Notícia do dia:División racial sobre el matrimonio gay en la capital de EE UU

Reportagem publicada em El País retrata o impacto da questão racial na discussão dos direitos civis de gays e lésbicas na capital dos Estados Unidos. Clique aqui para ler a matéria.

Resenha: Estereótipos sexuais aplicados às nadadoras

Marinês Oliveira

O presente artigo dispôs a verificar se as características do desporto (natação) e o biotipo do atleta proporcionam a aplicação de estereótipos sexuais. Para tal, utilizaram-se de dois grupos que diferiam quanto ao envolvimento com a natação, contudo os mesmos avaliaram nadadoras federadas de Brasília. As variáveis utilizadas foram “sexo” e “envolvimento com a natação”.
Tal proposta torna-se interessante quando se parte do desígnio que as crenças podem também se originar de experiências ou de vivências. Daí, através da percepção destes dois grupos distintos, pode-se verificar também as diferentes formações de crenças, seja de acordo com as experiências ou das vivências acerca do objeto selecionado.
Os conceitos de masculinidade e feminilidade, que serão utilizados na pesquisa, são construtos sociais utilizados em psicologia desde o início do século. Segundo o texto, a masculinidade encontra-se positivamente correlacionada à auto-estima, saúde mental, criatividade, dominância, busca de sensações, competitividade, assertividade, auxílio e salvamento, independência e instrumentalidade. A feminilidade, por sua vez, encontra-se diretamente correlacionada à maternidade, constituição familiar, expressão emocional, ansiedade e depressão, satisfação conjugal, atitude liberal frente aos papéis sexuais, submissão, apenas para o sexo feminino, a feminilidade encontra-se positivamente correlacionada à auto-estima. Deste modo, os estereótipos estariam próximos às estruturas cognitivas, ou mais especificamente, a um tipo de estrutura que conteria o conhecimento, as crenças e as expectativas do percebedor em relação a algum grupo humano.
Diante de tal conceito de estereótipo, este estudo exploratório vem analisar se o biotipo das nadadoras influencia a percepção de indivíduos que diferem quanto ao envolvimento com a natação. Dois grupos de indivíduos foram selecionados. O grupo 1 – formado por homens e mulheres que apresentavam envolvimento com o desporto, no caso, os pais das nadadoras; e o grupo 2 – formado por homens e mulheres que não possuíam qualquer relacionamento com a natação. A partir de um instrumento psicométrico, estes dois grupos expressaram o conceito que possuíam das nadadoras. Este instrumento é composto por um total de 60 itens, divididos em três escalas: escala masculina (20 itens. Ex: argumentadora, arrojada, assertiva, atlética, autoconfiante, auto-suficiente, líder etc.), escala feminina (20 itens. Ex:: cuidadosa, delicada, dependente, emotiva, dócil, sensível, tolerante, vaidosa etc.) e escala neutra ou escala de desejabilidade social (20 itens. Ex: espontânea, otimista, responsável, invejosa, inconstante, apática etc.).
Segundo Miller (1982), Hamilton, Strosssner & Driscoll (1994) algumas definições acerca dos estereótipos são bastante abrangentes igualando-os aos mitos, as lendas ou ao folclore, enquanto outras são bastante restritivas, definindo-os como grupos de adjetivos comumente associados aos grupos sociais. De tal modo, através deste grupo de características designadas às nadadoras é que serão concebidos os estereótipos acerca das mesmas.
Diante dos resultados encontrados, não se teve diferenças significativas quanto à variável sexo na aplicação dos estereótipos sexuais às nadadoras, embora haja uma tendência por parte das mulheres de considerarem as nadadoras como possuidoras de um número maior de características neutras, quando comparadas aos homens da amostra total. Pode-se considerar que outros fatores interfiram na percepção dessas mulheres, distorcendo a imagem das nadadoras e propiciando a aplicação de estereótipos sexuais. A confirmação desta distorção perceptiva é assegurada ao se constatar que o grupo sem envolvimento com o desporto considerou as atletas como sendo menos femininas do que o grupo envolvido com o desporto. O desconhecimento e a falta de envolvimento com o desporto e com as atletas contribuiriam para objetivar uma imagem distorcida das nadadoras.
Uma das possíveis explicações para este fato poderia ser atribuída às características instrumentais do desporto. Esta percepção do desporto acabaria por influenciar de forma dominante o critério de avaliação dessas mulheres, levando-as, assim, a uma avaliação inicialmente instrumental das nadadoras.
Outro ponto relevante a ser considerado refere-se ao biotipo das mesmas. O distanciamento dos padrões estético-sociais designados à feminilidade contribuiria para a distorção perceptiva dessas mulheres. Já as mulheres envolvidas com o desporto, no caso as mães das nadadoras, perceberam-nas como femininas, mas, também, possuidoras de características neutras. Possivelmente, a proximidade decorrente da relação parental impeça a objetivação em uma imagem distorcida da natação e das nadadoras. Essas mulheres, portanto, percebem-nas como femininas, embora, atribuam às mesmas características instrumentais decorrentes e necessárias à própria prática desportiva.
Como estudo preliminar e exploratório, este trabalho confirmou que a característica do desporto somada ao biotipo dos atletas pode propiciar a aplicação de estereótipos sexuais, principalmente quando as características do desporto versus sexo dos atletas não se coadunam com os padrões sociais estabelecidos para a masculinidade e a feminilidade.Esta preocupação com a aparência física e com a atratividade sexual, por parte das mulheres, contribuiria para a distorção perceptiva e posterior aplicação de estereótipos sexuais sobre toda e qualquer mulher que se distancie dos padrões estabelecidos culturalmente como femininos. Outro ponto relevante a ser considerado reside nos conflitos que possam surgir nas nadadoras e nas adolescentes que iniciam a prática da natação como um desporto competitivo. O conflito entre biotipo versus padrões culturais impediriam mulheres atletas e futuras atletas de prosseguirem na carreira desportiva.
Os resultados demonstram que as mulheres sem envolvimento com o desporto perceberam as nadadoras como menos femininas do que as mulheres envolvidas com o desporto. Provavelmente, as características do desporto, somadas ao biotipo das atletas, contribuem para a aplicação de estereótipos sexuais. O processo de estereotipazação é um produto inevitável da condição humana como um processo de adaptação utilizado pelo individuo para simplificar e organizar as inumeráveis informações encontradas no ambiente.

Referência: Giavoni, A. Estereótipos sexuais aplicados às nadadoras. Revista Brasileira Ciência e Movimento,10, 2, 27-32.

Office Stereotypes- Mrs. Worst Dressed Ever

Foto do dia: padre rifa carro


Fonte: Whatever!Blog do Fred Chalub

Resenha: Análise psicossocial do preconceito contra homossexuais

Lucas Carneiro

Estudos a respeito do preconceito e da discriminação realizados em vários países demonstram que esse fenômeno vem assumindo formas cada vez mais sutis. O trabalho das respectivas autoras Alessandra Ramos Demito Fleury e Ana Raquel Rosas Torres insere-se nesse campo de estudo e investiga os efeitos da orientação sexual no processo de infra-humanização. Dele participaram 135 estudantes de pós-graduação na área de recursos humanos. A eles era solicitado que respondessem um questionário no qual avaliavam indivíduos homossexuais ou heterossexuais, atribuindo-lhes traços naturais e culturais, objetivando verificar a presença do processo de infra-humanização no preconceito contra os homossexuais. Diferentemente de outros estudos na área, os resultados indicaram que o preconceito contra os homossexuais se expressa de forma mais sutil que flagrante, apresentando uma maior atribuição de características positivas para o grupo majoritário e não se diferenciando em termos de atribuição de características negativas para o grupo minoritário. Esses resultados são discutidos, ressaltando-se a importância de mais estudos sobre o tema, tão pouco estudados por psicólogos sociais.

Segundo Gordon Allport o preconceito seria o preconceito seria “uma atitude evitativa ou hostil contra uma pessoa que pertence a um grupo simplesmente porque ela pertence àquele grupo, e está, portanto, presumido que objetivamente ela tem as qualidades atribuídas ao grupo”. Estudos atuais têm demonstrando que a existência de transformações na sua forma de expressão; apresentando-se de maneiras mais discretas mais não menos violentas os preconceitos nas sociedades modernas. Apesar de alterações do ponto de vista sócio legal sobre a situação dos grupos minoritários; declaração dos direitos humanos que a mais de 50 anos proíbe qualquer forma de discriminação, além de diversas emendas constitucionais proibindo o preconceito e a discriminação, contribuiu para que as pessoas percebessem que a norma do igualitarismo estava fortemente presente na sociedade e que comportamentos discriminatórios não mais seriam tolerados; o preconceito contra os homossexuais continua forte; mas, agora, porém de maneiras mais “sutis”, contra-controlados pela “opinião publica”.

Diversos estudos na Europa e nos Estados Unidos demonstram que o preconceito tem mudado suas formas de expressão, buscando atender à norma do igualitarismo, mas não há evidências de que ele tenha de fato desaparecido. O preconceito racial na Europa apresenta-se sob duas formas: o flagrante e o sutil. O racismo flagrante é a forma mais tradicional de expressão do preconceito, sendo ela mais direta, quente e aberta. Já o racismo sutil é a forma mais contemporânea de discriminação, é discreta, fria, indireta e, dessa forma, além de preservar a expressão do preconceito atende à norma da não discriminação, em que as pessoas consideram inaceitável ser preconceituoso e temem ser mal vistas por apresentarem tal comportamento. Encontraram evidências de que expressões mais sutis desse fenômeno estão desenvolvendo subprodutos que atendem à necessidade de perpetuação dos comportamentos discriminatórios ao mesmo tempo em que preservam a imagem igualitária dos atores sociais. De acordo com Leyens et al. (2000), um desses subprodutos é o processo chamado de infra-humanização. Leyens et al. (2003, p.705) afirmam que “do ponto de vista etimológico, infra-humanização expressa o sentido de que alguns humanos são considerados menos humanos do que outros”.

Essa perspectiva da infra-humanização está pautada na essencialismo psicológico, na qual afirma que as pessoas têm essências e são naturalmente “boas” ou “más” e “normais” ou “divergentes”. A partir dessa concepção as pessoas dos grupos minoritários serão dotadas de características que, de alguma forma, as transformem em “menos humanas”.

Na área da Psicologia Social, o preconceito racial e étnico tem sido um dos temas mais ativamente pesquisados. No entanto o preconceito contra homossexuais não tem recebido a mesma atenção Essa falta de atenção da Psicologia Social sobre o tema opõe-se ao grande interesse que a sociedade moderna tem revelado a respeito das questões relacionadas à homossexualidade de forma geral. Esse interesse é perceptível tanto nos movimentos que lutam pelos direitos dos homossexuais, tal como a parada gay, que cresce em número de participantes todos os anos, no Brasil e no mundo, como em programas sociais que têm como objetivo diminuir o preconceito. O programa “Brasil sem Homofobia”, lançado em 2004, é uma resposta aos altos índices de discriminação contra o grupo. Ele atende a casos que vão desde a exclusão social até a atos violentos contra essa minoria.

Pesquisas no Brasil apontam que 18% de goianienses e 11,9% de porto-alegrenses acreditam que a homossexualidade é uma doença, configurando esses percentuais como os maiores índices do país. Essa pesquisa também constatou que 33% dos pais de alunos goianos não gostariam que os filhos tivessem colegas de sala homossexuais e 25% dos estudantes pesquisados não gostariam de ter um colega de classe homossexual (resposta majoritariamente emitida por estudantes do sexo masculino). As capitais que obtiveram maior índice de rejeição foram Fortaleza,Recife e Goiânia.
Os poucos trabalhos sobre o preconceito e a discriminação contra homossexuais realizados no Brasil (Falcão, 2004; Lacerda et al., 2002; Pereira, 2004) apresentam resultados que apontam a expressão flagrante do preconceito contra os homossexuais, ou seja, mais aberta e mais direta, menos preocupada em atender às normas do igualitarismo.

Spencer (1999) defende que a análise da história da sexualidade evidencia o preconceito contra os homossexuais como uma construção sócio-histórica. A instituição Igreja Católica modelou essa construção e ainda controla e direciona, de alguma forma, como os homossexuais são encarados pela sociedade. Assim, o estudo de Pereira (2004) buscou avaliar como as diferentes explicações para a homossexualidade e as características sociográficas, principalmente a religião dos participantes envolvidos em seu estudo, ancoram o preconceito contra os homossexuais. As explicações utilizadas no estudo são os cinco tipos constatados por Lacerda et al. (2002): explicações biológicas, psicológicas, religiosas, ético-morais e explicações psicossociais. Partiu-se do suposto de que as explicações da homossexualidade funcionam como um sistema de justificação normativo, que oferece aos participantes do estudo a possibilidade de discriminar e expressar atitudes hostis ao grupo de homossexuais, sem “ameaçar a percepção de que eles estariam executando ações para o bem- -estar social, pois estaria a serviço de Deus quem é ‘Bom’ por natureza” (Pereira, 2004, p.107). A análise dos dados do estudo de Pereira (2004) confirma a hipótese geral de Lacerda et al. (2002) de que as explicações sobre a homossexualidade se dividem em cinco tipos, conforme exposto anteriormente. A explicação biológica estaria baseada na idéia de que a homossexualidade seria uma doença provocada por distúrbios de natureza fisiológica, hormonal ou gestacional. A explicação ético-moral representaria a crença de que a homossexualidade está relacionada com a ausência de respeito, de caráter e de valores morais do indivíduo. Já a explicação religiosa aponta o homossexual como uma pessoa que não segue a palavra de Deus, que não tem força espiritual e religiosidade para resistir às tentações. A explicação de ordem psicossocial organiza as crenças de que a homossexualidade não é doença e deve ser compreendida na sua totalidade, pois trata da forma distinta pela qual cada um vive sua sexualidade, que é parte da identidade do sujeito. Por último, temos a explicação psicológica, constituída pela crença de que a homossexualidade é resultado de traumas experienciados na primeira infância.

A depender da posição de uma pessoa sobre as causas da homossexualidade seus preconceitos serão exprimidos de formas diferentes As pessoas que dão explicações psicossociais para a homossexualidade, e acreditam que se deva tentar compreendê-la em sua totalidade, são favoráveis à adoção de crianças por homossexuais. Já as pessoas que consideram a falta de caráter, de respeito e de valores morais como causas da homossexualidade são contrárias à adoção de crianças por homossexuais, além de terem sido classificadas como preconceituosas flagrantes, ou seja, acreditam que a explicação da condição do homossexual por si só justifica as atitudes discriminatórias dirigidas ao grupo.

A analise psicossocial da homossexualidade enxerga as pessoas que dão explicações psicossociais para a homossexualidade, e acreditam que se deva tentar compreendê-la em sua totalidade, são mais favoráveis à adoção de crianças por homossexuais. Já as pessoas que consideram a falta de caráter, de respeito e de valores morais como causas da homossexualidade são contrárias à adoção de crianças por homossexuais, além de terem sido classificadas como preconceituosas flagrantes, ou seja, acreditam que a explicação da condição do homossexual por si só justifica as atitudes discriminatórias dirigidas ao grupo estudo, no caso a infra-humanização ( incapacidade de expressar comportamentos e características humanas e valores considerados humanos, tais como compaixão, solidariedade, educação.), visto que se apresenta como uma alternativa à perpetuação do preconceito numa sociedade em que as normas anti–racistas estão presentes.

O estudo das autoras sobre diferenciação no nível de traços culturais dos heterossexuais e dos homossexuais é baseado nos estudos de Moscovici e Pérez (1999) sobre a infra-humanização como essencialização das diferenças em termos de desculturalização sejam compreendidos. Essa teoria envolve a compreensão do que são considerados “traços naturais” e “traços culturais”. Os primeiros, traços naturais, são definidos por Moscovici e Pérez (1997) como características que podem ser atribuídas tanto aos seres humanos como aos animais, tais como: intuitivo, livre, espontâneo, selvagem, impulsivo, entre outras. Já os “traços culturais” são aqueles típicos do ser humano, tais como criativo, leal, fiel, cooperativo, amigável, etc., também resultantes do processo de socialização.

Com a hipótese de que possivelmente serão atribuídos mais traços culturais para o grupo dos heterossexuais do que para o de homossexuais; – possivelmente não haverá diferença significativa na atribuição de traços naturais entre o grupo de homossexuais e o grupo de heterossexuais. Apesar de os resultados não indicarem a presença dos componentes de infra-humanização no preconceito contra os homossexuais na amostra pesquisada (muito pequena por sinal; e feita com pessoas com nível superior, ou seja, apresentam muitos recursos para controlar suas opiniões para evitar punições púbicas), eles apontaram para uma diferenciação significativa na atribuição de características positivas entre os grupos. Os resultados deste estudo apontam o preconceito dirigido ao grupo de homossexuais como sutil, diferentemente de outras pesquisas na área, que indicavam a existência de um maior percentual de preconceituosos flagrantes (Lacerda et al., 2002; Falcão, 2004; Pereira, 2004).

Depois da analise desse artigo fica clara a necessidade de investigarmos a configuração do preconceito e da discriminação contra o homossexual em nossa sociedade para que possamos compreender os mecanismos que promovem essa situação e, assim, estarmos aptos a propor intervenções que venham diminuir, ou, preferencialmente, eliminar os conflitos intergrupais, favorecendo o bem-estar social.

Referência: Fleury, A. e Torres, A. Análise psicossocial do preconceito contra homossexuais. Estudo de Psicologia (Campinas) 24,4,475-486;2007

Placas e cartazes: explore safely (2)

Fonte: Lá Fora

Office Stereotypes- Ms. Fashionista

Estereótipos, humor e publicidade: tão rápido que você nem esperava

Contribuição: Marinês Oliveira

Com o avanço da industria farmaceutica, os medicamentos designados a quem tinha impotencia sexual gerou uma corrida as farmacias. contudo, a crença que estes medicamentos fariam com que qualquer pessoa pudesse aumentar o desempenho sexual, fez com que estes medicamentos fossem utilizados por qualquer homem, em qualquer idade, independente de ter ou não qualquer disfunção sexual.

Fonte: Pérolas Mentais

Resenha: Sexismo hostil e benevolente: inter-relações e diferenças de gênero

Daiana Nogueira

Conceitualizando o preconceito como uma antipatia ou hostilidade dirigida a grupos ou a membros específicos de um grupo, devido a generalizações incorretas, Gordon Allport (1954), em sua obra “A natureza do preconceito”, impulsionou os primeiros estudos científicos sobre o preconceito dentro de uma perspectiva psicossocial. Ainda muito utilizado atualmente, esta definição sugere que o fenômeno do preconceito é constituído por bases de natureza cognitiva, afetiva e comportamental. O componente cognitivo é expresso através dos estereótipos presentes nas atitudes preconceituosas. Já o componente afetivo, por sua vez, pode ser verificado nos sentimentos e avaliações negativas dirigidas a certos grupos ou membros destes. Por fim, tem-se o componente comportamental do preconceito, relacionado diretamente com a discriminação e atos hostis direcionados a determinados grupos sociais.

Dentre as diversas, e inúmeras, possibilidades de expressão do preconceito, o Sexismo, ou avaliações negativas e atos discriminatórios dirigidos às mulheres, é amplamente verificado atualmente em diferentes contextos sociais. A literatura propõe a existência de dois tipos de manifestação do referido preconceito: o Sexismo institucional e o Sexismo interpessoal. Enquanto o primeiro está associado às práticas de discriminação e exclusão promovidas por entidades, organizações e comunidades, o segundo tipo de Sexismo refere-se à atitudes e condutas negativas que os homens direcionam às mulheres durantes as relações interpessoais cotidianas. As teorias feministas, por sua vez, defendem que o Sexismo, qualquer que seja a sua classificação, é um claro resquício de uma cultura patriarcal, apoiada em atitudes de desvalorização do sexo feminino como forma de legitimar e perpetuar o poder, dominação e controle do sexo masculino.

A literatura mais recente, no entanto, tem demonstrado, segundo Ferreira (2004), que as chamadas atitudes tradicionais a respeito das mulheres vêm sendo substituídas por novas formas de Sexismo, nas quais a antipatia ou hostilidade em relação à elas tem se expressado de forma simbólica ou indireta. Sob esta perspectiva, o Sexismo antigo (old-fashioned) é compreendido pelo endosso aos papéis de gênero tradicionais e aos estereótipos sobre a menor competência feminina, enquanto o chamado Sexismo moderno baseia-se na negação da existência de discriminação contra as mulheres e em avaliações negativas mais implícitas e encobertas em relação a estas.

Glick e Fiske (1996), a partir da análise das contemporâneas manifestações do Sexismo, defendem uma diferenciação entre Sexismo Hostil e Sexismo Benevolente, sendo o hostil caracterizado por intensa antipatia contra mulher, e o benevolente caracterizado por sentimentos e condutas positivas em relação ao sexo feminino. Além da definição, as origens e impactos destes tipos de Sexismo moderno também são distintos. O Sexismo hostil é oriundo de uma sociedade patriarcal, com inúmeros e intensos estereótipos acerca dos papéis destinados a cada gênero. Já o Sexismo benevolente, é estruturado através do poder biológico de procriação que detém a mulher, além da sua função social de cuidar dos filhos e satisfazer sexualmente o parceiro, assim o sexo feminino é concebido ideologicamente como um objeto romântico e reverenciado afetivamente por seu papel de mãe e esposa.

Ferreira (2004) propôs, através do inventário de Sexismo Ambivalente construído e validado por Glick e Fiske (1996), verificar a estrutura fatorial do referido inventário em amostras populacionais brasileiras. Para tanto, se valeu de 540 estudantes universitários, de 17 a 28 anos, pertencentes aos cursos das áreas de humanas e tecnológicas de universidades públicas e privadas da cidade do Rio de Janeiro. A referida amostra foi composta por 270 homens e 270 mulheres. O instrumento traduzido foi composto por 22 itens, que deveriam ser respondidos com base numa escala Likert de 6 pontos.

A aplicação do inventário de Sexismo Ambivalente em amostras populacionais brasileiras reproduziu integralmente as duas formas de Seximo – hostil e benevolente- reveladas pelo estudo original, atestando que estas duas formas de Sexismo constituem construtos independentes. Apesar de independentes, os construtos Sexismo hostil e o Sexismo Benevolente, se mostraram nos resultados obtidos como positivamente correlacionados, o que sugere que estas duas formas de Sexismo constituem facetas ideológicas de um mesmo sistema que diferencia os papéis e posições masculinas e femininas.

No que diz respeito ao Sexismo hostil e aos estereótipos negativos, os homens se mostraram mais sexistas do que as mulheres. As mulheres, por sua vez, rejeitaram o Sexismo Hostil, mas aceitam o Sexismo Benevolente e os estereótipos positivos na mesma proporção que os homens. Tal resultado pode ser interpretado pelo conteúdo presente em cada tipo de Sexismo, já que no primeiro tipo de Sexismo a mulher é ofendida, discriminada e punida, enquanto no segundo tipo, ela é protegida e reverenciada pelo sexo masculino. Ao endossarem em grau semelhante ao dos homens o Sexismo Benevolente, as mulheres estariam adotando também uma ideologia patriarcal, hierárquica e desigual, estimulando as práticas do Sexismo Hostil e contribuindo para a legitimação deste.

Frente a estes resultados, Ferreira (2004) defende que as desigualdades de gênero continuam sendo legitimadas por homens e mulheres pertencentes a diferentes grupos nacionais, sendo o Sexismo Benevolente uma forma implícita de perpetuar as mais variadas atitudes discriminatórias contra as mulheres. Este tipo de Sexismo aceito pelas mulheres, propicia também a aceitação do poder estrutural dos homens e reforça o papel feminino de dependência e busca constante por proteção e apoio oferecidos pelo sexo masculino.

Referência: Ferreira, M. C. Sexismo Hostil e Benevolente: inter-relações e diferenças de gênero. Temas em Psicologia, 12, 2,119-126, 2004.

Office Stereotypes- The Foreigner