Resenha: Teorias Implícitas e Essencialismo Psicológico – Ferramentas Conceituais Para o Estudo das Relações Entre e Dentro dos Grupos

dezembro 17, 2011
Zélia Fernandez

O artigo traz um aprofundamento nas teorias implícitas e no essencialismo psicológico e o seu efeito nas relações intergrupais. Em doze páginas, os autores fazem uma revisão histórica dos conceitos, percorrendo as contribuições dos vários estudiosos dos temas. Eles não só conceituam mas também descrevem os tipos, as causas e conseqüências dos fenômenos. O artigo esta dividido em duas partes, sendo que cada uma com três tópicos: na primeira parte o artigo mostra uma revisão histórica das teorias implícitas e seu conceito, depois as funções e os tipos, na segunda parte com mais três tópicos, eles abordam o conceito de essencialismo psicológico, também apresentando a contribuição dos diversos autores sobre o tema, as causas e resumidamente seus efeitos. E ao final, as referências bibliográficas.
Os autores são Claudia Estrada Goic da Faculdade de Humanidades, Ciências Sociais e Ciências da Saúde, Miriam Oyarzún Jara da Direção de Assuntos Estudantis, ambas da Universidade de Magallanes no Chile e Vincent Yzerbyt do Departamento de Psicologia Social e Organizacional da Universidade Católica de Louvain na Bélgica,
Na primeira parte do artigo, os autores procuram situar a importância das teorias implícitas e do essencialismo como área de investigação crescente nos últimos anos na psicologia social e a sua participação nos processos psicossociais, destacando a contribuição desses estudos na formação de impressão e nas estratégias cognitivas na apreensão da realidade social. Eles primeiro se utilizam dos usos dos termos para aprofundar o conceito que define as teorias implícitas como um conjunto de crenças sob as quais o sujeito se sustenta para definir como são as pessoas, a natureza humana e os processos sociais. Ele reforça essa conceituação a partir da análise dos próprios termos, teoria e implícita, teoria como um conjunto de crenças consistentes para explicar fenômenos e implícitas porque na verdade aquelas se baseiam em teorias pouco formais, indutivas e pouco consistentes, não tendo portanto, nenhuma relação com as teorias científicas. Ele termina essa primeira parte fazendo uma rápida correlação entre dois conceitos: o das representações sócias e das TI (teorias ingênuas) como ambas tendo cargas motivacionais e afetivas que incitam a ação (Rodrigo, 1994)
Na segunda e terceira partes do artigo os autores tratam das funções e dos tipos de teorias ingênuas. Segundo Levy e colaboradores as TI servem para organizar, compreender e simplificar a realidade social e compartilhar e estabelecer um marco justificativo para as nossas ações e do outro. De forma bem didática, os autores descrevem os tipos de teorias que servem as funções descritas acima. As teorias podem ser: sobre a personalidade, sobre a natureza humana e as que fazem referência a natureza humana mais a origem dos grupos.
A teoria que toma como base a personalidade, se referencia no conhecimento que temos sobre alguém e a forma como utilizamos esse conhecimento para fazer inferências sobre a sua personalidade. Uma das principais contribuições dos autores no entanto é marcar o caráter não particular desse tipo de teoria, isto é, ela pode ser compartilhada, pois possuem elementos comuns e gerais, como por exemplo, todas as pessoas extrovertidas são mais acolhedoras que as introvertidas.
Todas as teorias sobre a bondade, a maldade e a raça humana, por exemplo, fazem parte das teorias ingênuas sobre a natureza humana, esse é um segundo tipo, que seriam crenças gerais mas que podem ainda ser classificadas em dois subtipos: a do locus de controle e as teorias sobre a natureza humana propriamente dita. A teoria do locus de controle é uma das primeiras teorias explicativas da atribuição social, que postula que uma pessoa pode estimar que seu comportamento é provocado, ou por fatores internos (locus de controle interno) ou por fatores externos (locus de controle externo). Ela faz parte dos estudos de alguns fenômenos como por exemplo: a ansiedade como reação ao fracasso (Lefcourt, 1973) e os comportamentos de risco (Hunter, 2002; Miller & Mulligan, 2002),
Dweck e colaboradores propuseram um modelo que explica em quais aspectos da natureza humana as pessoas concentram as suas teorias ingênuas, são elas: a inteligência, o caráter moral, a personalidade e a concepção de mundo. Aí os autores falam das formas como essa aplicação das TI é feita: de uma forma entitativa ou incrementalista, a primeira mais parcial e estabelecendo diagnósticos a partir de inferências, tendem a ver o outro com características mais fixas e menos maleáveis e o segundo, menos parcial, leva em conta fatores situacionais. Duas das várias contribuições importantes do artigo é a correlação entre essas duas formas, das quais um mesmo individuo pode se valer, ora de uma, ora de outra teoria (Dweck e col, 1995) e a confirmação da idéia de que aqueles com maior tendência entitativa recorrem mais aos estereótipos.
Finalmente o último tipo de TI sobre a natureza dos grupos sociais são as que colocam nossas crenças e conhecimentos gerais sobre alguém a partir de sua pertença a um determinado grupo social
No primeiro tópico da segunda parte do artigo, os autores fazem um breve histórico do conceito de essencialismo nas diversas disciplinas como na filosofia, genética e biologia e aprofundam esse histórico mais especificamente na psicologia e mostram as contribuições dos diversos autores nessa área. O termo, primeiro utilizado por Alport(1954) relacionando-o com o preconceito, foi reentroduzido por Medin(1989), que conceitua o essencialismo como a tendência a pensar que há a existência de uma essência ou uma natureza subjacente que fazem com que as coisas ou pessoas sejam como são. Rothbart e Taylor (1992) estudaram e tipificaram o essencialismo e sua influência nas definições de categorizações sociais, ou melhor, a tendência dos observadores, a compreender as categorias sociais como algo natural que comporta uma essência e que tem características estáveis e de pouca maleabilidade, além do seu potencial indutivo, isto é, a possibilidade de prever novas características a partir das conhecidas.
Os autores descrevem as características do essencialismo diante de um grupo, propostas pelo próprio Yzerbyt e Schadron(1996) a partir das proposições teóricas de Rothbart e Taylor(1992), quais são: o grupo como uma unidade, com um destino comum, a inalterabilidade, o caráter indutivo, a existência de una relação causal entre uma essência e todas as características do grupo social e a exclusão de outras formas de conhecimento e apreensão do indivíduo. As características propostas por Estrada(2003) se assemelham as descritas acima e acrescentam que a essência preexiste ao grupo, ela é inferida, imutável, exclusiva e é coerente.

No segundo tópico os autores descrevem as causas do essencialismo, usando como base os trabalhos de Rothbart e Taylor (1992) e Hirschfeld (1995, 1998, 1999). Os primeiros pensavam que o essencialismo se origina em um “erro ontológico”, que é compreender as categorias sociais como categorias naturais, por exemplo a diferença entre ser judeu e cristão é a mesma entre um mineral e um vegetal.
Para Hirschfeld (1995, 1998 e 1999) as pessoas são capazes de organizar uma espécie de reino humano que ajuda a classificar os seres humanos tomando como base diferenças superficiais, por isso algumas categorias tendem a ser mais essencializadas, como raça por exemplo.
No terceiro e último tópico da segunda parte do artigo os autores aprofundam os efeitos do essencialismo nas relações endo e intergrupais . O essencialismo é uma teoría implícita que serve para explicar as diferenças entre os grupos . Estrada e cols. (2004) mostraram como o essencialismo modula o uso de fatores explicativos biológicos e culturais e Martín e Parker (1995) incluíram nesses, os fatores sociais. Leyens e cols (2000-2002) estudaram o fenômeno da infrahumanização, que significa que ao dar ao seu grupo de pertencimento uma característica própria, essencial, humana e superior então para o exogrupo essa essência seria menos humana ou infrahumana e inferior.
Outros aspectos apontados nessa parte do artigo são os efeitos do essencialismo sob os estereótipos e o preconceito como por exemplo no estudo de Bastían e Haslam (2006) que confirmam que as pessoas essencialistas usam mais os estereótipos. A avaliação e o enfrentamento do membro desviante no endogrupo, o fenômeno da projeção social e o efeito do falso consenso são outros aspectos tratados nessa parte do artigo.
Os autores reconhecem que ainda há muito estudo empírico a ser realizado na busca de respostas no que podem ser ferramentas conceituais poderosas, no sentido de aprofundar o estudo e o entendimento das relações intergrupais. As TI representariam um grande potencial explicativo dos fenômenos associados ao pensamento e a dinâmica da interação social, segundo os autores.
Eles apontam caminhos futuros de investigação como o papel que estas crenças desempenham em questões sociais, mais específicas, tais como: a resistência à mudança de jovens com comportamento marginal (em gangues, por exemplo) e a busca de formas de diálogo entre os grupos com idéias radicais (políticas ou religiosas, por exemplo).
O artigo é bastante objetivo e didático no sentido de traçar um panorama geral sobre as principais contribuições dos diversos autores aos conceitos propostos e é de fácil leitura.Ele aborda de forma organizada e detalhada os conceitos e é uma boa referência para aqueles interessados na abordagem de conceituações relacionadas a expressão dos estereótipos e nas relações intergrupais, sobre as quais ele incita a um aprofundamento maior por parte dos investigadores.

Referência: Estrada, C., Oyarzún, M e Yzerbyt, V. Teorías Implícitas y Esencialismo Psicológico: Herramientas Conceptuales Para el Estudio de las Relaciones Entre y Dentro de los Grupos. Psykhe, 16, 2, 2008, 139-149


Notícia do dia: Limpadores de latrinas marcham contra discriminação na Índia

novembro 1, 2010

Notícia publicada no Estadão relata a marcha de protesto realizada na Índia pelos  limpadores de latrina. Clique aqui para ler a notícia.


Experimentos sociais (7)

setembro 21, 2010

Experimentos sociais (5)

setembro 17, 2010

Experimentos sociais (4)

setembro 15, 2010

Artigo publicado: Person Categorization and Automatic Racial Stereotyping Effects on Weapon Identification

setembro 4, 2010

Título: Person Categorization and Automatic Racial Stereotyping Effects on Weapon Identification

Autores: Christopher R. Jones and Russell H. Fazio

Periódico: Personality and Social Psychology Bulletin 2010;36 1073-1085

Resumo: http://psp.sagepub.com/cgi/content/abstract/36/8/1073


No país do futebol, preconceito contra as meninas

setembro 1, 2010

Contribuição: Carmem Barbosa

Pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia (IP) da USP diz que O preconceito é a principal causa de estresse emocional entre atletas de futebol feminino. “Esta foi minha primeira constatação. E é bom lembrar que o estresse emocional é prejudicial à saúde”, diz o professor Jorge Dorfman Knijnik, autor do estudo. Ele informa também que o esporte foi escolhido como tema por representar uma marca cultural brasileira. “O objetivo é discutir as relações sociais de gênero numa sociedade em que existe uma comparação ”natural” da mulher com o homem. E também provocar uma tomada de consciência que leve à criação de espaços esportivos não sexistas”.
O pesquisador entrevistou 33 atletas que disputaram o Campeonato Paulista Feminino de Futebol de 2004. Algumas dessas jogadoras compunham a Seleção Brasileira de Futebol Feminino que ganhou medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Ele relata que foi uma conquista histórica para o esporte, numa competição para a qual a equipe masculina nem chegou a se classificar. “Mesmo depois da vitória, a equipe feminina não recebeu nenhum tipo de incentivo”, lembra Dorfman.

Resultados da Pesquisa:
A pesquisa revelou que 57,14% das jogadoras entre 16 e 21 anos apontaram o preconceito como principal causa de estresse no futebol. Dentre as jogadoras entre 22 e 27 anos, essa mesma causa foi apontada por 50% delas.

Clique aqui para acessar a matéria completa.

Querendo ver a matéria original, acessar-


Artigo publicado: Effects of Social Exclusion and Inclusion Are Enhanced by the Perceived Essentialism of Ingroups and Outgroups

setembro 1, 2010

Título: Being “In” With the In-Crowd: The Effects of Social Exclusion and Inclusion Are Enhanced by the Perceived Essentialism of Ingroups and Outgroups

Autores: Michael J. Bernstein, Donald F. Sacco, Steven G. Young, Kurt Hugenberg, and Eric Cook

Periódico: Personality and Social Psychology Bulletin 2010;36 999-1009

Resumo: http://psp.sagepub.com/cgi/content/abstract/36/8/999


Estereótipos e humor: a discriminação do “louco”

março 16, 2010

Contribuição: Camila Novaes

Os pacientes com transtorno mental carregam o estigma da loucura. As pessoas que se auto-categorizam como sãs vêem de forma negativa aqueles que demonstram estar fora da realidade. A generalização acontece e o sintoma parece ser a única imagem mental que vem à mente do preconceituoso. O preconceito contra estes pacientes pode ser visto em diversas anedotas sobre o tema. Afinal, preconceito contra o quê? Escolha a categoria em que você se encaixa. Quem é o louco aqui?

GRAVAÇÃO NA SECRETÁRIA ELETRÔNICA DO CENTRO DE SAÚDE MENTAL

“Obrigado por ligar para o Instituto de Saúde Mental, sua mais saudável companhia em seus momentos de maior loucura.

Se você é obsessivo e compulsivo pressione 1, repetidamente;
Se você é dependente, peça a alguem que pressione o 2 por você;
Se tem múltiplas personalidades pressione o 3, 4, 5, e o 6;
Se você é paranóico, sabemos quem é você, o que faz e o que quer. Espere na linha enquanto rastreamos sua chamada;
Se você sofre de alucinações, pressione o 7 e sua chamada será transferida para o Departamento de Elefantes Cor de Rosa;
Se você é esquizofrênico, escute cuidadosamente e uma vozinha lhe dirá que número pressionar;
Se você é depressivo, não importa que número disque. Ninguém vai responder;
Se você sofre de amnésia, pressione o 8 e diga em voz alta seu nome, endereço, número da carteira de identidade, data do nascimento, estado civil e o nome de solteira de sua mãe;
Se você sofre de stress pós-traumático, pressione lentamente a tecla # até que alguém tenha piedade de você;
Se sofre de indecisão, deixe sua mensagem logo que escute o bip… Ou antes do bip… Ou depois do bip… Ou durante o bip… De qualquer modo, espere o bip…;
Se sofre de perda de memória para fatos recentes, pressione 9. Se sofre de perda de memória para fatos recentes, pressione 9. Se sofre de perda de memória para fatos recentes, pressione 9. Se sofre de perda de memória para fatos recentes, pressione 9;
Se tem baixa auto-estima, por favor desligue. Nossos operadores estão ocupados atendendo pessoas mais importantes.”


Estereótipos e aparência Física: Sony leva você ao Japão!

março 15, 2010

Contribuição:Camila Novaes

PROMOÇÃO SONY TE LEVA AO JAPÃO !!!

Uma viagem ao Japão de 15 dias, passagem e hotel pago com direito a acompanhante, mais 2500 dólares para gastar a vontade.

E ainda: Uma TV LCD Full HD de 69 ” (já com o decodificador digital incorporado) !!!!

Essa vale a pena tentar! Para ganhar a viagem é ‘simples’:

Basta acertar as seguintes perguntas a respeito da foto abaixo:

1) quem está com sono,

2) quantas mulheres no grupo

3) quem acordou agora

4) quais são os dois gêmeos

5) quem está com raiva

6) quem está alegre

Fonte: Blog Xuxu Beleza

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