Resenha – Sobreviver ao medo da violação: Constrangimentos enfrentados pelas mulheres


Tainã Veloso

Traz um conjunto de idéias inicias abordando o medo do crime como um problema social no qual não somente atinge aqueles que sobreviveram, mas também aquelas que sofrem por antecipação a vitimização, sendo às mulheres o seu foco.
As primeiras páginas do artigo tem foco principal nas mulheres como o gênero que apresentam uma maior ansiedade em relação a segurança oferecendo diversos autores como embasamento teórico, mas refletindo sobre a mesma idéia: “… duas características principais podem explicar o fato da ansiedade pelas mulheres, primeiro calcada nas características sociais inerentes as mesmas; a segunda referindo-se a um tipo de violência que afeta majoritariamente as mulheres, a violação (Clemente & Kleiman, 1977 cit. por Stanko 1993; Maxfield, 1984, cit. por Stanko, 1993; Roger et al., 1978). Segundo (Griffin, 1971) citado por Softas-Nall et al., 1995, o crime de violação e o medo de violação fazem parte da consciência de todas as mulheres.

Desta forma, em seguida acaba por apontar como cenário, o espaço social e privado, como um dos potencializadores da perpetuação desta ideia, vindo a provocar tanto nos homens como nas mulheres a internalização e consequente adoção por partes destas de comportamentos preventivos em determinadas situações. O medo da violação é transversal ao gênero feminino, operando num contexto físico e social, produzindo consequências não só neste, mas na comunidade em geral, fazendo deste crime um fenômeno comum e um problema social (Meltz, 1973, cit. por Riger & Gordon, 1981). Apontando que somente uma transformação nas instituições sociais e culturais a partir das quais se origina e tem lugar os problemas é que uma suposta solução poderá vim a ser encontrada.
Para fins de pesquisa, a população investigada para tentativa de resposta aos anseios proporcionados ao fenômeno violação, foi constituída por 18 mulheres com idades compreendidas entre os 19 e os 25 anos, sendo a amostra construída por conveniência na população universitária do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. O instrumento utilizado de acordo com a metodologia dos Grupos de Debates foi um guião de discussão elaborado a partir da escala “Fear of Rape Scale” (Fors) validada por Senn e Dzimas (1996). Tendo como objetivo conhecer a realidade do medo da violação e os condicionalismos que a sua existência provoca na vida das mulheres, a partir das experiências das participantes. Para fins de coleta de dados, formaram quatro grupos de debates, variando de 03 (três) a 06 (seis) participantes com uma facilitadora para condução dos debates.
Em seguida apresentaram-se os principais comportamentos que as mulheres realizam frente à ameaça de violação no qual sendo esta a ameaça que mais temem adotando algumas estratégias, que de acordo com a análise dos dados obtida são: Associação frequentemente do perigo aos locais públicos e a pessoas estranhas relacionado com eles o risco de agressão sexual; tomam precauções quanto a pessoas estranhas ou relativamente perigosas como mudar de passeio, trancar a porta do carro, depositando maior confiança em pessoas conhecidas e amigos; à restrição da liberdade das mulheres no qual o medo é fator limitador do movimento delas no ambiente que as envolve; O fenômeno social do medo da violação atuando num contexto envolve alguns fatores como a prevalência do crime de violação, a cultura social que abarca a identidade do gênero e os papeis sociais e sexuais, inclusive a desigualdade entre gêneros. Cabendo a atuação dos Psicólogos e também como cidadãos sensibilizar as mulheres bem como a sociedade em geral a cerca da realidade da violação tomando em consideração os fatores psicológicos e culturais que causam e perpetuam esse fenômeno social: o medo da violação.

Berta, M., Ornelas, J e Maria, S. Sobreviver ao medo da violação: Constrangimentos enfrentados pelas mulheres. Análise Psicológica, 25, 1, 135-147, 2008. Clique aqui para obter o artigo

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