Seminários abertos sobre estereótipos, preconceitos e exclusão social: Makota Vildina Pinto, Tolerância e intolerância religiosa

Makota Valdina Pinto

Terreiro Tamari Junsara

Tolerância e intolerância religiosa

Seminários abertos sobre estereótipos, preconceitos e exclusão social

Salvador, Bahia, 18 de fevereiro de 2008

Universidade Federal da Bahia

5 comentários sobre “Seminários abertos sobre estereótipos, preconceitos e exclusão social: Makota Vildina Pinto, Tolerância e intolerância religiosa

  1. Colofé, Makota. Meus respeitos.

    Lamento muito não poder ter ido ao seminário, mas já tive o prazer de ouvir a Makota em outras oportunidades e já conhecia a sua preferência em propor estas amplas reflexões sobre a questão da intolerância religiosa. Gostaria, contudo, de que em outras oportunidades ela falasse um pouco mais de suas vivências e conhecimentos mais factuais em relação ao preconceito e discriminação.

    Tb me permito dar uns pitacos em coisas que acredito não ter relação com fundamentos mais iniciáticos da religião, como a questão do sincretismo. Concordo completamente que o conhecimento livresco do Candomblé é impossível, e que muita besteira se fala sobre as coisas do Santo. Agora, me parece igualmente academicista, ocidental e cartesiano esta pretensão de um purismo africanista e de rejeição do sincretismo, que é uma expressão religiosa vinda genuinamente do povo negro desde a aurora da religião. Quem conhece o sincretismo feito ao modo do Povo de Santo sabe que as correlações simbólicas e rituais feitas com os icones católicos se dão dentro da lógica do Candomblé, e não o contrário. Os negros nagôs já possuiam o costume de assimilição de simbolos de outras religiões, e o próprio Candomblé é uma reunião de cultos um tanto Ad Hoc em relação ao que existia na África. Quem faz distinção entre religião de negro e religião de branco é quem adota uma forma de pensar ocidental, cartesiana, onde cada um fica no seu quadrado, com motivações políticas de inspiração européia. Quem pensa como os nagôs pensavam não distingue as coisas tão radicalmente.

  2. O sincretismo religioso pode serentendido por várias nuances. A primeira delas é como forma de preservação da religião, pois uma vez que provavelmente se não houvesse esse artifício a religião não sobreviveria. A outra forma é como o sincretismo como uma forma de submissão ao poder instituído. Algumas casas preservam o costume onde o iaô (iniciado) para completar seu processo de feitura do santo (iniciação) de ve ir em sete igrejas, culminando na basílica do Bonfim e ainda receber a hóstia. Fica aí, pelo menos para mim, uma clara submissao e incorporação de ritos competamente alienígenas a cultura africana. É fato que o candomblé sofreu misturas diversas, inter-nações africanas e também ameríndias e espíritas, como o culto dos caboclos, marujos e pretos velhos. Portanto o sincretismo deve ser pensdo dentro de uma lógica muito complexa, embora completamente lógica por parte daqueles que a vivencia.

  3. Sabe o que eu temo, Valter? É que eu noto que volta e meia alguém do santo que tem visibilidade ataca o sincretismo como se fosse algo absurdo, e isso, no meu entender, tá muito longe da verdade. “Iansão não é Santa Bárbara” já virou slogan de uma famosa Yiálorixá. Eu gostaria de conhecer algum registro histórico que comprove que os escravos eram obrigados a adorar os santos católicos, e a permanência dos paralelimos entre as religiões me indica aceitação mesmo. Li em algum escrito de Julio Braga, não me lembro qual, que os yorubanos já tinham o costume de respeitar “os donos da terra”. O Candomblé de Caboclo é um grande exemplo disso.

    Eu procuro me pautar sempre pelo o que a tradição ensina, entender sua lógica. Na minha família há 60 anos se reza a novena de São Roque. No altar que montamos na sala tem a imagem do franciscano francês e do lado um balaio com pipoca! Não tem conversa anti-sincrética que me faça deixar de cumprir minhas obrigações, ainda mais eu, que sou filho de Obaluaê.

    Exemplos de sincretismos ou relações muito próximas entre religiões é o que não faltam pelo mundo. No Japão, o Xintoísmo nativo dialoga intimamente com o Budismo vindo da China. Lá “se nasce no Xinto e se morre no Budismo”. No século XIX, a ascensão da dinastia Meiji, com seu ideário ultra-nacionalista, peseguiu os monjes budistas e proibiu as relações entre as religiões, sob o argumento que a única religião verdadeiramente japonêsa era o Xintoismo.

    Se alguém quiser fundar uma vertente “africanista” do Candomblé, sinta-se livre. Mas que fique bem claro que estes que são os reformistas, e não ortodoxos ao extremo como poderia parecer. Creio que os nagôs sabiam muito bem distinguir os assuntos pertinetes ao Orun e os assuntos pertinetes ao Aiyê.

  4. Quem melhor fala sobre o que eu penso e sinto sobre este assunto não sou eu, mas Jorge Amado, no seu conto genial “O Compadre de Ogun”, do livro “Os Pastores da Noite”, de 1964.

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