Categorias sociais e rótulos: piriguete

Origem: Salvador

Piriguete: do latim, peiculum. Significa garota perigosa, frequentemente vestida com uma saia menor que a sandália, cabelo cheirando a shampoo e muito freqüentada pelos putões.

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Autor: Marcos E. Pereira

Professor do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (Mestrado e Doutorado) da Universidade Federal da Bahia. O currículo Lattes pode ser acessado no site http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4799492A6

12 comentários em “Categorias sociais e rótulos: piriguete”

  1. Tem cada vez mais deixado de ser um estereótipo negativo (opinião). Talvez seja um rótulo que está mais comum e mais dissemminado entre classes sociais mais abastadas (mera conjectura).

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  2. Concordo com o Rafa quanto ao termo se referir a um conceito antigo de “mulher-galinha”. Mas me parece que existe uma especificidade de cunho regional. Por exemplo: as semelhanças entre uma “cachorra” carioca e uma piriguete de Salvador sao apenas parciais. A primeira evoca imediatamente a fala chiada e o apreço pelo funk de lá, enquanto a piriguete lembra o sotaque arrastado do soteropolitano, o aroma de cosméticos de baixo preço e a assiduidade em shows do nosso pagodão.

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  3. Sem querer entrar no discurso feminista, com relação ao que Judson falou, eu acho que o fato de parecer que o termo piriguete perdeu sua conotação negativa tem a ver com o fato de muitas mulheres ainda aceitarem o rótulo de mero objeto sexual.
    Já observei que algumas garotas têm até orgulho quando recebem o título.
    Por mais que se use o termo como uma brincadeira, acho que ainda assim, é uma continuidade de uma forma visão.

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  4. Também tem isso. Uma normalização desse tipo de conduta, outrora considerada inadequada. Mas eu acredito que o movimento feminista é bastante responsável por isso, afinal as mulheres vem copiando o comportamento dos homens justamente onde ele não é referência para nada. Então raciocinam da seguinte forma: “se os homens são putões e isso é valorizado, vamos valorizar a promiscuidade feminina também, direitos iguais”. Um erro absurdo. Quer dizer ao invés de lutarmos contra um erro de conduta condenável na maioria dos homens, estendemos o erro também as mulheres e, num passe de mágica, o erro, agora generalizado, deixa de existir.

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  5. Antes que possa haver algum manifesto relativista(aqueles que acreditam que tudo pode ser qualquer coisa e que certo ou errado é uma questão de ponto de vista) estou patindo do pressuposto de que a promiscuidade é um grave erro.

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  6. Concordo com o que Rafa diz à respeito dos movimentos feministas que muitas vezes levam as mulheres à mirar-se em características lamentáveis masculinas, mas acho que ao mesmo tempo as mulheres também vêm ocupando espaços bastante invejáveis.

    Quanto à naturalização da promiscuidade, concordo que seja algo condenável, mas ainda acho que haja uma valorização da mesma quando ligada ao sexo masculino , e mesmo diante da tentativa de naturalização para as mulheres, as piriquetes, galinhas ou seja lá qual for o rótulo, continuam sendo vistas como “mulheres descartáveis”, ao contrário dos homens, que como “putões”, muitas vezes tornam-se “exemplos” pra classe masculina.
    Como Rafa disse, o erro se generaliza, mas não acredito que ainda seja visto da mesma forma para ambos os sexos.

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  7. Ora, ora, elas apresentam uma extra rota para o ‘zignow’(escapadela). E isso é bom ou ruim? Um erro ou um acerto? Hum…

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  8. Apenas mais um rótulo para uma parte do povo baiano, tornando dessa forma as festas mais atrativas para o “pessoal de fora”… Sim, com certeza a definição que se dá para piriguete hoje, se aproxima com as definições dadas pelas pessoas para o jeito jeito de ser escolhido por algumas mulheres a pouco tempo atrás, os quais eram (e às vezes asinda são) chamadas de “galinha”, mulher fácil, “bandida” etc, etc, etc… e que a pouco tempo (“hodiernamente” falando) tornaram-se piriguetes. No entanto, o pior de tudo é saber que, infelizmente, tem um monte de mulher que interioriza tal rótulo e acaba servindo de produto (como por exemplo, a imagem atrativa da piriguete para o turista que vai “se da de bem”), concomitante com a cultura baiana.
    Lembremo-nos sempre: o governo é para o povo, não o povo para coverno. Chega de inversão.

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  9. Levando em consideração que ser piriguete é caracterizado pelo fato de agir de forma promiscua, usar roupas minusculas, estar em todas as festas… o que antes era chamado de descaração ganhou nome novo piriguetagem. O fato é que cada vez mais as mulheres se auto-desvalorizam e são rotuladas de piriguetes por suas atitudes depravadas.

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