Estereótipos, preconceitos e o exercício do jornalismo: exercício de preconceito implícito na Folha de São Paulo

A Folha é um veículo de comunicação que a cada dia se identifica e é identificado com este país dentro do Brasil chamado São Paulo. Quando um editor deste jornal destila preconceitos por todos os poros, ninguém parece perceber. Clique aqui e leia o artigo publicado por um famoso jornalista e note quão preconceituosa uma pessoa pode ser, mesmo querendo pousar de avançada e politicamente correta, algo ainda mais grave quando se trata de um de jornalista que tenta aparentar uma enorme vocação para a defesa das causas educacionais. O título do artigo já diz tudo: deficit de QI baiano é verdade. Temos, no caso, um excelente exercício de como é possível ser ambíguo, irônico e não dizer nada … ou melhor, de como deixar as coisas claras, mesmo que aparentemente nada seja afirmado. Desde o começo, o artigo explicita que o déficit dos baianos é a contrapartida exata e simétrica do superavit do QI do paulista. Afinal, quem não tem QI é obrigado, por falta de oportunidades, ou porque o QI não é lá estas coisas mesmo, a ficar na Bahia. Ele provavelmente conhece bastante bem a Bahia, os baianos e sabe que o principal indicador de inteligência do baiano é se mudar para São Paulo, pois a criatividade do parco QI baiano sem a disciplina do superavitário QI paulistano não significa absolutamente nada. E claro, o exemplo mais marcante que o jornalista encontra para exemplificar o QI dos baianos é um famoso publicitário. O exemplo é perfeito, ilustra bem o que ele entende ser uma pessoa inteligente e indica, afinal, que o decisivo para a definição da inteligência de qualquer um, baiano ou paulista, é que a pessoa seja uma reluzente estrela de uma constelação (provavelmente uma constelação de publicitários e, claro, jornalistas).
O jornalista é ainda mais feliz ao aludir que São Paulo, o grande importador de cérebros, é o lugar onde se encontra a inovação e que esta anda lado a lado com a prosperidade. Fora desta ilha enorme de prosperidade e inovação sobraria apenas repetição e a mediocridade. Para o jornalista, portanto, o que divide o Brasil não é a desconcertante riqueza de uns poucos e injustificada miséria de uns tantos. Para ele temos dois Brasis, um das pessoas criativas e de alto QI que estão em São Paulo e os outros medíocres e repetitivos, que não conseguem nem mesmo pensar na hipótese de viver no Eldorado. Certamente ele deve ter dados que oferecam suporte a esta certeza, afinal, um jornalista/educador deve estar a par dos principais indicadores educacionais. Ou talvez, os índices, exemplos ou outros dados mais objetivos não sirvam para nada. Afinal, ele é membro do Conselho Editorial da Folha de Sâo Paulo ou seja, é uma reluzente estrela de uma brilhante constelação. E para o resto, para todos nós que não escolhemos, podemos ou queremos viver em São Paulo, sobra a mediocridade e a repetição à qual fomos condenados pelo nosso déficit de QI e pelo reluzente  jornalista.

3 comentários sobre “Estereótipos, preconceitos e o exercício do jornalismo: exercício de preconceito implícito na Folha de São Paulo

  1. Pois é. Os melhores vão pra lá porque lá eles se sentem em casa.

    O que eu acho massa é ver como o preconceito hipócrita brasileiro se manifesta. Ele se aproveita da manifestação mais explícita e quase que auto-direcionada do nosso estúpido local para disfarçar os seus próprios posicionamentos preconceituosos. Ele quase que diz: “mas são vocês mesmos que estão se chamando de burros”.

    E, embasado nisso, ele aproveita a oportunidade para concordar. Claro que nunca se baseando num argumento biologicista anacrônico, mas recorrendo a uma moderna análise da economia das inteligências. Baiano inteligente vai pra Sampa, e baiano burro fica aqui batendo tambor. Como Marcos disse, esse cara não conhece a Bahia, portanto, não tem como conhecer as pessoas inteligentes daqui e pouco se importa com a produção dessas pessoas.

    Essa é uma prova flagrante de como pensamentos ultraliberais tendem a distorções absurdas. O cara disconsidera todo um contexto histórico, e ainda insinua que a culpa de nossa dita burrice é toda nossa! Ele esquece (esquece?) de que jogamos um jogo de cartas marcadas, de panelinhas, de máfias, que já apontam quem vai ser o vencedor e o perdedor. No máximo, segundo esse cara da Folha, você pode se juntar ao time vencedor dos grandes QI´s, e o resto que tome no QU!

    Outra coisa que considero interessante é o exemplo de inteligência que o cara deu: um publicitário. Eu, como gosto de pegar no pé da publicidade, continuo sustentando minha tese de que a mentalidade desse povo é uma das coisas mais nefastas do mundo. Hoje, quem manda na mídia é a publicidade. Manda porque a sustenta. A publicidade tende a ver o mundo de forma completamente estereotipada, e com muitos preconceitos no meio também. A mídia, que deveria ser uma instância de análises aprofundadas, na verdade raciocína como os seus patrocinadores marqueteiros, na base do julgamento generalizante e preconceituoso.

  2. Em resumo o que o jornalista quis dizer…venham os baianos “competentes” para cá, pois sabemos “valoriza-los”, transformando-os em bom paulistas!
    Dúvido que esse artigo poderia se aplicar aos diversos nordestinos e baianos que provocam o êxodo rural na tentativa de melhorar de vida…

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