Hipótese 3

Teste da hipótese 3: as crenças tradicionais e as cientificamente justificadas se correlacionarão negativamente

Para testar a hipótese 3 rodamos uma matriz de correlação, com as seis crenças tradicionais e as seis cientificamente justificadas. Os resultados, consistentes com o postulado na hipótese, sugerem uma diferença muito acentuada entre os que acolhem os dois tipos de crenças. Quanto mais um participante acredita numa CT específica, mais ele acredita nas outras crenças tradicionais, sendo o mesmo raciocínio válidos para as CJ. Se a esta tendência se associa a atribuir menor importância aos itens incluídos em um outro sistema de crenças, como os dados deixam claro, podemos supor que é possível diferenciar claramente os participantes em função das crenças que eles atribuem maior importância. Estas relações podem ser observadas no mapa de intensidade das correlações de Spearman.

Se utilizarmos a crença em deus como exemplo, é possível constatar, mediante a análise da tabela, que quanto mais a pessoa atribui importância a deu, mais ela valoriza milagres , anjos e o céu. Os coeficientes de correlações entre a crença em deus e entidades como o diabo ou o inferno, também se mostraram positivas.

A correlação entre a crença em deus e em milagres, por exemplo, é positiva e intensa, conforme se observa na figura abaixo .

Para a analisar a consistência do padrão das respostas relativas a esta associação conduzimos, mediante o uso do software Jasp, uma análise sequencial. A relação de associação entre estas duas variáveis apresentou um crescimento sistemático com a inclusão de novos registros, alcançando um fator bayesiano extremamente robusto (BF = 2,02e+51), indicando que a hipótese substantiva a respeito da relação entre a crença em duas e em milagres é cerca de exageradamente maior que a hipótese nula de ausência de associação entre as duas crenças.

Par fins de comparação, o diagrama mostra uma correlação negativa entre a crença na genética, uma CT, e a crença em milagres, uma CJ, conforme se observa na figura abaixo.

A análise sequencial na correlação entre as duas variáveis evidencia que a associação negativa (BF = 6,61e+56) entre a crença na genética e em milagres é ainda mais forte que a associação positiva entre a crença em deus e em milagres.

Finalmente, mediante a inspeção do gráfico abaixo, avaliamos a evolução das crenças CT e CJ ao longo da pandemia. O gráfico evidencia claramente a simetria entre as crenças, pois o acréscimo da importância de um sistema de crenças suscita uma redução proporcional do outro sistema.

Uma vez que as doze variáveis foram mensuradas numa escala ordinal, realizamos uma série de transformações para torná-las aptas ao tratamento requerido para as análises posteriores. Uma vez que as variáveis associadas a cada um dos sistemas de crenças se mostraram consistentes entre, com um alto grau de correlação positiva entre as do mesmo bloco e negativa com as do bloco oposto, criamos uma variável comum denominada crenças científicas, que reflete a relação entre os sistemas de crenças cientificamente justificados e o de crenças tradicionais. Para isto, para cada participante e em relação a cada crença atribuímos o valor 1 se ela foi colocada em uma das seis primeiras posições e o valor 0 se ela foi colocada nos seis últimos postos. Isto permitiu obter um valor para as crenças tradicionais e um para as crenças cientificamente justificadas. O resultado obtido para cada sistema de crenças em cada participante poderia oscilar entre os valores 0 e 6. Para criar a variável, subtraímos o valor das crenças tradicionais das crenças justificadas.Uma vez que o resultado final poderia oscilar entre 6 e -6, acrescemos a este resultado 7 unidades, de forma a evitar a presença de valores negativos na escala. Desta forma, a aplicação da fórmula abaixo gerou uma escala contínua de 1 a 13 pontos, na qual o valor 1 significa a adesão aos sistemas de crenças tradicionais (CT) e o valor 13 ao sistema de crenças cientificamente justificadas.

SC = (CTsoma – CJsoma ) + 7

A análise descritiva indica o valor média da escala de 8,93 e um desvio-padrão de 3,82. Esta distribuição pode ser inspecionada visualmente no gráfico apresentado abaixo.

A evolução da avaliação do sistema de crenças cientificamente justificado pode ser observado no gráfico plotado na figura abaixo, no qual se nota uma oscilação significativa na avaliação das CJ com a passagem do tempo.

Ainda que os gráficos sejam informativos a respeito da evolução das crenças, a variabilidade dificulta a identificação da tendência da linha. Para visualizar melhor esta tendência, utilizamos o pacote Forecasting do SPSS, usando a rotina de suavização exponencial simples. O gráfico gerado por esta rotina, abaixo apresentado, evidencia que a passagem do tempo inicialmente proporcionou a perda de importância das CJ, embora posteriormente este sistema de crença tenha voltado a ganhar importância e continuar a ser o modelo predominante. A linha pontilhada em vermelho indica o ponto de origem dos registros e permite identificar que em boa parte do tempo o sistema de crenças cientificamente justificado perde em importância quando comparado com as crenças tradicionais, embora tenha passado a conhecer um crescimento significativo a partir do registro 1050, que corresponde ao dia 14 de abril.

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