se estivesse falando por outra pessoa que seja de seu grupo de referência; e a outra técnica é a de descontextualização normativa que “visa reduzir a pressão normativa colocando o sujeito num contexto mais distante de seu próprio grupo de referência”.
Menin (2006) apresenta algumas pesquisas realizadas pela Escola de Aix sobre as “zonas mudas” das representações. E ressalta, apoiando em alguns outros pesquisadores, aspectos sobre o núcleo central das representações e sua estabilidade. Além disso, realiza um ensaio ao trabalhar com os estudos de diversos autores sobre a temática da “zona muda das representações”.
Das pesquisas realizadas concluiu-se que os dados obtidos eram quase, totalmente, reflexos complexos dos modelos normativos pertinentes para o objeto de representação. Diante disso, a autora coloca que as técnicas de substituição e descontextualização já tinham sido utilizadas em outros contextos externos aos da representação, no entanto foi usada pela primeira vez na pesquisa em representações sociais por Deschamps e Guimelli (2000).
A autora apresenta também pesquisas relacionadas com outros temas como estereótipos e preconceito, visando compreender se a ativação de estereótipos e o preconceito em situações distintas de investigação (usando a técnica de substituição e a técnica de descontextualização normativa) influenciam na “zona muda” de representação. Para tal desígnio foram usados grupos considerados alvos do racismo e estereótipos como os maghrebinos, os ciganos e os muçulmanos. Destas pesquisas ultimou-se que as representações sociais apresentam certa plasticidade e variabilidade a depender de que posição da qual se fala e para quem se fala.
Menin (2006) expõe as hipóteses da “zona muda”, destacada por outros autores como, por exemplo, Guimelli e Deschamps (2000), Abric (2003), Deschamps e Guimelli (2004), em que as respostas dos sujeitos se adequariam as normas sociais ao temerem ser “mal vistos” pelos seus grupos de referência, outra hipótese seria a da “transparência das representações” em que um sujeito falaria de um grupo por meio de conhecimentos, de um mesmo objeto, adquiridos através das representações e estereótipos dos membros do outro grupo. Uma outra hipótese é a da influência social efetivada por meio de relações de interdependência e de trocas de informações (a partir de crenças, opiniões, atitudes e guias de comportamento) entre diversas entidades sociais.
Finalizando a autora traz um questionamento, considerado um problema de investigação no campo da psicologia, associado com as “zonas muda das representações” que consisti em “até que ponto o que as pessoas respondem nos questionários correspondem ao que realmente pensam?” sendo que os discursos se alteram a depender de para quem os sujeitos falam e a partir de quem fala, se por si ou por outros.
Desta forma, Menin (2006) destaca a relevância e presença das normas sociais frequente nas representações podendo surtir alterações ao orientar que representação seria mais adequada, produzindo até mesmo modificações centrais.
Assim o modo como a coleta de dados é feita interfere nas representações obtidas. Diante disso a autora sugere o uso de técnicas mais qualitativas de investigação como entrevistas e observação de práticas, fundamentadas na concepção de Jodelet (2003). Desta forma, Schulze e Camargo (2000) em um artigo sobre psicologia social, representações sociais e seus métodos afirmam que “deve-se considerar o nível de complexidade dos fenômenos investigados pela teoria das representações sociais” de modo que, conforme exposto por Jodelet (1989) (citada em Schulze & Camargo, 2000) as escolhas metodológicas deve apresentar-se em consonância com as situações em que as representações surgem e funcionam.

 

Referência: Menin, M. S. S.; (2006). Representação Social e Estereótipo: A Zona Muda das Representações Sociais. Psicologia: Teoria e PesquisaJan-Abr 2006, Vol. 22 n. 1, pp. 043-052.

 

Artigo publicado: sex in a transnational tourist town

Título: Negotiating the public secrecy of sex in a transnational tourist town in Caribbean Costa Rica

Autora: Susan Frohlick

Periódico: Tourist Studies 2008;8 19-39

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