Resenha: Estereótipos sobre idosos: uma representação social gerontofóbica

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Cecília Spínla

As autoras iniciam o texto incentivando uma reflexão sobre estereótipos e trazem alguns conceitos que clarificam o tema para os leitores. Entendido por Ayesteran e Pãez (1987) como “uma representação social sobre os traços típicos de um grupo, categoria ou classe social”, atualmente os estereótipos mais estudados são os étnicos, sendo também muito presente em nosso convívio social os estereótipos de gênero, profissão, classe social e o de ciclo de vida, objeto deste artigo.

As autoras alertam para a complexidade da literatura sobre o tema já que se trata de um “conceito multiunívoco – constructo categorial, generalizador, estável e definidor de um grupo social”.

No caso dos idosos, preconceito oriundo do ciclo de vida do indivíduo, a autora defende que este se caracteriza como uma representação social da gerontofobia, que se define como o “processo de estereotipia e de discriminação sistemática, contra as pessoas porque são velhas” (Staab e Hodges, 1998).

Neste processo se associam ao idoso conceitos e traços negativos associados à incapacidade, fraqueza e inutilidade, percepções pejorativas do fenômeno de envelhecer.

Vale ressaltar que o estereótipo sofre influência direta do contexto cultural em que está inserido, e na nossa atual sociedade vemos reforçado a visão da “velhice como uma doença incurável, como um declínio inevitável, que está votado ao fracasso”.

As autoras apresentam no artigo um estudo realizado na Université de Montreal por Champagne e Frennet que identifica catorze estereótipos mais frequentes em idosos, são eles:

* Os idosos não são sociáveis e não gostam de se reunir;
* Divertem-se e gostam de rir;
* Temem o futuro;
* Gostam de jogar às cartas e outros jogos;
* Gostam de conversar e contar as suas recordações;
* Gostam do apoio dos filhos;
* São pessoas doentes que tomam muita medicação;
* Fazem raciocínios senis;
* Não se preocupam com a sua aparência;
* São muito religiosos e praticantes;
* São muito sensíveis e inseguros;
* Não se interessam pela sexualidade;
* São frágeis para fazer exercício físico;
* São na grande maioria pobres.

A análise da pesquisa chama a atenção para a confusão de conceitos existentes que faz com que os pesquisados destaquem como características da velhice traços de personalidade e fatores socioeconômicos ao invés de características específicas do envelhecimento.

A partir deste ponto podemos refletir sobre a possível existência de mitos sobre o envelhecimento que impedem o estabelecimento de contatos e conhecimento verdadeiros sobre os idosos.

E com base nessa análise a autora conclui o artigo alertando aos leitores a necessidade de atentarmos para os mitos e estereótipos criados sobre a velhice, pois eles estão muitas vezes ligados ao desconhecimento do processo de envelhecimento mas mesmo assim geram enorme sofrimento nos idosos e influenciam fortemente na nossa interação com os idosos.

Referência: Martins, R. M. e Rodrigues, M. L. Estereótipos sobre idosos: uma representação social gerontofóbica. Millenium. Revista do ISPV, 29, 249-254, 2004

Resenha: Aparência física e amizade íntima na adolescência: Estudo num contexto pré-universitário

Apohena Noroya

O artigo se configura como uma pesquisa que aborda a associação entre a percepção sobre a aparência física e a amizade intima, considerando-os como um fator de importante valor preditivo no desenvolvimento psicossocial de adolescentes. Na introdução o autor caracteriza intimidade como uma relação emocional marcada pela concessão mútua de bem-estar, pelo consentimento explicito para revelação dos assuntos privados, podendo envolver a esfera dos sentidos e pela partilha de interesses e atividades em comum, favorecendo o crescimento e a auto-revelação do adolescente.
Segundo o autor, alguns estudos estabelecem que o conceito de intimidade/amizade intima na adolescência e pré-adolescência, pode ser estruturado em oito dimensões: sinceridade e espontaneidade; sensibilidade e conhecimento; vinculação; exclusividade; dádiva e partilha; imposição;atividades comuns; confiança e lealdade. Sendo que a intimidade deve ser avaliada numa esfera dual, onde se conhece a si mesmo e ao outro ao mesmo tempo. O conceito de intimidade corporal passa primeiro pela percepção que se tem de si próprio, o auto-conceito, que pode ser positivo ou negativo e a depender de como os adolescentes vêem o próprio corpo isso vai ser determinante para sua relação com o outro, pois o corpo físico e aparência são o meio por excelência de acesso ao mundo e a toda experiência de vida.
Na adolescência emergem as verdadeiras relações de amizade baseadas na intimidade e o favorecimento de novas formas protegidas de intimidade através das redes sociais da internet favorece a propagação da amizade entre eles. Junto a outros adolescentes eles se sentem mais seguros para compartilhar interesse, valores, credos atitudes sem o medo de se sentirem julgados. Outro aspecto que o autor destaca como determinante nas mudanças dos relacionamentos íntimos entre adolescentes são os aspectos da puberdade e as transformações dos impulsos sexuais.
O auto-reconhecimento, o ser reconhecido pelo outro, construir, partilhar relações de intimidade e interagir socialmente constitui-se como um exercício de equilíbrio para o adolescente e as falhas deste equilíbrio podem determinar falhas na construção da identidade e isolamento social no futuro. Existem ainda segundo o autor, diferenças de gênero na forma pela qual meninas e meninos lidam com estas experiências, ocorrendo segundo alguns autores uma maior destreza entre as meninas no estabelecimento de relações com base na intimidade e no entendimento interpessoal.
Para analisar a relação entre a percepção sobre a aparência física e as relações de amizade intima na adolescência, o autor optou por realizar uma pesquisa com alunos pré-universitários de duas Escolas Secundárias de Portugal entre alunos do sexo feminino e masculino. Foi utilizado um questionário contendo as: Escala de Amizade Intima, Escala de Percepção de Auto-conceito(adaptada para a população portuguesa) e Notação Social Familiar – Graffar Adaptado que investiga o nível socioeconômico, além de dados de identificação sobre os adolescentes.
Os resultados mostraram diferenças entre gêneros onde os valores de amizade intima são mais elevados no sexo feminino e os valores de percepção sobre a aparência física, mais elevados no sexo masculino, o que sugere uma valorização diferente, entre sexos, dos aspectos do auto-conceito físico e da amizade intima na adaptação social e pessoal de adolescentes. As meninas apresentam mais maturidade do que os meninos para lidar com uma relação de amizade intima, sendo que, entre os indivíduos do sexo feminino e do masculino existe uma predileção por amizades do sexo feminino por motivações diferentes, pois as meninas buscam pares aos quais se identificam e os meninos buscam o sexo oposto numa perspectiva de auto afirmação da sua masculinidade.
Os valores de percepção sobre a aparência física revelam-se mais influentes num baixo auto conceito feminino, acredita-se pela própria cobrança, muito maior entre os indivíduos do sexo feminino pela beleza física e a necessidade de ser aceita por pares de ambos os sexos.

Referência:
Cordeiro, Raul A. Aparência física e amizade intima na adolescência: Estudo num contexto pré-universitário. Análise Psicológica, 24, 3, 509-517, 2006.

Resenha: Dizer não aos estereótipos sociais: as ironias do controle mental.

Wilma Ribeiro

Quem consegue escapar dos estereótipos? Portugueses, brasileiros, italianos, taxistas, garçonetes, políticos, todos os grupos existentes possuem seus esquemas categóricos e, portanto, seus estereótipos. Todos nos encontramos em categorias sociais que por sua vez são estereotipadas. Estereótipos são, sem dúvida, estruturas cognitivas úteis no nosso cotidiano. Rápidos, automáticos, espontâneos, naturais, nos fazem economizar recursos cognitivos e simplificar nossa realidade. Em contrapartida, nossos preconceitos se encontram em maior ou menor medida associados a um estereótipo. Seria possível controlar o pensamento estereotípico com eficácia? O artigo de Bernardes (2003) trata do suporte teórico dos mecanismos de supressão do estereótipo e das conseqüências da utilização do mesmo.
O estereótipo refere-se a crenças e conhecimentos a respeito de determinado grupo, que podem influenciar as percepções e os comportamentos relacionados ao mesmo e aos seus membros. Um problema pode surgir quando os estereótipos fazem com que um indivíduo afaste ou rejeite outro por este pertencer a determinada categoria, sem que este último tenha a chance de se fazer conhecer efetivamente com suas qualidades e limitações. Por exemplo, você pode desconsiderar Karla em uma entrevista de emprego de uma empresa, por ser mulher, e perder uma fiel e competente funcionária. Os estereótipos levaram a tomar esta decisão.
Será que uma supressão do estereótipo resolveria este problema? De acordo com o artigo de Bernardes (2003), a tentativa de inibir os pensamentos estereotípicos de acederem à consciência (supressão) pode resultar em efeitos indesejados. Se reiteradas vezes um pensamento é detectado conscientemente a fim de que se possa suprimi-lo, o resultado pode ser a hiperacessibilidade do mesmo, fazendo com que se torne mais acessível do que se não tentasse suprimi-lo. Este é o chamado efeito de ricochete (ERE). Este efeito foi observado nos experimentos realizados em que havia uma supressão explícita (Pedia-se ao participante para não pensarem em estereótipos) e em situações em que a supressão era induzida pela situação (Avaliador pertencia ao grupo a ser estereotipado pelo participante).
A autora também aponta alguns estudos que relacionam estereotipização e memória, citando dentre eles o de Macrae et al (1996). Tais estudos sugerem que a supressão do estereótipo requer recursos atencionais da parte dos indivíduos. Em situações de supressão em que informações estereotípicas e não estereotípicas estavam disponíveis, os participantes posteriormente lembravam-se mais daquelas estereotípicas. O ato de suprimir o estereótipo pode impedir o processamento e retenção da informação não-estereotípica.
Somos, portanto escravos dos estereótipos? Não. A autora aponta alguns autores dentre eles Monteith et al. (1998) que advogam que nem sempre a supressão leva a efeitos irônicos. Um fator moderador relaciona-se a atitude pessoal relacionada a que tipos de grupos estão sendo estereotipados. Por exemplo, estereotipar pedófilos é diferente de estereotipar mulheres, uma vez que para esses últimos há normas pessoais e sociais contra a aplicação de estereótipos. Assim, “quando os indivíduos são instruídos a suprimir os estereótipos dos grupos para os quais não têm preocupações sociais e pessoais acerca da estereotipização, o subsequente ERE poderá não ocorrer.” Ademais, foi verificado que entre os indivíduos com um baixo nível de preconceito havia uma grande probabilidade da ativação dos estereótipos não chegar a se concretizar. E mesmo que esta ocorra, a motivação dos mesmos e o sentimento de culpa subjacente, leva-os a evitar reações estereotípicas. O processo de supressão de pensamentos estereotípicos pode se tornar automático através da prática. Além disso, a negação das associações estereotípicas também facilita a inibição da ativação do estereótipo após a categoria social ter sido apresentada.
A autora também aponta para outras estratégias que podem ser utilizadas de maneira eficaz no momento em que se deseja evitar um estereótipo: a substituição dos pensamentos estereotípicos por outros (por crenças igualitárias, por ex.) e a individuação do alvo (formar impressões com base em informações individuais sobre o alvo). Verifica-se também que aqueles indivíduos que estabelecem o objetivo de não serem preconceituosos, podem viabilizar a não ativação dos estereótipos.
Ao considerar os efeitos negativos das crenças estereotípicas surge a necessidade de evitá-las. Estas vão de encontro às normas de igualdade e de justiça, em especial em uma sociedade dita democrática. Além disto, estas crenças conduzem a um sentimento de culpa em pessoas que possuem senso de justiça e uma visão aberta da realidade. Seria, portanto muito interessante se pudéssemos simplesmente dizer a nós mesmos para não sermos preconceituosos e automaticamente todos os nossos estereótipos negativos desaparecerem. Desta forma especificamente não. Mas a depender das condições, motivações e objetivos podemos fazer uso não apenas da supressão como também das outras estratégias para evitar o impacto dos estereótipos sociais.

Referência: Bernardes, D. Dizer não aos estereótipos sociais: as ironias do controle mental. Análise Psicológica. 21,3, 307-321, 2003.

Artigo publicado: Ethnic Challenges to Colombia’s Territorial Regimes

Título: Contested Territoriality: Ethnic Challenges to Colombia’s Territorial Regimes

Autora: MARCELA VELASCO

Periódico: Bulletin of Latin American Research, 30, 1

Abstract: clique aqui

This article studies ethnic social movement autonomy claims in three regions of Colombia. It maintains that place-based and regime-specific political processes condition institutional change affecting common property regimes. The article finds that to assert local self-determination and territorial control, ethnic social movements (a) respond to territorial regimes threatening local autonomy; (b) use innovative tactics to negotiate autonomy; and (c) engage in deliberation to redefine identities and understand the conditions limiting local autonomy.

Artigo publicado: Understanding Immigrants’ Experiences: Reflections on Ken Dion’s Research Contributions

Título: Understanding Immigrants’ Experiences: Reflections on Ken Dion’s Research Contributions

Autora: Karen Kisiel Dion

Periódico: Journal of Social Issues, 66, 4, 648-652

Abstract: clique aqui

This article focuses on Ken Dion’s contributions to a central issue for understanding the psychology of immigration: namely, intergroup relations and immigrants’ experiences. Immigrants face many challenges, including the experience of prejudice and discrimination directed toward them by others already residing in the society to which they have immigrated. Ken’s research focused on the perspective of those who are the targets of discrimination. After briefly describing his early seminal work on the social psychology of reported discrimination, his later contributions to this area are discussed, in particular, his involvement in interdisciplinary collaborative research pertaining to immigration which provided unique opportunities to further develop and test his ideas.

Estereótipos e publicidade: substância mágica

Paulo Perin foi vítima de uma substância mágica, e nos conta como foi essa experiencia

Paulo festejava os seus 34 anos com um grupo de amigos em um salao que iria durar a noite toda.
Logo no início havia sentido um estranho perfume sensual, quase embriagador.

Ele conta que a fragrância o atraía e o enganava…
Ao caminhar até uma mesa, onde um reduzido grupo de pessoas conversavam, esse perfume se destacou, era ela, tao perto de mim, que exalava essa fragrância que inconscientemente buscava desde que cheguei a festa.
Aproximei-me de um amigo que me ofereceu uma cerveja só para me sentar perto dessa mulher e fiz tudo que pude para chamar sua atençao.
E assim foi com a primeira música lenta, sem perceber a convidei para dançar … nem percebia o quanto eu estava dançando mal, sem me dar conta que isso pouco importava.
Enquanto estive perto dela dançando senti uma estranha sensaçao, embreagado pelo seu perfume, suave, sensual, uma fragrância que me pertubava profundamente. Depois da dança esse perfume ficou em meu corpo e em minha mente.
Quando a música parou, me reuni com o meu amigo Marco e perguntei quem era aquela mulher que tanto me pertubava, ele surpreso respondeu.
Voce também!
Um pouco confuso com suas palavras, agradeci seus conselhos e segui pensando.
Será possível que um perfume me transforme dessa maneira, com tantas mulheres bonitas na festa, porque logo aquela mulher??
Nao sei nada dela, fisicamente é como outra, sinto uma atraçao impossível de explicar e muito menos de controlar.
Daí me recordei que já havia ouvido falar de Eros a Magnifique Essence, um perfume que tem o poder da seduçao.
Ao terminar a festa, quase implorei para levá-la para sua casa. Depois de muita conversa ela aceitou, dirigia sem nenhuma concentraçao, desejava aquela mulher mais do que tudo, estava completamente louco por ela,nao me reconhecia, sempre fui um homem reservado e controlado e agora estava desejando uma mulher que mal conhecia, neste momento percebi que estava sendo hipnotizado por esse perfume e nao conseguia controlar os meus atos.”
Muitas mulheres que utilizaram o Eros descobriram seu extraordinário poder de atraçao.
Este extraordinário perfume que despertou em Paulo uma paixao descontrolada e um desejo a flor da pele, já está disponível no Brasil.
Eros a Magnifique Essence possui grande poder de atraçao por conta da açao do ylang-ylang.

Campanha censurada do grupo Atea, que seria divulgada em ônibus em Salvador-BA, objetivando diminuir os preconceitos contra ateus.

 

Artigo publicado: How Ideological Attitudes Predict Host Society Members’ Attitudes toward Immigrants

Título: How Ideological Attitudes Predict Host Society Members’ Attitudes toward Immigrants: Exploring Cross-National Differences

Autores: KarJ. Christopher Cohrs and Monika Stelzl

Periódico: Journal of Social Issues, 66, 4, 673-694

Abstract: clique aqui

Recent theoretical frameworks assume that the ideological attitudes of right-wing authoritarianism (RWA) and social dominance orientation (SDO) predict individuals’ attitudes toward immigrant groups, and that these predictive relations are affected by contextual factors. Based on these assumptions, we conducted a meta-analysis of the relations between ideological attitudes and anti-immigrant attitudes in 155 samples from 17 countries (totalN= 38,522 participants). As potential correlates of cross-national differences in these relations, socioeconomic indices, cultural worldviews, and collective perceptions of immigrants were considered. RWA was a particularly strong predictor of anti-immigrant attitudes in countries where immigrants were perceived as increasing the crime rate and as not being beneficial to the economy (e.g., Germany, Italy); and SDO was a particularly strong predictor in countries with a higher relative unemployment rate of immigrants (e.g., Belgium, Sweden). We discuss the interplay of individual and sociocultural factors and offer directions for future research.

Artigo publicado: Explanations without causes and causes without reasons

Título: Explanations without causes and causes without reasons

Autores: Hudson Meadwell

Periódico: Social Science Information 2010;49 539-562

Abstract: clique aqui

Action is a central category in the social sciences. It is also commonplace to assume that the social world has a causal structure. Yet standard ways of specifying causal relations in social science lack explanatory force when the subject matter is intentional action. The present article considers this problem. The metaphysics of action are distinguished from the metaphysics of intentional action, and it is argued that the former forces an implausible unity on the actions of inanimate nature and of rational agents. Agency in the metaphysics of action adds nothing to state-variable causation. Agency in the metaphysics of intentional action, in contrast, is argued to have a different structure, not reducible to state-variable causation. Work on endogenous choice in social science suggests that the concept of agency that is on view in literature on selection effects and social generation implies the metaphysics of intentional action. Recent research in the philosophy of action is considered in order to specify the structure of intentional action and the force of intentional explanations.

Grupo jovem de um cursinho pré-vestibular

Autoras: Agda Mariana Andrande, Ana Carolina de Oliveira, Carolina Sulz, Olga Amazonas e Rosilene Silva

Sabendo-se que as principais atividades cotidianas são feitas em grupos, e ressaltando-se a percepção do grupo como uma entidade e não como um conjunto de indivíduos, tem-se a idéia da importância destes na vida dos indivíduos e da sociedade. Deste modo, os grupos se mostram de extrema relevância na formação da identidade psicossocial dos indivíduos à medida que são responsáveis pela concretização das idéias e valores de justiça; bem como proporcionam um espaço para a comparação do comportamento da própria pessoa em relação ao comportamento de um outro membro, possibilitando, assim, um julgamento das suas condutas.

Há uma dificuldade em definir o que é grupo, pois existe ausência de uma posição conceitual no mínimo heterogênica. Todavia a fator que mais caracteriza os grupos é que, em todos eles, duas ou mais pessoas se relacionam para uma finalidade e estas consideram essa relação significativa.

Esta dificuldade encontrada na formulação de uma definição para o conceito de grupo reflete, de certo modo, as distintas acepções que se tem acerca desse termo. Desta forma, o conceito de grupo não deve ser entendido de forma genérica, uma vez que o termo engloba diversos tipos de grupos específicos, percebidos e compreendidos de divergentes formas.

O grupo selecionado para a realização do estudo em questão mantém uma interação diária desde que as aulas do cursinho pré-vestibular começaram. Ao decorrer do convívio em sala, os integrantes foram aos poucos descobrindo os interesses e pontos de vista de seus colegas e, dessa maneira, criando laços e afinidades uns com os outros, consequentemente formando grupos.

Através do convívio diário no cursinho, os integrantes vão se expondo ao contato maior uns com os outros, já que eles não interagem apenas durante as aulas, mas também durante os intervalos, durante o horário do lanche e assim vão conhecendo melhor uns aos outros, seus objetivos pessoais e suas características próprias.

Considerando a estrutura do grupo em questão, quanto ao tamanho, grau de intimidade e função, pode-se inferir que se trata de uma galera: grupo pequeno, primário e com função sócio-emocional.

O grupo constitui-se pequeno, pois é formado com menos de 30 integrantes. O grupo também possui a característica de ser sócio-emocional, pois a maioria de suas atividades ocorre, por parte dos membros, em busca de um afeto, de interação social e afiliação e não para a realização de tarefas.

O referido grupo é composto por 6 pessoas e possui um alto grau de interação, com contato face à face entre os membros (característica de grupos primários); havendo aceitação e colaboração íntima, sendo fundamental para a formação da natureza e os ideais sociais dos indivíduos. Apesar de ser predominantemente sócio-emocional, em algumas situações são orientados pela tarefa, já que muitas vezes os integrantes se reúnem com o objetivo de formar grupos de estudo.

As fotos revelam um local de descontração durante o intervalo entre as aulas do cursinho. Trata-se da ala de alimentação de um shoping certer que se localiza ao lado do cursinho, onde o grupo lancha, conversa e interage.

De acordo com o que relata uma das integrantes do grupo, as duas fotos parecem ter sido escolhidas porque revelam um momento e um ambiente de descontração, que possibilita aos membros descansar e, sobretudo aliviarem a pressão causada pelo vestibular. Desta forma o grupo da importância a esse ambiente a medida que nele os membros encontram-se relaxados, podendo aliviar o stresse da sala de aula, e conversar sobre outros assuntos que não os referentes ao cursinho ou as provas de vestibulares.

Os significados atribuídos a esse contexto aparecem como os opostos aos atribuídos a sala de aula. “O horário do lanche no intervalo é o horário em que a gente conversa sobre nossos objetivos, sobre a vida pessoal, sobre os relacionamentos, o que é muito diferente do que a gente vê dentro da sala de aula ou dentro do ambiente de cursinho”, “As meninas ao saírem da sala… vão ter uma vida social”.

Os significados atribuídos refletem desta forma, a descontração proporcionada pelo ambiente menos tenso que a sala e a possibilidade de se trocar experiências pessoais.

O local onde a foto foi tirada é o shopping ao lado do cursinho. Desta vez o grupo procurou focar a relação deles com integrantes de outros grupos (exogrupo). A importância dada ao contexto reside justamente no fato de este possibilitar o gesto de amizade. Vemos assim o significado positivo que o grupo atribui ao contexto que permite a aproximação entre pessoas de distintos grupos.

As fotos  revelam ambientes distintos, mas que guardam importância e significados muito próximos. A primeira foto  foi tirada no corredor do cursinho, enquanto o grupo aguardava o professor. Os integrantes que contem a prova de vestibular na mão estão discutindo sobre alguma questão entre si, ou tirando alguma dúvida. Só na segunda foto  observamos a interação entre os integrantes na sala de aula. As importâncias dadas aos contextos são semelhantes à medida que revelam a interação, a troca de idéias e a possibilidade de se aumentar o aprendizado do grupo. Neste caso observamos no grupo uma função mais orientada para uma tarefa, apesar da sua função ser predominantemente sócio-emocional. Os significados atribuídos perpassam não apenas pela questão do rumo do grupo para um objetivo específico, a possibilidade de interação com outros grupos ressalta nestes contextos objetivo de um grupo maior (todo o cursinho), que é ser aprovado no vestibular.

Nesta foto os membros do grupo estão na sala esperando o professor dar início a aula. A importância e o significado dessa fotos estão atrelados a questão das conversas curtas, pois o foco principal no momento é a aula – neste momento pode-se inferir que estão voltados pra tarefa .

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