2. Os estereótipos e a entitatividade

Ao definirmos estereótipos como sistemas de crenças socialmente compartilhadas a respeito de determinados entes e assumirmos que essas crenças se fundamentam em teorias implícitas acerca dos padrões de conduta desses entes, passamos a entender a estereotipização como um processo no qual estão envolvidas duas operações mentais, uma que transforma um conjunto de indivíduos numa entidade, que pode ser um agregado, uma categoria social ou um grupo, processo aqui denominado entitatividade, e uma complementar, elaborada a partir de teorias implícitas, no qual se constrói um relato, amplamente compartilhado, sobre as causas ou as razões que teriam levado esse ente a se comportar dessa ou daquela maneira. Uma descrição mais detalhada dessas duas dimensões fundamentais dos estereótipos pode ser encontrada em dois artigos publicados no periódico Psicologia & Saber Social (Pereira, Modesto & Matos, 2012; Pereira, Modesto, Matos & Nascimento, 2013).

Como salientamos no capítulo anterior, parte das dificuldades encontradas em muitas definições dos estereótipos decorre de uma certa persistência em considerar que o ente objeto do julgamento estereotipado é exclusivamente uma categoria social, o que resulta na adoção de um plano de análise incapaz de diferenciar os diferentes tipos de entes aos quais o conceito se refere. Ao admitirmos isso, somos obrigados não apenas a reconhecer que os estereótipos podem ter como referentes diversos tipos de entes sociais, como também a demonstrar que a esses podem ser associadas diferenças sistemáticas no nível de expressão das crenças estereotipadas. Em suma, se identificarmos que os estereótipos se expressam de forma distinta a depender se o alvo é um agregado, uma categoria social ou é percebido como filiado a um grupo social, então é possível admitir que aos diversos tipos de entes podem estar associadas, de forma sistemática, diferentes modalidades de teorias explicativas.

Entes sociais: agregados, categorias e grupos sociais

O conceito de entitatividade, introduzido nas ciências sociais pelo sociólogo Donald Campbell (1958), se refere a uma operação psicológica mediante a qual ocorre uma des-individualização e a posterior inclusão do referente, cuja individualidade foi colocada entre parênteses, numa entidade social.

A entitatividade corresponde a uma operação mental que impele a percepção de uma coleção de indivíduos como membros de uma totalidade, ou seja, como parte de uma entidade distinta e irredutível aos seus componentes individuais. Inspirando-se nos princípios da psicologia da gestalt, Campbell sugeriu que os indivíduos são percebidos como uma entidade quando eles se apresentam de uma forma organizada ou são regidos por um destino comum.

O conceito de entitatividade, que à época não recebeu a atenção devido pelos estudiosos, vai ser retomado apenas nos anos 1980, quando fica claro, entre os estudiosos dos processos grupais, que o termo grupo estava sendo aplicado de uma forma pouco rigorosa a uma série de fenômenos, que embora comuns e semelhantes em muitas dimensões, possuíam características muito diferentes entre si. Ao refletir sobre  as dificuldades inerentes aos estudos psicossociais sobre os grupos, McGrath, Arrow e Berdahl (2000) reconhecem que parecia ter se espalhado uma tendência hegemônica a estudar os grupos como entidades genéricas, perfeitamente intercambiáveis entre si, constituídas por indivíduos, também genéricos, e incapazes de expressar as suas diferenças individuais.

O resultado mais imediato dessas preocupações se refletiu no surgimento de um conjunto de estudos desenvolvidos com a finalidade de identificar os diversos tipos de entes sociais. Esta tendência ganha corpo após a publicação do trabalho de Lickel, Hamilton, Wierczorkowska, Lewis, Sherman e Uhles (2000), no qual se estabelece, a partir do grau de entitatividade, a diferenciação entre quatro distintos tipos de grupos:

  • O tipo de grupo com o mais alto grau de entitatividade seria o grupo de intimidade, no qual a família representa o valor mais alto, pois possui um alto grau de interação entre os membros, é um grupo pequeno, de longa duração e possui baixa permeabilidade.
  • Os grupos orientados para a tarefa possuem um grau de entitatividade um pouco menor, ainda que possam vir a serem caracterizados como grupos com um alto nível de interação, pequenos, de duração moderada e com algum grau de permeabilidade.
  • O terceiro tipo de grupo, as categorias sociais, possui uma entitatividade baixa, tende a ser de grande porte, duração moderada e baixa permeabilidade.
  • Os grupos com vínculos menos rígidos, tais como os transitórios, possuem o menor grau de entitatividade, baixos níveis de interação entre os membros, uma vida curta e um grau bastante alto de permeabilidade.

Acreditamos que essa diferenciação pode ser preservada, embora ela deva ser adaptada para retratar não os grupos sociais, mas os entes sociais aos quais os estereótipos podem ser aplicados, no caso, os agregados, o ente social com o mais baixo grau de entitatividade, as categorias sociais, com média entitatividade, e os grupos sociais, que representam a entitatividade no seu mais alto grau.

Agregados

Observe a imagem reproduzida na figura 1, onde identificamos três pessoas em uma fila. Como as percebemos?

fila_e.jpg

Figura 1: Fila

Imaginemos que as três estão numa fila de banco. Elas estão fazendo a mesma coisa? Provável  que sim. Elas agiram em comum acordo para estarem ali, naquele lugar, na mesma hora? Certamente não. Cada pessoa, provavelmente, agiu em função dos seus interesses particulares. Uma pode ter ido pagar uma conta, outra obter um extrato bancário e a terceira talvez tenha ido exclusivamente para conferir se os investimentos estavam mesmo em ordem e o dinheirinho continuava bem guardado.

As três pessoas não agiram de forma coordenada, ou melhor,  elas só agiram coordenadamente enquanto estavam guardando as suas posições na fila.  As ações de cada uma delas até chegar à fila resultaram das intenções individuais e, embora as ações individuais de cada uma delas possam parecer integradas e ordenadas, cada pessoa apenas confluiu para o banco em busca dos seus interesses pessoais e levada por razões que lhe é própria.

Consideremos um outro exemplo, no caso, os passageiros de um meio de transporte, tal como se observa na figura 2.

passageiros_e.jpg

Figura 2: Passageiros de um meio de transporte

Por mais longa que possa parecer a impressão subjetiva da duração de uma viagem de avião, os passageiros representam um agregado bastante fugaz. Uma vez mais, cada um viaja em função dos seus interesses particulares, chega ao aeroporto usando os próprios meios e, finda a viagem, trilhará  o seu caminho.

Um agregado é um termo genérico usado para se referir ao tipo de ente social denominado na tradição de pesquisa mais atual sobre grupos sociais como ‘loose groups‘, ou seja, grupos fugazes. O tipo de ação realizado por um agregado de indivíduos é uma ação coletiva que difere de uma ação grupal, que é a realizada por um outro tipo de ente social, um grupo. Ao contrário de uma ação grupal, na qual os indivíduos agem de modo coordenado, numa ação coletiva, embora uma mesma ação seja realizada por todos os indivíduos, cada um age de forma independente.

Malle (2006) sugere que embora nos agregados os indivíduos operem como agentes distintos, não parece plausível supor que os indivíduos elaboraram um plano conjunto ou decidiram agir de forma uníssona. Um agregado, nesses termos, difere de um  grupo, pois nesses os indivíduos deliberam, planejam e escolhem a forma pela qual podem agir em uníssono.

Grupos sociais

Um grupo social possui um grau de entitatividade mais alto do que um agregado. A  existência deste tipo de agenciamento grupal requer uma certa duração na dimensão temporal e depende de uma configuração na qual alguns requisitos fundamentais são contemplados (Campbell, 1958; Lickel, Hamilton, Lewis, & Sherman, 2000; Yzerbyt, Corneille & Estrada, 2001):

  • a similaridade dos membros, seja ela no plano da aparência física, de propósitos ou de valores;
  • uma relativa proximidade entre os membros, que pode permanecer vigente mesmo quando estes não se encontrem fisicamente contíguos;
  • o estabelecimento de um sistema de comunicação mútua entre os indivíduos, de forma que os julgamentos possam ser expressos verbalmente e as decisões enunciadas de forma explícita ou implícita;
  • uma certa organização das ações individuais, possível de ser implementada a partir da definição conjunta das metas e propósitos das ações do grupo e de cada indivíduo;
  • um tamanho razoável, pois um grupo de grande tamanho dificulta a formação de redes de comunicações eficazes, o que, por sua vez, impede a coordenação necessária entre os membros do grupo; e
  • uma certa permeabilidade, que permita a entrada de novos membros e o abandono de forma pouco traumática dos descontentes ou daqueles que não se interessam pela permanência no grupo.

Conforme assinalamos anteriormente, nem todo grupo é igual, sendo necessário, portanto, estabelecer uma distinção entre dois tipos de grupos, os de intimidade e os orientados para a tarefa. Observemos na imagem apresentada na figura 3.

familia

Figura 3: Família

Como observado, trata-se de uma família, o exemplo mais paradigmático de um grupo de intimidade. Os critérios que definem a entitatividade são facilmente detectáveis. Os indivíduos são semelhantes na aparência física, nos trajes, no modo de falar e em muitas outras coisas. Eles também estão quase sempre próximos, se comunicam, estão sempre fazendo julgamentos sobre as ações de cada um, tomam decisões, agem em função do que foi decidido, definem um sistema de normas e de monitoramento, bem como dispõem de um sistema de sanções para os recalcitrantes. Usualmente o tamanho não é muito grande, o que favorece a realização das atividades de forma organizada. Em relação à permeabilidade, de modo geral os membros não impedem ou obstam a entrada de novos membros e, em muitos casos, torcem fervorosamente para que isso aconteça.

Além desses elementos entitativos, um outro fator é decisivo para  a caracterização de um grupo, o senso de pertença. Fazer parte de um grupo é sentir que se faz parte do mesmo, por menos que você queira a ele se filiar. O senso de pertença do grupo familiar é regido, sobretudo, pela dimensão da intimidade. Ocorre o mesmo entre os grupos de amigos ou entre colegas durante uma confraternização. O vinculo que os une é estritamente  pessoal e quase sempre regulado pelos afetos, ao contrário de um outro tipo de grupo, os orientados para a tarefa, conforme se retrata na figura 4.

 

ong_e.jpg

Figura 4: Voluntários de uma ONG

Trata-se de um grupo de voluntários de uma organização não-governamental. A dimensão entitativa desse tipo de grupo também pode ser facilmente reconhecida. Os indivíduos, mesmo que não sejam semelhantes na aparência física, e usualmente não são, acabam por ser homogeneizados no plano dos trajes, nos tópicos de conversa, na entonação e no uso de um dialeto profissional ou local. A ação coordenada imposta aos seus membros determina que eles estejam próximos, que se comuniquem usando canais formais e informais e que ajam de forma coordenada para alcançar um objetivo comum.  As ações individuais são submetidas a escrutínio grupal e o desempenho individual fora do esperado pode acarretar impactos no desenvolvimento das atividades do grupo como um todo. O sistema de tomada de decisões é quase sempre normativo, embora haja espaço para as iniciativas individuais, ainda que o sistema de monitoramento e de aplicação de sanções aos desviantes seja bem mais rigoroso do que o encontrado no grupo familiar.

O tamanho do grupo pode ser variável, mas quanto maior o grupo, mais alto será o grau de formalização dos papéis, mais rigorosa será a divisão social do trabalho e mais rígida será a formação e o funcionamento das redes de comunicação. No que concerne à  permeabilidade, a entrada de novos membros é uma decisão que quase sempre transcende ao plano individual, embora a decisão de acolher de forma civilizada ou não os novos membros seja determinada pelas características dos membros remanescentes, bem como pela dinâmica temporal e espacial do próprio grupo.

Categorias sociais

Até o momento indicamos que o processo de estereotipizar depende de que o indivíduo seja des-individualizado e percebido como parte de um ente social mais amplo, os agregados, que possuem baixo grau de entitatividade, e os grupos sociais, que apresentam a característica acima referida em alto grau.

É necessário, para completar a classificação dos entes sociais aos quais os estereótipos se referem incluir uma outra modalidade de ente, no caso, as categorias sociais. Assinalamos no capítulo anterior que um dos problemas fundamentais de estudo dos estereótipos é considerar que o processo pelo qual uma categoria social é estereotipizada é semelhante ao que ocorre com  outros tipos de entes sociais. Acreditamos que essa suposição não se sustenta, por concebermos que uma categoria social difere fundamentalmente dos agregados, que correspondem ao nível mais baixo de entitatividade, e dos grupos sociais, que são os entes mais entitativos. Uma categoria social não é tão pouco entitativa como um agregado, nem tão entitativa como um grupo, posicionando-se em uma posição intermediária. Consideremos, por exemplo, a imagem encontrada na figura 5.

mulheres_e.jpg

Figura 5: Mulheres

Não é difícil entender o que elas são. Ao fazermos isso, as estamos rotulando e, claro, não deixamos de supor que elas fazem parte de uma categoria social, a das mulheres, se o critério de inclusão for o sexo, ou feminina, se o critério for o gênero. Seja como for, ao incluí-las em qualquer categoria social, ocorre o processo de des-individualização, conforme acenamos anteriormente. Ao categorizá-las, passamos a supor que essas mulheres, independente das suas particularidades, compartilham com outras mulheres uma série de características comuns, que podem ser físicas, anatômicas, fisiológicas, psicológicas, sociais ou culturais.

O processo de inclusão de indivíduos nas categorias pode ser mais ou menos rápido e automático. Ao entrarmos em uma sala de aula ou em um auditório, não pensamos duas vezes para rotular esse indivíduo como homem, aquele como criança, uma outra pessoa como mulher, aquela como asiática e por aí afora. Não precisamos de muita informação para realizar essas categorizações, pois os indivíduos adscritos a cada uma dessas categorias são incluídos facilmente a partir de um critério fundamental, as informações de superfície, a exemplo da cor da pele, estrutura corporal, o cabelo, características faciais etc.  Nem toda inclusão, no entanto, ocorre da mesma forma. Vejamos o exemplo encontrado na figura 6.

criminosos_e

Figura 6: Criminosos

Claro que não temos dificuldades em categorizá-los como homens ou adultos, mas a principal categoria que utilizamos para rotulá-los não é a sexual ou a etária. A categoria que melhor se ajusta à figura é a de criminosos. Ao contrário da imagem anterior, os elementos de superfície não são suficientes nem decisivos para adscrever os exemplares a uma dada categoria. Talvez o elemento mais decisivo seja contextual, as grades que os mantém aprisionados. A categorização, no entanto, não é tão rápida como no primeiro caso e muito menos tão automática. Eles são mesmo criminosos ou são presos políticos? Muitas vezes é necessário obter mais informações, refletir, ensaiar e errar, até conseguirmos rotular apropriadamente e incluirmos de forma adequada o indivíduo na categoria correta. Erros de categorização, nesse caso, podem ser relativamente comuns.

A argumentação aqui alinhavada nos obriga a diferenciar duas modalidades de categorias sociais e, consequentemente, a sugerir que o processo de estereotipização não é o mesmo, se a categoria social for naturalizável, como é o caso da aplicação dos estereótipos às categorias sexo, idade e raça/etnia, ou se for o caso de uma categoria social entitativa, a exemplo dos criminosos, e de outras categorias, a exemplo das religiosas, sociais, profissionais ou políticas. Consideraremos essa diferenciação entre as categorias naturalizáveis e entitativas em um outro momento, pois o mais importante agora é identificar em que sentido as categorias sociais se diferenciam dos agregados e dos grupos sociais.

Em relação à dimensão similaridade, é possível supor que a percepção de homogeneidade seja um elemento decisivo na tarefa de inclusão dos membros em uma categoria social. Por exemplo, não é difícil supor que as mulheres possuam muitas semelhanças entre si, a exemplo da aparência física. Não temos muitas dificuldades em distingui-las de um homem. Não é complicado, da mesma forma, diferenciar um adulto de uma criança ou esta de um idoso. Igualmente, embora se diga que exista uma zona de transição entre brancos e negros, não é incomum ouvir que as forças policiais não encontram dificuldades em categorizar um negro ou um branco.  Da mesma forma, as características psicológicos podem ser vistas como homogêneas entre os membros de uma mesma categoria, esperando-se, por exemplo, que as mulheres sejam cuidadoras e os homens mais assertivos.

Se podemos afirmar que a percepção de homogeneidade é um dos elementos centrais na categorização social, o mesmo não pode ser dito em relação à estrutura organizacional. Homens ou mulheres não agem de forma organizada, como fazem os membros de um grupo, assim como os criminosos não agem de acordo com um plano previamente estabelecido, a não ser que eles façam parte de um bando ou uma quadrilha, ou seja, um grupo, e não uma categoria social. Podemos nos referir, por exemplo, à categoria social dos eremitas, imaginar que eles tenham padrões homogêneos de conduta, que sejam similares em muitas coisas, mas não temos como imaginar que eles encetem ações de forma organizada.   Algo semelhante pode ser dito em relação às redes de comunicação. Dificilmente alguém pode falar em nome da mulheres enquanto categoria social, embora saibamos que alguns grupos se organizam para empoderar, fazer ouvir e defender os interesses das mulheres. O mesmo pode ser dito em relação aos idosos, aos negros e a qualquer um outra categoria, mas dificilmente podemos imaginar que alguém ou algum grupo possa falar em  nome de uma categoria como um todo.

Uma das principais dificuldades no estabelecimento de redes de comunicação ou de um sistema organizado de ações e condutas entre os membros de uma categoria é o tamanho, que facilmente ultrapassa a casa dos milhões de indivíduos. Isso faz com que o grau de permeabilidade de uma categoria seja bem menos acentuado do que a que se manifesta entre os grupos ou os agregados. A inclusão em uma categoria, por exemplo, a dos adultos ou a dos idosos, independe da vontade ou da intenção do indivíduo. Em outros casos, sair de uma categoria é uma tarefa bastante complicada, a  exemplo dos criminosos, pois por mais que tentem mudar de vida e provem que a vida bandida ficou no passado, ainda persiste a dúvida se de fato a pessoa se regenerou ou se é apenas um oportunista esperando uma nova oportunidade para voltar a colocar as manguinhas de fora, tal como se observa na canção abaixo, na qual os filhos lamentam o infortúnio daqueles que são e sempre serão os filhos do recluso.

Os argumentos até aqui apresentados se referem a um importante limite dos estudos sobre os estereótipos, que é a ênfase exagerada em um determinado tipo de ente, as categoriais sociais.  Uma dificuldade adicional se refere ao papel preponderante exercido pelos traços psicológicos como fonte de explicação para as condutas estereotipadas. Acreditamos que outros fatores devem ser considerados e que qualquer tentativa de classificar as explicações deve estabelecer uma diferenciação entre as que se fundamentam em princípios causais, a exemplo dos traços e das essências, e as explicações elaboradas a partir do raciocínio intencional, que incluem os fatores habilitadores, a história causal das razões e as razões e motivos.

O terceiro capítulo do presente volume é dedicado à discussão das teorias implícitas que são utilizadas para contar  uma história respeito dos entes que foram des-individualizados mediante a aplicação dos processos de entitatividade. Uma vez identificadas essas teorias teremos condições, no capítulo conclusivo do presente volume,  de estabelecer as articulações entre elas e os entes discutidos até  aqui, para finalmente esclarecer o que entendemos por estereótipos e indicar como podemos estudá-los.

Capítulo 3. Os estereótipos e as teorias implícitas