Estereótipos e categorias sociais

Quase toda a tradição de trabalho na psicologia social sobre os estereótipos se limita a um tipo específico de referente, as categorias sociais, desconsiderando quase que completamente os outros tipos de entes sociais identificados na literatura (Lickel, Hamilton, Wieczorcowska, Lewis, Sherman e Uhles, 2000). A importância das categorias sociais no estudo dos estereótipos provavelmente é uma conseqüência da enorme influência exercida pela obra A natureza do preconceito, de Gordon Allport, na qual se analisa de forma minuciosa o processo de categorização e se discute as diferentes formas pelas quais a categorização pode influenciar a expressão dos estereótipos e dos preconceitos (Allport, 1962). É importante assinalar, no entanto, que a relação entre os estereótipos e as categorias sociais não é de simples simetria. Ainda que os estereótipos quase sempre se refiram às categorias sociais, é perfeitamente concebível que um indivíduo possa ser categorizado, sem que um estereótipo venha a ser ativado ou aplicado. Afinal, nem toda categoria social é alvo de estereótipos

 

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O essencialismo e a categorização social

O essencialismo psicológico, definido por Medin (1989) como a tendência das pessoas a atuarem como se houvesse essências nas coisas, ou seja, como se existissem estruturas subjacentes que tornam as coisas o que elas em definitivo são, impõe uma diferença fundamental em relação às teorias clássicas da categorização, pois enquanto o essencialismo postula que a semelhança entre os objetos é uma conseqüência da categorização, as teorias clássicas sinalizam que a semelhança é a causa da categorização. Para os essencialistas, tanto as teorias implícitas quanto as semelhanças podem ser considerados guias para a categorização, sendo absolutamente necessário postular o impacto conjunto dos fatores superficiais e profundos durante o processo de categorização, justificando assim tese de que a inclusão de uma pessoa em uma categoria social depende tanto das semelhanças na aparência quanto das conjecturas disponíveis sobre a propriedade profunda das coisas percebidas. Em geral, são as coisas e não os humanos que são essencializados. O que faz, então, com que as pessoas e os grupos humanos também sejam essencializadas?

Fonte: Pereira, Marcos E.  O essencialismo e a explicação dos estereótipos. Manuscrito não publicado.

Os estereótipos e a estereotipização

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