Resenha: a natureza do preconceito (capítulos iniciais)

dezembro 12, 2008

Letícia Vasconcelos.


O livro, A Natureza do Preconceito, foi escrito por Gordon W. Allport em 1954 e teve seus quatro primeiros capítulos publicados em 2000 no Key Reading de psicologia social da Psychology Press, versão analisada para a elaboração desta resenha.

No primeiro capítulo, Qual é o problema?, o autor se ocupa de definir o que é o preconceito. Segundo ele, o preconceito se origina na generalização errônea e na hostilidade. Ele apresenta, ainda, duas dimensões essenciais que devem estar presentes em qualquer definição de preconceito: atitude e crença.

No segundo capítulo, A normalidade do prejulgamento, o autor afirma que as condições originárias do prejulgamento são capacidades naturais e comuns da mente humana; salientando assim, sua condição de normalidade. Tal condição fica amplamente demonstrada pela quantidade e qualidade dos exemplos de situações prosaicas. O recurso a uma multiplicidade de fontes ilustra a proximidade e casualidade do preconceito no dia-a-dia de todos. No entanto, esta normalidade não fica circunscrita às possibilidades cognitivas; antes, é remetida à construção do sistema de valores pessoais.

O terceiro capítulo, Formação de in-groups, em que busca demonstrar o conceito previamente apresentado de preconceito pelo amor (em oposição ao preconceito pelo ódio), salienta a importância e influência do grupo para cada indivíduo, tomando-o como essencial para a própria constituição do self. Afirma que, embora o familiar seja preferido ao estranho, a hostilidade ao out-group não é condição para a manutenção do in-group. Ainda que seus laços tendam sim a se estreitarem quando as condições gerais estão piores. Com a noção de grupo de referência, tomado de Sherif e Sherif, vem trazer o conceito de sentimento de pertença, que parece se situar na raiz das posteriores formulações sobre justificação do sistema. Como comprovação conclusiva da importância das relações com o in-group o autor demonstra que mudanças de atitudes e crenças são mais facilmente atingidas quando partem do grupo do que dos indivíduos.

Por fim, o quarto capítulo, Rejeição de out-groups, examina três graus pelos quais tal rejeição se expressa: a rejeição verbal, a discriminação e o ataque físico. Cada uma das formas subseqüentes pressupõe a existência da anterior, embora esse caminho nem sempre seja percorrido até o último grau. Compreender a rejeição é essencial para que se possa pensar ações efetivas no sentido de evitá-la, ou, pelo menos, amenizá-la. O autor caracteriza duas formas de expressão do conflito étnico, comuns na América à época, os motins e linchamentos. Fazendo, por fim, uma análise do papel essencial do rumor na deflagração de tais conflitos, apontando-o em contrapartida como possível ferramenta de controle da hostilidade.

Neste texto, escrito há 54 anos, mas ainda uma referência, é possível identificar as origens de inúmeros estudos posteriores, que se ocuparam de verificar, comparar, aprofundar e refutar as afirmações nele anunciadas.

Não surpreende por ser bastante abrangente, nem por abordar a questão do preconceito desde diferentes aspectos, já que estas são características esperadas dos textos escolhidos para integrar este tipo de publicação (key reading); tampouco surpreende por sua atemporalidade, já que também isso se espera de um texto clássico como o presente. Surpreende antes por sua leitura fácil, de tom quase informal, porém sem prejuízo de sua seriedade científica. É um texto que transmite sua mensagem não só por seu conteúdo teórico, mas também por seu estilo.


Notícia do dia: Programador constrói esposa robótica

dezembro 12, 2008

Não reclama, não dá trabalho e e não detona o cartão de crédito. Clique aqui para ler no caderno de informática da Folha a solução encontrada por um progranador canadense para uma questão tão antiga quanto a humanidade. Afinal, como afirma o o esperto programador, o “software pode ser redesenhado para que ela simule que está tendo um orgasmo”.


Estereótipos e música: rain dogs

dezembro 12, 2008

Inside a broken clock, splashing the wine with all the rain dogs
Taxi, we’d rather walk, huddle a doorway with the rain dogs
For I am a rain dog too

Oh, how we danced and we swallowed the night
For it was all ripe for dreaming
Oh, how we danced away all of the lights
We’ve always been out of our minds

The rum pours strong and thin, beat out the dustman with the rain dogs
Aboard a shipwreck train, give my umbrella to the rain dogs
For I am a rain dog too

Oh, how we danced with the Rose of Tralee
Her long hair black as a raven
Oh, how we danced and you whispered to me
You’ll never be going back home
Oh, how we danced with the Rose of Tralee
Her long hair black as a raven
Oh, how we danced and you whispered to me
You’ll never be going back home


Artigo publicado: Culture and Implicit Self-Esteem

dezembro 12, 2008

Título: Culture and Implicit Self-Esteem: Chinese Are “Good” and “Bad” at the Same Time

Autores: Helen C. Boucher, Kaiping Peng, Junqi Shi, and Lei Wang

Periódico: Journal of Cross-Cultural Psychology 2009;40 24-45

Resumo: clique aqui para obter


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