Estereótipos, gênero e música: Ultraje a Rigor

Contribuição: Diogo Araújo

A banda de rock Ultraje a Rigor foi uma das protagonistas do chamado “Rock Brasil” dos anos 80, e consagrou-se pelo seu estilo irreverente, trazendo quase sempre nas letras uma maneira bastante “objetiva” de como os homens expressam seu interesse sexual pelas mulheres. Vemos um bom exemplo na música “Eu Gosto é de Mulher”, do álbum “Sexo!”, de 1987.

Mas parece que com o passar do tempo e o com o crescente estabelecimento das novas relações entre os gêneros, a trupe liderada por Roger Moreira também passou a se preocupar com os questionamentos que se abateram na classe masculina do final do século XX. A relativização de alguns atributos clássicos da masculinidade são abordadas em “Ah, Se Eu Fosse Homem…”, do álbum “Ô!”, de 1993.

7 respostas para Estereótipos, gênero e música: Ultraje a Rigor

  1. Jamyle Santana Reis disse:

    Nossa adorei esse paralelo da banda Ultraje a Rigor da música “Eu Gosto de Mulher” de 1987 à “Ah se eu fosse homem” de 1993. Demonstra de uma maneira sensível o lado masculino da situação, principalmente na musica de 1993 em que fica claro o quanto o paradigma vigente faz com que o homem reprima seus sentimentos quando não gostaria de fazê-lo. Vou dar uma de advogada dos homens e pontuar que acho muito cruel não poder dar vazão aos seus sentimentos porque se assim o fizer vai ser julgado de forma preconceituosa por outras pessoas e muitas vezes pelas próprias mulheres.

  2. Júlia Lobo disse:

    velho , essa segunda música é MUITO linda!
    Sempre soube que o Roger era super inteligente, mas não conhecia essa.
    falando nisso/neles, aquela “queria levar um vida moderninha, deixar minha meninha, sair sozinha…mas eu me mordo de ciúmes” já começava a falar “disso”: de querer furar os estereótipos de homem machão, mas saber que não é fácil.
    AMEI!

  3. Marcus Vinicius Alves disse:

    A segunda música é boa mesmo, o acústico deles ficou bem legal e a letra é interessante. O baterista toca muito, mesmo num acústico tocando com essa energia.

  4. Diogo Araújo disse:

    Eu vejo estas duas canções como dois lados de uma ambivalência que aflige muitos homens hj em dia. Ao mesmo tempo que reconhecem a necessidade de mudanças nas relações entre os gêneros, tb não querem perder sua identidade masculina e exigem o “direito” de terem seus momentos de macheza. A obra do Ultraje transita com muito humor e franqueza por estes dilemas masculinos. O “Eu Gosto é de Mulher” é a expressão da última referência de masculinidade inexpugnável. Que o mundo mude todo, mas eu gosto é de mulher!

    E sobre a banda, eles são demais. O vídeo de 87 é muito legal, com os caras num visual totalmente Hard Rock seguindo a moda de tocar na rua, que o U2 tb aderiu no mesmo ano, no clipe da música “Where The Streets Have No Name”.

  5. Júlia Lobo disse:

    é, eu adorooo hard rock (até o farofão, admito x)!). mas eu sei que mtas bandas famosas tem letras e comportamentos super machistas. é que a ideologia da parada era mto “sex, drugs and rock’n roll”,sabe? aquela coisa do dr. sin “futebol, mulher e rock’n roll”. tem shows q q tinha muuita mulher na platéia (e no camarim) super se oferecendo pra os caras…
    um exemplo de letra assim é daminh querida banda Deep Purple. Reparem como o cara é apaixonado pelo carro como pela mulher , e os dois são “a killing machine”.

    Nobody gonna take my car
    Im gonna race it to the ground
    Nobody gonna beat my car
    Its gonna break the speed of sound
    Oooh its a killing machine
    Its got everything
    Like a driving power big fat tyres
    And everything

    I love it and I need it
    I bleed it yeah its a wild hurricane
    Alright hold tight
    Im a highway star

    Nobody gonna take my girl
    Im gonna keep her to the end
    Nobody gonna have my girl
    She stays close on every bend
    Oooh shes a killing machine
    Shes got everything
    Like a moving mouth body control
    And everything

    I love her I need her
    I seed her
    Yeah she turns me on
    Alright hold on tight
    Im a highway star

  6. Diogo Araújo disse:

    Eu tb acho bizarro isso de pessoas tratando pessoas como se fossem coisas.

    Apesar de eu tb amar um genuíno “american muscle car”.

    Mas, como diria o Latino: a libido está no ar…

    Seria bom que essa energia estevesse a serviço do bem-estar de todos os interessados, sem tanto desequilibrio de poder.

  7. Silvânia Muniz disse:

    Apesar da forte existência do preconceito em vários aspectos, é válido salientar a importância de mesclar à realidade em que vivemos. E se a música contribui de alguma forma para essa exclamação social; que seja assim pois o que vale mesmo é a satisfação dos seres e não o velho fingimento de de está “tudo bem”. O Ultraje à Rigor propocionou uma ruptura de preconceitos e tudo o que foi propagado através da música deles (e de outros é claro!) tinha, teve e sempre terá um objetivo mais direto à realidade!!!! Eles são sabientes!!!

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